A cortina e o fim do casamento

Entenda a relação entre a estética de uma casa e o divórcio. Não há coisa mais certeira para começar uma briga do que as cortinas da sala de sua casa.

O pobre coitado está na sala, num domingo daqueles em que, por exemplo, o Ayrton Senna ganhava tudo e ainda esfregava a bandeira brasileira nas fuças dos gringos.

cortinadecorativa

Do nada sua mulher surge e, postada à sua frente, usando bobs na cabeça já que o domingo é dia de faxina completa, diz:

– Amor, tira as cortinas? É para lavar…

Você olha com cara de espanto e surpresa igual a aquela do guri que recebe a notícia informando que seu cachorrinho de estimação morrera enquanto estava na casa da vovó passando as férias. Não dá para acreditar. O Brasil – tanto faz se é sobre quatro rodas ou calçando chuteiras – está a ponto de ganhar novamente e ela pede para tirar as cortinas? Ninguém merece.

Você como bom entendedor do pacto feito no altar – na doença e na fartura…blá blá blá… – levanta do sofá e vai pegar algumas ferramentas que, dependendo do uso, ou não uso, podem estar enferrujadas ou ainda reluzentes como novas, procura a escada que deveria ficar atrás da porta da cozinha, encosta a escada na parede como se fosse tomar de assalto algum castelo medieval e, por também estar no contexto, está morrendo de medo que óleo fervente caia sobre sua cabeça, sobe alguns degraus e se depara com uma das mais incompreensíveis invenções humanas: a trava das micro-rodinhas que fazem a cortina correr pra lá e pra cá. Quem inventou isso certamente o fez sem qualquer planejamento ergonômico, métrico, estético, ético e sei lá mais o quê. Muito provavelmente, o inventor é desprovido de genitora, assim como o desnaturado que inventou as tais micro-rodinhas imaginava que girariam livremente nos RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! dos trilhos. Apenas um detalhe: não escrevi palavras de baixo calão, visto o artigo poder ser lido por senhoras de fino trato e moças pudicas, ok?

Então, você se equilibrando mais precariamente que bêbado em meio-fio (guia, pra paulistada), encosta a chave de fenda na fenda do tal parafuso que trava a trava e… o danado não gira! Tenta uma segunda vez e… nada! Mais uma vez, já xingando os antepassados de todos os inventores de araque que criaram essas porcarias, consegue destravar o parafuso que trava a trava. Um longo suspiro vem do fundo de seus pulmões devido a tamanho esforço e alguma gotas de suor escorrem sobre suas têmporas. Tá pensando que é fácil? Experimente. Cansa mais que puxar ferro em academia de ginástica.

Vencida a primeira batalha, a guerra continua. Chega o momento de puxar a cortina que, em tese, deveria fluir suavemente devido aos tais carrinhos com micro-rodinhas. Você, já antevendo o desastre de proporções bíblicas, puxa a cortina com tanto cuidado que parece uma bailarina dando aqueles passinhos de gazela no tablado. Qualé, meu camarada? É só uma figura de retórica. Não estou dizendo que você sonhava dançar o Lago dos Cisnes, ok? Mas, se o teu subconsciente te traiu… Bom, voltando ao embate cortinesco, a suavidade de nada adiantou. Você, agora, usa um pouquinho mais de força. Digamos que a força equivalente a de um elefante se coçando no tronco de uma árvore e toda a armação que segura aquele pedaço de pano estampado, que mais parece o teto da Capela Cistina, tal a quantidade de detalhes, estremece e range como porta de casa mal-assombrada.

Seu coração dispara, seus olhos esbugalham e os dentes começam a ranger. Mas como você é o cara mais cordial do mundo, fecha os olhos e invoca os poderes e forças dos maiores monges budistas do cinema mundial, a saber: Charles Bronson, Chuck Norris, Steven Seagal, Arnold Schwarzenegger e… Sylvester (Rocky, Rambo) Stallone. Já quase em estado de nirvana ao contrário, você puxa a RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! da cortina e ela… vem! Mas junto vêm também os trilhos, os carrinhos de micro-rodinhas, o suporte, os parafusos, buchas e parte do reboco da parede. Tudo junto e você começa a cair da escada igualzinho a um navio que afunda tendo a bandeira do mastro ainda tremulando, isto é, durinho para trás, proferindo palavras mântricas… RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA!

