Mulher tocando blues: Saffire

Este é um dos meus casos de amor à primeira audição. Em 1993, eu comprei o CD -The Uppity Blues Women – de um grupo feminino de blues chamado Saffire e assim que comecei a ouvir eu percebi que ali estava uma real jóia, uma pedra preciosa. A qualidade das músicas deste grupo é tamanha que, agora, passados 16 anos, ainda ouço o CD e o faço enquanto escrevo este artigo.

saffirejadc01 O grupo é formado por uma ex-bioquímica (Gaye Odegbalola), uma pianista originária de uma família de músicos (Ann Rabson) e uma ex-enfermeira (Andra Faye). Elas são excelentes. Tocam vários instrumentos e suas vozes são muito bonitas, principalmente a de Gaye Odegbalola.

Então, como não havia e nem se sonhava com a existência do mp3, eu e alguns amigos tínhamos o saudável hábito de trocar e emprestar CDs e depois comentarmos sobre o que ouvíramos. Uma das pessoas com quem eu mantinha esse hábito é uma das proprietárias de uma livraria infantil aqui do Rio de Janeiro, a livraria Malasartes. Ela gostou tanto deste CD que acabou comprando e também deu de presente para várias pessoas.₢ cd_saffire_uppity_blues_women_med

O CD começa com a música Middle Aged Blues Boogie, quando elas querem afastar o sentimento blues (melancolia) da meia-idade das mulheres ao terem um homem mais jovem. (I need a young man, to drive away my middle-age blues) e a música termina com as seguintes palavras: “Idade não é nada mais que um número. E como um vinho raro, você não vai envelhecendo, você só  fica melhor. Me dê um homem mais jovem…”.

No site oficial do Saffire, você pode ouvir várias músicas em .mp3, mas como eu estou falando apenas deste CD, The Uppity Blues Women, eu indico duas músicas disponíveis, uma é Annie’s Blues e  a outra é School Teacher Blues, o blues da professora.

Elas cantam a vida das mulheres modernas; seus erros, acertos e visões de mundo como, por exemplo, na canção abaixo, Too Much Butt (algo como Uma Bunda Muito Grande), em que relatam as dificuldades em vestir uma calça jeans.

Todos nós sabemos que o blues é aquela coisa próxima da melancolia, só que é mais profunda; muito mais profunda e não há como explicar. Guardando as proporções seria o mesmo que tentarmos explicar para os gringos o que é e o que exprime a palavra “saudade”. É indefinível. É apenas sensível. Muito sensível.

Em caso de dúvida, leia o artigo As 20 regras do Blues, aqui no Recanto das Palavras.

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4 comentários sobre “Mulher tocando blues: Saffire

  1. Apesar da minha grande paixão ser o jazz, eu adoro blues, e adorei o vídeo, sinto que preciso desse CD sabe…

    Como foi o feridão?
    bjs

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  2. Prezado Jorge Alberto, gostaria de fazer uma proposta: troca de posts.

    Tenho um blog wordpress sobre Blues. Fiz um post sobre meninas gaitistas e em minha pesquisa deparei-me com o site do grupo Saffire. Preferi ignorar por não conhecê-las, mas achei sensacional o seu comentário.

    Minha proposta é a seguinte: reproduzo no meu blog, na íntegra, o seu post, com link para a raiz do seu blog [recantodaspalavras.wordpress.com ]

    e você faz o mesmo com o meu permalink
    http://brblues.wordpress.com/2009/11/19/harmonicas-gaitas/

    O que você acha? Se quiser envie um e-mail para brblues@uol.com.br

    By the way: gostei muito da crônica do apagão e da análise sobre o romance policial.

    Abraços
    Mr. brBlues

    Curtir

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