30 mil bibliotecas numa só

A Biblioteca Digital Alemã (Deutsche Digitale Bibliothek, ou DDB ) pretende reunir o acervo de 30 mil bibliotecas em uma só. Todas serão digitalizadas e estarão a disposição na internet. Em parte é uma concorrência ao Google Books. O processo se dá através de um robô que é capaz de digitalizar 1216 páginas por hora.

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(Image-56853-galleryV9-hosf ₢ Wolfgang Maria Weber – Spiegel Online)
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Para se ter uma ideia da dimensão do projeto, o centro de Digitalização de Munique da Biblioteca Estadual da Baviera já digitalizou 45mil obras, desde os manuscritos do Anel dos Nibelungos até partituras de Gustav Mahler.

Parte do acervo, a título de teste, estará disponível a partir de 2011. Os organizadores do projeto “prometem uma câmara virtual de maravilhas, tanto para os leigos, como será para os investigadores que procuram fontes específicas e documentos científicos. Digite "Beethoven" e você vai encontrar não apenas livros sobre o compositor, mas – finalmente – partituras manuscritas, amostras de música e, talvez, uma versão cinematográfica de "Fidelio".

Leia o artigo diretamente no site da Spiegel Online (em inglês)

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O rosário no iPhone: gadgets e a fé

Nos EUA, os aparelhos eletrônicos (smartphone, iPod, notebook e demais gadgets) começam a ser utilizados no auxílio da fé como, por exemplo, é o caso da iRosary, um aplicativo para o iPhone ou iPod Touch, que permite iphonedispor de um rosário eletrônico na telinha dos aparelhos, para você rezar o Terço. A ideia de criar o aplicativo surgiu quando Dave Brown e sua esposa Jackie estavam no quarto do hospital em que sua filha, Isabella, fazia tratamento contra um tipo de câncer.

"Então, olhamos para estes iPhones em nossas mãos e nós dissemos: "Puxa, não seria grande se nós pudéssemos colocar o rosário diretamente aqui e, por isso, não precisaria haver uma luz acesa durante a noite, enquanto nós estivermos sentados lá no quarto de Isabella, no hospital?"

Alguns detalhes do aplicativo:

  • a contas (miçangas) que compõem o rosário podem ser giradas com toques na tela;

  • você pode escolher 243 tipos de design para a cruz e contas (miçangas);

  • orações em inglês, francês, espanhol e latim;

  • o treco faz o aparelho vibrar nos momentos de maior fervor.

Além disso, há também  o portal Pope 2 You  (algo como O Papa para você), e pode ser acessado em outras quatro línguas: Francês, Italiano, Espanhol e Alemão.

Não são apenas os católicos da terra do Tio Sam  que contam com as modernices tecnológicas para angariar um número maior de almas para seus rebanhos, os protestantes não tem apenas, hoje, os famosos pastores eletrônicos; já dispõem de uma rede de satélites para transmitir a programação do portal Life Church TV, permitindo, assim, que toda semana cerca de 60 mil computadores estejam conectados ao mesmo tempo em rede para, segundo as palavras contidas no referido portal, “Toda semana, nos unimos ao redor do mundo para adorar a Deus e à experiência de uma mensagem relevante e poderosa, que ensina as verdades da Bíblia”.

Para os judeus, apesar de vários religiosos já fazerem uso de meios eletrônicos para serem contatados, como o site Ask Moses (pergunte a Moisés), que só não responde às perguntas durante os feriados religiosos e o sabath (sábado). Um dos organizadores do site que afirma que "Não pretendemos substituir a conexão humana ou a interação humana", (…) "Nossa reivindicação é que estamos a um outro nível que pode realmente ajudar uma pessoa a alcançar um objetivo que, caso contrário pode ser impossível sem isso." Para os religiosos judeus mais conservadores, coisas como este site constituem uma forma de exceção, no sentido de “não é bem isso que se deve fazer”.

Por qual motivo não falam Jesus de forma natural?

Ao ler o artigo Religion Finds Home On IPhones, Social Networks, de Jessica Alpert para o NPR, eu achei interessante a forma pela qual se referem a Jesus. Eles, os norte-americanos, são capazes de jogar bombas atômicas, mas sentem medo ao falar a palavra Jesus, tanto que pronunciam “gee” (djii), uma metonímia do nome daquele rapaz judeu, mais conhecido por Jeoshua e que foi parar na cruz pagando nossos pecados. Deus, então, é mais conhecido como Gosh. Sabe aquela coisa de não pronunciar o nome do vosso deus em vão?  Cada povo com suas manias e sua cultura, não?

