Entenda o poder da televisão em menos de 5 minutos

“Porque menos de 3% de vocês leem livros. Porque menos de 15% de vocês leem jornais. Porque a única verdade que você sabem é a que sai dessa caixa preta*. Nesse exato momento há uma geração inteira que nunca aprendeu nada que não tivesse saído dessa caixa preta. Essa caixa preta é seu evangelho. É a revelação máxima. Essa caixa preta pode fazer ou tirar presidentes, papas e primeiros ministros. Essa caixa preta é a maior força que existe em todo o mundo de Deus”.

Esse discurso foi proferido por Howard Beale,um âncora de televisão que tem um colapso nervos,  interpretado por Peter Finch no filme “Rede de Intrigas” (1976). Qualquer semelhança não é mera coincidência com a atualade.

*Na tradução a palavra “tube“, o mesmo que tubo ou tela de televisão é traduzida como “essa caixa preta”.

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Dalton Trumbo – a redenção de um roteirista perseguido

Ontem, assisti ao filme “Trumbo”. O elenco é encabeçado por Bryan Craston e Helen Mirren. Ele interpretando o escritor e roteirista de cinema Dalton Trumbo. Ela interpretando a poderosíssima jornalista Hedda Hopper, que criava ou destruía reputações de obras cinematográficas, artistas, diretores  e mantinha todos sob o medo da opinião de seus 35 milhões de leitores de sua coluna nos EUA.  Trumbo foi um dos membros do grupo de roteiristas e artistas conhecida como os 10 de Hollywood. Todos foram condenados a um ano de prisão por ligações com o Partido Comunista dos EUA.

Vários nomes de peso da indústria cinematográfica norte-americana são retratados no filme como, por exemplo, John Wayne que foi um dos maiores perseguidores de colegas de profissão que eram comunistas ou supostamente comunistas. Além dele, também surgem as figuras de Kirk Douglas, que acreditou no trabalho de Dalton Trumbo e o procurou para escrever o roteiro de “Spartacus“, vencedor do Globo de Ouro de 1961 e foi dirigido por Stanley Kubrick. Houve quem negasse suas convicções políticas e delatasse (delação premiada com a garantia de emprego e fim das acusações de atividades antiamericanas) como o ator Edward G. Robinson, um imigrante romeno que se naturalizou norte-americano. O diretor austríaco radicado nos EUA, Otto Preminger foi o responsável pela redenção de Trumbo aoi contratá-lo para escrever o roteiro do filme “Exodus” e fazer questão de anunciar nos jornais que ele seria seu roteirista.

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Dalton Trumbo e sua esposa Cleo durante durante os interrogatórios
do Comitê de atividades antiamericanas do senado dos EUA. Ao fundo Bertolt Brecht.

Esse filme conta um pouco da história de um período emblemático dos EUA, a “caça às bruxas”, ou seja, a perseguição aos cidadãos comunistas e os supostamente comunistas nas décadas de 1940 e 1950 (se estendeu até meados dos anos 1970). Aqueles que foram delatados ou tiveram suas ideias políticas foram afetados pelo medo criado e dirigido cujo principal vilão era o “perigo vermelho” e políticos oportunistas criaram comissões no congresso norte-americano que mais pareciam tribunais da Inquisição.  Há uma cena no filme em que Trumbo, e passou onze meses na cadeia após ser condenado por ser comunista, se depara com um outro presidiário que varria o chão. Este era o mesmo político que o levara a depor na “CPI” e o condenara. Pois bem, o tal político foi preso por fraude fiscal.

A contextualização posso dizer que é perfeita e retrata muito bem a histeria que afetou a todos naquela sociedade. Havia uma lista negra em Hollywood e quem estivesse nela não era contratado. Não foram apenas os intelectuais e pessoas ligadas as artes, em especial, o cinema de Hollywood, aqueles que foram afetados, perseguidos, demitidos, censurados, calados, aviltados e viveram um inferno devido as suas convicções políticas.

O que ressalta a nós, brasileiros, é perceber que o ódio aos que pensavam diferente não difere muito do que vemos na atualidade. Há momentos, no filme, em que Trumbo teve um copo de refrigerante jogado sobre si por um homem que fora ver seu filme e o chamou de traidor. Ou o vizinho, que tão logo percebe quem era o novo morador, joga lixo e animais mortos na piscina da casa do escritor. Além disso, para sobreviver, era preciso trabalhar no anonimato criando roteiros e não assinando, entregando a amigos ainda não perseguidos para que assinassem como seus. Mesmo assim, com toda a perseguição e portas fechadas, Trumbo usando pseudônimos e sendo ghost writer ganhou duas vezes o Oscar sem que soubessem que ele era o roteirista dos filmes.

