A cortina e o fim do casamento

Entenda a relação entre a estética de uma casa e o divórcio. Não há coisa mais certeira para começar uma briga do que as cortinas da sala de sua casa.

O pobre coitado está na sala, num domingo daqueles em que, por exemplo, o Ayrton Senna ganhava tudo e ainda esfregava a bandeira brasileira nas fuças dos gringos.

cortinadecorativa

Do nada sua mulher surge e, postada à sua frente, usando bobs na cabeça já que o domingo é dia de faxina completa, diz:

– Amor, tira as cortinas? É para lavar…

Você olha com cara de espanto e surpresa igual a aquela do guri que recebe a notícia informando que seu cachorrinho de estimação morrera enquanto estava na casa da vovó passando as férias. Não dá para acreditar. O Brasil – tanto faz se é sobre quatro rodas ou calçando chuteiras – está a ponto de ganhar novamente e ela pede para tirar as cortinas? Ninguém merece.

Você como bom entendedor do pacto feito no altar – na doença e na fartura…blá blá blá… – levanta do sofá e vai pegar algumas ferramentas que, dependendo do uso, ou não uso, podem estar enferrujadas ou ainda reluzentes como novas, procura a escada que deveria ficar atrás da porta da cozinha, encosta a escada na parede como se fosse tomar de assalto algum castelo medieval e, por também estar no contexto, está morrendo de medo que óleo fervente caia sobre sua cabeça, sobe alguns degraus e se depara com uma das mais incompreensíveis invenções humanas: a trava das micro-rodinhas que fazem a cortina correr pra lá e pra cá. Quem inventou isso certamente o fez sem qualquer planejamento ergonômico, métrico, estético, ético e sei lá mais o quê. Muito provavelmente, o inventor é desprovido de genitora, assim como o desnaturado que inventou as tais micro-rodinhas imaginava que girariam livremente nos RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! dos trilhos. Apenas um detalhe: não escrevi palavras de baixo calão, visto o artigo poder ser lido por senhoras de fino trato e moças pudicas, ok?

Então, você se equilibrando mais precariamente que bêbado em meio-fio (guia, pra paulistada), encosta a chave de fenda na fenda do tal parafuso que trava a trava e… o danado não gira! Tenta uma segunda vez e… nada! Mais uma vez, já xingando os antepassados de todos os inventores de araque que criaram essas porcarias, consegue destravar o parafuso que trava a trava. Um longo suspiro vem do fundo de seus pulmões devido a tamanho esforço e alguma gotas de suor escorrem sobre suas têmporas. Tá pensando que é fácil? Experimente. Cansa mais que puxar ferro em academia de ginástica.

Vencida a primeira batalha, a guerra continua. Chega o momento de puxar a cortina que, em tese, deveria fluir suavemente devido aos tais carrinhos com micro-rodinhas. Você, já antevendo o desastre de proporções bíblicas, puxa a cortina com tanto cuidado que parece uma bailarina dando aqueles passinhos de gazela no tablado. Qualé, meu camarada? É só uma figura de retórica. Não estou dizendo que você sonhava dançar o Lago dos Cisnes, ok? Mas, se o teu subconsciente te traiu… Bom, voltando ao embate cortinesco, a suavidade de nada adiantou. Você, agora, usa um pouquinho mais de força. Digamos que a força equivalente a de um elefante se coçando no tronco de uma árvore e toda a armação que segura aquele pedaço de pano estampado, que mais parece o teto da Capela Cistina, tal a quantidade de detalhes, estremece e range como porta de casa mal-assombrada.

Seu coração dispara, seus olhos esbugalham e os dentes começam a ranger. Mas como você é o cara mais cordial do mundo, fecha os olhos e invoca os poderes e forças dos maiores monges budistas do cinema mundial, a saber: Charles Bronson, Chuck Norris, Steven Seagal, Arnold Schwarzenegger e… Sylvester (Rocky, Rambo) Stallone. Já quase em estado de nirvana ao contrário, você puxa a RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! da cortina e ela… vem! Mas junto vêm também os trilhos, os carrinhos de micro-rodinhas, o suporte, os parafusos, buchas e parte do reboco da parede. Tudo junto e você começa a cair da escada igualzinho a um navio que afunda tendo a bandeira do mastro ainda tremulando, isto é, durinho para trás, proferindo palavras mântricas… RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA!