Em um filme (clássico), “A História do Mundo – Parte 1”, do diretor Mel Brooks (Melvin Kaminsky), há uma cena hilária que se passa durante a santa ceia (last supper para os comedores de rotidógui), na qual ele, Mel Brooks, interpreta o garçom que atende aos pedidos feitos pelos 12 apóstolos e Jesus. No meio do diálogo, já beirando o non sense, por não conseguir que os 13 participantes à mesa fizessem o pedido, ele exclama Jesus!, que soaria para nós, tupiniquins, como algo do tipo “caramba…”, no sentido de “mas que saco!”. E o que acontece? Jesus, que é interpretado pelo ator inglês John Hurt, pensa que está sendo chamado.

Entretanto, antes do diálogo citado, há uma outra situação muito engraçada quando o garçom espera que todos façam seus pedidos e Jesus diz que naquela noite, um deles o trairá. Ato contínuo, o garçom faz uma pergunta direta a… Judas. O que perdeu as botas lá longe dá um salto da cadeira e, quase que mortificado, pede para que os deixem em paz.

Atenção para o pastelão histórico: Após o diálogo, imagine quem surge na sala em que ocorre a santa ceia? O seu, o nosso, o de todos nós… Leonardo Da Vinci! Veja o vídeo.

E-readers são os autoramas do século XXI?

Se você puder comprar um leitor eletrônico de livros (Kindle ou Reader, além do recém lançado Nook da Barnes & Noble), você leria mais?

Até agora, segundo uma pesquisa da própria Amazon, que está no artigo E-book fans keep format in spotlight, do The New York Times/Technology, as pessoas estão comprando mais 3.1 livros eletrônicos do que antes. Isso significa que, por exemplo, você comprava 8 livros por ano e agora passou a comprar 24.8 livros por ano. Se você vai ler é outra história.

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IMAGEM: © Kelly Redinger/Design Pics/Corbis

Acredito que a compra seja uma mistura de impulso e enchimento de linguiça. Como é que você vai ter um treco desses e ele vai ficar vazio?

Esta é a dúvida que se apresenta. Acredito que todos os meios que divulguem e permitam a leitura sejam válidos; porém, será que esse leitores eletrônicos não se tornariam uma espécie de autorama ou Forte Apache para os seus donos? Quem teve autorama sabe do que estou falando. Você brinca até cansar e depois larga de lado.


Seria, então, um modismo ou veio para ficar? Se depender da indústria tecnológica e produtores de best-sellers, a coisa veio para ficar e, se possível, até desenvolver mais os tais aparelhos com a possibilidade de ter imagens e textos em cores. Prometem para um futuro breve leitores que podem ser até dobráveis ou que se transformem num quase pergaminho. Mas, aqui para todos nós, o objeto livro como o conhecemos ainda é um modelo incomparável de portabilidade e design, não?

Dos tabletes de argila, da Mesopotâmia, aos tipos móveis inventados na China passaram-se séculos. Outros mais até que Gutenberg também aproveitasse a idéia de usar tipos móveis e criou a imprensa no Ocidente. Desde então, a leitura e a escrita foram massificadas e o acesso ao conhecimento deixou de ser privilégio de castas e sacerdotes.

Portanto, desde o século XV que a melhor maneira de se aprender é através de um objeto retangular, com dimensões e espessuras variadas – livros de literatura, por exemplo, foram padronizados no tamanho 14×21 ou 16x23cm – , criado a partir de celulose, tinta e ideias. É fácil de carregar e usar. O interessante é que o índice de analfabetismo em países do 3º mundo (ainda existe essa nomenclatura?) é responsável pela pobreza e não-desenvolvimento desses países. Nem vou falar sobre o analfabeto funcional, aquele que só sabe ler e escrever o nome, pois temo que, ao incluir esta categoria, boa parte dos estudantes brasileiros acabem fazendo parte e inchando os números alarmantes de desinformação e desconhecimento que tanto assustam a nós, professores. Pelo menos há uma política governamental em alguns países para estimulo da leitura. Ao mesmo tempo, esses leitores eletrônicos são capazes de ler o texto em voz alta. Voltaremos a difundir o conhecimento pela oralidade como faziam nossos antepassados antes da invenção da escrita?