A primeira revolução ecológica do mundo

A Revolução dos Cocos, a primeira revolução cuja ecologia foi o principal motivo.

Revolução dos coc

Clique sobre a imagem para começara a assistir ao documentário

Trata-se de um documentário que está no Youtube e é dividido em 6 partes de aproximadamente 10’ cada um, produzido pela National Geographic e narrado por um ex-integrante do serviço de segurança britânico (MI5 – Military Intelligence, section 5), que nos conta a história da primeira eco-guerrilha que se tem notícia. Trata-se do movimento de independência e por qual motivo não citar como sendo um movimento de sobrevivência da população da ilha de Bougainville, no oceano Pacífico, próxima a Austrália e Papua Nova Guiné. Ambos países não mediram esforços para derrotar esse movimento. Todas as tentativas foram infrutíferas.

"O homem na Terra, no planeta Terra, depende da terra, depende do ambiente e eu quero pedir a todos, a todo líder de toda nação que cuidem da terra, para que as pessoas nesse planeta Terra possam ser salvas".
Francis Ona, líder da resistência da Ilha de Bougainville.

mapa Veja a localização pormenorizada no Google Maps

A história se passa na década de 1990, e se desenrolou em absoluto desconhecimento mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Durante sete anos a população  sofreu com o embargo, lutando  contra o domínio colonial exercido por Papua Nova Guiné, que contratou mercenários contando com ajuda do governo australiano. O documentário nos apresenta as formas pelas quais a população conseguiu impedir a destruição do meio ambiente ao combater a maior mineradora multinacional, de origem inglesa, que prospectava uma mina de cobre – talvez a maior do mundo –, destruindo o habitat desse povo. Cerca de 10% da população morreu durante esse conflito.

Aprenderemos como eles conseguiram fazer dos escombros das instalações da empresa e casas de seus funcionários, os locais em que coletavam matéria-prima para criarem pequenas hidrelétricas e reinventar artefatos que lhes permitiram, até mesmo, fazer motores a combustão funcionarem, utilizando óleo de coco. Assim, conseguiram um tipo de combustível muito menos poluente e mais eficiente para movimentar os carros e demais máquinas. O mais interessante é que no início da luta, as suas armas eram arcos e flechas contra metralhadoras e helicópteros.

Também aprenderemos como se deu (ou se dá) a interação do homem com o ambiente que o cerca, dali obtendo remédios através das plantas e criando hortas comunitárias.

A revolução deu certo pois nunca faltaram energia e alimentação.

2010: Centenários, datas importantes, ciência e cultura

Como sabemos, o ano que se inicia dentro de alguns dias terá como principal evento mundial, a realização da Copa do Mundo na África do Sul. Ao mesmo tempo, no Brasil, foi instituído o ano de 2010 como sendo o Ano Nacional Joaquim Nabuco, político e diplomata brasileiro que abraçou o abolicionismo e faleceu em 1910, mesmo ano em que ocorre a Revolta da Chibata, a luta dos marinheiros contra os castigos corporais, um resquício da escravidão numa das maiores frotas do início do século XX.

A Unesco promove 2010 como o Ano Internacional da Diversidade Biológica, tema que é de enorme importância, visto, nos dias atuais, a conscientização ecológica ser parte do nosso cotidiano.

Há outros fatos também importantes que terão datas “redondas” em 2010, por exemplo, os centenários de nascimento de Noel Rosa, Jacques Cousteau, Madre Teresa de Calcutá e muitos outros. Confira abaixo:

 

Acontecimentos

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Ano Internacional da Diversidade Biológica
Unesco

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Revolta da Chibata (100 anos)

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Ano Nacional Joaquim Nabuco
Fundação Joaquim Nabuco

 

Centenários

Cultura Brasileira

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Noel Rosa (1910-1937) Música-Samba-MPB

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Raquel de Queiroz (1910-2003)
Literatura Brasileira

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Adoniran Barbosa  (1910-1982)
Compositor de Sambas

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Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989)
Lexicógrafo e escritor

haroldolobo

Haroldo Lobo (1910-1965)
Compositor de sambas e marchinhas

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Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

Arte, Literatura e Ciência (mundo)

akira

Akira Kurosawa (1910-1989)
Cineasta japonês

 

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Jean Genet (1910-1965)
Escritor francês

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Mark Twain (1836-1910)
Escritor norte-americano

cousteau

Jacques-Yves Cousteau (1910-1997)
Oceanógrafo francês

Religião

chicoxavier

Chico Xavier (1910-2002)
Médium

madreteresa

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)
Freira

Música

 
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Howlin’ Wolf (1910-1976)
Blues

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Django Reinhardt (1910-1953)
Jazz

Política

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Tancredo Neves (1910-1985)
Político – Presidente do Brasil

 

Bloco de artistas contra os políticos corruptos

Sob as bençãos de Claude Lévi-Strauss e René Descartes, que são representados em estandartes (alegorias e adereços), um bloco de artistas mambembes percorreu, hoje, 11 de dezembro de 2009,  algumas ruas da Lapa, Rio de Janeiro, cantando marchinhas de Carnaval. A irreverência, marca registrada dos cariocas, se fez presente mais uma vez mesmo que a plateia fosse de alguns poucos transeuntes.

