A cortina e o fim do casamento

Entenda a relação entre a estética de uma casa e o divórcio. Não há coisa mais certeira para começar uma briga do que as cortinas da sala de sua casa.

O pobre coitado está na sala, num domingo daqueles em que, por exemplo, o Ayrton Senna ganhava tudo e ainda esfregava a bandeira brasileira nas fuças dos gringos.

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Do nada sua mulher surge e, postada à sua frente, usando bobs na cabeça já que o domingo é dia de faxina completa, diz:

– Amor, tira as cortinas? É para lavar…

Você olha com cara de espanto e surpresa igual a aquela do guri que recebe a notícia informando que seu cachorrinho de estimação morrera enquanto estava na casa da vovó passando as férias. Não dá para acreditar. O Brasil – tanto faz se é sobre quatro rodas ou calçando chuteiras – está a ponto de ganhar novamente e ela pede para tirar as cortinas? Ninguém merece.

Você como bom entendedor do pacto feito no altar – na doença e na fartura…blá blá blá… – levanta do sofá e vai pegar algumas ferramentas que, dependendo do uso, ou não uso, podem estar enferrujadas ou ainda reluzentes como novas, procura a escada que deveria ficar atrás da porta da cozinha, encosta a escada na parede como se fosse tomar de assalto algum castelo medieval e, por também estar no contexto, está morrendo de medo que óleo fervente caia sobre sua cabeça, sobe alguns degraus e se depara com uma das mais incompreensíveis invenções humanas: a trava das micro-rodinhas que fazem a cortina correr pra lá e pra cá. Quem inventou isso certamente o fez sem qualquer planejamento ergonômico, métrico, estético, ético e sei lá mais o quê. Muito provavelmente, o inventor é desprovido de genitora, assim como o desnaturado que inventou as tais micro-rodinhas imaginava que girariam livremente nos RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! dos trilhos. Apenas um detalhe: não escrevi palavras de baixo calão, visto o artigo poder ser lido por senhoras de fino trato e moças pudicas, ok?

Então, você se equilibrando mais precariamente que bêbado em meio-fio (guia, pra paulistada), encosta a chave de fenda na fenda do tal parafuso que trava a trava e… o danado não gira! Tenta uma segunda vez e… nada! Mais uma vez, já xingando os antepassados de todos os inventores de araque que criaram essas porcarias, consegue destravar o parafuso que trava a trava. Um longo suspiro vem do fundo de seus pulmões devido a tamanho esforço e alguma gotas de suor escorrem sobre suas têmporas. Tá pensando que é fácil? Experimente. Cansa mais que puxar ferro em academia de ginástica.

Vencida a primeira batalha, a guerra continua. Chega o momento de puxar a cortina que, em tese, deveria fluir suavemente devido aos tais carrinhos com micro-rodinhas. Você, já antevendo o desastre de proporções bíblicas, puxa a cortina com tanto cuidado que parece uma bailarina dando aqueles passinhos de gazela no tablado. Qualé, meu camarada? É só uma figura de retórica. Não estou dizendo que você sonhava dançar o Lago dos Cisnes, ok? Mas, se o teu subconsciente te traiu… Bom, voltando ao embate cortinesco, a suavidade de nada adiantou. Você, agora, usa um pouquinho mais de força. Digamos que a força equivalente a de um elefante se coçando no tronco de uma árvore e toda a armação que segura aquele pedaço de pano estampado, que mais parece o teto da Capela Cistina, tal a quantidade de detalhes, estremece e range como porta de casa mal-assombrada.

Seu coração dispara, seus olhos esbugalham e os dentes começam a ranger. Mas como você é o cara mais cordial do mundo, fecha os olhos e invoca os poderes e forças dos maiores monges budistas do cinema mundial, a saber: Charles Bronson, Chuck Norris, Steven Seagal, Arnold Schwarzenegger e… Sylvester (Rocky, Rambo) Stallone. Já quase em estado de nirvana ao contrário, você puxa a RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! da cortina e ela… vem! Mas junto vêm também os trilhos, os carrinhos de micro-rodinhas, o suporte, os parafusos, buchas e parte do reboco da parede. Tudo junto e você começa a cair da escada igualzinho a um navio que afunda tendo a bandeira do mastro ainda tremulando, isto é, durinho para trás, proferindo palavras mântricas… RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA!

