Papai Noel está doente

A saúde do Papai Noel está em risco e também a ciência explica por que ele provavelmente não exista.

Não é tolerável que alguém que tenha um estilo de vida pouco saudável, condições de trabalho não tão razoáveis, para, e em seguida, acarretar o stress de ter que entregar 152 milhões presentes de Natal em 24 horas.

sad_santa-241x300-797204 É o que dizem os pesquisadores da Universidade de Gothenburg (Suécia), ao constatarem, apenas olhando para aquele rosto gordo e rosado para, juntamente com uma simples análise visual de sua silhueta para afirmarem que ele pode sofrer um ataque cardíaco a qualquer momento. Também não está descartada a possibilidade de um derrame. Além disso, segundo a doutora Annika Rosengren, do departamento de medicina vascular da referida universidade, “Ele pode fazer um tratamento contra a diabete e a hipertensão. Sem querer magoá-lo, sugiro que tome remédios para baixar o colesterol. Porém, novas pesquisas indicam que ele pode estar em um acelerado processo de demência devido a sua obesidade abdominal”.

Como podemos ver, o caso é grave e o bom velhinho está com suas horas contadas se formos acreditar em todos os diagnósticos feitos pelos médicos. Em minha opinião, médico é igual a mecânico de automóvel. Todas as vezes que vamos a um dos dois, sempre aparece um problema na rebimboca da parafuseta. Ambos conseguem incutir medo em dois pontos específicos da anatomia humana, a saber: a cabeça e o bolso! Ambos pontos da anatomia vão doer pra caramba. Não se vai a um dos dois especialistas sem estar devidamente ciente de sua conta bancária.

Muito açúcar e gordura

Como a vida do Papai Noel parece ser tranquila durante 364 dias em sua terra, a Lapônia, em que, imagina-se ele beba água fresca e tenha uma dieta baseada em salmão e carne de rena; tudo isso vai para escanteio quando chega a época do Natal. O sono é afetado e a tensão para atingir o objetivo, além de maximizar as entregas dos presentes, destrambelham tudo e dá-lhe stress sob aquele gorrinho vermelho. A pressão sobe, os nervos ficam à flor da pele e, certamente, ele até deve apresentar problemas de pele, pois o terreno – seu corpo – está criando condições para que surjam perebas devido ao grande stress. Como em alguns países é comum deixar em cada casa um lanchinho (bolos, biscoitos, pernil e, se bobear, até água que passarinho não bebe) para o Papai Noel tomar tão logo entregue os presentes, ele está se empanturrando de açúcar e gorduras saturadas. É o que afirma outro pesquisador, o doutor Mette Axelsen, do departamento de Nutrição Clínica, que arremata: “Isso pode ter algum tipo de efeito nocivo ao seu ritmo cardíaco”.

A matemática é inimiga do Papai Noel

Façamos uma conta: Há 2 bilhões de crianças no mundo. Como o Natal é uma festa cristã é óbvio que o Papai Noel não entrega presentes para crianças judias, budistas e muçulmanas. Portanto, sobram “apenas” 380 milhões de crianças que deverão receber seus presentes na noite do dia 24 de de dezembro.

Continuando a conta: Cada casal, segundo estatísticas atuais, tem em média 2,5 filhos (esse 0,5 é que complica, não?). Isso equivale a 152 milhões de visitas. Perceba que o “crescei e multiplicai-vos” ajuda na hora da divisão. No frigir dos ovos, o Papai Noel deve fazer 900 visitas por segundo para poder atender a todos os pedidos que, de acordo com Stefan Lemurell, do departamento de Ciências Exatas, só podem ser realizados se a rota for muito bem planejada e viajar no sentido oeste para que possa prorrogar o prazo de 24 horas.

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A física é contra o Papai Noel

Lembram-se daquelas aulas em que o professor de física iniciava assim: “Um móvel retilineamente em movimento…”. Pois é, chato demais mesmo. Pois é essa mesma mecânica que vai nos mostrar que o Papai Noel precisaria ser tão rápido quanto a velocidade da luz para dar conta do recado.

