Histórias de sala de aula

Certas coisas acontecem em sala de aula que nos dão vontade de chorar, mas tudo bem. Estamos ali para ensinar. Chato mesmo é quando a gente ensina e o resultado é totalmente diverso daquilo que pretendíamos.

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Hoje virou moda anotarem os erros cometidos em provas do Enem, por exemplo, e espalhar pela internet. Imagine, então, quando não havia essa facilidade toda e nós tínhamos apenas os colegas de profissão para trocar idéias e contar o que aconteceu durante determinada aula.  Afinal, todos somos humanos e cometemos erros e temos histórias engraçadas para contar.

Napô quis invadir a Rússia

Em casa, corrigindo provas num final de semana – juro que eu chegava a preferir palitinhos de bambu sob as unhas em vez de fazer isso nos finais de semana -, me deparo com uma resposta bastante enigmática de uma aluna – escola de alto nível, elite de Ipanema -, que respondeu o seguinte a respeito do expansionismo napoleônico: "Napô, quis invadir a Rússia. Napô,quis invadir a Inglaterra". Fiquei pensando… pensando… pensando e não corrigi.

Ao entrar na sala e começar a entrega das provas, eu chamava um por um até a mesa e explicava que o erro foi por isso ou aquilo e elogiava os acertos. Quando chegou a vez da menina, eu falei baixinho em seu ouvido: "Me diz em qual centro o Napoleão tá baixando, pois vejo que você tem muita intimidade com ele e eu gostaria de bater um papo com o seu amigo".

O Quadro Andou

Certa vez, um professor de Matemática já em fase terminal, isto é, próximo da aposentadoria entrou na sala dos professores tremendo e suando. Só conseguia balbuciar "andou… ele andou". Ninguém entendeu nada. Ficamos esperando que ele sentasse e recuperasse o fôlego. Então, após os longos segundos de vários minutos ele nos relatou:

"Eu tinha colocado uma fórmula no quadro e me virei para explicar para os alunos. Quando novamente me voltei para o quadro e começaria a explicar a fórmula, a cada vez que eu aproximava o giz do quadro, ele se afastava do giz. Tentei de novo e novamente o quadro andou, como se quisesse se afastar do giz. Os alunos estavam em silêncio e isso demorou alguns segundos, eu acho. Tentei uma terceira vez e ele andou de novo! Acabei desistindo e, para não perder a compostura, resolvi chamar um aluno para ir ao quadro e eu indicaria o que ele deveria fazer. Eu suava frio e sentei na minha cadeira".

Lógico que uma voz, vinda lá do fundo falou: Tá na hora de se aposentar! Assim o Zé Maria te pega dentro da sala de aula.

O único professor ovacionado.

Toca o telefone, e um dos professores, um que lecionava contabilidade, levantou-se e foi atender. O telefone ficava sobre a mesa próxima a uma janela, e esta era adornada pelo lado de fora por uma grade de metal – arame retorcido pintado de azul – formada por pequenos quadrados. Ao tirar o fone do gancho, ao dizer o "A" de alô, a grade é alvejada por três ou quatro ovos vindos da rua. Eles se espatifam contra a grade e o professor fica todo melado de ovo. E acontece o seguinte diálogo:

– Alô? Alô? (voz do outro lado da linha)
– Alves… é você? (voz choramingosa)
– Quem está falando?
– Sou eu, o Edvaldo… (voz choramingosa)
– O que aconteceu? Por que está falando assim?
– Alves, eu tô todo cagado de ovo… (voz mais choramingosa ainda)
– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA (do outro lado da linha)

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Um comentário sobre “Histórias de sala de aula

  1. “professor de Matemática já em fase terminal, isto é, próximo da aposentadoria ”
    Essa frase foi demais, muito inspiradora…rss

    bjs

    Curtir

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