Ela te vê no chão, com a flor do jarro sobre a cabeça, água do mesmo jarro escorrendo, o abajur que voou e ficou pendurado no ventilador de teto, os bibelôs – canequinhas com os dizeres “Lembrança de Caxambu”- aos caquinhos, uma de suas pernas presa entre os degraus da escada e você fatalmente ferido em seu orgulho – pátrio e de macho – a segurar aquela RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TORNADO! TACHINHA! CAVEIRA COM FACA ESPETADA! de cortina numa das mãos e diz:

– Amor, olha só o que você fez!

Você começa a xingar tudo e todos e ela diz…

– Eu não fui criada para ouvir isso!

Qual é o final da história? Procurar advogado para tratar do divórcio.

Anúncios

Madame Bovary, arsênico e Inglaterra

Na década de 1840, um excessivo número de casos de morte por envenenamento chamou a atenção das autoridades inglesas. Essa é a história de como o arsênico pode ser conhecido como o principal veneno da era vitoriana.

1902hb_feb_s

A descrição da cena do suicídio de Emma Bovary, que ingeriu arsênico num último ato de desespero, talvez seja uma das mais fortes da literatura. Não por acaso Flaubert, o autor do livro "Madamme Bovary", tinha esmero ao criar sua obra tanto que a sua busca pela palavra perfeita (la mot just) o fizesse escrever e reescrever um livro durante anos. Este livro levou cinco anos para ser escrito. Vejamos partes da cena referida:

 

"A chave girou na fechadura e ela foi diretamente à terceira prateleira, tal a exatidão com que a memória a guiava, agarrou no frasco azul, arrancou-lhe a tampa, meteu-lhe a mão e, retirando-a cheia de um pó branco, pôs-se a comê-lo diretamente.
(…)
"Oh! A morte é uma coisa insignificante!", pensava ela, "vou adormecer e estará tudo acabado!"

Bebeu um gole de água e voltou-se para a parede.
Aquele horrível gosto a tinta persistia.
– Tenho sede!… Tenho muita sede! – suspirou ela.
(…)
Veio-lhe um vômito tão repentino, que mal teve tempo para agarrar o lenço debaixo do travesseiro.
– Leva-o! – disse precipitadamente. – Jogue-o fora!
(…)
Então ele, delicadamente e quase acariciando-a, passou-lhe a mão sobre o estômago. Emma soltou um grito agudo. Charles recuou, aterrado.
(…)
Surgiram-lhe gotas de suor espalhadas pelo rosto azulado que, entorpecido, parecia exalar um vapor metálico. Batia os dentes, com os olhos dilatados olhava vagamente em torno, e só respondia a todas as perguntas abanando a cabeça, chegou a sorrir duas ou três vezes. Pouco a pouco, os gemidos foram-se tornando mais fortes. Deixou escapar um uivo surdo, disse que estava melhor e que dali a pouco se levantaria. Mas entrou em convulsões e exclamou:
– Ah! É atroz, meu Deus!"

Alguns anos antes do lançamento do livro, em plena Inglaterra vitoriana, houve um surto de mortes misteriosas que, posteriormente, descobriu-se arsenicoser por envenenamento provocado pela ingestão de arsênico, que podemos exemplificar no velho chavão: "a diferença entre o remédio e o  veneno é apenas a dose". Pois, até antes do surgimento dos antibióticos, o arsênico era prescrito para o tratamento de algumas doenças. Darwin, por exemplo, o utilizava para tratar de um eczema. Alguns pesquisadores desconfiam que o país sofria, de um modo geral, de dispepsia. O detalhe macabro está relacionado a um, digamos, modismo que surgiu entre as mulheres de Essex que, na década de 1840, que levaram a insatisfação com o casamento e também motivos econômicos (seguro de vida de crianças) a se livrarem dos maridos e filhos.

"É insolúvel em água, porém muitos de seus compostos são solúveis. É um elemento químico essencial para a vida, ainda que tanto o arsênio como seus compostos sejam extremamente venenosos."