Ela te vê no chão, com a flor do jarro sobre a cabeça, água do mesmo jarro escorrendo, o abajur que voou e ficou pendurado no ventilador de teto, os bibelôs – canequinhas com os dizeres “Lembrança de Caxambu”- aos caquinhos, uma de suas pernas presa entre os degraus da escada e você fatalmente ferido em seu orgulho – pátrio e de macho – a segurar aquela RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! de cortina numa das mãos e diz:

– Amor, olha só o que você fez!

Você começa a xingar tudo e todos e ela diz…

– Eu não fui criada para ouvir isso!

Qual é o final da história? Procurar advogado para tratar do divórcio.

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2010: Centenários, datas importantes, ciência e cultura

Como sabemos, o ano que se inicia dentro de alguns dias terá como principal evento mundial, a realização da Copa do Mundo na África do Sul. Ao mesmo tempo, no Brasil, foi instituído o ano de 2010 como sendo o Ano Nacional Joaquim Nabuco, político e diplomata brasileiro que abraçou o abolicionismo e faleceu em 1910, mesmo ano em que ocorre a Revolta da Chibata, a luta dos marinheiros contra os castigos corporais, um resquício da escravidão numa das maiores frotas do início do século XX.

A Unesco promove 2010 como o Ano Internacional da Diversidade Biológica, tema que é de enorme importância, visto, nos dias atuais, a conscientização ecológica ser parte do nosso cotidiano.

Há outros fatos também importantes que terão datas “redondas” em 2010, por exemplo, os centenários de nascimento de Noel Rosa, Jacques Cousteau, Madre Teresa de Calcutá e muitos outros. Confira abaixo:

 

Acontecimentos

Logo colorido_sm

Ano Internacional da Diversidade Biológica
Unesco

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Revolta da Chibata (100 anos)

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Ano Nacional Joaquim Nabuco
Fundação Joaquim Nabuco

 

Centenários

Cultura Brasileira

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Noel Rosa (1910-1937) Música-Samba-MPB

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Raquel de Queiroz (1910-2003)
Literatura Brasileira

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Adoniran Barbosa  (1910-1982)
Compositor de Sambas

aurelio

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989)
Lexicógrafo e escritor

haroldolobo

Haroldo Lobo (1910-1965)
Compositor de sambas e marchinhas

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Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

Arte, Literatura e Ciência (mundo)

akira

Akira Kurosawa (1910-1989)
Cineasta japonês

 

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Jean Genet (1910-1965)
Escritor francês

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Mark Twain (1836-1910)
Escritor norte-americano

cousteau

Jacques-Yves Cousteau (1910-1997)
Oceanógrafo francês

Religião

chicoxavier

Chico Xavier (1910-2002)
Médium

madreteresa

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)
Freira

Música

 
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Howlin’ Wolf (1910-1976)
Blues

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Django Reinhardt (1910-1953)
Jazz

Política

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Tancredo Neves (1910-1985)
Político – Presidente do Brasil

 

Bloco de artistas contra os políticos corruptos

Sob as bençãos de Claude Lévi-Strauss e René Descartes, que são representados em estandartes (alegorias e adereços), um bloco de artistas mambembes percorreu, hoje, 11 de dezembro de 2009,  algumas ruas da Lapa, Rio de Janeiro, cantando marchinhas de Carnaval. A irreverência, marca registrada dos cariocas, se fez presente mais uma vez mesmo que a plateia fosse de alguns poucos transeuntes.

O que vale é o registro dessa manifestação de repúdio aos políticos corruptos.

Livrarias de qualidade

França classificará livrarias como classifica seus vinhos.