Hoje, e com uma boa parcela de razão, os produtores de e-readers indicam que esses aparelhos salvarão árvores que deixarão de virar papel. Tudo bem, é um pensamento válido. Mas, os materiais que compõem os tais aparelhos também são produzidos a partir de recursos naturais, cuja extração gera degradação e poluição. Seria uma encruzilhada?

Você já imaginou sua casa sem prateleiras e estantes sem os seus livros? E quando você juntar os trapinhos com a sua alma gêmea que, certamente, têm gostos literários similares? O que farão ao saber que não terão que doar aqueles mesmos livros que ambos tinham em comum em suas prateleiras. Ah, o amor poderá sofrer um certo abalo ou aumentará, não?

A verdade é: esses aparelhos vieram para ficar. As gerações futuras talvez conheçam o livro como nós os conhecemos quando visitarem algum museu.

Câmera fotográfica feia, mas que faz tudo

Cientistas criam câmera com sistema operacional Linux e que promete uma revolução na arte da fotografia.

Hoje, a tecnologia nos permite fazer tudo aquilo que apenas se espera de uma máquina fotográfica, isto é, olhou, gostou, apertou o botão e pronto. O que estão prometendo é uma câmera que fará não apenas o que a maioria já faz hoje em dia, mas que crie fotos para nós. Você está se perguntando como seria isso. É simples. Segundo, Marc Levoy, pesquisador da Universidade de Stanford (EUA), a Frankencamera – uma alusão ao ser criado pelo Imagem ₢ Linda A. Cicero/Stanford News ServiceDr. Frankenstein –, um protótipo de câmera digital montado a partir de partes recicladas de outras câmeras. Ela terá tantas aplicações quanto, por exemplo um iPhone. Ela poderá ser alterada em sua operacionalidade quase infinita, bastando apenas usar o aplicativo específico para a solução desejada ao fotografar.

A promessa é que essa câmera, cujo sistema operacional embutido é o Linux, visto, ainda segundo as palavras de Levoy: “Toda câmera digital é essencialmente um minicomputador”. Portanto, será possível para a máquina tirar várias fotos de um mesmo objeto ou pessoa, juntar todas e, a partir daí, apresentar a melhor solução de imagem. Confira as imagens no artigo ‘Frankencamera’: A Giant Leap For Digital Photos?, que está no NPR do dia 11 de outubro de 2009.

Todo mundo gosta de fotografia. Afinal, é a aquele momento de sua vida ou de seus parentes ou de quem mais quer que seja, que será eternizado. Antigamente isso era possível numa placa de vidro ajudado por processos químicos. Depois, isto passou a ser feito em celulose e, atualmente, em meios eletrônicos.

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Imagem © Henry Horenstein/Corbis

Não se precisa mais tanto do papel para que possamos ver as fotos, Basta um monitor e meios de armazenagem eletrônica como CDs e pen drives, por exemplo.

Todo mundo tem pelo menos uma foto de quando era criança ou de algum lugar que visitou. Porém, nem sempre a foto é de boa qualidade técnica – nem vou falar da estética, pois ser fotogênico é uma questão de sorte –, devido a um, digamos, não-conhecimento das técnicas da arte da fotografia. Tudo o que a maioria das pessoas deseja é apertar o botão do obturador, ouvir o click e depois mostrar – ou guardar – essa ou aquela imagem.

Com o advento dos programas de tratamento gráfico, operam-se verdadeiros milagres, tanto que eu vos digo que o Photoshop não é Jesus, mas opera milagres; transformando verdadeiras aberrações – Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental – em modelos que observam os padrões de beleza estética vigente no momento, ou que estão na moda. Às vezes o pessoal que trata as imagens erra na mão ou tem tanto zelo em transformar alguém que já é bonita por natureza em mais bonita que comete erros que beiram a atrações daqueles shows em circos dos horrores. A Veja desta semana traz um fato assim (p. 102): Uma modelo que já é bonitinha teve sua fotografia tão retocada que os quadris ficaram menores que a cabeça. Logo, um pequeno monstrengo estético surgiu em anúncios de uma conhecida grife norte-americana. O dono da grife ameaçou processar quem divulgasse a tal foto.

