Entenda o poder da televisão em menos de 5 minutos

“Porque menos de 3% de vocês leem livros. Porque menos de 15% de vocês leem jornais. Porque a única verdade que você sabem é a que sai dessa caixa preta*. Nesse exato momento há uma geração inteira que nunca aprendeu nada que não tivesse saído dessa caixa preta. Essa caixa preta é seu evangelho. É a revelação máxima. Essa caixa preta pode fazer ou tirar presidentes, papas e primeiros ministros. Essa caixa preta é a maior força que existe em todo o mundo de Deus”.

Esse discurso foi proferido por Howard Beale,um âncora de televisão que tem um colapso nervos,  interpretado por Peter Finch no filme “Rede de Intrigas” (1976). Qualquer semelhança não é mera coincidência com a atualade.

*Na tradução a palavra “tube“, o mesmo que tubo ou tela de televisão é traduzida como “essa caixa preta”.

Primavera dos Livros 2009 – Rio de Janeiro

Uma feira de livros das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de livro tem e um pouco mais: o contato direto com os editores e autores.

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A Primavera dos livros do Rio de Janeiro este ano, que será entre os dias 26 e 29 de novembro, das 10h às 22h, no jardim do Museu da República (Palácio do Catete), terá como tema a Literatura de Cordel, em homenagem ao poeta Patativa do Assaré, que completaria 100 anos de nascimento. Este evento é o resultado do esforço da Libre – Liga Brasileira de Editoras, tendo patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e apoio da Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este ano a feira se internacionaliza ao contar com profissionais do mercado editorial latino-americano e africano, recebendo representantes do Chile, Peru, Argentina, Equador, México, Guiné-Bissau e Angola.

São 86 estandes apresentando livros de todos os gêneros literários (Biografia, Romance, Romance Policial, Infantil, Infanto-Juvenil, Arte, etc.)

Além das editoras comerciais, também haverá participação de editoras universitárias e institucionais como a Biblioteca Nacional e a Fiocruz.

A entrada é franca e haverá promoções com descontos de até 40%

 

Como chegar

Metrô

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Ônibus

Entre no Google maps e faça a busca. Hoje, o Rio de Janeiro é uma das poucas cidades do mundo em que o Google fornece informações acuradas sobre o transporte coletivo.

 

Programação de lançamentos

Entre os dias 27 e 29, haverá diversos lançamentos e sessões de autógrafos para o público adulto e infantil. No sábado, 28/11, às 14h, será lançado o livro “Botafogo desde menino”, de Luís Pimentel com ilustrações do Amorim.

 

Mesas de debate

Também haverá mesas de debates para todos os gostos como, por exemplo, no dia especial para os professores (27/11, mesa 3, às 10h), o tema será “Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI”.

Nomes de peso dos universos literário e cultural brasileiros como Lygia Bojunga, Laura Sandroni, Joel Rufino dos Santos, Braulio Tavares, Ruth de Souza, Jorge Mautner, Luiz Carlos Maciel, Milton Gonçalves, Arthur Dapieve, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Geraldinho Carneiro, Carlito Azevedo, Deonísio Silva e outros mais participarão das mesas de debate.

Serão discutidos temas como o universo da criação literária, o Rio de Janeiro e as Olimpíadas de 2016, racismo e a mulher negra na TV brasileira. Numa das mesas o debate será em torno da biografia como gênero literário e por qual motivo é um dos segmentos de maior vendagem do mercado editorial. Em outra mesa, Ruy Castro e Heloísa Seixas batem um papo com o público e também haverá uma mesa dedicada à obra e vida de Augusto Boal.

As novas mídias não foram esquecidas, tanto que uma das mesas discutirá os sites de relacionamento como o Facebook e outros do mesmo porte como canais para a arte, mídia e cultura digital.