O governo francês aprova lei de incentivos fiscais e empréstimos sem juros criada por Christine Albanel, ex-ministra da cultura, que faz da estratégia “Plan Livre”,  para as livrarias francesas que serão classificadas por um selo de qualidade.

© Bettmann/CORBIS

Sylvia Beach, proprietária e fundadora da Shakespeare & Co., arrumando a vitrine, em maio de 1941, dessa que foi uma das mais famosas livrarias de Paris.
Imagem © Bettmann/CORBIS

O mercado editorial está se reinventando para fazer frente aos novos tempos em que você pode ler um livro até mesmo em seu telefone celular. De todos os segmentos do mercado de livros, as livrarias independentes, hoje, talvez constituam um dos elos mais frágeis, devido ao crescimento das grandes redes de livrarias e, também, ao surgimento de meios eletrônicos de leitura como dito acima.

O governo francês que em outros tempos se preocupou com a questão dos preços dos livros, impedindo descontos além de um determinado percentual (5% sobre o preço de capa), o que atingia frontalmente as livrarias independentes que não tinham poder de barganha junto as editoras, visto que as grandes redes ofereciam descontos muito superiores e agora estabelece, através de uma lei de incentivos fiscais um selo de qualidade, “Librairie Indépendante de Référence” ou LIR, para as livrarias independentes francesas que observem seis itens estabelecidos por uma comissão governamental, referentes a qualidade de seus serviços.

  1. desempenhar um importante papel cultura na comunidade;
  2. organizar rodas de leitura e eventos culturais;
  3. os funcionários devem contribuir para a qualidade do serviço;
  4. o proprietário se compromete a investir no acervo, em qualidade e quantidade;
  5. a loja deve manter uma variada seleção de títulos;
  6. o acervo deve ter pelo menos 6000 títulos, sendo que a maioria seja composta por novidades.

O selo de qualidade é valido por três anos e é renovável, ou não, dependendo da observação dos seis pontos obrigatórios. Assim, o governo francês destina para essas livrarias uma verba total de € 500 mil e calculam que as isenções fiscais somem € 3 milhões.

Hoje, na França, há cerca de 3500 livrarias independentes e 6 mil editoras. Segundo Dominique Mazuet, gerente da livraria Tropique (cerca de 60m²), em Montparnasse, Paris, acredita que essa lei poderá beneficiar as livrarias em relação as isenções fiscais e subsídios, o que poderá desafogar um pouco os custos fixos da manutenção de uma livraria independente. Ainda segundo suas palavras, manter uma loja com três funcionários vai depender não apenas dessas leis (Lei Lang e a Lei LIR), mas também da assiduidade dos seus clientes e o interesse em continuarem sendo seus fregueses.

E no Brasil como anda essa questão?

* Livre tradução feita por mim, Jorge Alberto, do artigo “France Rates Top Indie Bookshops Like Wine”, de Olivia Snaije, para o Publishing Perspectives.

Primavera dos Livros 2009 – Rio de Janeiro

Uma feira de livros das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de livro tem e um pouco mais: o contato direto com os editores e autores.

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A Primavera dos livros do Rio de Janeiro este ano, que será entre os dias 26 e 29 de novembro, das 10h às 22h, no jardim do Museu da República (Palácio do Catete), terá como tema a Literatura de Cordel, em homenagem ao poeta Patativa do Assaré, que completaria 100 anos de nascimento. Este evento é o resultado do esforço da Libre – Liga Brasileira de Editoras, tendo patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e apoio da Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este ano a feira se internacionaliza ao contar com profissionais do mercado editorial latino-americano e africano, recebendo representantes do Chile, Peru, Argentina, Equador, México, Guiné-Bissau e Angola.

São 86 estandes apresentando livros de todos os gêneros literários (Biografia, Romance, Romance Policial, Infantil, Infanto-Juvenil, Arte, etc.)

Além das editoras comerciais, também haverá participação de editoras universitárias e institucionais como a Biblioteca Nacional e a Fiocruz.

A entrada é franca e haverá promoções com descontos de até 40%

 

Como chegar

Metrô

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Ônibus

Entre no Google maps e faça a busca. Hoje, o Rio de Janeiro é uma das poucas cidades do mundo em que o Google fornece informações acuradas sobre o transporte coletivo.