* Imagem no início do artigo – ₢ Linda A. Cicero/Stanford News Service

A cada dia nasce um cientista

© Ian Boddy/Science Photo Library/CorbisLeia (faça o download) de um livro em que vários cientistas apresentam as razões pelas quais se apaixonaram pela ciência. É ideal para que professores possam despertar o interesse pela ciência nas crianças e adolescentes.

Porém, isto só é possível quando um sistema educacional propicie meios e estímulos para que as crianças e adolescentes levem adiante o interesse pela ciência que, muitas vezes, foi despertado dentro de sua própria casa ou através de amigos.

Então, uma das coisas mais bacanas da internet é podermos ler e compartilhar informações como o livro de depoimentos “Algumas razões para ser cientista” (download em pdf), um projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia, que, em 2004, organizou a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. O livro em questão foi baseado numa outra publicação, One hundred reasons to be a scientist (Cem razões para ser um cientista), em comemoração dos 40 anos de fundação do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP), que tem por finalidade promover a cooperação científica nas áreas da Física e da Matemática entre os países desenvolvidos e não-desenvolvidos.

A edição brasileira conta com alguns depoimentos da publicação original e também com os depoimentos de cientistas brasileiros, que contam como enveredaram pelo caminho fascinante da ciência. Uma coisa é comum a todos: a curiosidade pelo conhecimento.

Abaixo está o sumário para que você veja quem são os cientistas e o livro pode ser lido online ou fazer o download, no site do Domínio Público.

Eu já estou lendo.

Sumário

STEPHEN L. ADLER | Dos elementos do rádio à física das partículas
elementares ………………………………………… 06

MICHAEL BERRY | Vivendo com a física …………………… 12

JAMES W. CRONIN | Cientistas nascem a todo minuto ………… 18

ELISA FROTA-PESSÔA | Quebrando barreiras ……………….. 22

VITALY L. GINZBURG | Educação, ciência e acaso ……………. 26

MARCELO GLEISER | O mundo é belo e a gente tem que mostrar isso para

as pessoas …………………………………………. 32

JOHN J. HOPFIELD | Crescendo na ciência ………………… 36

BELITA KOILLER | A competência não escolhe gênero ………… 42

LEON M. LEDERMAN | Cientistas são exploradores ……………. 46

JOSÉ LEITE LOPES | Uma parte da história da física no Brasil .. 50

DOUGLAS D. OSHEROFF | Explorando o universo ………………. 54

MARTIN M. PERL | Fazendo ciência experimental ……………. 60

HELEN R. QUINN | Você poderia ser uma matemática …………… 66

MARTIN REES | A ciência é uma busca sem fim ……………… 74

SÉRGIO REZENDE | O desafio de enfrentar o desconhecido ……. 80

VERA C. RUBIN | Nós precisamos de vocês ………………… 84

ROBERTO A. SALMERON | Sorte, dedicação e perseverança …….. 90

JAYME TIOMNO | Trabalho duro ………………………….. 96

CHARLES H. TOWNES | A história dos lasers ………………. 100

CONSTANTINO TSALLIS | Beleza e intuição ……………….. 106

DANIEL C. TSUI | A curiosidade foi a curva em meu caminho …. 110

STEVEN WEINBERG | O Camaro vermelho …………………… 114

MARIANA WEISSMANN | Memórias de uma física latino-americana .. 118

FRANK WILCZEK | A pesquisa científica me deu liberdade …… 124

EDWARD WITTEN | Olhando para o passado ………………… 128

Saramago e os 140 caracteres

O prestigiadíssimo ganhador do Nobel de Literatura, José Saramago, disse, numa entrevista ao O Globo, que o uso do Twitter, o microblog que limita as mensagens ao número máximo de 140 caracteres nos fará involuir ao nível da comunicação por grunhidos. Até entendo e quem sou eu para confrontar um escritor, ainda mais quando ele foi premiado com o Nobel e, para quem não sabe, o único que utiliza a língua portuguesa para escrever seus livros a ter recebido este prêmio. Entretanto, acredito que possa ter havido alguma desinformação ou informação pela metade.