Veja a programação abaixo:

Dia 27/11

DIA DO PROFESSOR

9h Chegada e certificação

  • 10h – 11h – sexta-feira
    Mesa 3 – Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI
    Participantes:
    Yolanda Lobo (escritora)
    Guti Fraga (projeto Nós do Morro)
    Mediação: Bia Hetzel (Editora Manati)
  • 11h30 – sexta-feira
    Mesa 4 – Leitura e Paixão: uma homenagem a Lygia Bojunga e Tatiana Belinky (em depoimento virtual)
    Homenagem a duas das mais importantes personalidades da cultura brasileira com inestimável contribuição na área de literatura, leitura e mercado de livros
    Participantes:
    Lygia Bojunga
    Laura Sandroni (escritora e jornalista)
    Joel Rufino dos Santos (escritor)
    Mediação: Ninfa Parreiras (escritora e pesquisadora da FNLIJ)
  • 15h – sexta-feira
    Mesa 5 – Universos da criação literária. Escrever se aprende?
    A criação literária, assunto muito controvertido entre especialistas. Escrever se aprende? Como se forma um escritor? Quais os caminhos a percorrer até que aulas ou oficinas contribuam para sua formação? Aprendemos samba no colégio, afinal?
    Participantes:
    Nilza Rezende (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Luís Pimentel (escritor e jornalista/professor)
    Bia Albernaz (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Mediação: Marcus Vinicius Quiroga (poeta e professor)
  • 18h30 – sexta-feira
    Mesa 6 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    O cordel como literatura, como música, como criação e como expressão mais genuína da nossa literatura. O cordel como mercado e como profissão. A arte do poeta de cordel encarnada nesta homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores profissionais do gênero, morto em 2002, aos 93 anos.
    Participantes:
    Bráulio Tavares (escritor e especialista em Literatura de Cordel)
    Olegário Alfredo (cordelista)
    Chico Sales (cordelista)
    Mediação: Marcus Lucena (cordelista e Presidente da Academia Brasileira de Cordel)

Dia 28/11

  • 10h30 -12h30 – sábado
    Mesa 7 – Olimpíadas 2016: a cidade e o esporte
    Rio: capital turística do Brasil, escolhida para ser o palco das Olimpíadas de 2016, com diversas promessas de melhorias para seus problemas mais cruciais. Até que ponto o desenvolvimento de uma pode estar atrelado a um evento? O futuro de uma cidade depende dessas efemérides?
    Participantes:
    Mauricio Drummond (escritor e professor)
    Jorge Maranhão (escritor)
    Saturnino Braga (escritor e ex- prefeito do RJ)
    Mediação: Alvanísio Damasceno (editor da Quartet)
  • 12h30h – 14h – sábado
    Mesa 8 – Aqui ninguém é branco: mídia e Racismo – a mulher negra na TV
    Homenagem a Ruth de Souza
    Participantes:
    Ruth de Souza (atriz)
    Rosália Diogo (escritora e pesquisadora)
    Ângela Randolpho (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Laura Padilha (escritora e prova UFF)
  • 15h – 16h30 – sábado
    Mesa 9 – Face a face com o Facebook e congêneres: arte, mídia e cultura digital
    As novas mídias, arte e cultura  digital e a revolução que representam no século XXI. Como afetam as nossas relações pessoais e de trabalho. A internet e suas possibilidades de comunicação jamais imaginadas. A vida na rede.
    Participantes:
    Artur Matuck (escritor e professor USP)
    Maria Carmem Barbosa (escritora e roteirista de TV)
    Nízia Villaça (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Valéria Martins
  • 17h – 18h30 – sábado
    Mesa 10 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    Participantes:
    Bráulio Tavares
    Olegário Alfredo
    Chico Sales
    Mediação: Marcus Lucena
  • 19h – 20h30 – sábado
    Mesa 11 – Tal Brasil, qual teatro? Tributo a Augusto Boal
    Reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea e homenagem a Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.
    Participantes:
    Jorge Mautner (poeta e músico)
    Luiz Carlos Maciel (ator e diretor de teatro)
    Nelson Xavier (ator e diretor)
    Milton Gonçalves (ator)
    Helen Saratek (socióloga/Centro do Teatro do Oprimido)
    Mediação: Geo Britto (pesquisador/Centro Teatro do Oprimido)