Digamos que cada casa esteja distante uma da outra em 100 metros, em média. Entre estacionar o trenó, descer pela chaminé, entregar os presentes, tomar o tal lanchinho, subir pela chaminé e retomar o trajeto, o trenó deve viajar a 90km por segundo, o que equivale a aproximadamente 265 vezes a velocidade do som. Vejamos o que a professora Maria Sundin, do departamento de Física nos informa a respeito: “A aceleração necessária para realizar a tarefa implica uma força g de 14 milhões de vezes a gravidade da Terra. Pilotos de caça ficam inconsciente em 7g”. Lógico que ao se aprender como o Papai Noel consegue essa proeza que desafia as leis da física, a humanidade já poderia começar a sonhar com viagens espaciais tão corriqueiras quanto tomar um trem.

A biologia não ajuda o Papai Noel

Para que possa entregar todos os presentes, Papai Noel precisaria ter um rebanho de renas com cerca de 2 milhões de animais. Basta fazer a conta (novamente a matemática): Se cada criança recebe um presente que pesa 1kg, a pilha de presentes sobre o treno pesaria 380 mil toneladas. Como o bom velhinho é espaçoso e pesado, fica-se imaginando que uma rena, cuja capacidade de carga não ultrapassa os 200kg, deve sofrer. Tudo bem, ele tem várias renas atreladas ao trenó, mas como é que ele vai fazer para decolar e aterrizar tendo tamanha carga? Complicado, não?

Vejamos: se cada presente tiver as dimensões 10x20x20cm, o volume de todos eles cobriria o gramado do Maracanã e ainda teria vários metros de altura. A energia gasta para transportar a carga pelo espaço faria com que, não apenas os presentes, mas também o Papai Noel e suas renas, virassem churrasco milésimos de segundo após a decolagem.

Portanto, a ciência nos prova por A + B que o ritmo de vida extenuante do Papai Noel é uma prova de que ele não existe. Agora está explicado por qual motivo ele jamais entregou a Ferrari F50 que peço todos os anos.

* Este artigo foi escrito a partir da adaptação e tradução feitas por mim, Jorge Alberto, do artigo Santa Claus at Risk? Unhealthy Lifestyle, Unreasonable Working Conditions, and Stress, da Science Dayli, em 24/12/2009.

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Primavera dos Livros 2009 – Rio de Janeiro

Uma feira de livros das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de livro tem e um pouco mais: o contato direto com os editores e autores.

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A Primavera dos livros do Rio de Janeiro este ano, que será entre os dias 26 e 29 de novembro, das 10h às 22h, no jardim do Museu da República (Palácio do Catete), terá como tema a Literatura de Cordel, em homenagem ao poeta Patativa do Assaré, que completaria 100 anos de nascimento. Este evento é o resultado do esforço da Libre – Liga Brasileira de Editoras, tendo patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e apoio da Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este ano a feira se internacionaliza ao contar com profissionais do mercado editorial latino-americano e africano, recebendo representantes do Chile, Peru, Argentina, Equador, México, Guiné-Bissau e Angola.

São 86 estandes apresentando livros de todos os gêneros literários (Biografia, Romance, Romance Policial, Infantil, Infanto-Juvenil, Arte, etc.)

Além das editoras comerciais, também haverá participação de editoras universitárias e institucionais como a Biblioteca Nacional e a Fiocruz.

A entrada é franca e haverá promoções com descontos de até 40%

 

Como chegar

Metrô

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Ônibus

Entre no Google maps e faça a busca. Hoje, o Rio de Janeiro é uma das poucas cidades do mundo em que o Google fornece informações acuradas sobre o transporte coletivo.

 

Programação de lançamentos

Entre os dias 27 e 29, haverá diversos lançamentos e sessões de autógrafos para o público adulto e infantil. No sábado, 28/11, às 14h, será lançado o livro “Botafogo desde menino”, de Luís Pimentel com ilustrações do Amorim.

 

Mesas de debate

Também haverá mesas de debates para todos os gostos como, por exemplo, no dia especial para os professores (27/11, mesa 3, às 10h), o tema será “Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI”.

Nomes de peso dos universos literário e cultural brasileiros como Lygia Bojunga, Laura Sandroni, Joel Rufino dos Santos, Braulio Tavares, Ruth de Souza, Jorge Mautner, Luiz Carlos Maciel, Milton Gonçalves, Arthur Dapieve, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Geraldinho Carneiro, Carlito Azevedo, Deonísio Silva e outros mais participarão das mesas de debate.

Serão discutidos temas como o universo da criação literária, o Rio de Janeiro e as Olimpíadas de 2016, racismo e a mulher negra na TV brasileira. Numa das mesas o debate será em torno da biografia como gênero literário e por qual motivo é um dos segmentos de maior vendagem do mercado editorial. Em outra mesa, Ruy Castro e Heloísa Seixas batem um papo com o público e também haverá uma mesa dedicada à obra e vida de Augusto Boal.

