Como tentar subornar um sultão com um livro

Abdul-Hamid IICerta vez, tendo uma sociedade capitalista francesa solicitado a Abdul-Hamid determinada concessão, tratou, naturalmente de conquista a boa vontade do soberano. Receosa, porém, de que uma oferta direta pudesse ofendê-lo, mandou encadernar quantidade bastante expressiva de notas de banco, dando ao livro assim formado uma capa onde se lia, em bela gravação dourada: História da França, por Jacques Dupuy.

Em audiência concedida pelo sultão, os portadores do livro, entre muitos cumprimentos, disseram-lhe:

– Sire, sabendo quanto amais nosso país, e gratos pelo apoio que ides dar à nossa empresa, atrevemo-nos a presentear-vos com este livro de Dupuy, que trata da história da nossa pátria.

O sultão recebeu o livro, folheou-o, impassível, sem demonstrar a mínima surpresa diante do insólito recheio. E respondeu:

– Muito vos agradeço, mas preciso fazer um reparo. Sei que a História da França escrita por Jacques Dupuy foi editada em dois volumes. E eu detesto obras incompletas.

– Sire – foi a rápida resposta do chefe da empresa –, não trouxemos o segundo volume porque ainda está sendo impresso, mas bem depressa o tereis em mãos.

À saída, dizia ele a seus companheiros:

– Eis o que nos vai custar os conhecimentos culturais deste sultão. O espertalhão sabe mais sobre nossos autores do que nós próprios.


ABDUL-HAMID (1842-1917) – Sultão da Turquia, reinou de 1876 a 1909, ano em que foi deposto. In: LACERDA, Nair – Grandes anedotas da história. p.19. Cultrix. São Paulo, 1977.

* Comprei esse livro num sebo, no Rio de Janeiro, em 1991.

Dalton Trumbo – a redenção de um roteirista perseguido

Ontem, assisti ao filme “Trumbo”. O elenco é encabeçado por Bryan Craston e Helen Mirren. Ele interpretando o escritor e roteirista de cinema Dalton Trumbo. Ela interpretando a poderosíssima jornalista Hedda Hopper, que criava ou destruía reputações de obras cinematográficas, artistas, diretores  e mantinha todos sob o medo da opinião de seus 35 milhões de leitores de sua coluna nos EUA.  Trumbo foi um dos membros do grupo de roteiristas e artistas conhecida como os 10 de Hollywood. Todos foram condenados a um ano de prisão por ligações com o Partido Comunista dos EUA.

Vários nomes de peso da indústria cinematográfica norte-americana são retratados no filme como, por exemplo, John Wayne que foi um dos maiores perseguidores de colegas de profissão que eram comunistas ou supostamente comunistas. Além dele, também surgem as figuras de Kirk Douglas, que acreditou no trabalho de Dalton Trumbo e o procurou para escrever o roteiro de “Spartacus“, vencedor do Globo de Ouro de 1961 e foi dirigido por Stanley Kubrick. Houve quem negasse suas convicções políticas e delatasse (delação premiada com a garantia de emprego e fim das acusações de atividades antiamericanas) como o ator Edward G. Robinson, um imigrante romeno que se naturalizou norte-americano. O diretor austríaco radicado nos EUA, Otto Preminger foi o responsável pela redenção de Trumbo aoi contratá-lo para escrever o roteiro do filme “Exodus” e fazer questão de anunciar nos jornais que ele seria seu roteirista.

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Dalton Trumbo e sua esposa Cleo durante durante os interrogatórios
do Comitê de atividades antiamericanas do senado dos EUA. Ao fundo Bertolt Brecht.

Esse filme conta um pouco da história de um período emblemático dos EUA, a “caça às bruxas”, ou seja, a perseguição aos cidadãos comunistas e os supostamente comunistas nas décadas de 1940 e 1950 (se estendeu até meados dos anos 1970). Aqueles que foram delatados ou tiveram suas ideias políticas foram afetados pelo medo criado e dirigido cujo principal vilão era o “perigo vermelho” e políticos oportunistas criaram comissões no congresso norte-americano que mais pareciam tribunais da Inquisição.  Há uma cena no filme em que Trumbo, e passou onze meses na cadeia após ser condenado por ser comunista, se depara com um outro presidiário que varria o chão. Este era o mesmo político que o levara a depor na “CPI” e o condenara. Pois bem, o tal político foi preso por fraude fiscal.