 

Programação de lançamentos

Entre os dias 27 e 29, haverá diversos lançamentos e sessões de autógrafos para o público adulto e infantil. No sábado, 28/11, às 14h, será lançado o livro “Botafogo desde menino”, de Luís Pimentel com ilustrações do Amorim.

 

Mesas de debate

Também haverá mesas de debates para todos os gostos como, por exemplo, no dia especial para os professores (27/11, mesa 3, às 10h), o tema será “Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI”.

Nomes de peso dos universos literário e cultural brasileiros como Lygia Bojunga, Laura Sandroni, Joel Rufino dos Santos, Braulio Tavares, Ruth de Souza, Jorge Mautner, Luiz Carlos Maciel, Milton Gonçalves, Arthur Dapieve, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Geraldinho Carneiro, Carlito Azevedo, Deonísio Silva e outros mais participarão das mesas de debate.

Serão discutidos temas como o universo da criação literária, o Rio de Janeiro e as Olimpíadas de 2016, racismo e a mulher negra na TV brasileira. Numa das mesas o debate será em torno da biografia como gênero literário e por qual motivo é um dos segmentos de maior vendagem do mercado editorial. Em outra mesa, Ruy Castro e Heloísa Seixas batem um papo com o público e também haverá uma mesa dedicada à obra e vida de Augusto Boal.

As novas mídias não foram esquecidas, tanto que uma das mesas discutirá os sites de relacionamento como o Facebook e outros do mesmo porte como canais para a arte, mídia e cultura digital.

Veja a programação abaixo:

Dia 27/11

DIA DO PROFESSOR

9h Chegada e certificação

  • 10h – 11h – sexta-feira
    Mesa 3 – Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI
    Participantes:
    Yolanda Lobo (escritora)
    Guti Fraga (projeto Nós do Morro)
    Mediação: Bia Hetzel (Editora Manati)
  • 11h30 – sexta-feira
    Mesa 4 – Leitura e Paixão: uma homenagem a Lygia Bojunga e Tatiana Belinky (em depoimento virtual)
    Homenagem a duas das mais importantes personalidades da cultura brasileira com inestimável contribuição na área de literatura, leitura e mercado de livros
    Participantes:
    Lygia Bojunga
    Laura Sandroni (escritora e jornalista)
    Joel Rufino dos Santos (escritor)
    Mediação: Ninfa Parreiras (escritora e pesquisadora da FNLIJ)
  • 15h – sexta-feira
    Mesa 5 – Universos da criação literária. Escrever se aprende?
    A criação literária, assunto muito controvertido entre especialistas. Escrever se aprende? Como se forma um escritor? Quais os caminhos a percorrer até que aulas ou oficinas contribuam para sua formação? Aprendemos samba no colégio, afinal?
    Participantes:
    Nilza Rezende (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Luís Pimentel (escritor e jornalista/professor)
    Bia Albernaz (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Mediação: Marcus Vinicius Quiroga (poeta e professor)
  • 18h30 – sexta-feira
    Mesa 6 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    O cordel como literatura, como música, como criação e como expressão mais genuína da nossa literatura. O cordel como mercado e como profissão. A arte do poeta de cordel encarnada nesta homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores profissionais do gênero, morto em 2002, aos 93 anos.
    Participantes:
    Bráulio Tavares (escritor e especialista em Literatura de Cordel)
    Olegário Alfredo (cordelista)
    Chico Sales (cordelista)
    Mediação: Marcus Lucena (cordelista e Presidente da Academia Brasileira de Cordel)