Dia 29/11

  • 10h – 11h30 – domingo
    Mesa 12 – Biógrafos e biografáveis : que mercado é esse que só faz crescer?
    Os caminhos da biografia como gênero na contemporaneidade. Quais são eles? Quais as novas formas de escrita que admitem? O profissional de biografias e sua ética num mercado que cresce cada dia mais.
    Participantes:
    Arthur Dapieve (cronista, jornalista e biógrafo /Renato Russo)
    Carlos Didier (compositor e biografo / Noel Rosa)
    Ana Arruda Callado (roteirista e biógrafa / Maria Martins)
    Euclides Penedo Borges (músico e biógrafo / Euclides da Cunha)
    Mediação: Felipe Pena (autor de Teoria da Biografia sem Fim)
  • 11h30 – 13h – domingo
    Mesa 13 – Leitores apaixonados: um encontro com Ruy Castro e Heloisa Seixas
    A paixão pela leitura e pelos livros é o tema deste encontro com dois craques da escrita, apaixonados pelos livros e pela profissão.
    Participantes:
    Heloisa Seixas (escritora )
    Ruy Castro (escritor)
    Mediação: Suzana Vargas (especialista em leitura)
  • 15h – 16h – domingo
    Mesa 14 – Sustentabilidade / biodiversidade: por uma nova ética cultural
    A sustentabilidade como solução para garantir novas formas de sobrevivência para o planeta. Até onde afetará a vida em comunidade, gerando novas formas de convivência
    Participantes:
    Leonardo Boff (escritor)
    Fernando Gabeira (deputado federal/PV)
    Mediação: Felipe Pena
  • 17h – 18h30 –  domingo
    Mesa 15 – O máximo no mínimo – um olhar sobre as poéticas contemporâneas
    A poesia como gênero minimalista, que diz muito com a maior economia verbal possível, de vasta produção e pouca inserção no mercado. Que caminhos percorre hoje até chegar ás prateleiras das livrarias. O que é ser poeta hoje?
    Participantes:
    Ângela Melim
    Geraldinho Carneiro
    Carlito Azevedo
    Mediação: Suzana Vargas
  • 19h – 20h30 – domingo
    Mesa 16 – Questões de Lusofonia. Por onde anda o acordo ortográfico?
    O acordo ortográfico que completa dois anos e sua adoção brasileira. Por onde anda Portugal e os países de língua portuguesa nessa importante fase de implantação?
    Participantes:
    Deonísio da Silva (escritor e etimologista)
    Adriano de Freixo(escritor especialista)
    Marcelo Moutinho (jornalista e escritor)
    Mediação: Cecília Costa (jornalista e escritora)

[Fonte: Libre]

Mapa dos Expositores

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Editora participantes em ordem alfabética

7 Letras
Alameda
Alis
Almádena Editora
Altana
Andrea Jakobson
Apicuri
Argvmentvm
Arquivo Nacional
Artes e Ofícios
Autêntica
Azougue
Bem-Te-Vi
Biruta
Brinque-Book
C/Arte
Calibán
Callis
Capivara
Casa da Palavra
Casa de Rui Barbosa
Cia. de Freud
Claridade
Conta Capa
Contraponto
Cosac Naify
Crisálida
Cuca Fresca
Dueto
Duna
Ed. da UFF
Ed. da UFRJ
Ed. da Unesp
Ed. De Cultura
Ed. Fiocruz
Ed. Independentes
Ed. Museu da República
Editora 34
EdUERJ
Estação Liberdade
Frente Editora
Fund. Biblioteca Nacional
Fund. Perseu Abramo
Galo Branco
Garamond
Gift Shop
Girafa
Ibis Libris
Iluminuras
Imprensa Oficial SP
Literalis
Livro Falante
Maco
Manati
Mar de Idéias
Matrix
Mauad X
Memória Visual
Mirabolante
Musa
Myrrha
Nau
Nitpress
Nova Alexandria
Odysseus
Outras Letras
Pallas
Papagaio
Paz e Terra
Pinakotheke
Prazer de Ler
Publisher do Brasil
Quartet
Roma Victor
Sá Editora
Terceiro Nome
Terra Virgem
Uapê
Versal
Versal
Vieira & Lent
Zit