As novas mídias não foram esquecidas, tanto que uma das mesas discutirá os sites de relacionamento como o Facebook e outros do mesmo porte como canais para a arte, mídia e cultura digital.

Veja a programação abaixo:

Dia 27/11

DIA DO PROFESSOR

9h Chegada e certificação

  • 10h – 11h – sexta-feira
    Mesa 3 – Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI
    Participantes:
    Yolanda Lobo (escritora)
    Guti Fraga (projeto Nós do Morro)
    Mediação: Bia Hetzel (Editora Manati)
  • 11h30 – sexta-feira
    Mesa 4 – Leitura e Paixão: uma homenagem a Lygia Bojunga e Tatiana Belinky (em depoimento virtual)
    Homenagem a duas das mais importantes personalidades da cultura brasileira com inestimável contribuição na área de literatura, leitura e mercado de livros
    Participantes:
    Lygia Bojunga
    Laura Sandroni (escritora e jornalista)
    Joel Rufino dos Santos (escritor)
    Mediação: Ninfa Parreiras (escritora e pesquisadora da FNLIJ)
  • 15h – sexta-feira
    Mesa 5 – Universos da criação literária. Escrever se aprende?
    A criação literária, assunto muito controvertido entre especialistas. Escrever se aprende? Como se forma um escritor? Quais os caminhos a percorrer até que aulas ou oficinas contribuam para sua formação? Aprendemos samba no colégio, afinal?
    Participantes:
    Nilza Rezende (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Luís Pimentel (escritor e jornalista/professor)
    Bia Albernaz (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Mediação: Marcus Vinicius Quiroga (poeta e professor)
  • 18h30 – sexta-feira
    Mesa 6 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    O cordel como literatura, como música, como criação e como expressão mais genuína da nossa literatura. O cordel como mercado e como profissão. A arte do poeta de cordel encarnada nesta homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores profissionais do gênero, morto em 2002, aos 93 anos.
    Participantes:
    Bráulio Tavares (escritor e especialista em Literatura de Cordel)
    Olegário Alfredo (cordelista)
    Chico Sales (cordelista)
    Mediação: Marcus Lucena (cordelista e Presidente da Academia Brasileira de Cordel)

Dia 28/11

  • 10h30 -12h30 – sábado
    Mesa 7 – Olimpíadas 2016: a cidade e o esporte
    Rio: capital turística do Brasil, escolhida para ser o palco das Olimpíadas de 2016, com diversas promessas de melhorias para seus problemas mais cruciais. Até que ponto o desenvolvimento de uma pode estar atrelado a um evento? O futuro de uma cidade depende dessas efemérides?
    Participantes:
    Mauricio Drummond (escritor e professor)
    Jorge Maranhão (escritor)
    Saturnino Braga (escritor e ex- prefeito do RJ)
    Mediação: Alvanísio Damasceno (editor da Quartet)
  • 12h30h – 14h – sábado
    Mesa 8 – Aqui ninguém é branco: mídia e Racismo – a mulher negra na TV
    Homenagem a Ruth de Souza
    Participantes:
    Ruth de Souza (atriz)
    Rosália Diogo (escritora e pesquisadora)
    Ângela Randolpho (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Laura Padilha (escritora e prova UFF)
  • 15h – 16h30 – sábado
    Mesa 9 – Face a face com o Facebook e congêneres: arte, mídia e cultura digital
    As novas mídias, arte e cultura  digital e a revolução que representam no século XXI. Como afetam as nossas relações pessoais e de trabalho. A internet e suas possibilidades de comunicação jamais imaginadas. A vida na rede.
    Participantes:
    Artur Matuck (escritor e professor USP)
    Maria Carmem Barbosa (escritora e roteirista de TV)
    Nízia Villaça (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Valéria Martins
  • 17h – 18h30 – sábado
    Mesa 10 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    Participantes:
    Bráulio Tavares
    Olegário Alfredo
    Chico Sales
    Mediação: Marcus Lucena
  • 19h – 20h30 – sábado
    Mesa 11 – Tal Brasil, qual teatro? Tributo a Augusto Boal
    Reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea e homenagem a Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.
    Participantes:
    Jorge Mautner (poeta e músico)
    Luiz Carlos Maciel (ator e diretor de teatro)
    Nelson Xavier (ator e diretor)
    Milton Gonçalves (ator)
    Helen Saratek (socióloga/Centro do Teatro do Oprimido)
    Mediação: Geo Britto (pesquisador/Centro Teatro do Oprimido)

