O cachorro que há em todos nós em 16 citações e um pouco de história

Por acaso já se deu conta de como os cães fazem parte do seu quotidiano?

Parece que tudo começou ainda no baixo pleistoceno, quando alguns de nossos ancestrais tiveram a ideia de compartilhar pedaços de carne de caça com os lobos que rondavam, não muito longe, as cavernas nas noites em que, após a descoberta do fogo inventamos o churrasco.

Antes, se quiser, você pode entrar no clima do artigo ao ouvir a música abaixo. Ouça e vá lendo o texto.

Citações e ditos populares

  • Briga de cachorro grande – Geralmente a frase é citada por algum trepidante (repórter futebolístico), ao informar que o jogo que está prestes a começar será muito disputado.
  • Você me trata como um cachorro ou Eu não sou cachorro não – Quando algum homem percebe que a sua amada o despreza.
  • Esse cara é um cachorrinho de madame – Das duas uma: ou o cara é submisso a mulher que tem mais grana do que ele, ou é um gigolô.
  • O brasileiro é cachorrão mas não é cachorro (J.A.) – Que todo brasileiro é sacana ninguém tem duvida, mas, ao contrário do cachorro, não gosta de osso (mulher magricela). Em resumo: gostamos de ter o que apertar na mulher, certo?
  • Os cães ladram e a carruagem vai passando – frase atribuída ao grande filósofo e lexicólogo Ibrahim Sued, o mesmo que anunciava a periodicidade de seu programa na televisão, dizendo:  “Estaremos aqui diariamente todas as terças e quintas”.
  • Soltou os cachorros – quando uma mulher ou homem dá a maior bronca no adversário (a), digo, cônjuge.
  • Botou o rabo entre as pernas – Diz-se de alguém que se viu sem saída em uma disputa e humilhando-se como um cachorro medroso, saiu de forma patética da pendenga.
  • Cachorra! – homem xingando uma mulher que o passou para trás. Aqui me permito citar o equivalente feminino de xingamento mútuo… Vaca!
  • A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais um luxo; ele alimenta os pobres como cães e cavalos. (Rousseau)
  • Como cães numa roda, ou pássaros numa gaiola, os homens ambiciosos continuam a subir, com grande trabalho e incessante ansiedade, mas nunca chegam ao cume. (Robert Burton)
  • Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda. (Epiteto)
  • Os cães, como os homens, são muitas vezes punidos pela sua fidelidade. (Jack London)
  • Se alguém nos é de fato muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda. (Schopenhauer)
  • Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o homem. (Mark Twain)
  • Troque seu cachorro por uma criança pobre. (Eduardo Dusek)

Cavalo-do-cão

Com o passar dos séculos a relação se desenvolveu de tal forma que alguns de nós passaram até mesmo a receber a alcunha de “cão” ou “cachorro”, geralmente no sentido pejorativo. Coisa do tipo: “Aquele cavalodocaocachorro me paga!”, quando algum marido mais atiradinho resolveu pular a cerca e deixou rastro. O coisa ruim, mais conhecido como capeta, também recebe o apelido de “cão”, também geralmente em associações de ideias no sentido de quando alguém diz-se ter alguma relação com o Diabo: “Ele tem parte com o cão”. Isto se deve em grande parte à tradição açoriana de associar o Tinhoso com o referido mamífero, como nos informa Câmara Cascudo em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, visto muitos açorianos terem vindo colonizar o Brasil.

Por vezes os nomes populares juntam ordens do reino animal (mamíferos + insetos), quase formando uma quimera, quando denomina uma espécie de vespa (pompiledae) como “cavalo-do-cão”, caçadora de aranhas caranguejeiras. O bicho é danado mesmo.

