A primeira revolução ecológica do mundo

A Revolução dos Cocos, a primeira revolução cuja ecologia foi o principal motivo.

Revolução dos coc

Clique sobre a imagem para começara a assistir ao documentário

Trata-se de um documentário que está no Youtube e é dividido em 6 partes de aproximadamente 10’ cada um, produzido pela National Geographic e narrado por um ex-integrante do serviço de segurança britânico (MI5 – Military Intelligence, section 5), que nos conta a história da primeira eco-guerrilha que se tem notícia. Trata-se do movimento de independência e por qual motivo não citar como sendo um movimento de sobrevivência da população da ilha de Bougainville, no oceano Pacífico, próxima a Austrália e Papua Nova Guiné. Ambos países não mediram esforços para derrotar esse movimento. Todas as tentativas foram infrutíferas.

"O homem na Terra, no planeta Terra, depende da terra, depende do ambiente e eu quero pedir a todos, a todo líder de toda nação que cuidem da terra, para que as pessoas nesse planeta Terra possam ser salvas".
Francis Ona, líder da resistência da Ilha de Bougainville.

mapa Veja a localização pormenorizada no Google Maps

A história se passa na década de 1990, e se desenrolou em absoluto desconhecimento mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Durante sete anos a população  sofreu com o embargo, lutando  contra o domínio colonial exercido por Papua Nova Guiné, que contratou mercenários contando com ajuda do governo australiano. O documentário nos apresenta as formas pelas quais a população conseguiu impedir a destruição do meio ambiente ao combater a maior mineradora multinacional, de origem inglesa, que prospectava uma mina de cobre – talvez a maior do mundo –, destruindo o habitat desse povo. Cerca de 10% da população morreu durante esse conflito.

Aprenderemos como eles conseguiram fazer dos escombros das instalações da empresa e casas de seus funcionários, os locais em que coletavam matéria-prima para criarem pequenas hidrelétricas e reinventar artefatos que lhes permitiram, até mesmo, fazer motores a combustão funcionarem, utilizando óleo de coco. Assim, conseguiram um tipo de combustível muito menos poluente e mais eficiente para movimentar os carros e demais máquinas. O mais interessante é que no início da luta, as suas armas eram arcos e flechas contra metralhadoras e helicópteros.

Também aprenderemos como se deu (ou se dá) a interação do homem com o ambiente que o cerca, dali obtendo remédios através das plantas e criando hortas comunitárias.

A revolução deu certo pois nunca faltaram energia e alimentação.

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O rosário no iPhone: gadgets e a fé

Nos EUA, os aparelhos eletrônicos (smartphone, iPod, notebook e demais gadgets) começam a ser utilizados no auxílio da fé como, por exemplo, é o caso da iRosary, um aplicativo para o iPhone ou iPod Touch, que permite iphonedispor de um rosário eletrônico na telinha dos aparelhos, para você rezar o Terço. A ideia de criar o aplicativo surgiu quando Dave Brown e sua esposa Jackie estavam no quarto do hospital em que sua filha, Isabella, fazia tratamento contra um tipo de câncer.

"Então, olhamos para estes iPhones em nossas mãos e nós dissemos: "Puxa, não seria grande se nós pudéssemos colocar o rosário diretamente aqui e, por isso, não precisaria haver uma luz acesa durante a noite, enquanto nós estivermos sentados lá no quarto de Isabella, no hospital?"

Alguns detalhes do aplicativo:

  • a contas (miçangas) que compõem o rosário podem ser giradas com toques na tela;

  • você pode escolher 243 tipos de design para a cruz e contas (miçangas);

  • orações em inglês, francês, espanhol e latim;

  • o treco faz o aparelho vibrar nos momentos de maior fervor.

Além disso, há também  o portal Pope 2 You  (algo como O Papa para você), e pode ser acessado em outras quatro línguas: Francês, Italiano, Espanhol e Alemão.

Não são apenas os católicos da terra do Tio Sam  que contam com as modernices tecnológicas para angariar um número maior de almas para seus rebanhos, os protestantes não tem apenas, hoje, os famosos pastores eletrônicos; já dispõem de uma rede de satélites para transmitir a programação do portal Life Church TV, permitindo, assim, que toda semana cerca de 60 mil computadores estejam conectados ao mesmo tempo em rede para, segundo as palavras contidas no referido portal, “Toda semana, nos unimos ao redor do mundo para adorar a Deus e à experiência de uma mensagem relevante e poderosa, que ensina as verdades da Bíblia”.

