Não estamos sós no Universo

Esta é a afirmação, em uma entrevista concedida ao Spiegel Online, de Frank Drake[1], um dos diretores do Projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre), e que, desde 1999, conta com a colaboração de voluntários através do SETI@home. Esse é mais um dos fatos que marcam 2009 como o Ano da Astronomia.

Mensagem da Pioneer. Imagem ₢ Spiegel Online A entrevista[2] é muito bem-humorada e reveladora de a quantas anda o projeto de contatar prováveis emissões de rádio extraterrestres através de uma rede de radiotelescópios, tanto que ele afirma que “um dos meus piores pesadelos é receber como retorno aos nossos sinais, alguma convocação para um culto religioso”, quando perguntado sobre isso. Interessante a visão, que considero bem-humorada, pois, todos aqueles que viram o filme ou leram o livro Contato, escrito por Carl Sagan, hão de se lembrar que o primeiro sinal que os ETs nos enviaram foi uma reprodução das imagens do discurso de Hitler abrindo os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, época das primeiras transmissões de TV, ainda experimentais. Sinais de rádio e televisão vagam no espaço durante aproximadamente 200 anos.

Ao mesmo tempo, e baseado nesse receio, Frank Drake também teme que os ETs captem imagens que mostrem a humanidade como seres violentos e ridículos. Violentos devido a enorme quantidade de programas sobre casos de polícia (CSI e que tais, digamos), anúncios de comida gororoba (junk food), ou capítulos de novelas tipo de dramalhão mexicano, que classifica como “muito assustador”.

Disco na Voyager. Imagem₢Spiegel Online

A dificuldade para encontrarmos alguma emissão se dá, ainda segundo o entrevistado, devido ao fato de serem mais inteligentes e não usarem qualquer tipo de tecnologia que se desperdice no espaço, assim como nós fazemos e, consequentemente, eles não se expõem e, também, não devem transmitir sinais de rádio regularmente; sendo possivelmente mais avançados que nós e utilizarem uma tecnologia de transmissão de informações diferente das que conhecemos.

O projeto tem que ser contínuo e receber recursos para que possa vir a ter sucesso. Entretanto, nem todos os governos estão dispostos a investir em algo que não dá retorno imediato, de qualquer tipo, e ainda pode enfrentar  críticas e escárnio da opinião pública. Até mesmo os radioastrônomos têm medo de serem considerados idiotas e ridículos. Por isso, o Projeto SETI desenvolveu o SETI@home (SETI em casa), em que qualquer pessoa que tenha um computador em casa, poderá ceder voluntariamente Logo SETI@homeparte do seu tempo de uso para que o SETI possa analisar os dados coletados utilizando a base de computadores domésticos instalada em todo o mundo. A título de curiosidade, o Brasil está em 30º lugar com alguns milhares de voluntários. Drake informa que o houve uma ligeira queda no número de voluntários e acredita que seja resultado direto da crise econômica que se abate sobre o mundo desde a segunda metade de 2008. Ainda aguardam que voluntários traduzam a página para a Língua Portuguesa, especialmente, o Português falado no Brasil.

No site do Projeto SETI@home, você poderá fazer parte de vários grupos de discussão e listas de pesquisadores voluntários, obter informações científicas sobre o espaço, criar equipes e, também, enviar imagens ou músicas criadas por você, em apoio ao projeto.

Entretanto, como muitos podem imaginar, nada foi contatado. Ledo engano. Em 1970, um contato foi feito e o denominaram como Wow contact (contato uau!). Na verdade, não se sabe ao certo se tudo não passou de uma falha ou se foi mesmo um sinal. Até hoje pesquisam as mesmas coordenadas e nem sinal do sinal foi novamente obtido.

Os primeiros sinais que enviamos se parecem com as famosas garrafas de náufragos. Um deles foi o código Arecibo (Porto Rico), em 1974. O código arecibo é uma mensagem composta por 1679 caracteres e este número foi escolhido por ser um número semiprimo, o que faria os “receptores” concluírem que é um código binário criado por uma civilização pouquinha coisa mais inteligente que os animais. Veja a lógica da mensagem e entenda como ela foi elaborada. O outro sinal foi através da sonda Voyager, que carregou um disco feito em ouro contendo Arecibo_message. In: Wikipediainformações para que os ETs soubessem quem nós somos. Tem um pouco de tudo, inclusive músicas de Bach, Mozart e a gravação de Jonny B. Goode, do Chuck Berry. Veja a imagem no início do artigo.

O fato de buscarmos vida inteligente em outros planetas pode gerar a paranóia que estamos nos mostrando e oferecendo para sermos invadidos. Neste ponto, Drake até faz pouco caso da pergunta e dessa paranóia, ao informar que, qualquer civilização mais próxima, estaria a pelo menos 100 anos-luz de nós e invadir a Terra seria uma tarefa pra lá de onerosa. Podemos concluir, então, que realmente tempo é dinheiro! E no caso dos ETs é dinheiro em proporções astronômicas. Além disso, ele afirma que toda civilização altamente desenvolvida já passou da fase em que loucos ficam doidos para apertar aquele botão vermelho (o Kim Jong-il, ditador nortecoreano que começou a brincar de louco atômico, não parece um ET?). Portanto devem ser pacíficos.


[1] Frank Drake, 79, é um astrônomo e astrofísico norte-americano. Ele é o fundador do projeto SETI, uma tentativa de pesquisar transmissões extraterrestres. Em 1961, ele criou a Equação Drake, como uma forma de calcular o número de civilizações desenvolvidas na Via Láctea – uma equação que ainda não pode ser resolvidos devido à falta de dados. Em 1974, Drake utilizou o rádio telescópio Arecibo, em Porto Rico, para enviar uma mensagem para a estrela cluster M13, a 25.000 anos-luz de distância da Terra. Ele ajudou na criação de placas para a nave espacial "Pioneer" (1972) e do "Golden Record" da "Voyager" (1977). Ambas são mensagens de civilizações alienígenas.

[2] Tradução e adaptação feitas por mim, do artigo “We Are Definitely not Alone in the Universe”, de Christoph Seidler, para a revista Spiegel Online.

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2 comentários sobre “Não estamos sós no Universo

  1. Seria muito bom ver o dia em que um contato extraterrestre fosse feito, infelizmente acho que isso irá demorar algumas décadas e não estarei vivo para festejar…

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