Dia 29/11

  • 10h – 11h30 – domingo
    Mesa 12 – Biógrafos e biografáveis : que mercado é esse que só faz crescer?
    Os caminhos da biografia como gênero na contemporaneidade. Quais são eles? Quais as novas formas de escrita que admitem? O profissional de biografias e sua ética num mercado que cresce cada dia mais.
    Participantes:
    Arthur Dapieve (cronista, jornalista e biógrafo /Renato Russo)
    Carlos Didier (compositor e biografo / Noel Rosa)
    Ana Arruda Callado (roteirista e biógrafa / Maria Martins)
    Euclides Penedo Borges (músico e biógrafo / Euclides da Cunha)
    Mediação: Felipe Pena (autor de Teoria da Biografia sem Fim)
  • 11h30 – 13h – domingo
    Mesa 13 – Leitores apaixonados: um encontro com Ruy Castro e Heloisa Seixas
    A paixão pela leitura e pelos livros é o tema deste encontro com dois craques da escrita, apaixonados pelos livros e pela profissão.
    Participantes:
    Heloisa Seixas (escritora )
    Ruy Castro (escritor)
    Mediação: Suzana Vargas (especialista em leitura)
  • 15h – 16h – domingo
    Mesa 14 – Sustentabilidade / biodiversidade: por uma nova ética cultural
    A sustentabilidade como solução para garantir novas formas de sobrevivência para o planeta. Até onde afetará a vida em comunidade, gerando novas formas de convivência
    Participantes:
    Leonardo Boff (escritor)
    Fernando Gabeira (deputado federal/PV)
    Mediação: Felipe Pena
  • 17h – 18h30 –  domingo
    Mesa 15 – O máximo no mínimo – um olhar sobre as poéticas contemporâneas
    A poesia como gênero minimalista, que diz muito com a maior economia verbal possível, de vasta produção e pouca inserção no mercado. Que caminhos percorre hoje até chegar ás prateleiras das livrarias. O que é ser poeta hoje?
    Participantes:
    Ângela Melim
    Geraldinho Carneiro
    Carlito Azevedo
    Mediação: Suzana Vargas
  • 19h – 20h30 – domingo
    Mesa 16 – Questões de Lusofonia. Por onde anda o acordo ortográfico?
    O acordo ortográfico que completa dois anos e sua adoção brasileira. Por onde anda Portugal e os países de língua portuguesa nessa importante fase de implantação?
    Participantes:
    Deonísio da Silva (escritor e etimologista)
    Adriano de Freixo(escritor especialista)
    Marcelo Moutinho (jornalista e escritor)
    Mediação: Cecília Costa (jornalista e escritora)

[Fonte: Libre]

Mapa dos Expositores

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Editora participantes em ordem alfabética

7 Letras
Alameda
Alis
Almádena Editora
Altana
Andrea Jakobson
Apicuri
Argvmentvm
Arquivo Nacional
Artes e Ofícios
Autêntica
Azougue
Bem-Te-Vi
Biruta
Brinque-Book
C/Arte
Calibán
Callis
Capivara
Casa da Palavra
Casa de Rui Barbosa
Cia. de Freud
Claridade
Conta Capa
Contraponto
Cosac Naify
Crisálida
Cuca Fresca
Dueto
Duna
Ed. da UFF
Ed. da UFRJ
Ed. da Unesp
Ed. De Cultura
Ed. Fiocruz
Ed. Independentes
Ed. Museu da República
Editora 34
EdUERJ
Estação Liberdade
Frente Editora
Fund. Biblioteca Nacional
Fund. Perseu Abramo
Galo Branco
Garamond
Gift Shop
Girafa
Ibis Libris
Iluminuras
Imprensa Oficial SP
Literalis
Livro Falante
Maco
Manati
Mar de Idéias
Matrix
Mauad X
Memória Visual
Mirabolante
Musa
Myrrha
Nau
Nitpress
Nova Alexandria
Odysseus
Outras Letras
Pallas
Papagaio
Paz e Terra
Pinakotheke
Prazer de Ler
Publisher do Brasil
Quartet
Roma Victor
Sá Editora
Terceiro Nome
Terra Virgem
Uapê
Versal
Versal
Vieira & Lent
Zit

Folclore da comida ou tudo acaba em pizza

Brasília S. fem. Capital do Brasil –  Às vezes mais parece uma tratoria. Tudo acaba em pizza.