A cultura do Brasil de lá pra cá

Neste exato momento, estou assistindo a um documentário em 4 partes sobre o Jackson do Pandeiro, no programa De lá pra cá, que é apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso na TV Brasil. Este programa,que vai ao ar às segundas, às 22h e é reapresentado aos domingos, às 17h, é, na verdade, um delicioso bate-papo com figuras que representam o Brasil e sua cultura.

Cada vez mais eu me maravilho com essa tal de internet. A dica é: faça parte de redes sociais, escreva em seu blog e troque informações com pessoas no mundo inteiro. É lógico que é preciso um certo critério para ir em busca daquilo que te interessa ou encontrar algo que seja interessante para compartilhar com seus amigos.

Você encontrará, por exemplo, vídeos completos dos programas sobre:

  • Jackson do Pandeiro
  • Remoção da Favela da Praia do Pinto
  • Guerra dos Emboabas
  • Mestre Vitalino
  • Carmen Miranda
  • Burle Marx
  • Caramuru

Heleno de Freitas, o Gilda: 50 anos de sua morte.

Poucos jogadores de futebol tiveram a aura e proeminência de Heleno de Freitas, que encantou nos gramados e na alta sociedade do Rio de Janeiro, a então capital federal, nas décadas de 1930 e 1940.

Heleno de Freitas Morreu aos 39 anos, em 1959 (8 de novembro), em um sanatório em Barbacena (MG). Foi astro do Botafogo – sua história se confunde com a do clube –. Nasceu em berço de ouro, formou-se em Direito. Gostava de Dostoievski, jazz, blues, Cole Porter, Billie Holiday. Frequentava boates e cassinos.

Em novembro serão completados 50 anos da morte de Heleno de Freitas, o primeiro jogador de futebol a fazer a ponte entre o futebol e a alta sociedade e que foi um dos maiores ídolos do período considerado o mais romântico do futebol brasileiro.

Perto dele, Edmundo, alcunhado de O Animal, não passava de um bichinho de estimação. É essa a constatação que eu, botafoguense, que nem em sonho viu o Heleno jogar, soube de algumas de suas histórias através do meu pai, de quem herdei o sangue alvinegro.

Outros jogadores temperamentais passaram pelos gramados brasileiros, sendo que, além do Animal havia também o Almir Pernambuquinho, que aprontou o maior bafafá na final do campeonato carioca de 1966 contra o Bangu. Este, assim como alguns dos temperamentais, morreu assassinado. Em seu caso numa briga de bar.

Em 2004, a ESPN Brasil produziu o documentário 300 anos de futebol, contando a história de três clubes cariocas fundados em 1904 – Botafogo, Bangu e América –. No programa sobre Botafogo há uma parte especial dedicada a Heleno. Clique sobre a imagem para assistir.

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Clique sobre a imagem

Quando do lançamento do livro Nunca houve um homem como Heleno, de Marcos Eduardo Neves, o autor concedeu várias entrevistas e achei muito interessante resgatar a sua ida ao programa do Jô e também um podcast, o Bom de Bola, que foi criado em homenagem a Heleno de Freitas. Clique no link para ouvir. Vale a pena.

Entrevista de Marcos Eduardo Neves no Programa do Jô.

O Gilda

 gilda2Além de sua sabida doença, um outro fato que marcou Heleno foi o seu temperamento, que levou os torcedores adversários a apelidá-lo de Gilda, o personagem de Rita Hayworth, no filme homônimo. Daí em diante, em todos os jogos, além das confusões já tidas como normais, Heleno tinha que enfrentar a torcida adversária chamando-o de Gilda! Gilda! Gilda!. A provocação parece que era mútua. O recentemente falecido compositor Zé Rodrix, juntamente com Miguel Paiva, escreveram o musical Heleno, um homem chamando Gilda, em que contavam a vida e a obra desse grande jogador de futebol que viveu no limite da razão no campo e na vida. Há uma outra versão para o apelido. Este teria sido dado por seus companheiros do Clube dos Cafajestes, um grupo de rapazes ricos da Zona Sul, que promoviam reuniões.