A contextualização posso dizer que é perfeita e retrata muito bem a histeria que afetou a todos naquela sociedade. Havia uma lista negra em Hollywood e quem estivesse nela não era contratado. Não foram apenas os intelectuais e pessoas ligadas as artes, em especial, o cinema de Hollywood, aqueles que foram afetados, perseguidos, demitidos, censurados, calados, aviltados e viveram um inferno devido as suas convicções políticas.

O que ressalta a nós, brasileiros, é perceber que o ódio aos que pensavam diferente não difere muito do que vemos na atualidade. Há momentos, no filme, em que Trumbo teve um copo de refrigerante jogado sobre si por um homem que fora ver seu filme e o chamou de traidor. Ou o vizinho, que tão logo percebe quem era o novo morador, joga lixo e animais mortos na piscina da casa do escritor. Além disso, para sobreviver, era preciso trabalhar no anonimato criando roteiros e não assinando, entregando a amigos ainda não perseguidos para que assinassem como seus. Mesmo assim, com toda a perseguição e portas fechadas, Trumbo usando pseudônimos e sendo ghost writer ganhou duas vezes o Oscar sem que soubessem que ele era o roteirista dos filmes.

Ao pensar em um livro você lembra da capa?

Ao pensar em um livro você lembra da capa?

200pxrye-catcher-thumb.jpgQue a embalagem seja tão importante quanto o conteúdo, em se tratando de livros, é algo que editores e capistas discutirão até o fim dos tempos. Afinal, a primeira propaganda do livro é a sua capa que deverá não apenas informar o que está lá dentro, mas também fazer com que o livro se destaque entre outros tantos em bancadas de livrarias físicas e virtuais.

Várias vezes você chega a uma livraria sem saber bem o que vai levar para ler e se interessa, antes de tudo, pela capa e aí vem aquele famoso ritual, que todo leitor que se preza faz naturalmente.

1 – toca o livro;
2 – retira do seu lugar na bancada;
3 – observa a capa aproximando os olhos;
4 – observa a 4a. capa (e lê o texto)
5 – volta para capa (lê a orelha direita);
6 – lê a orelha esquerda;
7 – abre o livro

Daí em diante, o leitor se atem ao índice ou sumário quando há. Em romances, o leitor já “cai” direto no início da trama. Em outros tipos de livros você encontra a introdução, que pode ser escrita pelo próprio autor ou por alguém convidado a fazê-lo. O que te levou a percorrer todos os itens lá de cima foi a capa. Por isso que ela é tão importante e deverá ser marcante.

O FlavorWire, um portal cultural, fez uma pesquisa e chegou a 20 capas de livros consideradas as mais icônicas de todos os tempos. Os livros são Ardil 22, O Grande Gatsby, Laranja Mecânica, O Apanhador no Campo de Centeio, Admirável Mundo Novo, A Sangue Frio, Lolita, On The Road e outros mais. Cabe lembrar que as capas de livros, muitas vezes refletem a cultura em que está inserida ou local e período em que o livro foi editado.

Músicas do fim do amor

Pura poesia

“Creia
Toda quimera se esfuma
Como a beleza da espuma
Que se desmancha na areia” (Ary Barroso, Risque)

Dizem que um dia a paixão se acaba e todo amor também se vai. O pior momento é o da despedida, o momento crucial da vida daqueles que um dia foram apaixonados.

Nem todo amor acaba como em Casablanca: Ainda temos Paris. Certamente, se acaba, guarda uma parte de rancor, tristeza, mágoa e súplicas para que nunca mais seja procurado (a). Geralmente, as palavras de despedida não são doces ou totalmente amargas. São apenas palavras que pedem o esquecimento.

Risque – Ari Barroso

11 canções Pop inspiradas pela Literatura

Pink Floyd e George Orwell, Devo e Thomas Pynchon. Mick Jagger e Charles Baudelaire. Embora eles pareçam ser parcerias musicais bastante improveis, muitas canções de rock resultaram de uma inspiração do músico ou letrista encontradas nas páginas de um livro. Estes são apenas a ponta do iceberg. Se você lembrar de alguma canção brasileira surgida nesse moldes não se esqueça de compartilhar nos comentários.