Dia 28/11

  • 10h30 -12h30 – sábado
    Mesa 7 – Olimpíadas 2016: a cidade e o esporte
    Rio: capital turística do Brasil, escolhida para ser o palco das Olimpíadas de 2016, com diversas promessas de melhorias para seus problemas mais cruciais. Até que ponto o desenvolvimento de uma pode estar atrelado a um evento? O futuro de uma cidade depende dessas efemérides?
    Participantes:
    Mauricio Drummond (escritor e professor)
    Jorge Maranhão (escritor)
    Saturnino Braga (escritor e ex- prefeito do RJ)
    Mediação: Alvanísio Damasceno (editor da Quartet)
  • 12h30h – 14h – sábado
    Mesa 8 – Aqui ninguém é branco: mídia e Racismo – a mulher negra na TV
    Homenagem a Ruth de Souza
    Participantes:
    Ruth de Souza (atriz)
    Rosália Diogo (escritora e pesquisadora)
    Ângela Randolpho (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Laura Padilha (escritora e prova UFF)
  • 15h – 16h30 – sábado
    Mesa 9 – Face a face com o Facebook e congêneres: arte, mídia e cultura digital
    As novas mídias, arte e cultura  digital e a revolução que representam no século XXI. Como afetam as nossas relações pessoais e de trabalho. A internet e suas possibilidades de comunicação jamais imaginadas. A vida na rede.
    Participantes:
    Artur Matuck (escritor e professor USP)
    Maria Carmem Barbosa (escritora e roteirista de TV)
    Nízia Villaça (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Valéria Martins
  • 17h – 18h30 – sábado
    Mesa 10 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    Participantes:
    Bráulio Tavares
    Olegário Alfredo
    Chico Sales
    Mediação: Marcus Lucena
  • 19h – 20h30 – sábado
    Mesa 11 – Tal Brasil, qual teatro? Tributo a Augusto Boal
    Reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea e homenagem a Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.
    Participantes:
    Jorge Mautner (poeta e músico)
    Luiz Carlos Maciel (ator e diretor de teatro)
    Nelson Xavier (ator e diretor)
    Milton Gonçalves (ator)
    Helen Saratek (socióloga/Centro do Teatro do Oprimido)
    Mediação: Geo Britto (pesquisador/Centro Teatro do Oprimido)

Dia 29/11

  • 10h – 11h30 – domingo
    Mesa 12 – Biógrafos e biografáveis : que mercado é esse que só faz crescer?
    Os caminhos da biografia como gênero na contemporaneidade. Quais são eles? Quais as novas formas de escrita que admitem? O profissional de biografias e sua ética num mercado que cresce cada dia mais.
    Participantes:
    Arthur Dapieve (cronista, jornalista e biógrafo /Renato Russo)
    Carlos Didier (compositor e biografo / Noel Rosa)
    Ana Arruda Callado (roteirista e biógrafa / Maria Martins)
    Euclides Penedo Borges (músico e biógrafo / Euclides da Cunha)
    Mediação: Felipe Pena (autor de Teoria da Biografia sem Fim)
  • 11h30 – 13h – domingo
    Mesa 13 – Leitores apaixonados: um encontro com Ruy Castro e Heloisa Seixas
    A paixão pela leitura e pelos livros é o tema deste encontro com dois craques da escrita, apaixonados pelos livros e pela profissão.
    Participantes:
    Heloisa Seixas (escritora )
    Ruy Castro (escritor)
    Mediação: Suzana Vargas (especialista em leitura)
  • 15h – 16h – domingo
    Mesa 14 – Sustentabilidade / biodiversidade: por uma nova ética cultural
    A sustentabilidade como solução para garantir novas formas de sobrevivência para o planeta. Até onde afetará a vida em comunidade, gerando novas formas de convivência
    Participantes:
    Leonardo Boff (escritor)
    Fernando Gabeira (deputado federal/PV)
    Mediação: Felipe Pena
  • 17h – 18h30 –  domingo
    Mesa 15 – O máximo no mínimo – um olhar sobre as poéticas contemporâneas
    A poesia como gênero minimalista, que diz muito com a maior economia verbal possível, de vasta produção e pouca inserção no mercado. Que caminhos percorre hoje até chegar ás prateleiras das livrarias. O que é ser poeta hoje?
    Participantes:
    Ângela Melim
    Geraldinho Carneiro
    Carlito Azevedo
    Mediação: Suzana Vargas
  • 19h – 20h30 – domingo
    Mesa 16 – Questões de Lusofonia. Por onde anda o acordo ortográfico?
    O acordo ortográfico que completa dois anos e sua adoção brasileira. Por onde anda Portugal e os países de língua portuguesa nessa importante fase de implantação?
    Participantes:
    Deonísio da Silva (escritor e etimologista)
    Adriano de Freixo(escritor especialista)
    Marcelo Moutinho (jornalista e escritor)
    Mediação: Cecília Costa (jornalista e escritora)