Nós nunca paramos para pensar sobre o que aquilo que comemos tem a ver com alguns ditos populares e particularmente com o nosso folclore. Vejamos, abaixo, um belo exemplo de como a comida está presente no nosso cotidiano, não apenas para nos alimentar, mas para demonstrar, insinuar, classificar e nomear fatos e pessoas. A letra é da música Linha de Passe, da dupla Bosco & Blanc.

Toca de tatu/Linguiça, paio e boi zebu/Rabada com angu/Rabo de saia/Naco de peru/Lombo de porco com tutu/E bolo de fubá/Barriga d’água (…) Um caldo de feijão/Um vatapá e coração/Boca de siri/Um namorado e mexilhão (…)/ E o meu pirão, cadê?/Não tem!/Vai pão com pão(…)/Meu pirão primeiro/É muita marmelada.

Agora que você leu e fez mentalmente as referências aos alimentos citados na letra, veja e ouça a interpretação da música na íntegra, com João Bosco e Yamandu Costa.

Não se espante. A genial dupla também já compôs ou citou alimentos em várias de suas composições como, por exemplo, Siri recheado, fritada e o cacete; Bandalhismo; Rancho da goiabada; Entre o torresmo e a moela, entre outras mais de seu vasto repertório.

A tradição de fazer dos alimentos e suas qualidades – ou não – parte de nosso linguajar cotidiano, segundo Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, remonta aos tempos coloniais e é observado em todos os quadrantes da Terra Brasilis. Por sinal, as alusões são saborosíssimas. Certamente você lembrará algumas além das que citarei aqui. Peço licença ao nosso folclorista-mor por algumas adaptações feitas por mim. Vamos saborear?

  • Abacaxi  (Descascar um abacaxi) – Resolver habilmente a situação.
  • Água (A defesa do Botafogo é uma água) – Qualquer perna de pau consegue fazer gol passando por esta defesa; (Água morna) – Quando a pessoa é apática ou neutra.
  • Angu (Angu de caroço) – Situação complicada.
  • Arroz (Arroz doce) – Comum, banal. Aqui cabe uma notinha: Há alguns anos, o fundista brasileiro (800 metros) Zequinha Barbosa, numa das eliminatórias para um final olímpica, deu a seguinte declaração que é uma pérola, ao ser perguntado sobre como seria a prova: "Tá pensando que beiço de jegue é arroz doce?". Sinceramente, nem o repórter entendeu o que ele quis dizer.
  • Bala (Ponto de bala) – Apesar de parecer que se refere ao local onde uma bala perdida pode ser encontrada, a razão da expressão é que a calda de açúcar está em um estado intermediário entre o sólido e o pastoso, que após resfriado pode ser vendido como guloseima.
  • Banana – A primeira alusão é ao sujeito que é covarde ou tolo. Porém, há também o registro de um sinal obsceno (deu uma banana), quando se coloca o punho de uma das mãos na junção do outro braço, erguendo-o para adversários, plateia, desafetos ou sogras. É um traço cultural que herdamos dos europeus latinos, que pode ser considerado o aumentativo do sinal de origem norte-americano que consiste em esticar o dedo médio, muito em voga hoje em dia devido a influência cultural vinda de Roliúdi.
  • Batata (É batata) – É certo. Vai dar certo. Justo. Eficiente.
  • Biscoitar/Abiscoitar – Fácil de conduzir ou surrupiar. Também significa prêmio: Fulano abiscoitou um milhão.
  • Bofe – Segundo o registro do Câmara Cascudo, significa mulher feia ou velha. Mas, em fins do século XX, a palavra passou a significar objeto de desejo dos rapazes alegres, que apontam o dedinho indicador e proferem a seguinte frase: Ai! Aquele bofe é lindooooooooooo!
  • Bucho – Ainda segundo o folclorista, o significado seria o mesmo do verbete acima e acho que hoje ainda mantém este sentido de mulher feia ou velha. Bem, pode ser que os mesmos rapazes alegres também se refiram aos bofes como buchos, quando se depararem com um bofe h-o-r-r-o-r-o-s-o.
  • Café (café-pequeno) – No dicionário está registrado como sendo coisa fácil de se fazer. Porém, há uma outra conotação significando que algo ou alguém e menor que um fato ou uma outra pessoa.
  • Canja (Essa foi canja) – Fácil de obter.
  • Comer (Algo, alguma coisa ou alguém) – Os significados vão desde o "comer poeira" ou ficar para trás ao "sabe quem eu estou comendo?", ou manter intercurso sexual pouquinha coisa além do que o Bill Clinton fazia com a Monica Lewinski.
  • Filé (Aquela ali é um filé) – Muito antes das mulheres com alcunhas gastronômicas, Filé significava moça nova e atraente.
  • Galinha (Galinha morta) – O sujeito é covarde. Galinha, quando se refere às mulheres tem o sentido de vadia. Quando aplicado aos homens tem o sentido de mulherengo.
  • Marmelada (Foi marmelada!) – Significa que houve algum negócio escuso para o qual não fomos convidados e o time ou escola de samba que não são de nossa preferência acabaram ganhando o campeonato.
  • Melancia (Mulher melancia) – Seios volumosos, mas no caso da moça que dançava o funk do créu, a melancia é a derrière. No dicionário há o registro como mulher gordalhona, pesada ou lenta. Uma pena que o Câmara Cascudo morreu antes de ver a Mulher Melancia dançando o créu na velocidade 5.
  • Pamonha (Pamonha… Pamonha fresquinha…Olha a pamonha) – Significa um sujeito sem iniciativa, exceto pelo #$%&*# do locutor da Variant velha caindo aos pedaços e que usa megafones para anunciar que vende o alimento feito a base de milho.
  • Pão (Pão-pão, queijo-queijo) – Provém do farnel (cesto de lanche) suficiente para a jornada de trabalho em Portugal, em tempos passados: Queijo e pão é refeição!. Coisa lógica, racional.
  • Peixe/Peixinho (E aí peixe?) – Apadrinhado de alguém.
  • Pirão (Farinha pouca meu pirão primeiro) – Se algo não será suficiente para todos, é melhor reservar logo a sua parte.
  • Siri (Boca de siri) – Ficar calado, guardar segredo.
  • Tomate (Ai! Meus tomates!) – Alguém recebeu um chute ou bolada nos testículos.
  • Uva (Aquela menina é uma uva) – Moça bonita.
  • Vinagre (Foi pro vinagre) – Algo não deu certo.