Em um comentário ao artigo do jornalista botafoguense Roberto Porto em seu blog, o leitor João Almeida, citou a seguinte passagem do livro "O Homem que Sonhou com a Copa do Mundo", de Carlos Rangel:

"Em um asilo em Barbacena, num campinho de terra Heleno corria, gordo e sem dentes, imaginando-se num jogo imaginário, onde ele com a camisa do Botafogo fazia o gol do campeonato. Saía comemorando como um criança. Para ele era realidade. (…) Poucos dias antes de morrer Heleno tira do bolso um amassado pedaço de jornal, onde dizia que o Botafogo precisava do Heleno. Louco, doente e quase moribundo ele dizia eu preciso salvar o Botafogo".

 

Os extremos de uma mesma paixão e tragédia

Posso pecar por omissão ou por desconhecimento, porém, posso falar que dos casos trágicos ou como quiserem, românticos, do futebol brasileiro, o Botafogo teve dois representantes, se não os maiores, certamente os mais significantes: Heleno de Freitas e Garrincha. Não são anti-heróis. Pelo contrário. Foram, sim, dois apaixonados pelo que faziam levando ao extremo seu amor pela bola. Um, o perfeito fisicamente e economicamente, Heleno. O outro, o mestiço pobre, descendente de índios e com um defeito físico, as pernas tortas. O primeiro foi levado pela sífilis à loucura e morte. O outro foi levado pelo álcool à morte. O que emociona, acredito que mesmo aos que não torcem pelo Botafogo, é saber da paixão de ambos pela estrela solitária. Heleno foi jogador do Botafogo antes da fusão, quando o escudo ainda era formado pelas letras B, F e C entrelaçadas. A estrela só veio quando da fusão com o Botafogo de Regatas, pois este era o seu símbolo.

Ainda seguindo pelo caminho paralelo entre vida e arte, muitos consideravam Garrincha como uma espécie de Carlitos, o personagem mais famoso de Charles Chaplin. Quanto a Heleno, segundo, os cronistas esportivos e da crônica social, davam-lhe a fama de um verdadeiro galã de Hollywood. Sempre bem vestido, andando em carros importados, namorando belas mulheres e convivendo com a alta sociedade do Rio de Janeiro, a Capital Federal. Por essas e por outras é que o futebol realmente é um esporte democrático. Entre as quatro linhas todos são iguais não importando a origem social.

heleno04 Mas, por qual motivo falar de um jogador de futebol que morreu louco há 50 anos? Não se espantem. O ser humano é ávido por conhecer os dramas da vida e, em especial, as tragédias. Estão aí até hoje sendo encenadas as peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. E a história de Heleno tem todos os elementos de uma perfeita tragédia. O tipo apolíneo, o deus da perfeição da beleza, o artista da bola. Amado pelas mulheres e invejado pelos homens. Filho de boa família e nascido em berço de ouro, que terminou seus dias louco em um sanatório. É esse o fascínio que arrebata quem o viu, quem não o viu e quem soube de suas histórias por ouvir contar. Seu futebol foi decantado por escritores do porte de Eduardo Galeano e Gabriel Garcia Marques que o viram jogar. A ele, como presente de casamento com a filha de um diplomata, Vinícius de Moraes dedicou o “Poema dos Olhos da Amada”.