Para os judeus, apesar de vários religiosos já fazerem uso de meios eletrônicos para serem contatados, como o site Ask Moses (pergunte a Moisés), que só não responde às perguntas durante os feriados religiosos e o sabath (sábado). Um dos organizadores do site que afirma que "Não pretendemos substituir a conexão humana ou a interação humana", (…) "Nossa reivindicação é que estamos a um outro nível que pode realmente ajudar uma pessoa a alcançar um objetivo que, caso contrário pode ser impossível sem isso." Para os religiosos judeus mais conservadores, coisas como este site constituem uma forma de exceção, no sentido de “não é bem isso que se deve fazer”.

Por qual motivo não falam Jesus de forma natural?

Ao ler o artigo Religion Finds Home On IPhones, Social Networks, de Jessica Alpert para o NPR, eu achei interessante a forma pela qual se referem a Jesus. Eles, os norte-americanos, são capazes de jogar bombas atômicas, mas sentem medo ao falar a palavra Jesus, tanto que pronunciam “gee” (djii), uma metonímia do nome daquele rapaz judeu, mais conhecido por Jeoshua e que foi parar na cruz pagando nossos pecados. Deus, então, é mais conhecido como Gosh. Sabe aquela coisa de não pronunciar o nome do vosso deus em vão?  Cada povo com suas manias e sua cultura, não?

Em um filme (clássico), “A História do Mundo – Parte 1”, do diretor Mel Brooks (Melvin Kaminsky), há uma cena hilária que se passa durante a santa ceia (last supper para os comedores de rotidógui), na qual ele, Mel Brooks, interpreta o garçom que atende aos pedidos feitos pelos 12 apóstolos e Jesus. No meio do diálogo, já beirando o non sense, por não conseguir que os 13 participantes à mesa fizessem o pedido, ele exclama Jesus!, que soaria para nós, tupiniquins, como algo do tipo “caramba…”, no sentido de “mas que saco!”. E o que acontece? Jesus, que é interpretado pelo ator inglês John Hurt, pensa que está sendo chamado.

Entretanto, antes do diálogo citado, há uma outra situação muito engraçada quando o garçom espera que todos façam seus pedidos e Jesus diz que naquela noite, um deles o trairá. Ato contínuo, o garçom faz uma pergunta direta a… Judas. O que perdeu as botas lá longe dá um salto da cadeira e, quase que mortificado, pede para que os deixem em paz.

Atenção para o pastelão histórico: Após o diálogo, imagine quem surge na sala em que ocorre a santa ceia? O seu, o nosso, o de todos nós… Leonardo Da Vinci! Veja o vídeo.

Livrarias de qualidade

França classificará livrarias como classifica seus vinhos.

O governo francês aprova lei de incentivos fiscais e empréstimos sem juros criada por Christine Albanel, ex-ministra da cultura, que faz da estratégia “Plan Livre”,  para as livrarias francesas que serão classificadas por um selo de qualidade.

© Bettmann/CORBIS

Sylvia Beach, proprietária e fundadora da Shakespeare & Co., arrumando a vitrine, em maio de 1941, dessa que foi uma das mais famosas livrarias de Paris.
Imagem © Bettmann/CORBIS

O mercado editorial está se reinventando para fazer frente aos novos tempos em que você pode ler um livro até mesmo em seu telefone celular. De todos os segmentos do mercado de livros, as livrarias independentes, hoje, talvez constituam um dos elos mais frágeis, devido ao crescimento das grandes redes de livrarias e, também, ao surgimento de meios eletrônicos de leitura como dito acima.

O governo francês que em outros tempos se preocupou com a questão dos preços dos livros, impedindo descontos além de um determinado percentual (5% sobre o preço de capa), o que atingia frontalmente as livrarias independentes que não tinham poder de barganha junto as editoras, visto que as grandes redes ofereciam descontos muito superiores e agora estabelece, através de uma lei de incentivos fiscais um selo de qualidade, “Librairie Indépendante de Référence” ou LIR, para as livrarias independentes francesas que observem seis itens estabelecidos por uma comissão governamental, referentes a qualidade de seus serviços.