Quanto ao ato de comer e aquilo que o cerca há posturas e superstições, como as que são citadas por nosso folclorista-mor. A principal remonta à antiguidade e tem relação entre o número de participantes e uma mesa. Não se deve, jamais, ter 13 pessoas sentadas à mesa. Segundo ele, o número 13 já era visto de forma enviesada pelos romanos. Pesquisadores da história antiga, em Roma não há registro de qualquer documento que seja datado de qualquer dia 13. E como todos os cristãos sabem havia 13 pessoas participando da Santa Ceia.

Algumas superstições soam até anacrônicas nos dias de hoje como donzela não serve sal, não corta galinha e nem passa palitos e donzela não deve ficar na cabeceira da mesa senão não casa. Ainda no campo feminino, Mulher não deve beber vinho antes do homem.

Quando éramos pequenos, meu pai exigia que sempre sentássemos à mesa, não importando onde e quando, vestindo camisa. Ele dizia que não se come sem camisa, pois é falta de educação. Essa afirmação, além de uma prova de boa educação dos pais, ainda está ligada a conceitos supersticiosos: Comer despido é ofender o Anjo da Guarda. Mas antes de tudo isso é uma questão de higiene.

Bom apetite. 🙂

Leia também os artigos:

Eu quero comer carne: Um pouco do cinema nacional dos anos 80

O filme que eu queria falar mesmo é o Marvada carne, que junto a mais dois filmes apresentados no decorrer do artigo, mostram um pouco do Brasil que não vemos – e nem se via – nas novelas. Esse, por exemplo, é um grande causo contado na primeira pessoa por Nhô Quim, cujo maior sonho era comer carne de boi. As situações são muito engraçadas como o seu encontro com o Curupira e algumas outras figuras do nosso folclore. Além, é claro, da promessa que Santo Antônio deveria cumprir para arranjar um marido para Carula. Curtam e se deliciem com esse Brasil que parece não existir mais. São 8 vídeos, e cada um tem cerca de 10 minutos. Vale a pena.