Metamorfoses e baixa poesia

Ainda no terreno das metamorfoses, o folclore de vários países registra a figura do lobisomem, ou o homem que se transforma em lobo, o ancestral de todos os cães, nas noites de lua cheia. Mas, bom mesmo, é ver uma mulher se transformar em loba com o passar do tempo, não? Se bem que, assim como o lado masculino da espécie recebe a alcunha canina de forma pejorativa, as mulheres também podem ser taxadas de “cachorras” quando, assim como nós, cometem alguma cachorrada. Porém, entre as mulheres, xingar a outra de quadrúpede ruminante que produz leite seja mais pejorativo ainda. Acompanhem a pérola do cancioneiro nacional do famosíssimo (?) Bonde do Tigrão, que bem exemplifica este parágrafo:

Só as cachorras
As preparadas
As popozudas
O baile todo…

Um primor de poesia…

Gregos e Romanos

Os gregos – sempre eles! – inventaram uma escola filosófica denominada Cinismo, cujo maior representante foi Diógenes, o pai de todos porralôcas, ao designar que kynikos, seria o equivalente da expressão “como um cão”, isto é, viver de maneira natural sem ter as coerções sociais como regra tal como os cães (kyon). O próprio Diógenes, que cunhou frases antológicas  (veja o artigo Uma lamparina, um barril e o dorme-sujo que queria mudar o mundo), certa vez, ao ser perguntado por qual motivo fora chamado de cão, respondeu o seguinte: “Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”. Não nos esqueçamos de Cérbero, o cão de três cabeças que guardava a entrada do Hades.

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Os romanos não ficam atrás, quando nos indicam que a cidade eterna teve como mãe uma loba, que amamentou Rômulo e Remo. Em algumas escavações foram encontradas placas que avisavam, assim como nos dias atuais, para que o incauto tivesse cuidado com os cães, que em latim se escreve cave canem.

Certamente você ou a sua avó já emborcou um sapato ou um chinelo ao ouvir um cão uivando, certo? Sabe de onde vem essa crendice? De Roma é claro! Os romanos acreditavam que os cães conseguiam enxergar a sombra dos mortos, associando, assim, a Hécate, a divindade da mitologia que atormentava os humanos mostrando os terrores noturnos e aparições de fantasmas. A mesma Hécate é associada a Perséfone, a rainha dos infernos. E então? Vai emborcar um chinelo ou sapato na próxima vez que ouvir um cachorro uivando ou vai duvidar que eles veem almas do outro mundo?

Dentes caninos

Nem mesmo os vampiros escapam de ter alguma parte com os cães. Os dentes mais pontiagudos são conhecidos como caninos. E não há predador que não os tenha na boca. Caso contrário só vão poder tomar sopa e usando canudinho.

Alguém já deixou de ler uma das aventuras de Sherlock Holmes, chamada “O Cão dos Baskervilles”?

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Lutero, meu nego: te enganaram!

Ainda vendem entrada no céu!

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Adiantou você botar a boca no trombone e bater de frente com o Papa? Tudo bem… tudo bem… a burguesia e a nobreza alemãs adoraram suas ideias. Mas cá pra nós, sabe aquela piada sobre o povo que Deus colocaria no Brasil? Pois é… esse povinho acabou aprendendo a vender entrada no céu e, pior de tudo, com assinatura do filho do homem. Parece até psicografia: Jesus Cristo assinando documento em pleno século XXI! Em puro carioquês isso é o famoso 171.

Então, assim como a Igreja Católica fazia até você dar um basta na pouca vergonha que era a venda de indulgências; o cara podia ter sido o maior facínora, mas ao estar próximo de bater as botas, poderia muito bem comprar uma entrada no céu e seus pecados eram esquecidos. Agora isso nem importa tanto quanto antes. O negócio é conseguir cada vez mais “almas”, não para o rebanho, mas para os depósitos em conta corrente.

O pessoal universal, aqui, faz mais bacana ainda. Manda a grana das velhinhas, doentes, desmiolados e bobos em geral, para paraísos fiscais. É ou não é o que está na Bíblia? Alguma coisa vai para o paraíso, nem que seja fiscal, e o dinheiro seja dos coitados dos fiéis. Eu não sabia que fidelidade se comprava… Quanta ingenuidade, hein, Lutero?

Racismo e esporte

O racismo é uma coisa nojenta, amorfa e dissimulada na maioria da vezes. Em se tratando das relações humanas muito dificilmente um grupo aceita alguém de fora que seja diferente. E quando isso se dá, é porque foi criado um juízo de valor de que o diferente é pior, não presta, é sujo e tudo o mais que possa haver de pejorativo e excludente.