Ela te vê no chão, com a flor do jarro sobre a cabeça, água do mesmo jarro escorrendo, o abajur que voou e ficou pendurado no ventilador de teto, os bibelôs – canequinhas com os dizeres “Lembrança de Caxambu”- aos caquinhos, uma de suas pernas presa entre os degraus da escada e você fatalmente ferido em seu orgulho – pátrio e de macho – a segurar aquela RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! de cortina numa das mãos e diz:

– Amor, olha só o que você fez!

Você começa a xingar tudo e todos e ela diz…

– Eu não fui criada para ouvir isso!

Qual é o final da história? Procurar advogado para tratar do divórcio.

Anúncios

Dicionário muito estranho da Língua Portuguesa

Em tempos de reforma ortográfica, podemos ver o que um dicionarista português fez ao criar um Dicionário da Língua Portuguesa no século 18.

O que impressiona é a lógica para explicar as palavras. Por exemplo, bigode, é descrito como “duas torcidas de barba”, ou a palavra tubo, que, para o lexicógrafo nada mais é que um “canal diclinportredondo”. Isso para não falar da pérola das pérolas: roda, que é singelamente apresentada como uma “bola chata”.

Certamente, a língua portuguesa é uma das belas. Entretanto, certas coisas nos saltam aos olhos quando tentamos entender o significado de algumas de suas palavras e, mais interessante ainda, quando alguém cria significados vindo de qualquer lugar, menos do senso comum que formou e dá dinamismo a uma língua. Este é o caso do lexicógrafo português Bernardo de Lima e Melo Bacelar, que no século 18, deu-se ao trabalho de criar uma obra de fôlego (muito, por sinal), o Diccionario da Lingua Portugueza.

Abaixo estão algumas palavras do referido dicionário apresentadas pela autora. Quando alguma palavra não for de nosso conhecimento geral, você terá a definição obtida através do dicionário Aulete Digital, nas notas de pé de pagina deste artigo:

Abdômen – parte do umbigo;

Água – segundo elemento;

Antraz1 – leicenço2 que come até matar;

Bacharel – falador formado;

Bigode – duas torcidas de barba;

Bilha – vaso que faz som bil-bil ao vazar;

Bisbis – som que parece rezar;

Biscoito – pão duas vezes cozido;

Bisconde – duas vezes conde;

Bismuto – meio metal;

324-ef0-besugo Bisugo – peixe a quem sugam duas vezes a gostosa cabeça;

Borzeguim – bota de borrego;

Bucho – fundo do estômago;

Buço – fundo do nariz com pelinhos;

Cabra – animal de pelo;

Cachaço – caixa dos miolos;

Cachimbar – tirar fora o mau suco, fumando;

Carneiro – ovelha macho;

Castanha – bolota de certa árvore;

Castiçal – que dá fogo e luz;

Caracol – peixe glutinoso ou anfíbio, de curva ou espiral figura;

Coque – pancada no coco da cabeça;

Esbirro – o que tem de birra e prende;

Espingarda – arma que deita faíscas da pederneira ou pingas abrasadoras;

Farda – casaca nova de vários panos e cores;

Gaiola – vaso furado para ter pássaros;

Gazeta – papel que tem riqueza histórica;

Jeropiga3 – santa bebida;

Legume – grãos de cozer;

Leite – suco materno;

Lenço – pano de linho;

Louro – cor de papagaio;

Macaco – animal de trejeitos delirantes;

Murça – pele de certos ratos nos ombros eclesiásticos;

Pia – vaso purificador pelo batismo e de beber o gado;

Pigmento – cor que se põe na cara;

Porcelana – louça redonda;

Roda – bola chata;tarso

Ruço – entre o vermelho e o negro;

Tarso – palma da mão ou do pé;

Tris-tris – som de vidros quebrados;

Tubo – canal redondo;

Vértebra – dobradiça das costelas;

Vertigem – rodadura do cérebro.

