As 11 maluquices da gripe

A revista alemã Spiegel Online, em sua edição internacional, em inglês, traz uma série de relatos sobre as "maluquices" que governantes e população em geral, em diversos países estão fazendo para prevenir e combater a gripe do tipo A, suína, H1N1 e sei lá mais quantos nomes.

  1. Vejamos o caso da Nova Zelândia.
    Se você começar a sentir o nariz congestionado, febre e dores pelo corpo, dirija sozinho até o hospital mais próximo. Até aí tudo bem, certo? O interessante da coisa é: você deve buzinar três vezes em momentos alternados durante o caminho. Quer dizer, já que não está numa ambulância, faça de sua buzina uma sirene. Ao chegar no hospital, não saia do carro até que uma equipe venha retirar você do carro e levar para uma área de quarentena. Se você não perder a conta entre um espirro e outro, pode ser que seu caso seja resolvido.
  2. Em Paris, no aeroporto, carregadores se recusam a tocar em malas vindas dos voos do México e da Espanha. Como se pode ver, a discriminação é fonética. Se habla: está doente!
  3. Nos EUA, aquela parcela raivosa e que baba só de pensar que los cucarachas existem, aproveita para insuflar, mais ainda, seu ódio xenófobo contra os mexicanos – e hispânicos em geral – ao aconselhar que se deve "ficar longe dos mexicanos". Como dizia um antigo presidente dos comedores da guacamole… "Pobre do México: Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos".
  4. Em Xangai, 71 cidadãos mexicanos estão confinados em um hotel a título de quarentena. Pior que a gripe é ter que comer miojo todos os dias.
  5. No Egito, apesar de se saber que a transmissão da gripe é de humano para humano, o governo ordenou o abate de 350 mil cabeças de porco. Bom, perto das pirâmides, o que não falta é habitação do tipo cabeça de porco. A coisa é muito mais ligada à intolerância religiosa em relação à minoria cristã do que um ato de profilaxia. Cristão come toucinho e ao muçulmano é proibido. Logo…
  6. Os jogadores do Chivas, clube mexicano que disputa a Libertadores da América, reclamaram que foram tratados como se fossem leprosos na cidade chilena de Viña del Mar, quando lá estiveram para disputar uma partida. Um filho de Montezuma que ficou muito chateado, em represália durante o jogo, tossiu e espirrou sobre os jogadores chilenos para incutir pavor em seus adversários.
  7. Em Singapura, se o voo vem do México, junto com a aterrisagem os passageiros tem "direito" a sete dias de isolamento.
  8. Em Hong Kong, em vez de porteiro, o hotel Metropark tem um policial vestido com uma roupa antibacteriana igual aquelas que vemos nos filmes. Ele fica lá, plantado, todo de branco, esperando mexicanos ou pessoas que venham do México, visto um hospede mexicano ter apresentado os sintomas da gripe.  Das 300 pessoas, entre hóspedes e convidados, além dos 130 passageiros que estavam no mesmo voo do mexicano, todas ficaram em quarentena durante uma semana vigiados por médicos e policiais.
  9. Em Acapulco, famoso balneário mexicano, os moradores apedrejaram carros cujas placas indicavam como origem a Cidade do México – capital federal. O prefeito da cidade, numa intervenção que beira a histeria declarou: "Quem estiver com sintomas da gripe, não pense que a mudança de ares e muito Sol trará melhoras em sua saúde; e nem sempre ar fresco, tequila e boates da moda farão as pessoas esquecerem de tudo."
  10. Ainda no México… Frentistas de postos de gasolina se recusam a atender carros vindos da Cidade do México. Uma frentista, que não sei se usa shortinho pouca coisa maior que uma gravata borboleta e decote abissal como as daqui do Brasil, declarou: "Eles podem nos infectar."
  11. Varias pessoas passaram a usar camisetas com a seguinte inscrição: "Um amigo meu foi ao México e me trouxe esta gripe suína."

As reações humanas diante do perigo variam da letargia catatônica até as mais celeradas e estapafúrdias atitudes. O caso da gripe tipo A, gripe suína, H1N1 ou qualquer outro nome já demonstram que a coisa afeta o mais profundo do estado psicológico da humanidade. Parece que, ao mudar de nome, o perigo será menor ou nem existirá mais.

Pesquisando a respeito da Peste que acometeu a Europa e matou milhões de pessoas no século XIV, acabei encontrando um texto muito bacana sobre a peste no Decameron, livro de Giovanni Bocaccio – recomendo a leitura do livro e também ver o filme de Pier Paolo Pasolini – em que é analisada, justamente, a fuga e o escapismo que são inerentes a esses perigos e, fazendo um paralelo com a atual situação gripal mundial, algumas coisas precisam ser ditas.

O México, que é reconhecidamente um dos principais destinos turísticos do mundo vem perdendo milhões de dólares com cancelamentos de voos cruzeiros, reservas em hotéis e tudo mais ligado ao turismo.

* Este artigo foi baseado numa tradução feita por mim da matéria Swine Flu Fears Lead to the Ludicrous, do Der Spiegel (05/05/2009).

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