A quase impossibilidade de detecção do envenenamento não caracterizava a morte de um cônjuge por assassinato. Os sintomas eram parecidos com os da gastrite ou alguma infecção estomacal.  Era, em princípio vendido livremente em farmácias – como remédio – e mercearias – veneno para ratos -. Seu aspecto, quando se tratava do arsênico branco, era muito parecido com o do açúcar, farinha ou fermento em pó. Logo, para que algumas ideias de jerico surgissem e colocassem o pozinho na comida ou nas bebidas não demorou muito. Imagino que todos devam se lembrar de filmes em que, antes de um banquete entre convivas de uma corte qualquer, um deles, o vilão, abria a tampa de um anel e de seu interior despejava o tal pozinho na taça de vinho de sua(s) vítima(s). A utilização desse expediente foi tão intenso que, James C. Worthon, autor do livro The Arsenic Century, que foi resenhado por John Carey, no artigo "The Arsenic Century: How Victorian Britain Was Poisoned at Home, Work and Play by James C Whorton", do jornal Times Online, imagina que a cidade de Essex parecia com a Itália dos Bórgias – O papa Alexandre VI e seus filhos César e Lucrécia -.

O elemento arsênio (As) era largamente utilizado pelas indústrias de tintas, vernizes e cosméticos. Além de também constar na composição de produtos como o vinho, cigarro, velas, papel e até mesmo num "avô" do Viagra do tipo pílulas para a virilidade. Imaginemos, então, o quanto as pessoas se envenenavam lentamente quando precisavam dar umazinha. A ironia do arsênico é que ele está nos produtos que proporcionam algum prazer e levam, ao cabo de alguns anos, à morte. Preocupante, não?

pobrezavitoriana

Voltando ao detalhe macabro, a Inglaterra de meados do século XIX, apesar de ser considerada o Império em que o Sol nunca se põe, era um país cuja pobreza da população pode ser considerada aos moldes de alguns países africanos da atualidade. Doenças, promiscuidade, falta de higiene e outros males afligiam a sociedade. Criou-se, então, uma prática que envolvia envenenamento por arsênico e apólices de seguro. Muitas mulheres, preferindo salvar alguns trocados que receberiam a título de seguro de vida pela morte do marido, passaram a discutir abertamente entre si algumas maneiras de eliminar o indesejado e ainda ganhar dinheiro dessa forma, como conta James C. Worthon.

A Justiça não perdia tempo investigando ou julgando casos suspeitos até que uma afoita errou na dose e colocou arsênico demais no prato de arroz que servira ao marido. Foi julgada e condenada. A partir de então as autoridades passaram a ficar mais atentas; porém, mesmo assim, muitas mulheres continuaram praticando este ato macabro só que em seus próprios filhos, sobrinhos, enteados e qualquer outra criança que estivesse ao seu alcance. O governo inglês garantia cerca de £5 , uma soma interessante na época, para custear o enterro de crianças pobres. Várias foram as mães que, para garantir a sobrevivência de alguns filhos, envenenava outros para receber o seguro. Há o caso de uma mulher, Mary Ann Cotton, uma professora que se tornou uma serial killer, ao assassinar, entre 1860 e 1873, sua mãe, três maridos, seu inquilino, que se tornara seu noivo e a maioria de seus 15 filhos e enteados.

mulheresmusselina

Os assassinatos chamam a atenção, mas as mortes por envenenamento com arsênico se davam nas formas mais inusitadas. A indústria de papéis de parede foi responsável pela morte de quatro crianças de uma mesma família cujo quarto era coberto por papel de parede cuja fabricação empregava doses letais do elemento químico. Imagine, então, uma mulher belíssima finamente maquiada e espalhando arsênico entre seus parceiros de dança numa festa ou recepção. O que não dizer, portanto, da pigmentação usada para colorir os tecidos de seus vestidos de musselina verde? Como diz o autor do artigo, "espalhavam nuvens de poeira tóxica como helicópteros de pulverização de pesticidas". Um químico disse que "elas podem ser chamadas de criaturas de matar".

Portanto, cuidado com a mulher que estiver usando um vestido verde de musselina.

