Em flor e espinho: Nelson Cavaquinho

É muito difícil falar e escrever sobre alguém que foi um dos maiores compositores da música brasileira, cujas melodias e os versos, tanto dele como de seus parceiros, percorrem a nossa memória coletiva sem que tenhamos consciência desse fato. Por exemplo, pense num caso de amor que acabou e, dele, nasceu um grande rancor. Imediatamente você será remetido aos versos de A flor e o espinho. Pare um pouco e lembre:

Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor. Hoje pra você eu seu espinho. Espinho não machuca a flor. Eu só errei quando juntei a minh´alma a sua, o Sol não pode viver perto da Lua 

nelsoncavaquinho As suas principais características eram a voz rascante e o jeito especial de tocar o violão, que parecia ficar quase deitado em seu colo e usando apenas dois ou três dedos para puxar as cordas. A voz, claro, era inconfundível.

Neste documentário em 8 partes imperdíveis que, na verdade, foi um programa gravado pela TV Cultura, em meados da década de 1970, Nelson Cavaquinho conta sua vida, fala de seus sambas, de seus dramas e suas angústias. Trata da vida errante de um brasileiro das camadas mais baixas da sociedade na luta pela sobrevivência, mas daí tirando a melodia e a poesia como só os grandes sambistas e compositores conseguiram fazer.

A 1ª parte inicia com um chorinho, tendo Nelson ao cavaquinho e Guilherme de Brito, talvez seu maior parceiro, ao violão.

Na 2ª parte, ele conta sobre o seu nascimento e sua certidão de nascimento que teve a data alterada por seu pai. Ele nasceu na Rua Mariz e Barros – Praça da Bandeira/Tijuca –, e fala de suas origens e suas primeiras composições, inclusive contando que conheceu Noel Rosa. Foi jogador de futebol, policial militar e teve diversos empregos.

O decorrer do programa, até mesmo para quem conhece a obra de Nelson Cavaquinho, é recheado de surpresas; surpresas, essas, que, a cada audição de seus sambas nos fazem perceber o domínio da Língua Portuguesa. Não há um erro sequer de concordância! Hoje, infelizmente, as letras das músicas(?) que tocam por aí são medíocres, sofríveis e deseducam. Não é licença poética. É ignorância mesmo. Os professores de Português deveriam usar as letras de Nelson Cavaquinho para ensinar a gurizada a conjugar verbos, por exemplo. Veja os vídeos, que estão no canal do Eduardo Luedy, no Youtube.

Um pouco mais de Nelson Cavaquinho

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