[Fonte: Libre]

Mapa dos Expositores

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Editora participantes em ordem alfabética

7 Letras
Alameda
Alis
Almádena Editora
Altana
Andrea Jakobson
Apicuri
Argvmentvm
Arquivo Nacional
Artes e Ofícios
Autêntica
Azougue
Bem-Te-Vi
Biruta
Brinque-Book
C/Arte
Calibán
Callis
Capivara
Casa da Palavra
Casa de Rui Barbosa
Cia. de Freud
Claridade
Conta Capa
Contraponto
Cosac Naify
Crisálida
Cuca Fresca
Dueto
Duna
Ed. da UFF
Ed. da UFRJ
Ed. da Unesp
Ed. De Cultura
Ed. Fiocruz
Ed. Independentes
Ed. Museu da República
Editora 34
EdUERJ
Estação Liberdade
Frente Editora
Fund. Biblioteca Nacional
Fund. Perseu Abramo
Galo Branco
Garamond
Gift Shop
Girafa
Ibis Libris
Iluminuras
Imprensa Oficial SP
Literalis
Livro Falante
Maco
Manati
Mar de Idéias
Matrix
Mauad X
Memória Visual
Mirabolante
Musa
Myrrha
Nau
Nitpress
Nova Alexandria
Odysseus
Outras Letras
Pallas
Papagaio
Paz e Terra
Pinakotheke
Prazer de Ler
Publisher do Brasil
Quartet
Roma Victor
Sá Editora
Terceiro Nome
Terra Virgem
Uapê
Versal
Versal
Vieira & Lent
Zit

Três meninas paulistanas e Sampa

Rodoviária de São Paulo, manhã de quarta-feira por volta das 8h30min. Após a viagem confortável em um ônibus leito (super-hiper-ultra); me aboleto num banco da parte de cima da rodoviária e começo a ler a Folha de S. Paulo – em Roma faça como os romanos –, em busca de notícias sobre o apagão que quase me fez prisioneiro no elevador do prédio em que moro, e deixou às escuras vários estados, o Distrito Federal e parte dos territórios do Paraguai e Argentina; que dividem conosco a energia elétrica produzida por Itaipu.

Um pouco antes de vir para o segundo andar da rodoviária, permaneci sentado num dos bancos da parte debaixo e acabei dando cochilos do tipo "mergulho", que é aquele em que sua cabeça afunda no vazio do ar logo abaixo do seu nariz e, sei lá por qual motivo, o corpo nos avisa que há algo errado – o ouvido interno diz: "cérebro, we have a problem" –, e você, como se voltasse das profundezas do mar sem equipamentos, acorda como se estivesse próximo de seus pulmões acenderem o alerta “FALTA DE AR! FALTA DE AR!”. É constrangedor perceber os olhares de seus vizinhos de banco e também dos transeuntes. A sorte é que não dá tempo de produzir aquela babinha, essa mesma que todo mundo deixa na fronha – alguns preferem morder fronha. Aí é questão de gosto e eu não vou discutir, mas apenas lamentar.