______________________

Fontes de consulta:
Resenha do livro

Madamme Bovary

  • Bitpop
  • Rabisco – artigo: Mulher de fases do século XIX
  • Revista e – artigo: A lei do desejo
  • Flaubert, G – Madame Bovary. Tradução Fernanda Ferreira Graça. Editora Europa-América. Lisboa: 2000.

Imagens

O cachorro que há em todos nós em 16 citações e um pouco de história

Por acaso já se deu conta de como os cães fazem parte do seu quotidiano?

Parece que tudo começou ainda no baixo pleistoceno, quando alguns de nossos ancestrais tiveram a ideia de compartilhar pedaços de carne de caça com os lobos que rondavam, não muito longe, as cavernas nas noites em que, após a descoberta do fogo inventamos o churrasco.

Antes, se quiser, você pode entrar no clima do artigo ao ouvir a música abaixo. Ouça e vá lendo o texto.

Citações e ditos populares

  • Briga de cachorro grande – Geralmente a frase é citada por algum trepidante (repórter futebolístico), ao informar que o jogo que está prestes a começar será muito disputado.
  • Você me trata como um cachorro ou Eu não sou cachorro não – Quando algum homem percebe que a sua amada o despreza.
  • Esse cara é um cachorrinho de madame – Das duas uma: ou o cara é submisso a mulher que tem mais grana do que ele, ou é um gigolô.
  • O brasileiro é cachorrão mas não é cachorro (J.A.) – Que todo brasileiro é sacana ninguém tem duvida, mas, ao contrário do cachorro, não gosta de osso (mulher magricela). Em resumo: gostamos de ter o que apertar na mulher, certo?
  • Os cães ladram e a carruagem vai passando – frase atribuída ao grande filósofo e lexicólogo Ibrahim Sued, o mesmo que anunciava a periodicidade de seu programa na televisão, dizendo:  “Estaremos aqui diariamente todas as terças e quintas”.
  • Soltou os cachorros – quando uma mulher ou homem dá a maior bronca no adversário (a), digo, cônjuge.
  • Botou o rabo entre as pernas – Diz-se de alguém que se viu sem saída em uma disputa e humilhando-se como um cachorro medroso, saiu de forma patética da pendenga.
  • Cachorra! – homem xingando uma mulher que o passou para trás. Aqui me permito citar o equivalente feminino de xingamento mútuo… Vaca!
  • A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais um luxo; ele alimenta os pobres como cães e cavalos. (Rousseau)
  • Como cães numa roda, ou pássaros numa gaiola, os homens ambiciosos continuam a subir, com grande trabalho e incessante ansiedade, mas nunca chegam ao cume. (Robert Burton)
  • Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda. (Epiteto)
  • Os cães, como os homens, são muitas vezes punidos pela sua fidelidade. (Jack London)
  • Se alguém nos é de fato muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda. (Schopenhauer)
  • Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o homem. (Mark Twain)
  • Troque seu cachorro por uma criança pobre. (Eduardo Dusek)

Cavalo-do-cão

Com o passar dos séculos a relação se desenvolveu de tal forma que alguns de nós passaram até mesmo a receber a alcunha de “cão” ou “cachorro”, geralmente no sentido pejorativo. Coisa do tipo: “Aquele cavalodocaocachorro me paga!”, quando algum marido mais atiradinho resolveu pular a cerca e deixou rastro. O coisa ruim, mais conhecido como capeta, também recebe o apelido de “cão”, também geralmente em associações de ideias no sentido de quando alguém diz-se ter alguma relação com o Diabo: “Ele tem parte com o cão”. Isto se deve em grande parte à tradição açoriana de associar o Tinhoso com o referido mamífero, como nos informa Câmara Cascudo em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, visto muitos açorianos terem vindo colonizar o Brasil.

Por vezes os nomes populares juntam ordens do reino animal (mamíferos + insetos), quase formando uma quimera, quando denomina uma espécie de vespa (pompiledae) como “cavalo-do-cão”, caçadora de aranhas caranguejeiras. O bicho é danado mesmo.