Em apenas 380 caracteres, Fernando Pessoa nos deu isto:

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Tudo bem que, hoje, o pessoal não seja lá muito amigo das palavras e o oceano vernacular se limite a, quem sabe, 600 palavras dentro do Universo que é a Língua Portuguesa. Mas, mesmo assim, há que se encarar o Twitter, não como um meio de comunicação para mensagens longas. Tanto que as empresas, as organizações capitalistas, vislumbram estes mesmos 140 caracteres como sendo extremamente válidos para indicarem seus produtos. Mensagens rápidas e certeiras, o que constitui o sonho de todo marqueteiro e, talvez, dependendo do ponto de vista, o paraíso ou o inferno para os redatores das agências de publicidade. Lógico que sabemos que se faz necessário separar o joio do trigo. Imagino que o Saramago tenha dito que percebera uma enorme massa de informações imbecis e idiotizantes circulando por aí. Mas, o que é a humanidade se não alguns bilhões de almas que seguem seu rumo ajudadas pela genialidade de algumas poucas milhares de almas geniais que passaram por aqui até hoje? Deixemos que a bobagem prossiga, mas que possamos ter como nos defendermos dessas barbaridades como o internetês e o miguxês, por exemplo.

Fico aqui a me perguntar se, quando surgiram as primeiras tabuinhas de argila contendo aquilo que os arqueólogos e historiadores classificaram como os primeiros documentos escritos produzidos pela humanidade, se havia algum tipo de limitação à quantidade de caracteres – os cuneiformes dos sumérios – se isso faria com que chegássemos ao que temos hoje. Fico também imaginando que, hoje, temos no alfabeto latino 26 sinais que, ao serem misturados, formam as palavras que compõem a maioria das línguas ocidentais e, também, o alfabeto cirílico com seus 33 sinais, sendo que 10 deles são vogais, se isso impediria que escrevêssemos uma, dez, mil, um milhão de palavras. Claro que não. E eu nem vou falar sobre os alfabetos orientais que, em dois ou três traços uma idéia pode ser expressa com poesia. A quantidade de sinais e a formação das palavras, para quem as conhece suficientemente, serão, sim, um manancial inesgotável de alternativas para que nós, pobres mortais que brincamos de escrever, possamos nos comunicar. Sim, eu odeio o internetês. Vocês jamais lerão um texto meu contendo palavras escritas com esses “grunhidos”.

E, em se falando em comunicação, como esquecer a escrita utilizada nos antigos telegramas em que “pt” e “vg” significavam respectivamente um ponto e um vírgula. As mensagens eram sucintas e diretas e, nem por isso, a língua involuiu. O que faz a língua involuir é a má distribuição de renda que não permite que tenhamos acesso à cultura, aos livros, aos dicionários, por exemplo. E, por falar em dicionários até pouco tempo eu não sabia que participava de uma confraria dos, digamos, amantes dos dicionários.

Tudo isso porque, um belo dia, recebo um telefonema de uma repórter do Jornal do Brasil, que me pediu para passar o telefone de um amigo meu que é editor e, alguém lhe disse, que ele era um desses amantes de dicionários e enciclopédias. A conversa evoluiu e acabei sendo entrevistado ali mesmo e contando para ela que eu também tenho o hábito de ler dicionários e isso, acredite, vem desde a mais tenra idade; com toda certeza, motivado por meu pai que me presenteou com um dicionário enciclopédico da Lello quando eu fiz dois anos de idade. Na bagunça que se transformou a minha biblioteca, mais conhecida por Bagunçoteca, e após algumas mudanças de residência, eu me deparei com esse dicionário e li a dedicatória que meu pai escreveu. Comecei a folhear e a chorar. Não dá pra explicar. (Leia o artigo Enciclopédias, uma grata surpresa).

Voltando aos tais 140 caracteres, eu ainda acho que, se o pessoal passar a ler mais não teremos mensagens que nos levarão a grunhir, mas sim, teremos pessoas que passarão a fazer uso de toda pujança e diversidade que a língua portuguesa nos permite. É tão simples saber como usá-la que até nos complicamos.

Trajes espaciais em 15 imagens

A moda do espaço deve ser extremamente funcional e pensar um pouco menos na estética. O ideal seria que as roupas usadas pelos astronautas de ontem, de hoje e de amanhã fosse parecida com o modelito Star Trek, desde que você não use as famosas camisas de malha vermelha; sinal que você morreria naquele episódio. Acompanhe a evolução dos trajes espaciais em 15 imagens.

1_1444579iImagem ₢ NASA-Dayli Telegraph

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