Tapa na cara da professora

Mais uma vez é noticiado que um profissional do magistério foi agredido por um aluno em plena sala de aula. No caso, foi uma professora do ensino médio, que leciona no horário noturno em uma escola em Guapiaçu, distante cerca de 400km de São Paulo. O fato não é novo como sabemos. A novidade, mas nem tanta, é que a coisa ficará por isso mesmo.

Man Slapping Woman © Turba/zefa/Corbis O agressor já é maior de idade e, portanto, responsável por seus atos.  Porém, não titubeou em desferir um tapa, ou mais do que um, no rosto da professora. Ela o advertira pelo fato de ele, aluno, estar com os pés sobre a mesa. Eu já tive um problema parecido em anos passados e a coisa quase chegou as vias de fato.

Em plena aula, eu explicava a matéria e percebi um aluno sentado na cadeira, inclinando-a para trás, fazendo uma espécie de alavanca com os pés na borda da mesa. Por três vezes eu o olhei nos olhos, como quem diz, “isto é falta de educação” e ele continuou. Até que, passados vários minutos, eu perguntei se ele iria ao ginecologista. Ato contínuo, o aluno se levantou em disse que “ginecologista é a puta que o pariu”. Disse-lhe, então, que ele se retirasse da sala, pois a postura dele não condizia com o ambiente. Em seguida começou a gritar e xingar. Contei até 1000 e mandei chamar o coordenador. A muito custo foi retirado da sala. Dias depois eu soube que ele fora expulso da escola.

Dei o caso por terminado e caiu no esquecimento. Anos depois, tomando refrigerante numa birosca ao lado da escola, sinto uma mão bater em meu ombro. Ao me virar, quem eu vejo? O mesmo aluno. O cara estava, agora, com o dobro do tamanho. Pelo corte do cabelo, percebi que continuou na vida militar, pois na época do entrevero, já era soldado paraquedista. Eu pensei comigo mesmo: “é agora que a coisa vai ficar esquisita”. Sem que eu esperasse, ele começou a falar: “Poxa, professor. Queria te pedir desculpas por aquela confusão que aconteceu na sala de aula”. Eu continuei calado e ouvindo. “Quando o senhor falou aquele negócio de ginecologista, eu pensei que o senhor estivesse xingando a minha mãe”. Eu disse a ele que aquilo era coisa do passado (quase rindo, pois o cara não sabia o que era ginecologista) e falei para não esquentar. Felicitei-o pelo prosseguimento na carreira militar, desejei boa sorte e tudo voltou ao normal.

A conclusão que eu tirei foi: nunca se deve empregar uma palavra que seja de difícil compreensão no momento inadequado. Não sei se foi este o caso da professora agredida, visto o aluno ter declarado que o tapa desferido foi a sua reação um suposto xingamento que a professora dirigiu a ele. Duvido que seja verdade e não estou legislando a favor da categoria. Digo isso por várias vezes presenciar alunos mentindo quando colocados contra a parede. É mais fácil jogar a culpa no professor “que não explica a matéria”, do que admitirem que querem tudo mastigado; isso quando têm algum interesse.

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5 comentários sobre “Tapa na cara da professora

  1. É triste mesmo, e o pior e que esses atitudes vem crescendo a cada dia. Me formo em Letras ano que vem, e até pretendia dar aula. Mas me sinto desestimulada quando a interesse pela matéria só vem de um lado… É lamentável!

    bjssssssssss

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  2. E não se espante, Vanessa, em saber que um dia faltarão professores para lecionar várias matérias. Hoje, por exemplo, há uma grande deficiência de quadros em Geografia e Física, por exemplo.

    bjs.

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  3. Oi Jorge, tudo bem?
    Só para dizer a Vanessa ( leitora do seu blog), que não desanime, não…casos como o da reportagem, ocorrem, mas nao são tão frequentes. Este ano completo 25 anos como professora de História e nunca me deparei com situações assim, muito pelo contrário. É muito prazeiroso ir para a sala de aula. Naturalemnte que temos que ter jogo de cintura qdo trabalhams com adolescentes, mas se criarmos laços, se a afetividades se fizer presente em nossas aulas, o resto acontece…E acontece de forma gostosa…
    Jorge, gostaria ainda de dividir com vc alguns aspectos dessa magnifica profissão…masss, nao vou abusar do espaço…rsrs
    Um abraço
    Sil

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  4. Oi Jorge, que texto bem feito! Adoro quando você conta algo exemplificando com algum fato real, e que geralmente aconteceu contigo. A cada texto fico maravilhada com as suas reflexões. Todos mandam bjs.

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  5. Oi, Andréa.

    Desculpe a demora.

    Sim, eu sempre coloco algo do que já vi e vivi nos textos que escrevo. Lá da escola, então, há uma série de boas histórias. Com o tempo irei postando mais algumas.

    Um beijo para vocês.

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