Metamorfoses e baixa poesia

Ainda no terreno das metamorfoses, o folclore de vários países registra a figura do lobisomem, ou o homem que se transforma em lobo, o ancestral de todos os cães, nas noites de lua cheia. Mas, bom mesmo, é ver uma mulher se transformar em loba com o passar do tempo, não? Se bem que, assim como o lado masculino da espécie recebe a alcunha canina de forma pejorativa, as mulheres também podem ser taxadas de “cachorras” quando, assim como nós, cometem alguma cachorrada. Porém, entre as mulheres, xingar a outra de quadrúpede ruminante que produz leite seja mais pejorativo ainda. Acompanhem a pérola do cancioneiro nacional do famosíssimo (?) Bonde do Tigrão, que bem exemplifica este parágrafo:

Só as cachorras
As preparadas
As popozudas
O baile todo…

Um primor de poesia…

Gregos e Romanos

Os gregos – sempre eles! – inventaram uma escola filosófica denominada Cinismo, cujo maior representante foi Diógenes, o pai de todos porralôcas, ao designar que kynikos, seria o equivalente da expressão “como um cão”, isto é, viver de maneira natural sem ter as coerções sociais como regra tal como os cães (kyon). O próprio Diógenes, que cunhou frases antológicas  (veja o artigo Uma lamparina, um barril e o dorme-sujo que queria mudar o mundo), certa vez, ao ser perguntado por qual motivo fora chamado de cão, respondeu o seguinte: “Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”. Não nos esqueçamos de Cérbero, o cão de três cabeças que guardava a entrada do Hades.

320px-Cerbere

Os romanos não ficam atrás, quando nos indicam que a cidade eterna teve como mãe uma loba, que amamentou Rômulo e Remo. Em algumas escavações foram encontradas placas que avisavam, assim como nos dias atuais, para que o incauto tivesse cuidado com os cães, que em latim se escreve cave canem.

Certamente você ou a sua avó já emborcou um sapato ou um chinelo ao ouvir um cão uivando, certo? Sabe de onde vem essa crendice? De Roma é claro! Os romanos acreditavam que os cães conseguiam enxergar a sombra dos mortos, associando, assim, a Hécate, a divindade da mitologia que atormentava os humanos mostrando os terrores noturnos e aparições de fantasmas. A mesma Hécate é associada a Perséfone, a rainha dos infernos. E então? Vai emborcar um chinelo ou sapato na próxima vez que ouvir um cachorro uivando ou vai duvidar que eles veem almas do outro mundo?

Dentes caninos

Nem mesmo os vampiros escapam de ter alguma parte com os cães. Os dentes mais pontiagudos são conhecidos como caninos. E não há predador que não os tenha na boca. Caso contrário só vão poder tomar sopa e usando canudinho.

Alguém já deixou de ler uma das aventuras de Sherlock Holmes, chamada “O Cão dos Baskervilles”?

O rosário no iPhone: gadgets e a fé

Nos EUA, os aparelhos eletrônicos (smartphone, iPod, notebook e demais gadgets) começam a ser utilizados no auxílio da fé como, por exemplo, é o caso da iRosary, um aplicativo para o iPhone ou iPod Touch, que permite iphonedispor de um rosário eletrônico na telinha dos aparelhos, para você rezar o Terço. A ideia de criar o aplicativo surgiu quando Dave Brown e sua esposa Jackie estavam no quarto do hospital em que sua filha, Isabella, fazia tratamento contra um tipo de câncer.

"Então, olhamos para estes iPhones em nossas mãos e nós dissemos: "Puxa, não seria grande se nós pudéssemos colocar o rosário diretamente aqui e, por isso, não precisaria haver uma luz acesa durante a noite, enquanto nós estivermos sentados lá no quarto de Isabella, no hospital?"

Alguns detalhes do aplicativo:

  • a contas (miçangas) que compõem o rosário podem ser giradas com toques na tela;

  • você pode escolher 243 tipos de design para a cruz e contas (miçangas);

  • orações em inglês, francês, espanhol e latim;

  • o treco faz o aparelho vibrar nos momentos de maior fervor.

Além disso, há também  o portal Pope 2 You  (algo como O Papa para você), e pode ser acessado em outras quatro línguas: Francês, Italiano, Espanhol e Alemão.

