O Kindle e o fim da bisbilhotice

O Kindle está acabando com um dos maiores prazeres da humanidade, a bisbilhotice em relação ao que a outra pessoa está lendo. E isso tem sido motivo de algum burburinho, para ser bem modesto, no mercado editorial norte-americano.

a person whose eyes are superimposed on a book © Images.com/Corbis

Quantas vezes você deixou de observar que tipo de livro alguém estava lendo no ônibus ou no metrô e, a partir dessa observação, traçou um pequeno perfil da pessoa que estava lendo, por exemplo, "As 10 Regras Básicas Para se Tornar Um Picareta de Sucesso". Afinal, a atual onda do mercado editorial é a autoajuda empresarial. Mais uma balela que só faz encher o bolso de quem escreve.

Há muito tempo, quando eu era sócio do Círculo do Livro, aconteceu uma coisa muito interessante comigo. Eu deveria ter uns16 ou 17 anos mais ou menos e havia encomendado um volume do livro "Os Meninos do Brasil", a história fictícia sobre uma possível clonagem de monstrenguinhos com bigodinho estranho que o médico nazista Joseph Mengele, o anjo da morte, experimentava no Brasil décadas após o fim da Segunda Grande Guerra. Nessa época, eu tomava trem para ir até a Praça da Bandeira, pois trabalhava como Menor Aprendiz na agência do BB da referida praça. Na volta, no vagão em que eu estava, percebi que mais três pessoas liam o mesmo livro que eu havia encomendado e, para não ficar de fora desta pequena confraria, abri minha bolsa (de couro cru), peguei o meu exemplar e comecei a ler, quer dizer, fingir que estava lendo e observando os outros três leitores para ver se também percebiam o mesmo livro. Acho que apenas eu dei essa mancada de achar que prestariam atenção. Mas, não deixou de ser uma coisa curiosa.

Imagine, então, você está numa fila qualquer e alguém saca um treco desses que leem livros eletrônicos. Quantas inícios de conversa não poderiam surgir se você pudesse saber o que a pessoa está lendo? A curiosidade é grande, não? E como você vai praticar um dos mais apreciados esportes da humanidade, isto é, julgar a pessoa pelo livro que ela está lendo?

Bom, se quiser ler a matéria na íntegra, em inglês, vá até o site do New York Times e veja o artigo With Kindle, Can You Tell It’s Proust?, de Joane Kaufman.

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3 comentários sobre “O Kindle e o fim da bisbilhotice

  1. Nossa!! Eu tenho esse hábito muito feio… de querer ver o que as pessoas estão lendo…e se me interessar eu puxa assunto é tudo.. chatona né? rss

    bjsss

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  2. por um lado, como a Vanessa disse, é feio… mas por outro, realmente concordo, “Quantas inícios de conversa não poderiam surgir se você pudesse saber o que a pessoa está lendo?”… as vezes tenho impressão que qdo mais tecnologia no mundo, mais as pessoas vão ficando cada vez mais individual… do mesmo modo tambem que você vê pessoas com fones de mp3 no ouvido, já é um dos maiores bloqueios para um inicio de conversa…

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