1. Música: “Pigs (Three Different Ones),” Pink Floyd – Livro: Revolução dos bichos, George Orwell.

O grupo Pink Floyd se sentiu fortemente influenciado por este livro de Orwell, que o álbum Pigs é baseado livremente em torno de temas A revolução dos bichos. “A temática é sobre as pessoas donas de riqueza e poder.

2. Música: “Whip It,” Devo – Livro: Arco-íris da gravidade, Thomas Pynchon.

De acordo com Jerry Casale (cantor, baixista e tecladista) do Devo:

“‘Whip It‘, como muitas canções Devo, teve uma longa gestação, um longo processo. As letras foram escritas por mim como uma imitação de paródias de Thomas Pynchon em Arco-íris da gravidade. Ele havia parodiado rimas e poemas típicos dos americanos cultos; de idéias obsessivas de personalidade como Horatio Alger e ““Você é o nº 1”, não há mais ninguém como você”. Eu pensei, ‘Eu gostaria de fazer um como Thomas Pynchon, “assim que eu escrevi’ Whip It ‘uma noite.”

3. Música: “Wuthering Heights,” Kate Bush – Livro: O morro dos ventos uivantes, Emily Bronte.

Aos 18 anos de idade, Kate Bush se inspirou para escrever a canção depois de ver apenas 10 minutos de O morro dos ventos uivantes na TV em 1977.

“Tenho certeza que uma das razões que ficaram em minha mente foi causada pelo espírito de Cathy, que era a forma como era chamada nessa idade. Mais tarde ela mudou para Kate. Era apenas uma questão de exagerar todas as minhas áreas de personalidade não tão boazinhas , porque ela (a personagem) é uma pessoa muito abjeta. Ela é tão teimosa e apaixonada e louca …, sabe? E foi divertido de fazer, e levou uma noite e meia”?

4. Música: “The Ghost of Tom Joad,” Bruce Springsteen – Livro: As vinhas da ira, John Steinbeck.

Tecnicamente, Springsteen foi inspirado pela adaptação de John Ford para o cinema, da jornada de John Steinbeck. “The Ghost of Tom Joad” é uma versão 1990 de As Vinhas da Ira, para servir como um lembrete de que os tempos modernos são tão duros como o período retratado no livro.

5. Música: “Sympathy for the Devil” , Rolling Stones – Livro: O Mestre e Margarida, Mikhail Bulgakov.

Em 1968, Mick Jagger e sua então namorada, Marianne Faithfull, leram um livro que ela pensou que poderia ser-lhe agradável. Jagger acabou escrevendo “Sympathy for the Devil” depois de ler o romance, que começa quando Satanás, disfarçado como um professor, encaminha-se e apresenta-se a um par de homens que discutiam sobre Jesus.

Mais tarde, Mick sugeriu que algumas das letras podem ter sido inspiradas pelas obras de Charles Baudelaire, assim, o que torna “Sympathy” o resultado de um Rock Star chegado aos livros.

6. Música: “Holden Caulfield”, Guns N’ Roses – Livro: O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger.

O álbum Chinese Democracy (2008) ccontinha uma música chamada “O apanhador no campo de centeio”, o clássico livro de JD Salinger. Entretanto, supõe-se que a música é realmente sobre um outro evento em que Holden Caulfield (personagem do livro) foi envolvido: o assassinato de John Lennon, em 1980. O assassino de Lennon estava carregando uma cópia do livro quando puxou o gatilho.

7. Música: “Tales of Brave Ulysses”, Cream – Livro: Odisseia, Homero.

Nem mesmo Eric Clapton pode resistir as sereias de A Odisséia. Embora seja cantanda por Clapton, as letras foram escritas por Martin Sharp, que acabava de voltar de férias em Ibiza e foi inspirado por todo o cenário exótico – praias e mulheres, presumivelmente.