 

 

Sinopse

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A Marvada Carne é um filme de 1985, produzido por Cláudio Kanhs, da Tatu Filmes, dirigido por André Klotzel e estrelado por Fernanda Torres, Adilson Barros e Regina Casé. Ganhou onze prêmios no Festival de Gramado, no mesmo ano em que foi lançado, incluindo Melhor Filme pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular. A Marvada Carne é uma comédia que mostra as hilariantes aventuras de Carula (Fernanda Torres, num papel inesquecível), uma garota simples, do interior, que tem um grande sonho na vida: casar-se. E para isso ela está disposta a tudo.  (Youtube, Canal Enico171)

 

Um pouco de memória

Que o cinema nacional está em franca ascensão ninguém duvida. Alguns filmes nacionais se tornaram verdadeiros blockbusters, como os cadernos culturais e críticos de cinema gostam de anunciar. Porém, na década de 1980, quando o nosso cinema meio que agonizava, surgiram algumas produções escassas mas significantes em que alguns filmes marcaram como, por exemplo, Gaijin – Os caminhos da liberdade, da cineasta Tizuka Yamazaki, em que reconta a imigração japonesa no Brasil, no início do século XX. Um outro filme também marcante foi O homem que virou suco, de João Batista de Andrade, que conta a história de um retirante que chega a São Paulo.

Nessa época, boa parte da produção cinematográfica era destinada ao mercado das pornochanchadas, o que garantia faturamento para as salas de cinema até que alguma igreja evangélica comprasse o imóvel e o transformasse em um templo. Isso aconteceu de forma quase imperceptível com algumas salas de cinema tradicionais como Santa Alice (Engenho Novo), Baronesa, na Praça Seca (Jacarepaguá) e o Carioca, na Praça Saens Peña (Tijuca).

Conheça mais o cinema brasileiro. Meu cinema brasileiro.

O cricri é o chato elevado ao quadrado

Você, cidadão pacato, está sentindo um bafo no cangote ou o seu caminhar parece emperrado? E você, cidadã,  tem a perfeita noção de que a perseguem nas ruas e, de repente, seu telefone toca e o número que aparece na tela não é do seu conhecimento? Vocês sabem o que é isso?

Fly in soup bowl © Tobias Bernhard/zefa/CorbisO cricri é a mosca em nossa sopa.

Estas são apenas algumas das formas que os encostos virtuais, ou não, resolveram utilizar para, assim, minar sua paciência e sugar as suas energias, se alimentando daquilo que elas imaginam que só você tem.

Usei o termo "encosto", que, na verdade é conhecido como espírito obsessor, mas que podemos traduzir como sanguessugas. E esses são os cricris, os chatos virtuais – no mundo real é a mesma coisa -. Você imagina que já fez de tudo para se livrar e, no mundo virtual, você já pensou várias vezes se valia a pena ou não continuar a frequentar lugares como o Orkut e congêneres, justamente para não ser objeto desse grude gosmento, que por mais que você tenha se esforçado, essa coisa não desgruda.

42-19762225₢CorbisVolta pro mar, oferenda!

Não é preciso se desesperar. Há duas opções, a saber: A primeira é a Filosofia da Vaca e a segunda é recitar um mantra. Calma, eu explico: A filosofia da vaca consiste em você se lembrar como é que a ruminante age. Ela caminha placidamente enquanto deixa um rastro de caquinha pelo caminho. Ou seja, não está nem aí para quem vem atrás e, no caso específico do cricri virtual, o que ele diz. Em um Português bem claro, a Filosofia da Vaca pode ser resumida em uma frase: "Tô c*.*gando e andando". A outra opção, quando você tem um tiquinho de entendimento das coisas afrobrasileiras, é entoar o “mantra” VOLTA PRO MAR, OFERENDA!, – nome dado a algumas comunidades no Orkut – bem no ouvido do (a) cricri assim que reconhecer a voz do outro lado do telefone. Quando o (a) cricri é pouquinha coisa mais inteligente, usa o tal “número não identificado” para te ligar e pentelhar. Mesmo assim o (a) cricri corre o risco de não ter a ligação atendida.

Em vários sites visitados e, em particular, numa reportagem sobre os chatos que saiu no G1 há alguns meses, chamada Saiba como despistar os chatos da Web,  foi identificada uma característica comum a todos os cricris: a carência afetiva. Portanto, a questão é psicológica e os chatos nos fazem de anteparo para suas carências. Mas que fique claro: ser chato independe da condição. Você pode ser o cricri de outra pessoa.