Não são apenas os católicos da terra do Tio Sam  que contam com as modernices tecnológicas para angariar um número maior de almas para seus rebanhos, os protestantes não tem apenas, hoje, os famosos pastores eletrônicos; já dispõem de uma rede de satélites para transmitir a programação do portal Life Church TV, permitindo, assim, que toda semana cerca de 60 mil computadores estejam conectados ao mesmo tempo em rede para, segundo as palavras contidas no referido portal, “Toda semana, nos unimos ao redor do mundo para adorar a Deus e à experiência de uma mensagem relevante e poderosa, que ensina as verdades da Bíblia”.

Para os judeus, apesar de vários religiosos já fazerem uso de meios eletrônicos para serem contatados, como o site Ask Moses (pergunte a Moisés), que só não responde às perguntas durante os feriados religiosos e o sabath (sábado). Um dos organizadores do site que afirma que "Não pretendemos substituir a conexão humana ou a interação humana", (…) "Nossa reivindicação é que estamos a um outro nível que pode realmente ajudar uma pessoa a alcançar um objetivo que, caso contrário pode ser impossível sem isso." Para os religiosos judeus mais conservadores, coisas como este site constituem uma forma de exceção, no sentido de “não é bem isso que se deve fazer”.

Por qual motivo não falam Jesus de forma natural?

Ao ler o artigo Religion Finds Home On IPhones, Social Networks, de Jessica Alpert para o NPR, eu achei interessante a forma pela qual se referem a Jesus. Eles, os norte-americanos, são capazes de jogar bombas atômicas, mas sentem medo ao falar a palavra Jesus, tanto que pronunciam “gee” (djii), uma metonímia do nome daquele rapaz judeu, mais conhecido por Jeoshua e que foi parar na cruz pagando nossos pecados. Deus, então, é mais conhecido como Gosh. Sabe aquela coisa de não pronunciar o nome do vosso deus em vão?  Cada povo com suas manias e sua cultura, não?

Em um filme (clássico), “A História do Mundo – Parte 1”, do diretor Mel Brooks (Melvin Kaminsky), há uma cena hilária que se passa durante a santa ceia (last supper para os comedores de rotidógui), na qual ele, Mel Brooks, interpreta o garçom que atende aos pedidos feitos pelos 12 apóstolos e Jesus. No meio do diálogo, já beirando o non sense, por não conseguir que os 13 participantes à mesa fizessem o pedido, ele exclama Jesus!, que soaria para nós, tupiniquins, como algo do tipo “caramba…”, no sentido de “mas que saco!”. E o que acontece? Jesus, que é interpretado pelo ator inglês John Hurt, pensa que está sendo chamado.

Entretanto, antes do diálogo citado, há uma outra situação muito engraçada quando o garçom espera que todos façam seus pedidos e Jesus diz que naquela noite, um deles o trairá. Ato contínuo, o garçom faz uma pergunta direta a… Judas. O que perdeu as botas lá longe dá um salto da cadeira e, quase que mortificado, pede para que os deixem em paz.

Atenção para o pastelão histórico: Após o diálogo, imagine quem surge na sala em que ocorre a santa ceia? O seu, o nosso, o de todos nós… Leonardo Da Vinci! Veja o vídeo.

2010: Centenários, datas importantes, ciência e cultura

Como sabemos, o ano que se inicia dentro de alguns dias terá como principal evento mundial, a realização da Copa do Mundo na África do Sul. Ao mesmo tempo, no Brasil, foi instituído o ano de 2010 como sendo o Ano Nacional Joaquim Nabuco, político e diplomata brasileiro que abraçou o abolicionismo e faleceu em 1910, mesmo ano em que ocorre a Revolta da Chibata, a luta dos marinheiros contra os castigos corporais, um resquício da escravidão numa das maiores frotas do início do século XX.

A Unesco promove 2010 como o Ano Internacional da Diversidade Biológica, tema que é de enorme importância, visto, nos dias atuais, a conscientização ecológica ser parte do nosso cotidiano.