  1. desempenhar um importante papel cultura na comunidade;
  2. organizar rodas de leitura e eventos culturais;
  3. os funcionários devem contribuir para a qualidade do serviço;
  4. o proprietário se compromete a investir no acervo, em qualidade e quantidade;
  5. a loja deve manter uma variada seleção de títulos;
  6. o acervo deve ter pelo menos 6000 títulos, sendo que a maioria seja composta por novidades.

O selo de qualidade é valido por três anos e é renovável, ou não, dependendo da observação dos seis pontos obrigatórios. Assim, o governo francês destina para essas livrarias uma verba total de € 500 mil e calculam que as isenções fiscais somem € 3 milhões.

Hoje, na França, há cerca de 3500 livrarias independentes e 6 mil editoras. Segundo Dominique Mazuet, gerente da livraria Tropique (cerca de 60m²), em Montparnasse, Paris, acredita que essa lei poderá beneficiar as livrarias em relação as isenções fiscais e subsídios, o que poderá desafogar um pouco os custos fixos da manutenção de uma livraria independente. Ainda segundo suas palavras, manter uma loja com três funcionários vai depender não apenas dessas leis (Lei Lang e a Lei LIR), mas também da assiduidade dos seus clientes e o interesse em continuarem sendo seus fregueses.

E no Brasil como anda essa questão?

* Livre tradução feita por mim, Jorge Alberto, do artigo “France Rates Top Indie Bookshops Like Wine”, de Olivia Snaije, para o Publishing Perspectives.

O primeiro GRITO da moda

A moda contribuiu para a formação do pensamento simbólico da humanidade.

Essa é uma história que começou há cerca de 80 mil anos, segundo os arqueólogos que encontraram indícios de que conchas pequeninas serviam de ornamento para nossos antepassados. Qual o significado desta descoberta? Enorme, se você não sabe. Veja a imagem.

Não se trata apenas de uma questão fashion, mas uma questão de consciência e simbolismo dado a um objeto, não necessariamente tendo propriedades sagradas ou comerciais. Mas, sim, propriedades estéticas. Portanto, essas conchas que seriam usadas como miçangas em cordões ou pulseiras, adornavam nossos antepassados e, certamente, diferenciando um elemento do outro dentro de um grupo ou identificando grupos sociais.

A moda, antes de tudo, é um fator de diferenciação social. Basta lembrar, por exemplo, que os sans-culotte (sem-calção), o povo – todos que não fossem nobres ou egressos do alto clero –, a parcela da sociedade francesa do século XVIII, foi à luta e cabeças rolaram com a ajuda da guilhotina. O tal culotte distinguia nobres e não-nobres. Veja as imagens abaixo:

sans-culottes-1

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Sans-culotte. Estes usavam calças compridas de algodão.

Nobre usando culotte. Peça de vestuário que cobria as pernas até os joelhos.

Voltando às conchas, segundo os pesquisadores, essas que foram encontradas em sítios arqueológicos no Marrocos, corroboram as informações a respeito de objetos similares, mas que foram datados de 100 mil anos e encontrados em Israel, Argélia e África do Sul. A pesquisa é parte do programa EUROCORES Origin of Man, Language and Languages (Origens do homem, línguas e linguagens), da European Science Foundantion (Fundação Europeia de Ciência). O que chama a atenção e designa o uso consciente com simbolismos e significados é o fato de as 25 conchas encontradas terem sido perfuradas de forma a se fazer um encadeamento e, também, haver sinais de pigmentação e desgaste por uso contínuo.

As conchas pertencem a moluscos marinhos gastrópodes do gênero Nassarius, e que foram encontradas em vários sítios arqueológicos, o que pressupõe um fenômeno cultural repassado entre grupos humanos durante milhares de anos, o que também sugere trocas comerciais. De acordo com Francesco d’Errico, pesquisador do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), “as relações econômico-culturais da época podem nos levar a afirmar que “as conchas eram coletadas e, a partira daí, criou-se uma rede de intercâmbio entre as populações costeiras e interioranas das regiões estudadas, o que demonstra que essas coisas já recebiam um significado simbólico”. Ele ainda completa com a informação de que, muito provavelmente, houve intercâmbio genético além do cultural.