A descoberta dessa pérola foi feita por mim há alguns anos(1991) quando comprei num sebo, o livro As grandes anedotas da história – editado em 1976 –, de Nair Lacerda, em que vários e vários casos curiosos e pitorescos foram por ela coletados. O livro é muito bom e a introdução nos explica o significado da palavra anedota (coisa inédita, porém de breve relato). Na época em que o livro foi escrito, a autora lamentava não ser possível encontrar com facilidade um exemplar do dicionário. O que seria de nós sem a internet? Você pode ler a edição fac-similar, no portal Open Library. Clique aqui e se delicie, mas antes veja algumas das palavras contidas abaixo. A ortografia é do século 18; portanto, você terá uma pequena dificuldade inicial para entender algumas palavras, mas com cinco minutos de leitura você já poderá se considerar um exímio paleógrafo.

Após a exposição desses exemplos, a autora nos conta a história de como Bernardo de Lima e Melo Bacelar classificou a palavra silogismo – raciocínio sobre duas premissas, acrescentando “Veja: Ceroulas”. É de chorar de rir. Porém, o lexicógrafo, apesar de tudo foi capaz de escrever uma gramática que foi muito importante e erudita, a Gramática Filosófica da Língua Portuguesa. Dá para entender?

_______

1 Infecção cutânea, gastrintestinal ou pulmonar grave, causada pelo Bacillus anthracis ou seus esporos, que ocorre esp. em caprinos, equinos e ovinos, e pode ser transmitida ao ser humano pelo contato direto com animais doentes ou com seus dejetos, pela ingestão de carne contaminada ou ainda pela inalação dos esporos do bacilo; CARBÚNCULO [F.: Do gr. ánthraks, akos, pelo lat. anthrax, acis.]

2s. m. || fleimão, furúnculo

3sf. – 1 Bebida preparada com mosto, açúcar e aguardante; 2 Enol. Vinho de fermentação alterada pela adição de aguardante; 3 Vinho de má qualidade; ZURRAPA. [F.: De or. obsc.]

Fernando Pessoa em Canção VII – Epitáfio a Bartolomeu Dias

"Epitáfio a Bartolomeu Dias", poema de Fernando Pessoa, no livro "Mensagem", musicado por André Luiz Oliveira e gravado por Belchior.

 

Há alguns anos encontrei um LP no qual um músico chamado André Luiz Oliveira musicou parte dos poemas contidos no livro Mensagem, do Fernando Pessoa. Desde então, esses poemas musicados e gravados por artistas da MPB fazem parte do meu quotidiano. Regularmente produzirei vídeos para cada uma das canções e as postarei aqui. Espero que gostem.

Acredito que seja um bom material para aulas de história e literatura.

A primeira revolução ecológica do mundo

A Revolução dos Cocos, a primeira revolução cuja ecologia foi o principal motivo.

Revolução dos coc

Clique sobre a imagem para começara a assistir ao documentário

Trata-se de um documentário que está no Youtube e é dividido em 6 partes de aproximadamente 10’ cada um, produzido pela National Geographic e narrado por um ex-integrante do serviço de segurança britânico (MI5 – Military Intelligence, section 5), que nos conta a história da primeira eco-guerrilha que se tem notícia. Trata-se do movimento de independência e por qual motivo não citar como sendo um movimento de sobrevivência da população da ilha de Bougainville, no oceano Pacífico, próxima a Austrália e Papua Nova Guiné. Ambos países não mediram esforços para derrotar esse movimento. Todas as tentativas foram infrutíferas.

"O homem na Terra, no planeta Terra, depende da terra, depende do ambiente e eu quero pedir a todos, a todo líder de toda nação que cuidem da terra, para que as pessoas nesse planeta Terra possam ser salvas".
Francis Ona, líder da resistência da Ilha de Bougainville.

mapa Veja a localização pormenorizada no Google Maps

A história se passa na década de 1990, e se desenrolou em absoluto desconhecimento mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Durante sete anos a população  sofreu com o embargo, lutando  contra o domínio colonial exercido por Papua Nova Guiné, que contratou mercenários contando com ajuda do governo australiano. O documentário nos apresenta as formas pelas quais a população conseguiu impedir a destruição do meio ambiente ao combater a maior mineradora multinacional, de origem inglesa, que prospectava uma mina de cobre – talvez a maior do mundo –, destruindo o habitat desse povo. Cerca de 10% da população morreu durante esse conflito.