Há outros fatos também importantes que terão datas “redondas” em 2010, por exemplo, os centenários de nascimento de Noel Rosa, Jacques Cousteau, Madre Teresa de Calcutá e muitos outros. Confira abaixo:

 

Acontecimentos

Logo colorido_sm

Ano Internacional da Diversidade Biológica
Unesco

revoltachibata

Revolta da Chibata (100 anos)

logojoaquimnabuco

Ano Nacional Joaquim Nabuco
Fundação Joaquim Nabuco

 

Centenários

Cultura Brasileira

noel[1] 

Noel Rosa (1910-1937) Música-Samba-MPB

raqueldequeiroz 

Raquel de Queiroz (1910-2003)
Literatura Brasileira

adoniran_barbosa

Adoniran Barbosa  (1910-1982)
Compositor de Sambas

aurelio

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989)
Lexicógrafo e escritor

haroldolobo

Haroldo Lobo (1910-1965)
Compositor de sambas e marchinhas

corinthians

Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

Arte, Literatura e Ciência (mundo)

akira

Akira Kurosawa (1910-1989)
Cineasta japonês

 

jeangenet

Jean Genet (1910-1965)
Escritor francês

marktwain

Mark Twain (1836-1910)
Escritor norte-americano

cousteau

Jacques-Yves Cousteau (1910-1997)
Oceanógrafo francês

Religião

chicoxavier

Chico Xavier (1910-2002)
Médium

madreteresa

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)
Freira

Música

 
howlinwolf

Howlin’ Wolf (1910-1976)
Blues

django_reinhardt1

Django Reinhardt (1910-1953)
Jazz

Política

tancredo

Tancredo Neves (1910-1985)
Político – Presidente do Brasil

 

Papai Noel está doente

A saúde do Papai Noel está em risco e também a ciência explica por que ele provavelmente não exista.

Não é tolerável que alguém que tenha um estilo de vida pouco saudável, condições de trabalho não tão razoáveis, para, e em seguida, acarretar o stress de ter que entregar 152 milhões presentes de Natal em 24 horas.

sad_santa-241x300-797204 É o que dizem os pesquisadores da Universidade de Gothenburg (Suécia), ao constatarem, apenas olhando para aquele rosto gordo e rosado para, juntamente com uma simples análise visual de sua silhueta para afirmarem que ele pode sofrer um ataque cardíaco a qualquer momento. Também não está descartada a possibilidade de um derrame. Além disso, segundo a doutora Annika Rosengren, do departamento de medicina vascular da referida universidade, “Ele pode fazer um tratamento contra a diabete e a hipertensão. Sem querer magoá-lo, sugiro que tome remédios para baixar o colesterol. Porém, novas pesquisas indicam que ele pode estar em um acelerado processo de demência devido a sua obesidade abdominal”.

Como podemos ver, o caso é grave e o bom velhinho está com suas horas contadas se formos acreditar em todos os diagnósticos feitos pelos médicos. Em minha opinião, médico é igual a mecânico de automóvel. Todas as vezes que vamos a um dos dois, sempre aparece um problema na rebimboca da parafuseta. Ambos conseguem incutir medo em dois pontos específicos da anatomia humana, a saber: a cabeça e o bolso! Ambos pontos da anatomia vão doer pra caramba. Não se vai a um dos dois especialistas sem estar devidamente ciente de sua conta bancária.

Muito açúcar e gordura

Como a vida do Papai Noel parece ser tranquila durante 364 dias em sua terra, a Lapônia, em que, imagina-se ele beba água fresca e tenha uma dieta baseada em salmão e carne de rena; tudo isso vai para escanteio quando chega a época do Natal. O sono é afetado e a tensão para atingir o objetivo, além de maximizar as entregas dos presentes, destrambelham tudo e dá-lhe stress sob aquele gorrinho vermelho. A pressão sobe, os nervos ficam à flor da pele e, certamente, ele até deve apresentar problemas de pele, pois o terreno – seu corpo – está criando condições para que surjam perebas devido ao grande stress. Como em alguns países é comum deixar em cada casa um lanchinho (bolos, biscoitos, pernil e, se bobear, até água que passarinho não bebe) para o Papai Noel tomar tão logo entregue os presentes, ele está se empanturrando de açúcar e gorduras saturadas. É o que afirma outro pesquisador, o doutor Mette Axelsen, do departamento de Nutrição Clínica, que arremata: “Isso pode ter algum tipo de efeito nocivo ao seu ritmo cardíaco”.