O estudo dessas conchas proporciona inferir que não são apenas trabalhos estéticos ou decorativos, mas também, uma forma de tecnologia que transmitia informações através de uma linguagem codificada, provando, assim, que a evolução de um pensamento mais avançado entre nossos antepassados pode nos indicar a propagação da humanidade desde a África, o berço da humanidade. É interessante saber que “a invenção do ornamento pessoal é uma das mais fascinantes experiências culturais da humanidade”. Acho que por isso que a resposta da Marilyn Monroe foi Chanel 5, quando perguntaram o que ela usava para dormir. Prova cabal da assertiva dos pesquisadores, não? Isso significa que ao usar algo de forma diferente você transmite uma imagem simbólica de si.

Um outro fato curioso em relação as conchas encontradas é que elas negam a antiga ideia de que os ornamentos pessoais tenham surgido há 40 mil anos, quando a Europa começou a ser ocupada pelos humanos. Portanto, o pensamento simbólico e a capacidade cognitiva surgiram milhares de anos antes, ainda na África.

A madame sabe por qual motivo usa batom?

A tradução e adaptação do artigo Tiny Ancient Shells – 80,000 years old – Point to earlist fashion trend, da Science News (27/08/2009), foram feitas por mim, Jorge Alberto.

Lutero, meu nego: te enganaram!

Ainda vendem entrada no céu!

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Adiantou você botar a boca no trombone e bater de frente com o Papa? Tudo bem… tudo bem… a burguesia e a nobreza alemãs adoraram suas ideias. Mas cá pra nós, sabe aquela piada sobre o povo que Deus colocaria no Brasil? Pois é… esse povinho acabou aprendendo a vender entrada no céu e, pior de tudo, com assinatura do filho do homem. Parece até psicografia: Jesus Cristo assinando documento em pleno século XXI! Em puro carioquês isso é o famoso 171.

Então, assim como a Igreja Católica fazia até você dar um basta na pouca vergonha que era a venda de indulgências; o cara podia ter sido o maior facínora, mas ao estar próximo de bater as botas, poderia muito bem comprar uma entrada no céu e seus pecados eram esquecidos. Agora isso nem importa tanto quanto antes. O negócio é conseguir cada vez mais “almas”, não para o rebanho, mas para os depósitos em conta corrente.

O pessoal universal, aqui, faz mais bacana ainda. Manda a grana das velhinhas, doentes, desmiolados e bobos em geral, para paraísos fiscais. É ou não é o que está na Bíblia? Alguma coisa vai para o paraíso, nem que seja fiscal, e o dinheiro seja dos coitados dos fiéis. Eu não sabia que fidelidade se comprava… Quanta ingenuidade, hein, Lutero?

10 revelações sobre o Twitter

O Brasil é o maior usuário do Twitter depois dos países angloparlantes (EUA – 62%; Inglaterra – 8%; Canadá – 5,7% e Austrália – 2,8%), que são os que “dominam” o Twitter. O Brasil é o país que detém o maior número de usuários (2%) após os líderes.

 

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Vejamos, então, as 10 revelações mais recentes sobre o Twitter.

  1. 21% das contas criadas no twitter estão sem qualquer atividade e nunca publicaram uma twittada sequer;
  2. Cerca de 94% das contas no Twitter tem menos de 100 seguidores;
  3. Apenas 5% dos usuários produzem 75% de atividades em toda a rede;
  4. Metade dos usuários não são assíduos. Levam até uma semana para dar um pio;
  5. Março e abril de 2009 foram os meses de maior crescimento do Twitter. Isto se deveu ao efeito Ashton Kutcher , que se propôs a alcançar 1 milhão de seguidores numa disputa com a rede CNN, para ver quem atingiria o primeiro esta marca;
  6. Os twitteiros conseguem seguir e interagir com 150 pessoas no máximo, mantendo certa regularidade. Do 151º em diante, baixa consideravelmente a vontade de seguir alguém;
  7. Terça-feira é o dia de maior atividade no Twitter. Quarta-feira e sexta-feira são os dois outros dias, a seguir, com maior número de twittadas;
  8. 55% dos usuários não utilizam a página oficial do Twitter para dar seus pios;
  9. A língua inglesa domina o Twitter: EUA – 62%; Inglaterra – 8%; Canadá – 5,7% e Austrália – 2,8%. O Brasil é o país com o maior número de twitteiros após os líderes, contando com cerca de 2% de usuários de todo o universo piante;
  10. O fenômeno que o Twitter representa vem sendo liderado por usuários que podem ser considerados experts em uso ou que atuam na área das redes sociais.