8. Música: “Layla”, Eric Clapton – Livro: Layla e Majnun, Nizami

Clapton se apaixonara por Pat Harrison, mulher de seu melhor amigo, George Harrison. Sofrendo de amores não completados, escreveu esta canção baseada no conto Persa Layla e Majnun (majnun significa louco), que ao se apaixonar perdidamente por ela, teve seu desejo de casar negado, pois ela estava prometida a outro homem. Por isso vagou como um louco pelo deserto.

9. Música: “Breathe”, U2 – Livro: Ulysses, James Joyce.

Falando de A Odisséia, não é nenhuma surpresa que The Edge e Bono gostariam de prestar homenagem ao seu compatriota irlandês James Joyce, definindo “Breathe” como se estivesse em 16 de junho. Esse é o dia que transcorre a vida de Leopold Bloom ao longo das páginas do Ulisses de Joyce, e é também o dia em que os fãs de Joyce em toda parte honram sua obra celebrando o Bloomsday.

10. Música: “Ramble On”, Led Zeppelin – Livro: O Senhor dos anéis, J.R.R. Tolkien.

Se você já ouviu a letra de “Ramble On”, isto não vai ser uma surpresa para você. Por exemplo:

“‘Nas profundezas mais obscuras de Mordor
Eu conheci uma garota tão justa.
Mas Gollum, o maligno surgiu
E fugiu com ela. “

Por anos, eu só prestara atenção ao coro de “Ramble On”. foi um choque quando percebi do que a letra tratava.

11. Música: “Scentless Apprentice”, Nirvana – Livro: O Perfume, Patrick Süskind.

Kurt Cobain, que frequentemente mencionava que era um de seus livros favoritos. Ele gostou tanto, de fato, que escreveu uma canção ce gravou-a no álbum In Utero (1993). O livro é sobre um homem que mata mulheres jovens e capta os seus aromas, a fim de fazer o perfume perfeito.

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O Ciúme em 16 citações e uma canção do John Lennon

Nada é mais letal contra o ciúme do que uma gargalhada
Françoise Sagan

Ciúme é um sentimento que todos nós fingimos não ter quando gostamos de alguém ou alguma coisa, mas que fica aparente até mesmo num simples olhar. Há quem dê show, babe e até ameace se jogar da ponte por puro ciúme. Na verdade, o (a) ciumento (a) é antes de tudo um (a) inseguro (a). Mas, cá pra nós, um tanto de ciúme dá molho a qualquer relacionamento.

Nesta nova coletânea da Série Citações, encontraremos frases sarcásticas e de lamento. Outras de extremo ciúme e até desculpas por ser ciumento e até de reconhecimento por ser ciumento. Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu isto.

O que torna a dor do ciúme tão aguda é que a vaidade não pode ajudar-nos a suportá-la
Stendhal

Só o ciúme me faz saber se estou apaixonada
Marie La Fayette

As mulheres detestam um ciumento que não é amado, mas ficam furiosas se o homem que amam não for ciumento
Ninon Lenclos

Os ciúmes de um namorado são uma homenagem; os de um marido são um insulto
Carmen Sylva

O ciumento é um mártir que martiriza
Condessa Diane

Os desconfiados desafiam a traição
Voltaire

Todas as mulheres sabem que os ciumentos são os primeiros a perdoar
Dostoievski

Como ciumento sofro quatro vezes: por ser excluído, por ser agressivo, por ser doido e por ser vulgar
Roland Barthes

O ciúme é um monstro de olhos verdes que zomba do alimento que vive
Shakespeare

Mas eu me mordo de ciúme… ciúme!
Ultraje a Rigor

As mulheres bonitas não têm que ter ciúmes dos seus maridos. Estão demasiado ocupadas com os ciúmes que têm dos maridos de outras mulheres
Oscar Wilde

Eu sou apenas um cara ciumento (I’m just a jealous guy)
John Lennon

Aquele que não tem ciúmes, até mesmo das calcinhas da bem-amada, não está apaixonado
Cesare Pavese

O ciúme grosseiro é uma desconfiança do objeto amado; o ciúme delicado é uma desconfiança de si mesmo
Julie Lespinasse

O ciúme nasce sempre com o amor, mas nem sempre morre com ele
La Rochefoucauld

Fonte: [Citador]