Então, resolvi subir. Na parte de cima têm mais lojas e movimento. Acredito, assim, que não dormirei até que um amigo venha me buscar para irmos a USP. Durante a leitura do jornal observo as pessoas à minha volta. Há uma mistura de cores e etnias. Sampa é realmente a maior cidade japonesa fora do Japão. A quantidade de japoneses, nisseis, sanseis e nãoseis é enorme. Resultado de uma saudável mistura entre negros, asiáticos e europeus. Isso me fez despertar a atenção para três meninas, ali por volta dos 20 anos, que estavam sentadas num ponto diagonal, à esquerda, do meu campo de visão. Não estavam longe e era possível perceber suas feições e movimentos. Duas eram de ascendência europeia e uma era claramente de ascendência do grupo “sei”. Estavam com valises do tipo nécessaire sobre seus joelhos e freneticamente passavam pós e sei lá mais o quê para realçar a estética, apesar de uma delas ter o cabelo com uma mistura de preto com rosa cheguei.

Abriam as valises, trocavam objetos entre si e era um tal de pincel espalhando coisas no rosto, lápis contornando os olhos, brilhos para os lábios; que eu pensei: deve ser marketing. Não, não poderia ser, pois, no meu campo de visão estavam uma gringa com uma mochila do tamanho do Himalaia, cujos cabelos estavam, digamos, acumulando os ventos vindos de todos os pontos cardeais pelos quais ela transitou em seu périplo. Esse tipo de gringo é comum na Lapa. Chegam com a cara rosada e com mochilas imensas. Essa não era muito diferente. Alguns bancos à frente, à direita, um casal de idosos também lia um jornal assim como eu. Ao meu lado, cerca de 4 bancos à esquerda, um homem vestido em andrajos dormia seu sono descalço.

Continuei observando. Elas pouco falavam e misturavam os “ingredientes”. Olhavam-se em espelhos. Não satisfeitas, repetiam ou experimentavam novas “fórmulas”. Isso durou uns dez ou quinze minutos. Eu as observava e lia meu jornal. Até que começaram a guardar os objetos e fechar as valises. Elas não transportavam malas. Sinal que a viagem seria curta. Ao se levantarem, pude perceber que as alturas eram variáveis também, sendo as de ascendência europeia bem maiores que a “sei”. E, lá do fundo da memória vieram os versos de Sampa, aquela canção do Caetano Veloso que enaltece a terra da garoa. Após cantar mentalmente “Alguma coisa acontece no meu coração”, veio o verso “…da deselegância discreta de suas meninas” e “O avesso do avesso do avesso”. Por incrível que pareça, elas combinavam com o concretismo da cidade.

Um pouco de barroco no Rio de Janeiro

Por vezes nós nem prestamos atenção ao que temos ao nosso redor em termos de arte e conhecimento; isso para não falar de cultura sendo apresentada, ou melhor, que está ali ao alcance de alguns passos e nem nos damos conta de sua importância.

Terça-feira, após o almoço, resolvi voltar a explorar as cercanias da Lapa, que como todos sabem é o bairro boêmio do Rio de Janeiro. Mesmo que esteja em andamento um processo de revitalização desse pedaço da cidade, o ar de decadência com elegância ainda é o mais percebido. Este ar não é no sentido pejorativo. É um certo charme, eu diria. Pois bem, decidi entrar na igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro para ver o seu interior.

Veja o vídeo e ouça a música

Eu já sabia que a construção tem como estilo o barroco, que tanto marcou o século XVIII, muito mais na região das Minas Gerais, mas que aqui no Rio também é percebido, bastando apenas apurar a visão e procurar nos lugares certos. Ao entrar constatei que é realmente uma bela construção e que foi feita com todo esmero dos artistas e arquitetos da época. O que eu não imaginava é que ouviria música sacra – barroca – vinda de um órgão como aqueles que, imagino, Johann Sebastian Bach utilizava para criar suas músicas.

Timidamente perguntei a uma pessoa que estava próxima e que pertencia a administração da igreja, se era possível fotografar. Me surpreendi com a resposta positiva, pois como fui assíduo visitante de Ouro Preto e demais cidades do ciclo do ouro, sabia que era proibido fotografar e até mesmo filmar o interior das igrejas. A luz do flash das câmeras danifica o acabamento das pinturas e demais filigranas que compõem a decoração. Lendo a descrição sobre a história da igreja foi possível saber que uma parte dessa construção foi obra do Mestre Valentim.