Ao mesmo tempo, por ser em muitas vezes uma coisa sem forma, hoje, já há quem seja da KKK e não considere o Obama como sendo negro. Estranho, não? Mas é a mesma visão que temos numa cena do filme “Faça a coisa certa” (Do The Right Thing), do Spike Lee. Para quem não viu ou pretende ver, a cena se passa dentro da pizzaria do Sal (Dani Aiello) e um de seus filhos, Pino, interpretado pelo excelente ator John Turturo, discute com Mookie, o entregador de pizza negro, interpretado pelo diretor Spike Lee, o quão negro ele, Pino, seria apesar da origem italiana. E como exemplo, pede para que ele cite seus ídolos: No basquete, Magic Johnson; no cinema, Eddie Murphy; na música, Prince e por aí vai, até que Pino tenta criar uma teoria para dizer que estes e outros negros não são bem negros. São, digamos, diferentes. Por acaso, a música, o cinema, o esporte e outros campos de atividade têm cor? O que conta é o talento, certo?

Infelizmente não encontrei uma versão com legendas.

Apenas a título de curiosidade, nesse mesmo filme também há um personagem que é um daqueles negros que embarcam na onda de Black Power, mas sem grande informação, interpretado pelo ator Giancarlo Esposito, que apesar do nome italiano é negro e, nos bastidores do filme, para quem tem a versão oficial em DVD, percebe que o Dani Aiello até se espanta ao saber que o Giancarlo nasceu em Copenhague (Dinamarca) resultado de um casamento entre uma negra norte-americana e um italiano. O mesmo espanto, guardada as proporções, é claro se deu comigo ao saber que um entregador de uma editora que eu conheço tinha um sobrenome italiano. Achei interessante e perguntei o motivo e ele me respondeu: é do meu avô. Foi aí que eu me dei conta que parte dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil também se estabeleceram no Rio de Janeiro e, ali na altura do morro da Providência (Centro), havia uma colônia italiana em integração com moradores da região que tinham origem africana (ex-escravos e seus descendentes).

Lógico que no campo do esporte e da cultura negros se destacam. Muitos tiveram apenas esta oportunidade para “chegarem lá”. Agora, o chato mesmo é ver que, num esporte, o futebol, que é o esporte mais popular do mundo, grupos racistas incitem a violência por questões raciais. A violência no esporte, por si só, não é coisa que deveria acontecer; mas não podemos negar que o esporte coletivo, é, digamos, um traço cultural das batalhas entre grupos e clãs que se diferenciavam não apenas por questões étnicas, mas também sociais ou econômicas. Assumiam cores, estandartes e símbolos pelos quais nutriam adoração e que desejavam fazer prevalecer sobre seus oponentes.

Recentemente, na Alemanha, um clube de futebol de uma cidadezinha de 800 habitantes teve a genial ideia de realizar uma partida amistosa e grupos neonazistas decidiram que perturbariam o ambiente. Uma lástima, pois essa cultura raivosa de achar que cor de pele é motivo para mensurar caráter ou vida é algo que não deveria mais existir. Porém, infelizmente, essa praga se espraia novamente e, hoje, no globalizado esporte coletivo, a ação de racistas chegam as raias da insanidade.

A coisa não é nova, mas não se encaixa mais, a meu ver, em qualquer campo de atividade. Torcidas que imitam macacos quando um jogador negro toca na bola – como fez a torcida do Grêmio no jogo contra o Cruzeiro – ou arremessar cachos de banana em campo, são provocações que só servem para demonstrar o nível da mediocridade humana. Essas mesmas bestas se esquecem que, ao berrarem para todos os gringos, que somos pentacampeões é porque o Brasil, a Seleção Brasileira, foi a síntese da mescla, da mistura, da união de etnias e o maior jogador de futebol de todos os tempos é negro e o Garrincha, o segundo maior era cafuzo, uma mistura de índio com negro. Então, por qual motivo essa idiotice de fazer mímica de macacos, ainda mais num estado em que o maior símbolo do folclore é o Negrinho do Pastoreio? Idiotice pura!

