A Biblioteca Britânica perdeu 9 mil livros

Você já perdeu algum livro? Imagine uma biblioteca que guarda todos os tesouros em forma de papel escrito como livro perder 9 mil itens de seu acervo. Muitos podem pensar que se trata de roubo – vários – que ocorreram durante décadas desde a sua fundação. Pelo contrário. Os administradores acreditam que os livros estão catalogados, mas guardados em locais indefinidos.

© E.O. Hoppé/CORBIS

Sala de leitura da British Library (ca.1930)

Dentre os tesouros perdidos estão livros renascentistas, como tratados sobre alquimia e teologia, livros medievais sobre astronomia, primeiras edições de romances dos séculos XIX e XX e uma luxuosa edição de Mein Kampf , comemorativo dos 50 anos de aniversário de seu nefasto autor.

O problema é que a British Library é enorme. São 650km de prateleiras e alguns livros não são vistas, no mínimo, há 50 anos. O valor dos livros perdidos pode chegar como, por exemplo, a 20 mil libras, preço estimado do Of the Lawful and Unlawful Usurie Amongest Christians (De usuris ex verbo Dei) , do teólogo alemão do século XVI, Wolfgang Musculus. Esse livro passou dois anos sem ser visto, isto é, perdido no interior da biblioteca. A primeira edição de O Retrato de Dorian Gray, o único romance escrito por Oscar Wilde, está perdido desde 1961.

Por uma questão cultural, digamos, a Biblioteca registra todos esses itens como “extraviados”, recusando-se a pensar que os livros foram roubados. É fato notório que livros raros são objetos de desejo de colecionadores em todos os quadrantes do planeta; alguns não pensam duas vezes ao “encomendar” ou “resgatar” obras que foram surrupiadas. Há casos e casos de ladrões de livros que se tornaram famosos. Existe até um personagem de romance policial que é colecionador de livros, mas que na verdade é um ladrão de livros raros. Nos EUA, um desses ladrões, Edward Forbes Smiley III, foi condenado a três anos de prisão por roubar mais de 100 mapas, inclusive da própria British Library. Também há um colecionador de origem iraniana que está vendo o Sol nascer quadrado por mutilar livros, surrupiando mapas, ilustrações e páginas.

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British Library atual

Uma das explicações para o sumiço de tantos livros se deva à mudança do prédio que abrigava o acervo para um maior e mais moderno. Como em toda mudança, inclusive aquela em que o cachorro cai e fica com cara de “cachorro que caiu da mudança”, muitos livros podem estar na mesma situação. Aquela cara de “esqueceram de mim” a espera de que alguém os encontre.

Alguns tesouros perdidos:
Wolfgang Musculus, Of the Lawful and Unlawful Usurie Amongest Christians (De usuris ex verbo Dei), 1556. Perdido desde 2007. Valor de mercado: 20 mil libras.

Moses Ben Maimon (Maimônides), Letter on Astrology, 1555. Perdido desde 1977. Valor de mercado: inestimável.

Oscar Wilde, The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray), 1891. Primeira edição perdida desde 1961. Valor de mercado: 1300 libras.

Ezra Pound, Canzoni (Coletânea de poemas), 1911. Primeira edição perdida desde 1999. Valor de mercado: 425 libras (Amazon).

Lewis Carroll, Alice’s Adventures in Wonderland (Alice no País das Maravilhas), 1876. Edição ilustrada. Perdida desde 1976. Valor de mercado: 350 libras (Abe Books).

* Este artigo foi escrito a partir da livre tradução feita por mim, da matéria British Library mislays 9,000 books, do The Guardian Online.

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Um comentário sobre “A Biblioteca Britânica perdeu 9 mil livros

  1. Tomara que esteja catalogado em algum lugar indefinido…
    Eu quando perco um livro já fico muito chateada mesmo!!!

    bjs

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