Aprenderemos como eles conseguiram fazer dos escombros das instalações da empresa e casas de seus funcionários, os locais em que coletavam matéria-prima para criarem pequenas hidrelétricas e reinventar artefatos que lhes permitiram, até mesmo, fazer motores a combustão funcionarem, utilizando óleo de coco. Assim, conseguiram um tipo de combustível muito menos poluente e mais eficiente para movimentar os carros e demais máquinas. O mais interessante é que no início da luta, as suas armas eram arcos e flechas contra metralhadoras e helicópteros.

Também aprenderemos como se deu (ou se dá) a interação do homem com o ambiente que o cerca, dali obtendo remédios através das plantas e criando hortas comunitárias.

A revolução deu certo pois nunca faltaram energia e alimentação.

O cachorro que há em todos nós em 16 citações e um pouco de história

Por acaso já se deu conta de como os cães fazem parte do seu quotidiano?

Parece que tudo começou ainda no baixo pleistoceno, quando alguns de nossos ancestrais tiveram a ideia de compartilhar pedaços de carne de caça com os lobos que rondavam, não muito longe, as cavernas nas noites em que, após a descoberta do fogo inventamos o churrasco.

Antes, se quiser, você pode entrar no clima do artigo ao ouvir a música abaixo. Ouça e vá lendo o texto.

Citações e ditos populares

  • Briga de cachorro grande – Geralmente a frase é citada por algum trepidante (repórter futebolístico), ao informar que o jogo que está prestes a começar será muito disputado.
  • Você me trata como um cachorro ou Eu não sou cachorro não – Quando algum homem percebe que a sua amada o despreza.
  • Esse cara é um cachorrinho de madame – Das duas uma: ou o cara é submisso a mulher que tem mais grana do que ele, ou é um gigolô.
  • O brasileiro é cachorrão mas não é cachorro (J.A.) – Que todo brasileiro é sacana ninguém tem duvida, mas, ao contrário do cachorro, não gosta de osso (mulher magricela). Em resumo: gostamos de ter o que apertar na mulher, certo?
  • Os cães ladram e a carruagem vai passando – frase atribuída ao grande filósofo e lexicólogo Ibrahim Sued, o mesmo que anunciava a periodicidade de seu programa na televisão, dizendo:  “Estaremos aqui diariamente todas as terças e quintas”.
  • Soltou os cachorros – quando uma mulher ou homem dá a maior bronca no adversário (a), digo, cônjuge.
  • Botou o rabo entre as pernas – Diz-se de alguém que se viu sem saída em uma disputa e humilhando-se como um cachorro medroso, saiu de forma patética da pendenga.
  • Cachorra! – homem xingando uma mulher que o passou para trás. Aqui me permito citar o equivalente feminino de xingamento mútuo… Vaca!
  • A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais um luxo; ele alimenta os pobres como cães e cavalos. (Rousseau)
  • Como cães numa roda, ou pássaros numa gaiola, os homens ambiciosos continuam a subir, com grande trabalho e incessante ansiedade, mas nunca chegam ao cume. (Robert Burton)
  • Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda. (Epiteto)
  • Os cães, como os homens, são muitas vezes punidos pela sua fidelidade. (Jack London)
  • Se alguém nos é de fato muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda. (Schopenhauer)
  • Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o homem. (Mark Twain)
  • Troque seu cachorro por uma criança pobre. (Eduardo Dusek)

Cavalo-do-cão

Com o passar dos séculos a relação se desenvolveu de tal forma que alguns de nós passaram até mesmo a receber a alcunha de “cão” ou “cachorro”, geralmente no sentido pejorativo. Coisa do tipo: “Aquele cavalodocaocachorro me paga!”, quando algum marido mais atiradinho resolveu pular a cerca e deixou rastro. O coisa ruim, mais conhecido como capeta, também recebe o apelido de “cão”, também geralmente em associações de ideias no sentido de quando alguém diz-se ter alguma relação com o Diabo: “Ele tem parte com o cão”. Isto se deve em grande parte à tradição açoriana de associar o Tinhoso com o referido mamífero, como nos informa Câmara Cascudo em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, visto muitos açorianos terem vindo colonizar o Brasil.