Escrevo este artigo após ter lido um outro artigo sobre o tal time da cidadezinha alemã na Spiegel Online. Vejam, por exemplo, a quantidade de notícias no G1 sobre o racismo nos esportes. É alarmante, quando sabemos que o atual campeão de Fórmula 1 é um negro, a final do torneio feminino de tênis de Wimbledon será disputada por duas negras e o maior jogador de basquete de todos os tempos é negro.

Em seu livro, O Negro no Futebol Brasileiro, Mario Filho, o jornalista que dá nome ao maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã, nos apresenta as razões pelas quais somos uma potência futebolística. É justamente pela presença do negro, e outros intelectuais como Gilberto Freyre afirmavam que essa é uma verdade incontestável. Conta, Mario Filho, que muitos negros não eram aceitos nos clubes de futebol, que era um esporte das elites brancas, mas, que, com o passar do tempo e o friedenreich surgimento do profissionalismo essas besteiras foram acabando, mesmo que no campeonato carioca uma cisão tenha acontecido justamente por este motivo, ou os dois, o profissionalismo e o racismo. O próprio negro não se reconhecia como negro para poder participar desses grupos. Conta que Friendereich, o maior jogador brasileiro de futebol da era amadorística, era um mulato filho de um alemão com uma negra e que, antes de cada jogo, passava horas alisando o cabelo para parecer menos negro. E há também o folclórico, mas verídico, caso dos jogadores do Fluminense que usavam pó de arroz para “clarear” a pele.

Ainda no campo de futebol brasileiro, até antes de ganharmos a primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia, alguns “inteligentes” dirigentes de futebol temiam que a presença de negros na seleção nos fizesse apresentar uma imagem ruim do Brasil – barbaridade!!! –, e que também perderíamos a Copa, assim como as anteriores, devido ao banzo, aquela saudade ancestral que acometia os negros que vinham da África para serem escravos na lavoura ou nas minas. E o que foi que aconteceu? Um negro de 17 anos e um cafuzo das pernas tortas encantaram o mundo. O maior jogador dessa Copa, escolhido pela Fifa, foi o Didi, um negro.

Quando o Uruguai ganhou a Copa do Mundo de 1930, a primeira, havia um jogador negro no time titular, o meio-campista José Andrade. Portanto, a presença do negro no futebol, faz este esporte ser este esporte. Assim como outros representantes de outra etnias, mas isso não impede que as bestas racistas vejam a importância do esporte como congraçamento humano.

A perseguição não se dá apenas aos negros, mas aos judeus também. Por exemplo, o clube inglês Tottenham tinha – e ainda tem – uma ligação com os judeus ingleses. Por isso, durante décadas, as torcidas adversárias cantavam músicas pejorativas e incitavam violência contra seus jogadores. Quanta idiotice, não?

Façamos a coisa certa. Sejamos, antes de tudo, seres humanos.

Um toureiro de 11 anos: Barbaridade!!!

Numa época em que os animais são cuidados por legislação que lhes garante direitos, é um tanto anacrônico e estranho ver um garoto de 11 anos ser considerado um prodígio como toureiro. O menino de origem franco-mexicana se chama Michelito Lagravere  é treinado para matar bezerros desde os seis anos de idade, como se fosse numa tourada de verdade.  Cá pra nós e culturas à parte, tourada só perde em babaquice para a luta de boxe.

toureiromirimClique sobre a imagem para ver o slide show
Imagem ₢ Times Online
 

Mesmo com os protestos dos defensores de animais – deveria haver uma entidade para dar um chega-pra-lá em pais tresloucados como os desse menino – a matança continuou. O guri já matou seis bezerros e está sendo considerado o novo fenômeno dessa idiotice.

Em uma das fotos, o moleque está segurando uma das orelhas do bezerro assassinado e, pasme, ele declarou o seguinte: “Estou feliz por ter conseguido esta grande vitória”.

Querem que o seu nome e o seu macabro feito seja publicado no Guiness Book, como sendo o mais jovem matador.  Barbaridade!!!