A matemática é inimiga do Papai Noel

Façamos uma conta: Há 2 bilhões de crianças no mundo. Como o Natal é uma festa cristã é óbvio que o Papai Noel não entrega presentes para crianças judias, budistas e muçulmanas. Portanto, sobram “apenas” 380 milhões de crianças que deverão receber seus presentes na noite do dia 24 de de dezembro.

Continuando a conta: Cada casal, segundo estatísticas atuais, tem em média 2,5 filhos (esse 0,5 é que complica, não?). Isso equivale a 152 milhões de visitas. Perceba que o “crescei e multiplicai-vos” ajuda na hora da divisão. No frigir dos ovos, o Papai Noel deve fazer 900 visitas por segundo para poder atender a todos os pedidos que, de acordo com Stefan Lemurell, do departamento de Ciências Exatas, só podem ser realizados se a rota for muito bem planejada e viajar no sentido oeste para que possa prorrogar o prazo de 24 horas.

sad_santa3a 

A física é contra o Papai Noel

Lembram-se daquelas aulas em que o professor de física iniciava assim: “Um móvel retilineamente em movimento…”. Pois é, chato demais mesmo. Pois é essa mesma mecânica que vai nos mostrar que o Papai Noel precisaria ser tão rápido quanto a velocidade da luz para dar conta do recado.

Digamos que cada casa esteja distante uma da outra em 100 metros, em média. Entre estacionar o trenó, descer pela chaminé, entregar os presentes, tomar o tal lanchinho, subir pela chaminé e retomar o trajeto, o trenó deve viajar a 90km por segundo, o que equivale a aproximadamente 265 vezes a velocidade do som. Vejamos o que a professora Maria Sundin, do departamento de Física nos informa a respeito: “A aceleração necessária para realizar a tarefa implica uma força g de 14 milhões de vezes a gravidade da Terra. Pilotos de caça ficam inconsciente em 7g”. Lógico que ao se aprender como o Papai Noel consegue essa proeza que desafia as leis da física, a humanidade já poderia começar a sonhar com viagens espaciais tão corriqueiras quanto tomar um trem.

A biologia não ajuda o Papai Noel

Para que possa entregar todos os presentes, Papai Noel precisaria ter um rebanho de renas com cerca de 2 milhões de animais. Basta fazer a conta (novamente a matemática): Se cada criança recebe um presente que pesa 1kg, a pilha de presentes sobre o treno pesaria 380 mil toneladas. Como o bom velhinho é espaçoso e pesado, fica-se imaginando que uma rena, cuja capacidade de carga não ultrapassa os 200kg, deve sofrer. Tudo bem, ele tem várias renas atreladas ao trenó, mas como é que ele vai fazer para decolar e aterrizar tendo tamanha carga? Complicado, não?

Vejamos: se cada presente tiver as dimensões 10x20x20cm, o volume de todos eles cobriria o gramado do Maracanã e ainda teria vários metros de altura. A energia gasta para transportar a carga pelo espaço faria com que, não apenas os presentes, mas também o Papai Noel e suas renas, virassem churrasco milésimos de segundo após a decolagem.

Portanto, a ciência nos prova por A + B que o ritmo de vida extenuante do Papai Noel é uma prova de que ele não existe. Agora está explicado por qual motivo ele jamais entregou a Ferrari F50 que peço todos os anos.

* Este artigo foi escrito a partir da adaptação e tradução feitas por mim, Jorge Alberto, do artigo Santa Claus at Risk? Unhealthy Lifestyle, Unreasonable Working Conditions, and Stress, da Science Dayli, em 24/12/2009.

Bloco de artistas contra os políticos corruptos

Sob as bençãos de Claude Lévi-Strauss e René Descartes, que são representados em estandartes (alegorias e adereços), um bloco de artistas mambembes percorreu, hoje, 11 de dezembro de 2009,  algumas ruas da Lapa, Rio de Janeiro, cantando marchinhas de Carnaval. A irreverência, marca registrada dos cariocas, se fez presente mais uma vez mesmo que a plateia fosse de alguns poucos transeuntes.

O que vale é o registro dessa manifestação de repúdio aos políticos corruptos.