O Botafogo talvez seja o clube de futebol, pelo menos do Brasil, que teve a história mais cercada de glamour. As histórias de seus craques se confundem com a do futebol brasileiro. Da seleção de todos os tempos da Fifa lá estão três jogadores do Botafogo, a saber: Didi, Nilton Santos e Garrincha. De todos os clubes brasileiros foi o que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira até hoje. Acredito que só um clube, ou melhor, só o Botafogo seria capaz de ter a história que tem. Assim como os dois personagens mais famosos citados aqui, ser botafoguense é algo que requer extrema paixão e abnegação. É preciso muito amor para enfrentar períodos de seca de títulos. Por isso que ser botafoguense é, antes de tudo, conhecer a sua história e reverenciar seus ídolos. Ou vocês pensam que, por exemplo, naquele esquisito esporte norte-americano chamado baseball, não se reverenciam jogadores de décadas para lá de passadas? Há um caso interessantíssimo que bem exemplifica o amor ao esporte, não importa qual, antes de qualquer coisa. É o caso de uma espécie de Garrincha do baseball chamado Shoeless Joe. A sua história também tem contornos de tragédia e foi contada em parte no filme Eight Men Out. Aqui recebeu o título de Fora da Jogada.

 

O ocaso do ídolo

Toda sua carreira foi construída na era pré-Maracanã, exceto por exatos 35 minutos. Com a doença bastante avançada, em 1951, foi contratado pelo América e, em sua estreia no Maracanã  foi expulso de campo.

Heleno de Freitas jogou vários anos no Botafogo e jamais foi campeão pelo clube de seu coração. Quando foi vendido ao Boca Juniors, em 1948, o Botafogo foi campeão vencendo o Vasco pelo placar de 3 x 1.

Atuou pelos seguintes clubes: Botafogo, Vasco, Boca Juniors, Atlético de Barranquilla (Colômbia), Santos e América (RJ).

 

Sobre Heleno de Freitas

Artigo acadêmico intitulado A marca da elegância no ídolo esportivo Heleno de Freitas.

A vida de Heleno de Freitas. Excelente artigo de Marcio Sabones.

Artigo de Ivan Lessa, intitulado “Minhas botinadas com a fama”,  sobre uma passagem sua, quando garoto em Copacabana ao encontrar Heleno de Freitas.

Artigo El “Gran Gitano” Heleno de Freitas no blog do Atlético Junior de Barranquilla (Colômbia)

Há 70 anos começava a II Guerra Mundial

A Polônia foi invadida por tropas nazistas e começava a maior de todas as guerras que a humanidade já presenciara até então: a 2ª Grande Guerra. Dezenas de milhões de pessoas foram mortas e afetadas por este conflito que durou 6 anos (1939/1945). A princípio foram apenas conflitos locais, resultantes de ódios étnicos, políticos e econômicos, muitos dos quais tendo origem ainda na formação dos nacionalismos durante o século XIX.

Convido você a assistir o documentário A Conspiração Nazista, um documentário em 7 partes de não mais que 9’30” cada uma  e que mostrarão como se forma uma ideologia em que as pessoas se tornam cegas e perdem o senso da racionalidade.

O inferno dentro dos ônibus

Por que certos passageiros cismam em ouvir música ruim sem fones de ouvido?

Descobri o inferno dentro dos ônibus urbanos do Rio de Janeiro e nem estou fazendo referência aos já sabidos e meganoticiados assaltos, motoristas que podem ser considerados verdadeiros kamikazes, buracos no asfalto… Tudo isso aí a gente tira de letra.

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© Adam Woolfitt/CORBIS

Mas o que incomoda mesmo são as caixas de abelha que alguns passageiros resolvem carregar consigo. Ah, sim, não sabe o que é caixa de abelha? Pegue um telefone celular que toca mp3, não regule graves e exerça todo o poder dos agudos. Coloque no maior volume possível. Feito isto, a distorção dos agudos logo será percebida e seus ouvidos, que não precisam ter conhecido Bach, Bethoven, Mozart, Beatles, Tom Jobim, Paul Desmond e tudo de bom que há em termos de música, estão prontos para ouvir um zumbido que parece um enxame acondicionado em uma caixa diminuta. É o inferno em termos de música!

