O inferno dentro dos ônibus

Por que certos passageiros cismam em ouvir música ruim sem fones de ouvido?

Descobri o inferno dentro dos ônibus urbanos do Rio de Janeiro e nem estou fazendo referência aos já sabidos e meganoticiados assaltos, motoristas que podem ser considerados verdadeiros kamikazes, buracos no asfalto… Tudo isso aí a gente tira de letra.

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© Adam Woolfitt/CORBIS

Mas o que incomoda mesmo são as caixas de abelha que alguns passageiros resolvem carregar consigo. Ah, sim, não sabe o que é caixa de abelha? Pegue um telefone celular que toca mp3, não regule graves e exerça todo o poder dos agudos. Coloque no maior volume possível. Feito isto, a distorção dos agudos logo será percebida e seus ouvidos, que não precisam ter conhecido Bach, Bethoven, Mozart, Beatles, Tom Jobim, Paul Desmond e tudo de bom que há em termos de música, estão prontos para ouvir um zumbido que parece um enxame acondicionado em uma caixa diminuta. É o inferno em termos de música!

Por qual motivo é um inferno musical? Os passageiros, que não tem um pingo de educação e semancol resolvem que todos nós, infelizes passageiros dessa, agora, bad trip, seremos obrigados a ouvir as desgraças de pagodeiros que levaram o pé na bunda da amada e cantam (?) suas mazelas. Isso para não falar dos inapropriados “proibidões”. Um tipo de funk de 5ª categoria em que, imagino, estejam expressando alguma coisa em uma suposta língua assemelhada a última flor do Lácio que, no caso específico, é muito mais inculta e horrorosa!

Esta praga vem se alastrando mais que a tal gripe suína. Torna-se mais comum que derrotas do Botafogo para qualquer timeco de garçons que jogam no Aterro e, pior ainda, são tão ruins quanto o time de Fluminense. Os tais passageiros acham que estão prestando um bem ao nos apresentar essas porcarias. Isto só faz bem para o seu ego que é desproporcional em relação aos dos outros passageiros e suas (deles) mentalidades é comparável a de qualquer ameba que se preze. Como todos nós sabemos, ameba é um protozoário, mas, pelo menos, exerce uma função na Natureza, mesmo tendo apenas uma célula. Esses infelizes, ao que parece, não tem um neurônio sequer.

Me dei ao trabalho de procurar aquele aviso de uma tal lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros no interior dos veículos de transporte de massa como os ônibus urbanos. Ou eu estou ficando cego, ou esse aviso não existe mais. Temo que a lei tenha caído no esquecimento.

Dá vontade de fazer como fui obrigado a fazer, ao ter minhas manhãs de Domingo invadidas pelos berros, urros e desacordes de uma rádio evangélica que uma vizinha passou a ouvir. Não me dei por vencido. Quis manter o meu direito ao silêncio nas manhãs domingueiras e deixar minhas janelas abertas, pois, como sabemos, o verão no Rio de Janeiro, por vezes, é uma verdadeira canícula senegalesca. Peguei minha guitarra, coloquei o amplificador no parapeito e o volume de ambos no máximo e ataquei de Johnny B. Goode, o riff inicial é inconfundível e não há inimigo do KPTA que não o conheça. Parece que a mensagem foi compreendida. O rádio da vizinha voltou ao volume normal. Não sei se pela qualidade da música ou se pela mensagem que foi passada. Só sei que deu certo.

Se, ao menos, os tais infelizes de ego gigantesco e capacidade cerebral diminuta gostassem de músicas boas, tudo bem. A gente até não reclamaria tanto, mas, por qual desígnio divino acham que somos obrigados a lidar com essas porcarias que costumam escutar?

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7 comentários sobre “O inferno dentro dos ônibus

  1. O impressionante é que as musicas sempre são esses lixos. Talvez algum dia alguém faça uma tese sobre essa relação: Cerebro de ameba x Péssimo gosto musical x Inexistência de simancol.

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  2. tá certo não temos que escutar esses lixos, mas se tiveres sorte que não não vai conhecer o brega daqui do pará ho estilo musical ruim só pra teres uma idéia esses caras que cantam essas porcarias de brega eles pegam musica boa e transformam em verdadeiros lixos sonoros.

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  3. Donattelo e Pedro,

    Imagino que vocês, assim como eu, tenham presenciado essas porcarias sonoras a todo volume, não? 🙂

    Abraços e obrigado pela visita.

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  4. É Pedro tenho dó de você, eu odeio esse tipo de PECADO, pois para mim pegar uma música boa e transformar nessas desgraças que a gente escuta é pecado, teve até um dia que eu ouvi um forró de wind of Change eu quase chorei de tristeza, hoje em dia se eu escutar esse tipo de barbaridade eu peço para a pessoa desligar o rádio ou eu o quebro.

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  5. Cada um com sua opinião, eu também odeio quando colocam essas porcarias em algum lugar [nunca andei de ônibus ^o)]
    mas falar que Tom Jobim é bom e esse tal Jhonny ?
    fikadik (Y)
    EHIAEIAEIAEHIAE

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