Após a leitura dos itens, o que podemos concluir sobre nós, os nativos destas plagas tupiniquins?

  • Os brasileiros são internautas assíduos;
  • A fofoca, ainda é um dos esportes nacionais mais prestigiados;
  • Adoramos seguir alguém ou ser seguidos por mais um montão de gente;
  • Que, sem o Brasil, a língua portuguesa está fadada a se tornar língua morta.

Brincadeiras à parte, a informação acima foi obtida no jornal mexicano De10.com.mx que traz, em sua edição de 24 de julho, uma pesquisa feita pela empresa Sysomos , sobre os usuários e suas atividades no Twitter. No mesmo artigo há trechos de uma entrevista com James Breiner, diretor do centro de jornalismo digital da Universidade de Guadalajara, que diz o seguinte:

O uso do Twitter e outras ferramentas digitais desse tipo têm sido muito importantes para o desenvolvimento democrático da imprensa.

Quem quiser me seguir no Twitter é só clicar na imagem. 🙂

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Fé: uma questão de marketing e capitalismo

Em duas resenhas de um mesmo livro que trata sobre o avanço do Pentecostalismo, o Brasil é citado com certo destaque. Nomes como Marcelo Rossi e Edir Macedo são apresentados como exemplos da disputa pela fé dos brasileiros.

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Man Preaching (Homem pregando) IMAGEM: © Gary Houlder/CORBIS

O Brasil e Coreia são os grandes mercados da fé. Digo isso por acabar de ler dois artigos sobre o mesmo livro, em dois jornais estrangeiros, em que a Terra Brasilis é citada. E, ao que parece, aqui se dará a batalha final ou é o palco da grande disputa entre as diversas seitas evangélicas.

Segundo o artigo do Telegraph.com, sobre o livro God is back: how the global rise of faith is changing the world (algo como Deus está de volta: como o crescimento global da fé está mudando o mundo), cita a vida de uma evangelista canadense chamada Aimeé Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular (1890-1944), um pastor dessa igreja, em São Paulo, declara que “o sucesso está nos exorcismos e numa certa agressividade” (mercadológica, imagino).

Esta senhora era dada ao marketing pessoal, pois adorava ser fotografada ao lado de estrelas do cinema como Charles Chaplin, ou ao lado de leões. O interessante de sua história é que ela sumiu durante um tempo e, ao retornar, quando reapareceu em pleno deserto mexicano, disse ter sido sequestrada. Muitos acreditavam que ela teve uma aventura amorosa e foi largada pelo amante durante o idílio. Uma canção foi composta na época, contando o caso de forma bem jocosa. Morreu em 1944 de overdose ao ingerir diversas pílulas de remédios para dormir.

Os autores, John Micklethwait e Adrian Wooldrige propõem a tese de que, o exemplo de Aimee McPherson é um dos grandes marcos da criatividade da igreja americana. E é neste ponto que entram o Brasil e a Coreia, como os maiores seguidores de um padrão religioso baseado em modelos norte-americanos de evangelização.

Você deve estar se perguntando por qual motivo esses dois países são os mais promissores campos para o encantamento de almas ávidas pela salvação. Comecemos pela Coreia, pois parece ser um caso muito interessante. Segundo o artigo do Times, God is back: Taking on Satan, US-Style (algo como “Deus está de volta: Tratando Satã ao estilo norte-americano”), que fala sobre David Cho, um ministro evangélico coreano, ligado à Assembleia de Deus, fundador da Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, que até os 19 anos era budista e teve sua revelação após ser curado de uma tuberculose, abraçando o cristianismo. Diz ter tido visões de Jesus. No início de sua carreira foi intérprete de missionários norte-americanos, de quem aprendeu as técnicas e modos de fazer sua igreja crescer. Também visitou o Brasil e teve a brilhante idéia de reunir as pessoas como fazem algumas empresas que utilizam essa técnica para vender seus produtos de lar em lar ao evangelizar, isto é, criar células familiares e fazer delas suas bases para a pregação. Veja os princípios desta forma de evangelizar:

Os objetivos de suas células são:

  • células familiares

  • crescimento biológico, natural, por progressão geométrica

  • grupos de 1 até 30 (40) pessoas e aluga-se um templo

  • líderes designados

  • líderes formandos por meios tradicionais como seminários, escolas bíblicas e discipulado

  • estrutura de células heterogêneas no estilo de Escola Bíblica Dominical a domicílio

  • igreja permanece com o mesmo sistema de cultos, com serviços de oração, para jovens, doutrina,etc.