O que vale é o registro dessa manifestação de repúdio aos políticos corruptos.

Livrarias de qualidade

França classificará livrarias como classifica seus vinhos.

O governo francês aprova lei de incentivos fiscais e empréstimos sem juros criada por Christine Albanel, ex-ministra da cultura, que faz da estratégia “Plan Livre”,  para as livrarias francesas que serão classificadas por um selo de qualidade.

© Bettmann/CORBIS

Sylvia Beach, proprietária e fundadora da Shakespeare & Co., arrumando a vitrine, em maio de 1941, dessa que foi uma das mais famosas livrarias de Paris.
Imagem © Bettmann/CORBIS

O mercado editorial está se reinventando para fazer frente aos novos tempos em que você pode ler um livro até mesmo em seu telefone celular. De todos os segmentos do mercado de livros, as livrarias independentes, hoje, talvez constituam um dos elos mais frágeis, devido ao crescimento das grandes redes de livrarias e, também, ao surgimento de meios eletrônicos de leitura como dito acima.

O governo francês que em outros tempos se preocupou com a questão dos preços dos livros, impedindo descontos além de um determinado percentual (5% sobre o preço de capa), o que atingia frontalmente as livrarias independentes que não tinham poder de barganha junto as editoras, visto que as grandes redes ofereciam descontos muito superiores e agora estabelece, através de uma lei de incentivos fiscais um selo de qualidade, “Librairie Indépendante de Référence” ou LIR, para as livrarias independentes francesas que observem seis itens estabelecidos por uma comissão governamental, referentes a qualidade de seus serviços.

  1. desempenhar um importante papel cultura na comunidade;
  2. organizar rodas de leitura e eventos culturais;
  3. os funcionários devem contribuir para a qualidade do serviço;
  4. o proprietário se compromete a investir no acervo, em qualidade e quantidade;
  5. a loja deve manter uma variada seleção de títulos;
  6. o acervo deve ter pelo menos 6000 títulos, sendo que a maioria seja composta por novidades.

O selo de qualidade é valido por três anos e é renovável, ou não, dependendo da observação dos seis pontos obrigatórios. Assim, o governo francês destina para essas livrarias uma verba total de € 500 mil e calculam que as isenções fiscais somem € 3 milhões.

Hoje, na França, há cerca de 3500 livrarias independentes e 6 mil editoras. Segundo Dominique Mazuet, gerente da livraria Tropique (cerca de 60m²), em Montparnasse, Paris, acredita que essa lei poderá beneficiar as livrarias em relação as isenções fiscais e subsídios, o que poderá desafogar um pouco os custos fixos da manutenção de uma livraria independente. Ainda segundo suas palavras, manter uma loja com três funcionários vai depender não apenas dessas leis (Lei Lang e a Lei LIR), mas também da assiduidade dos seus clientes e o interesse em continuarem sendo seus fregueses.

E no Brasil como anda essa questão?

* Livre tradução feita por mim, Jorge Alberto, do artigo “France Rates Top Indie Bookshops Like Wine”, de Olivia Snaije, para o Publishing Perspectives.

Evolução da Ciência no Brasil

Veja uma linha de tempo interativa criada pela Fundação Oswaldo Cruz, para apresentar sua história, objetivos, trabalho e também a evolução da ciência e o combate as epidemias que assolaram o Brasil. Além, é claro, conhecer alguns dos grandes cientistas brasileiros.

Nos dias atuais, quando um espirro deixa de ser um simples espirro e passa a ser quase um caso de saúde pública, acredito que seja muito interessante conhecer um pouco da história da ciência e da saúde pública brasileira, através da Linha do tempo, que está disponível no portal da Fundação Oswaldo Cruz, centro de pesquisa nacional, internacionalmente reconhecido como uma das mais importantes instituições de sua área.

Por lá passaram cientistas da maior categoria e importância como Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, por exemplo. Tá pensando que só gringo é cientista?

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Para acompanhar a evolução da ciência clique sobre cada ano e um texto interativo contendo hiperlinks surgirá. Aproveite. Clique sobre a imagem para ir ao portal da Fiocruz.

Acompanhe, também, a evolução urbana do Rio de Janeiro, através de uma animação muito interessante.

Leia o artigo Febre amarela 2008: Revolta da vacina ao contrário, para conhecer um pouco mais sobre o desenvolvimento da saúde pública no Brasil.