Por vezes os nomes populares juntam ordens do reino animal (mamíferos + insetos), quase formando uma quimera, quando denomina uma espécie de vespa (pompiledae) como “cavalo-do-cão”, caçadora de aranhas caranguejeiras. O bicho é danado mesmo.

Metamorfoses e baixa poesia

Ainda no terreno das metamorfoses, o folclore de vários países registra a figura do lobisomem, ou o homem que se transforma em lobo, o ancestral de todos os cães, nas noites de lua cheia. Mas, bom mesmo, é ver uma mulher se transformar em loba com o passar do tempo, não? Se bem que, assim como o lado masculino da espécie recebe a alcunha canina de forma pejorativa, as mulheres também podem ser taxadas de “cachorras” quando, assim como nós, cometem alguma cachorrada. Porém, entre as mulheres, xingar a outra de quadrúpede ruminante que produz leite seja mais pejorativo ainda. Acompanhem a pérola do cancioneiro nacional do famosíssimo (?) Bonde do Tigrão, que bem exemplifica este parágrafo:

Só as cachorras
As preparadas
As popozudas
O baile todo…

Um primor de poesia…

Gregos e Romanos

Os gregos – sempre eles! – inventaram uma escola filosófica denominada Cinismo, cujo maior representante foi Diógenes, o pai de todos porralôcas, ao designar que kynikos, seria o equivalente da expressão “como um cão”, isto é, viver de maneira natural sem ter as coerções sociais como regra tal como os cães (kyon). O próprio Diógenes, que cunhou frases antológicas  (veja o artigo Uma lamparina, um barril e o dorme-sujo que queria mudar o mundo), certa vez, ao ser perguntado por qual motivo fora chamado de cão, respondeu o seguinte: “Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”. Não nos esqueçamos de Cérbero, o cão de três cabeças que guardava a entrada do Hades.

320px-Cerbere

Os romanos não ficam atrás, quando nos indicam que a cidade eterna teve como mãe uma loba, que amamentou Rômulo e Remo. Em algumas escavações foram encontradas placas que avisavam, assim como nos dias atuais, para que o incauto tivesse cuidado com os cães, que em latim se escreve cave canem.

Certamente você ou a sua avó já emborcou um sapato ou um chinelo ao ouvir um cão uivando, certo? Sabe de onde vem essa crendice? De Roma é claro! Os romanos acreditavam que os cães conseguiam enxergar a sombra dos mortos, associando, assim, a Hécate, a divindade da mitologia que atormentava os humanos mostrando os terrores noturnos e aparições de fantasmas. A mesma Hécate é associada a Perséfone, a rainha dos infernos. E então? Vai emborcar um chinelo ou sapato na próxima vez que ouvir um cachorro uivando ou vai duvidar que eles veem almas do outro mundo?

Dentes caninos

Nem mesmo os vampiros escapam de ter alguma parte com os cães. Os dentes mais pontiagudos são conhecidos como caninos. E não há predador que não os tenha na boca. Caso contrário só vão poder tomar sopa e usando canudinho.

Alguém já deixou de ler uma das aventuras de Sherlock Holmes, chamada “O Cão dos Baskervilles”?

Fernando Pessoa em Canção VI – Nevoeiro

"Nevoeiro", poema de Fernando Pessoa, no livro "Mensagem", musicado por André Luiz Oliveira e gravado por Gal Costa.

Há alguns anos encontrei um LP no qual um músico chamado André Luiz Oliveira musicou parte dos poemas contidos no livro Mensagem, do Fernando Pessoa. Desde então, esses poemas musicados e gravados por artistas da MPB fazem parte do meu quotidiano. Regularmente produzirei vídeos para cada uma das canções e as postarei aqui. Espero que gostem.

Acredito que seja um bom material para aulas de história e literatura.

O rosário no iPhone: gadgets e a fé

Nos EUA, os aparelhos eletrônicos (smartphone, iPod, notebook e demais gadgets) começam a ser utilizados no auxílio da fé como, por exemplo, é o caso da iRosary, um aplicativo para o iPhone ou iPod Touch, que permite iphonedispor de um rosário eletrônico na telinha dos aparelhos, para você rezar o Terço. A ideia de criar o aplicativo surgiu quando Dave Brown e sua esposa Jackie estavam no quarto do hospital em que sua filha, Isabella, fazia tratamento contra um tipo de câncer.