  • trabalha o caráter do discipulado (e)

(Fonte: Wikipedia)

A sua força de sedução é tamanha que, em Seul, capital da Coreia do Sul, uma em cada 20 pessoas é considerada membro de sua igreja – São aproximadamente 830 mil seguidores em todo o mundo –. O santuário central é capaz de abrigar 12 mil pessoas e nos andares acima, outras 20 mil se unem para assistir os cultos através de telões. David Cho cita constantemente o pastor Ted Haggard – Pastor Ted – como o homem que fez os demônios fugirem através de exorcismos via telefone. O jornal lembra que esse mesmo Pastor Ted é aquele que foi pego num escândalo de prostituição masculina, quando contratava, via telefone, serviços de um prostituto para atender às suas necessidades sexuais.

O êxito de Pentecostalismo é uma mistura estranha da crença inflexível e pragmatismo, emoção crua e aperfeiçoamento, improvisação e organização: como todos os êxitos de marketing, o Pentecostalismo deve um pouco do seu êxito à sua capacidade de adaptar-se a tradições locais, mas é sem embargo um produto muito americano." (Timesonline.com.uk)

A forma norte-americana de evangelizar é seguida à risca, como no quadro acima e, além disso, a Igreja Yoido envia cerca de 600 missionários aos quatro cantos do mundo. Ao contrário da Igreja Católica, o american way of religion chega às comunidades mais pobres (indígenas) de diversos países como, por exemplo, a Guatemala – A América Latina é o grande celeiro de almas ávidas por este tipo de salvação – e falam a língua dos locais, mesmo que seja uma língua ou dialeto nativos. Ainda neste tipo de “salvação”, meios de comunicação e cargos eletivos não estão fora do contexto. É uma forma de, como se diz no jogo do bicho, “cercar pelos sete lados”.

Os autores dão uma explicação para o sucesso desse formato, tendo a filosofia econômica do Capitalismo como o cerne dessa “busca pela salvação”, para explicar por que o Pentecostalismo é o grande sucesso religioso do século XX:

“ (…) o capitalismo faz com que as pessoas “sintam-se sem raízes e vulneráveis”, e assim busquem um refúgio na religião. Líderes religiosos ainda podem usar o capitalismo para aumentar a sua ação numa espécie de mercado. Assim, a América exporta o capitalismo e a religião simultaneamente (…).” (Telegraph.com.uk)

Um termo bastante interessante utilizado é o "igreja de resultados", quando o artigo do Times se refere ao bispo Edir Macedo, quando diz que a salvação será neste mundo e não no outro, desde que faça "investimentos", mais conhecidos como dízimo, os famosos 10% que todo fiel deve ceder para a sua igreja. Além disso, há uma gama variada de livrarias e livros escritos por gurus da autoajuda, todos com títulos religiosamente edificantes, que ensinam como gerenciar suas vidas e espíritos de uma maneira bastante eficaz.

A concorrência nesse tipo de mercado levou a um dos pequenos empreendedores (pastores de pequenas igrejas) a declarar: "Temos que trabalhar contra a concorrência, assim como lutamos contra o Diabo". Interessante este ponto de vista, não?

O uso de modernidades não está restrito apenas ao pentecostalismo. Até mesmo o islamismo faz uso desses recursos, que vão adaptando uma visão de mercado (da fé) utilizando a tecnologia e o Catolicismo também não quer perder o bonde da história, mais do que já perdeu em número de fiéis – cerca de 1% de seus fiéis a cada ano desde 1991. E, por isso, Roma aposta todas suas fichas em padres jovens e boas-pintas, como Marcelo Rossi, que é citado como um ex-professor de educação física, que transformas suas missas em seções de ginástica aeróbica.

*Este artigo foi escrito a partir da tradução e adaptação feitas por mim, dos artigos God is back: Taking on Satan, US-Style, do Timesonline e God is back: how the global rise of faith is changing the world que saiu no Telegraphonline.