Lembrei, agora, de uma crônica, se não me engano do Armando Nogueira, sobre a presença de brasileiros numa tourada durante a Copa da Espanha, em 1982. Conta o jornalista que, assim como todos nós, os brasileiros entraram na arena e torciam pelo touro. É lógico, pois temos o hábito de torcer pelo mais fraco em casos como esses. Quando o El matador da ocasião entrou na arena, o público espanhol explodiu em palmas, mas, lá de um canto das arquibancadas, ouvia-se uma vaia. Quem vaiava? Lógico que nossos compatriotas. Os espanhois fizeram cara feia. Afinal, toureiro por aquelas bandas é quase herói nacional.

Pois bem, quando o miúra entrou, os brasileiros para não perderem aquela coisa que nos faz notados em qualquer quadrante do planeta, a papagaiada, começaram a demonstrar que torciam para o Touro F.C. e berravam… TOURO! TOURO! TOURO!. Novamente os espanhois fizeram cara feia.

A gota d´água em termos de má educação, na visão dos espanhois, foi quando o toureiro, ao derrotar o touro que, coitado, já entra na arena com 99% de chances de perder, se dirigiu à plateia para receber os apupos e flores das beldades presentes ao retirar aquele chapéu esquisito feito de orelhas de touros já falecidos, leva um conga – sim, isso mesmo, um tênis conga – no meio das fuças que o fez perder o rebolado.

Por que a água vai faltar?

Não é por escassez. Tenha certeza disso. A água deixará de ser um bem da humanidade para se tornar um bem econômico controlado por grandes conglomerados internacionais, tanto que é tratada (sem trocadilho) como o Ouro Azul por essas empresas que, durante os últimos anos vem criando toda uma ideologia no sentido de que mude a concepção da água, de um bem comum para um bem privado. É estarrecedor.

Para entender este conceito, assista o vídeo abaixo.

pqagua 

Vampiros da blogoesfera

Tal qual Nosferatu e seres do mesmo nível há na blogoesfera os vampiros de blogs que ficam a espreita de posts que tenham algum destaque em um lugar ou outro. Esses vampiros de blogs, imaginando que estão fazendo algo “bom”, só que é uma “bondade” unilateral, copiam um post inteiro e nem ao menos citam, ao final, o link de origem. Ora, por qual motivo não fazem uma citação do tipo “Se você quiser saber mais sobre este assunto vá no blog Tal e Tal”?

nosferatu1922 O mais engraçado é que não copiam, ou melhor, não sugam posts que não dão tráfego. Sinal que não lêem blogs. Apenas espreitam. Se depender do uso do CTRL C + CTRL V, a humanidade terá dois dedos em cada mão. Sim, claro! São justamente os que premem as teclas CTRL, C ao mesmo tempo e CTRL,V ao mesmo tempo em seguida. Darwin dará voltas no túmulo

Como sou professor, é possível perceber que esses vampiros de blog nem sabem colar em uma prova. Se é que sabem ler ou efetuar as quatro operações e conjugar um verbo.

É Deprimente, deprimente mesmo ver como alguém perde seu tempo copiando em vez de criar algo. 

(o texto acima foi escrito há quase um ano e não fora postado anteriormente por mim)

O Caso

Nesses dias de Carnaval dediquei-me, como no ano passado, a trazer informações sobre alguns aspectos do tríduo momesco, principalmente aqui do Rio de Janeiro. Confesso que não crio paranóia para saber se o que escrevo, sempre conteúdo original e também traduções que faço e indico a origem, é copiado e vampirizado por aí. Porém, de vez em quando, me surpreendo com vampirismo explícito. Explico o motivo: O (a) assecla de Drácula, ao copiar e colar, esquece que no corpo do post, geralmente, eu coloco links para outras posts criados por mim e que estão no meu blog. Como o WordPress sempre nos indica citações de nossos blogs, eu vou dar uma conferida e o que vejo? Todo o texto ou parte dele foi descaradamente vampirizado. Eu até rio e informo que o “blogueiro” deu um azar danado por não ter editado a cópia e sugiro que faça os devidos créditos. Digo isto, pois foi o que aconteceu ao perceber que um artigo criado por mim, com não mais que cinco pequenos parágrafos, fora copiado sem que fosse dado qualquer crédito. Dessa vez o vampiro se deu ao trabalho de editar, isto é, cortou o último parágrafo, no qual eu indicava outros artigos sobre o assunto no meu blog; mas esqueceu de verificar um link que estava no parágrafo anterior e que também indicava um post específico, escrito por mim, no meu blog. Foi tragicômico.