Outros tipos e opiniões sobre os cricris.

Poetas populares: os repentistas

Tal como os menestréis medievais, os repentistas e violeiros do Nordeste do Brasil contam as histórias, levam as notícias e integram, pela transmissão oral, a região e seus habitantes. O repente, a arte de criar versos rimados de improviso é de uma dificuldade impressionante; porém, algumas técnicas são aplicadas para que os versos corram na mente do repentista/cantador e percorram os o coração de seus ouvintes. Quem já presenciou uma criação como essa fica maravilhado. Leia um artigo sobre o assunto na revista Caros Amigos.

Imagem ₢ Museu Oscar Niemeyer
Imagem ₢ Museu Oscar Niemeyer

Eu, como filho de nordestino, tive contato com este tipo de arte; não diretamente, mas através das músicas que ouvia em casa e, uma delas, Triste Partida, de Patativa do Assaré (Leia o excelente artigo na Revista Pesquisa Fapesp), o maior de todos os repentistas, foi gravada por Luiz Gonzaga originalmente e, posteriormente, na gravação abaixo, feita em conjunto com seu filho, o Gonzaguinha apresenta a saga de nordestino que vê sua vida mudar ao sabor do clima e acaba tendo que se mudar para o Sul, mais precisamente para São Paulo. A isto denomina-se êxodo rural, fonte de mão-de-obra barata nos estados do Sudeste e Sul do Brasil e de especulação imobiliária no Nordeste, gerando mais latifúndios e coronelismo moderno. O vídeo é excelente. Um dos mais bacanas que já vi no Youtube. Eu garanto que vocês, ao prestarem atenção à letra e penetrarem na melodia, se emocionarão.

O nordeste é o mesmo que, desde os tempos do Império recebe promessas de melhorias e até hoje não saiu do arcaísmos das relações sociais e políticas. Não foi à toa que Euclides da Cunha, em Os Sertões, classificou o nordestino como um forte e, Edeor de Paula, o compositor do samba-enredo da G.R.E.S. Em Cima da Hora, citou “Sertanejo é forte, supera a miséria sem fim. Sertanejo, homem forte, dizia o poeta assim”.

No portal Porta Curtas, é possível assistir a um vídeo sobre os repentistas.

Brinquedos que usam ondas cerebrais

Quando éramos crianças, e isso vale para quem hoje está na faixa acima dos 20 anos, inventar brinquedos e usar a imaginação era o que de mais best1 graduado havia em termos de tecnologia. Quantas e quantas vezes não imaginamos um simples pregador de roupas como sendo um mergulhador ao encher o tanque de lavar roupa até quase a borda e fazer barquinhos de papel para uma batalha naval? Este mesmo pregador, um grampo de cabelo e um pedaço de linha se transformavam numa besta, aquela arma que era usada na Idade Média por arqueiros. Tudo era uma questão de imaginação. Aprenda a construir uma dessas lendo o artigo Bestinha de grampo, que está no portal Jangada Brasil.

Duas empresas norte-americanas garantem que daqui em diante tudo será diferente. Os brinquedos, em vez de contarem com grande parte de nossa imaginação, atenderão às nossas ondas cerebrais. A coisa consiste em, nesta primeira etapa, fazer levitar uma bolinha como você pode ver na foto abaixo.

toy_540Tim Sheridan demonstra o Mind Flex durante a American International Toy Fair in February. AP  ₢ Craig Ruttle.

Tanto o Mind Flex quanto o The Force Trainer tem como princípio uma forma modificada dos aparelhos de eletroencefalografia,tecnologia usada em hospitais e clínicas para mensurar os sinais elétricos em nossos cérebros. A tecnologia foi criada pela empresa NeuroSky. Assista a um vídeo demonstrativo no Youtube.

toybrain1Aos sinais elétricos são aplicados algoritmos desenvolvidos após um cuidadoso estudo sobre os vários estados de atenção que nossos cérebros são capazes de gerar e manter. O objetivo, como se disse, é fazer a bolinha levitar; mas para isso, é preciso mover as pás de um ventilador que fica na base do do brinquedo e isso é feito através dos tais impulsos elétricos do nossos cérebros. Quanto mais concentrados, mais veloz se torna o ventilador e a bolinha levita. Assista o vídeo ao clicar sobre a imagem.

* Este artigo foi escrito a partir da livre tradução feita por mim, da matéria Levitation Toys Really Test Brain Power, do NPR.