Por qual motivo é um inferno musical? Os passageiros, que não tem um pingo de educação e semancol resolvem que todos nós, infelizes passageiros dessa, agora, bad trip, seremos obrigados a ouvir as desgraças de pagodeiros que levaram o pé na bunda da amada e cantam (?) suas mazelas. Isso para não falar dos inapropriados “proibidões”. Um tipo de funk de 5ª categoria em que, imagino, estejam expressando alguma coisa em uma suposta língua assemelhada a última flor do Lácio que, no caso específico, é muito mais inculta e horrorosa!

Esta praga vem se alastrando mais que a tal gripe suína. Torna-se mais comum que derrotas do Botafogo para qualquer timeco de garçons que jogam no Aterro e, pior ainda, são tão ruins quanto o time de Fluminense. Os tais passageiros acham que estão prestando um bem ao nos apresentar essas porcarias. Isto só faz bem para o seu ego que é desproporcional em relação aos dos outros passageiros e suas (deles) mentalidades é comparável a de qualquer ameba que se preze. Como todos nós sabemos, ameba é um protozoário, mas, pelo menos, exerce uma função na Natureza, mesmo tendo apenas uma célula. Esses infelizes, ao que parece, não tem um neurônio sequer.

Me dei ao trabalho de procurar aquele aviso de uma tal lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros no interior dos veículos de transporte de massa como os ônibus urbanos. Ou eu estou ficando cego, ou esse aviso não existe mais. Temo que a lei tenha caído no esquecimento.

Dá vontade de fazer como fui obrigado a fazer, ao ter minhas manhãs de Domingo invadidas pelos berros, urros e desacordes de uma rádio evangélica que uma vizinha passou a ouvir. Não me dei por vencido. Quis manter o meu direito ao silêncio nas manhãs domingueiras e deixar minhas janelas abertas, pois, como sabemos, o verão no Rio de Janeiro, por vezes, é uma verdadeira canícula senegalesca. Peguei minha guitarra, coloquei o amplificador no parapeito e o volume de ambos no máximo e ataquei de Johnny B. Goode, o riff inicial é inconfundível e não há inimigo do KPTA que não o conheça. Parece que a mensagem foi compreendida. O rádio da vizinha voltou ao volume normal. Não sei se pela qualidade da música ou se pela mensagem que foi passada. Só sei que deu certo.

Se, ao menos, os tais infelizes de ego gigantesco e capacidade cerebral diminuta gostassem de músicas boas, tudo bem. A gente até não reclamaria tanto, mas, por qual desígnio divino acham que somos obrigados a lidar com essas porcarias que costumam escutar?

Lutero, meu nego: te enganaram!

Ainda vendem entrada no céu!

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Adiantou você botar a boca no trombone e bater de frente com o Papa? Tudo bem… tudo bem… a burguesia e a nobreza alemãs adoraram suas ideias. Mas cá pra nós, sabe aquela piada sobre o povo que Deus colocaria no Brasil? Pois é… esse povinho acabou aprendendo a vender entrada no céu e, pior de tudo, com assinatura do filho do homem. Parece até psicografia: Jesus Cristo assinando documento em pleno século XXI! Em puro carioquês isso é o famoso 171.

Então, assim como a Igreja Católica fazia até você dar um basta na pouca vergonha que era a venda de indulgências; o cara podia ter sido o maior facínora, mas ao estar próximo de bater as botas, poderia muito bem comprar uma entrada no céu e seus pecados eram esquecidos. Agora isso nem importa tanto quanto antes. O negócio é conseguir cada vez mais “almas”, não para o rebanho, mas para os depósitos em conta corrente.

O pessoal universal, aqui, faz mais bacana ainda. Manda a grana das velhinhas, doentes, desmiolados e bobos em geral, para paraísos fiscais. É ou não é o que está na Bíblia? Alguma coisa vai para o paraíso, nem que seja fiscal, e o dinheiro seja dos coitados dos fiéis. Eu não sabia que fidelidade se comprava… Quanta ingenuidade, hein, Lutero?