  • Sobre este assunto, indico a leitura de um excelente artigo escrito por Gustavo Freitas do blog GF Soluções, intitulado Adsense, chupadores de textos e as punições do Google, no qual ele explica as punições que o Google disponibiliza para os vampiros da blogoesfera e que me fez lembrar que escrevi o artigo “Vampiros da Blogoesfera” há algum tempo e não o publiquei antes.
  • Leia também o artigo Aos Que Gostam de Plagiar, escrito por mim aqui no Recanto das Palavras.

Mais um caso de plágio

E quem foi pego copiando e colando coisas alheias foi Neale Donald Walsch, autor do best-seller Conversas com Deus. Pelo visto, ao chegar lá em cima, ou lá em baixo, ele terá muito o que conversar para convencer que não cometeu um dos mais ridículos e execráveis tipos de comportamento: se apropriar do que não é seu e tirar proveito disso.

Alberto Ruggieri, Shocked Man Looking at Computer © Images.com/Corbis

Em seu blog, segundo o artigo Religion Writer Who Copied Work Draws Support of Readers, que saiu no New York Times no ultimo dia 11/01, foram escritas cerca de 230 mensagens criticando – a maioria – e algumas – pasme! – o desculpando por ato tão vil.

A coisa se deu da seguinte forma:

A escritora de textos religiosos Candy Chand escreveu, há alguns anos, um ensaio para uma revista espiritual. Então, Neale Donald Walsch, regularmente fez o famoso CTRL C + CTRL V, sempre que achava interessante. Isto se deu por que ele contava uma anedota sobre um fato de natal. Só que a anedota estava contida no ensaio da senhora Candy Chand. Foi desmascarado.

Ele contou que numa escola as crianças cantavam a canção “Natal de Amor” (Christmas Love) e cada criança levantava uma placa com a letra correspondente para formar a frase que dá nome à canção. Só que uma menininha, levanta a placa de cabeça para baixo; justamente a letra “m”, que acabou virando um “w” e a frase ficou Christwas Love (Cristo foi amor). O chato, para ele, é que não contava com o fato desta anedota ter sido contada por Candy Chand e publicada 10 anos antes na revista religiosa Clarity.

Neale Donald Walsch escreveu no dia 28/12/2008, um caudaloso pedido de desculpas informando que este ensaio estava em seu computador há tanto tempo e ele o havia marcado para citar algumas passagens. Pelo visto citou bastante. Mesmo assim, por mais que tente, a sua reputação como escritor já foi manchada por suas próprias mãos. Entretanto, ele induz seus leitores a acreditarem que o acontecido não passou de um caso de criptomnésia (memória oculta) que, segundo algumas fontes, se trata de memória inconsciente e processos psicológicos inconscientes. Em outras palavras… “Peguei mas não sei por qual motivo. Foi sem querer. Me desculpe”. Será que esta desculpa vai colar? (oops!). Seria mais ou menos algo parecido com você contar uma mentira tantas vezes e acabar acreditando que esta mentira é uma verdade. Ele, ao que se imagina, acreditou que este fato que originou o plágio fizesse parte de suas experiências como escritor e divulgador religioso.

A Sra. Chand, a escritora que teve seu ensaio plagiado, declarou numa entrevista que não acredita que o plagiador tenha sofrido da tal criptomnésia, e ainda completou:

É como eu levar minha mão até o seu Rolex por achar este relógio tão bonito e charmoso e colocá-lo em minha bolsa e, em seguida, quando você me pegar eu dou uma desculpa, dizendo com cara de espanto … Oh, meu Deus! Eu não tenho outra desculpa, mas estou abobalhada com o que minha mão fez.

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