Tecnologia da Informação para crianças

O equivalente inglês ao nosso MEC começa a introduzir nas escolas primárias da Inglaterra o uso do Twitter e outras formas de interação online para as crianças. Imaginam que, quanto mais tecnologia aprenderem, melhor lidarão com os fatos do futuro que as espera. Não que eu discorde, pois ainda acredito que tudo tem sua hora e as crianças tanto podem usar a internet para pesquisar, jogar, conversar e aprender não necessariamente nesta ordem, mas o que não pode acontecer é a massificação da tecnologia em detrimento da cultura.

(…) o Governo quer que eles para saber mais sobre "comunicação social e de colaboração, incluindo e-mails, mensagens, blogs, wikis e twitters"

E isso é o que tem deixado os educadores da terra da Rainha preocupados. Até que ponto as crianças vão preferir aprender sobre Shakespeare – exemplo dado por eles, ingleses – via Wikipedia? Ou indo direto à fonte, isto é, livros e peças do bardo de Stratford-Upon-Avon? Isto pode estar no que conceituamos, no Brasil, como inclusão digital?

Talvez, eu respondo. Você perguntará o por que do "talvez". É bem simples: Um computador para cada aluno em sala de aula não fará com que tomem gosto pela leitura, por exemplo. Mas, pode ser que venham a desenvolver novas formas de leitura e aprendizado, mesmo que haja um programa educacional que os permita desenvolver várias capacidades. Se não me fiz entender, tentarei ser mais explícito: Não adianta dar o peixe. Tem que dar o anzol. Fazer da tecnologia da informação uma panaceia que, supostamente resolverá todos os problemas da Educação é querer imaginar que o Titanic não afundou. A metáfora é válida visto a Educação no Brasil está indo a pique aceleradamente.

É interessante também perceber que alguns supostos educadores desconhecem o fato de que as crianças tem muito mais facilidade para lidar com novas tecnologias do que as pessoas de meia-idade e terceira idade, por exemplo. Não há um guri ou guria que deixe de saber como se "pilota" um controle remoto que têm mais botões que a ponte de comando da Enterprise. Ou que olhe para nós com cara de "será que meus pais são retardados e não sabem gravar um DVD?". Isso para não falar das avós que, em termos de tecnologia, a coisa mais moderna que conheceram foi a passagem da televisão a válvulas para a televisão a transístores e, portanto, ainda procuram aquele botão que mudava os canais. Vejamos alguns depoimentos colhidos pela articulista Alice Thomson, do The Times Online:

– "Aos quatro anos, mesmo ainda sem ter aprendido a ler, ele já sabia mudar o toque do meu telefone celular".
– "Aos seis anos já precisam de uma conta no Google".
– "Aos oito anos criam suas discotecas virtuais e conversam online horas a fio".
– "Aos onze anos começam a procurar fotos de atrizes vestidas com biquínis, aprofundam-se no Tweeter e podem construir ou destruir impérios jogando Age of Empires".

A própria jornalista declara que sua filha de seis anos já sabe pesquisar online tudo sobre Hannah Montana. Mas, na escola, o professor lhe indicou que procurasse, também, algo sobre Darwin.

De uma forma ou de outra, nós professores, que trabalhamos nas ditas comunidades carentes, conseguimos adaptar algumas coisas para também servirem como auxílio ao conteúdo exposto em sala de aula. Por exemplo, já faz alguns anos que peço aos alunos para pesquisarem alguma coisa para a próxima aula. Geralmente, são pesquisas simples e fáceis de fazer que não os farão perder muito tempo. Por exemplo, quando o assunto é a Inconfidência Mineira, eu peço que todos procurem a letra do samba-enredo "Exaltação a Tiradentes", que deu o título de 1949 ao Império Serrano e foi gravado pela Elis Regina anos depois. Na aula em que devem trazer a letra, eu coloco o samba para tocar e os faço cantar à capela junto comigo após uma ou duas audições. Lógico que não conseguimos nem chegar perto em termos de afinação, mas depois tudo se torna lúdico e acabam apreendendo, muito mais do que aprendendo, alguns conceitos que podem ser históricos e sociais.

Neste ponto, para as comunidades em que nem todos podem dispor de computador em suas casas – recentemente o Morro Santa Marta foi brindado com internet banda larga sem fio – as lan houses, são um grande auxílio e negócio também. O preço por hora de uso de um computador não é mais do que R$1,00 e a impressão de uma folha está mais ou menos neste preço também.

Em breve criarei a primeira comunidade no Orkut para uma turma de primeiro ano do segundo grau, a título de experiência. Hoje, com o barateamento do equipamento mínimo para se acessar a internet, muitos dos alunos já dispõem de computadore em casa. Pretendo colocar textos, links para vídeos e tudo mais que for necessário e interessante para auxiliar e complementar as aulas. Já criamos uma comunidade para toda a escola em que trabalho; porém, é muito mais um meio de reencontrar ex-alunos e colegas que passaram por lá.

Vamos ver como essa experiência se desenvolverá lá e cá.

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Um comentário sobre “Tecnologia da Informação para crianças

  1. Penso que: Se está vindo para acrescentar de uma forma benéfica que mal há?

    As crianças realmente tem uma perscepção maior e facilidade de aprendizagem, prova disso são as escolas bilingues, e nem voi citar a maravilhosa linguagem internalizada dos seres humanos. Que em uma criança o errado na verdade, é certo. Por exemplo . Eu sabo ao invés de eu sei. Mais isso é assunto pra um outro posto né? rss

    bjsss

    Curtir

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