"Então, olhamos para estes iPhones em nossas mãos e nós dissemos: "Puxa, não seria grande se nós pudéssemos colocar o rosário diretamente aqui e, por isso, não precisaria haver uma luz acesa durante a noite, enquanto nós estivermos sentados lá no quarto de Isabella, no hospital?"

Alguns detalhes do aplicativo:

  • a contas (miçangas) que compõem o rosário podem ser giradas com toques na tela;

  • você pode escolher 243 tipos de design para a cruz e contas (miçangas);

  • orações em inglês, francês, espanhol e latim;

  • o treco faz o aparelho vibrar nos momentos de maior fervor.

Além disso, há também  o portal Pope 2 You  (algo como O Papa para você), e pode ser acessado em outras quatro línguas: Francês, Italiano, Espanhol e Alemão.

Não são apenas os católicos da terra do Tio Sam  que contam com as modernices tecnológicas para angariar um número maior de almas para seus rebanhos, os protestantes não tem apenas, hoje, os famosos pastores eletrônicos; já dispõem de uma rede de satélites para transmitir a programação do portal Life Church TV, permitindo, assim, que toda semana cerca de 60 mil computadores estejam conectados ao mesmo tempo em rede para, segundo as palavras contidas no referido portal, “Toda semana, nos unimos ao redor do mundo para adorar a Deus e à experiência de uma mensagem relevante e poderosa, que ensina as verdades da Bíblia”.

Para os judeus, apesar de vários religiosos já fazerem uso de meios eletrônicos para serem contatados, como o site Ask Moses (pergunte a Moisés), que só não responde às perguntas durante os feriados religiosos e o sabath (sábado). Um dos organizadores do site que afirma que "Não pretendemos substituir a conexão humana ou a interação humana", (…) "Nossa reivindicação é que estamos a um outro nível que pode realmente ajudar uma pessoa a alcançar um objetivo que, caso contrário pode ser impossível sem isso." Para os religiosos judeus mais conservadores, coisas como este site constituem uma forma de exceção, no sentido de “não é bem isso que se deve fazer”.

Por qual motivo não falam Jesus de forma natural?

Ao ler o artigo Religion Finds Home On IPhones, Social Networks, de Jessica Alpert para o NPR, eu achei interessante a forma pela qual se referem a Jesus. Eles, os norte-americanos, são capazes de jogar bombas atômicas, mas sentem medo ao falar a palavra Jesus, tanto que pronunciam “gee” (djii), uma metonímia do nome daquele rapaz judeu, mais conhecido por Jeoshua e que foi parar na cruz pagando nossos pecados. Deus, então, é mais conhecido como Gosh. Sabe aquela coisa de não pronunciar o nome do vosso deus em vão?  Cada povo com suas manias e sua cultura, não?

Em um filme (clássico), “A História do Mundo – Parte 1”, do diretor Mel Brooks (Melvin Kaminsky), há uma cena hilária que se passa durante a santa ceia (last supper para os comedores de rotidógui), na qual ele, Mel Brooks, interpreta o garçom que atende aos pedidos feitos pelos 12 apóstolos e Jesus. No meio do diálogo, já beirando o non sense, por não conseguir que os 13 participantes à mesa fizessem o pedido, ele exclama Jesus!, que soaria para nós, tupiniquins, como algo do tipo “caramba…”, no sentido de “mas que saco!”. E o que acontece? Jesus, que é interpretado pelo ator inglês John Hurt, pensa que está sendo chamado.

Entretanto, antes do diálogo citado, há uma outra situação muito engraçada quando o garçom espera que todos façam seus pedidos e Jesus diz que naquela noite, um deles o trairá. Ato contínuo, o garçom faz uma pergunta direta a… Judas. O que perdeu as botas lá longe dá um salto da cadeira e, quase que mortificado, pede para que os deixem em paz.

Atenção para o pastelão histórico: Após o diálogo, imagine quem surge na sala em que ocorre a santa ceia? O seu, o nosso, o de todos nós… Leonardo Da Vinci! Veja o vídeo.