Onde você estava em 21 de junho de 1989?

Todo botafoguense, até mesmo os que estão por nascer, sabem (e saberão) da importância dessa data que marca o fim da travessia do deserto, o período de 21 anos em que não conquistamos sequer um campeonato de cuspe em distância, mas mesmo assim não esmorecemos e a nossa fé, além do amor à estrela solitária eram como escudo e armadura do mais nobre e combativo guerreiro a nos proteger das gozações vindas do outro lado das arquibancadas do Maracanã. Coisa do tipo “Entra ano/sai ano/botafoguense vai virar corintiano”, em alusão aos 23 anos que o Corinthians esteve na mesma situação.

escudobotafogo Mesmo que você não seja botafoguense dê o seu depoimento. Digo isto pelo fato de ter amigos tricolores e vascaínos, por exemplo, que relataram a mim, na época, terem se emocionado com a conquista do alvinegro em 1989. Alguns até foram ao Maracanã. Alguns poucos flamenguistas bateram palmas em reconhecimento.

Eu sou botafoguense por herança, amor e convicção trago dois traços de personalidade que identificam perfeitamente qualquer um de nós, não importando se estamos no Rio de Janeiro, na Antártica ou em Marte: o ceticismo e a superstição. Por este último motivo, faço o meu relato, que é breve; porém significativo.

Eu não fui ao Maracanã. Não fora a qualquer jogo neste ano de 1989 e, apesar de insistentes convites de amigos, eu preferi ficar em casa. A superstição me impedia de ir, pois caso fosse, corria o risco de quebrar a corrente. Isto não quer dizer que eu não estava confiante da conquista do campeonato. Só que aquele 0,1% de ceticismo não permitia que eu também apostasse, nem mesmo tampinhas de garrafa de refrigerante, com quem quer que fosse.

Gol do Maurício! Euforia, gritos e, acredite, apreensão. O que foi que eu fiz? Não, eu não continuei vendo o jogo que passava ao vivo pela antiga tevê Manchete. Tranquei-me no quarto e tapei os ouvidos. Caso estourassem fogos de artifício, fatalmente anunciaram algum gol do Flamengo. Foram os mais longos 20 e tantos minutos de minha vida até então. O gol saiu aos 21 minutos do segundo tempo. Nem mesmo durante o parto do meu filho, um sortudo que está com 21 anos e já viu mais títulos do Botafogo do que eu, eu fiquei tão apreensivo.

O suor escorria pelo meu rosto no escuro do quarto e o silêncio forçado zumbia em meus ouvidos. Silêncio que classifico como tortura pior que os famosos palitinhos de bambu sob as unhas, que, em comparação ao momento, não machucariam tanto. O tempo não passava e eu encolhido num canto do quarto. Até que a porta do quarto é aberta, a luz invade o ambiente, deixo os ouvidos livres e, até que eu recobrasse a audição perfeita, os milésimos de segundo entre os gritos vindos da rua juntamente com o espocar dos fogos de artifício (certamente da marca Caramuru), ouço minha mulher falar: Pronto, já acabou. É campeão! Daí em diante acordei todos os vizinhos com meus gritos de É CAMPEÃO! Em poucos minutos eu já não tinha mais voz. Meu filho acordou chorando e não foi por causa dos meus gritos, mas sim por emoção de já saber que aos dois anos de idade já era campeão.

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3 comentários sobre “Onde você estava em 21 de junho de 1989?

  1. nasci em 21.06.89.meu pai colocou meu nome em homenagem aos principais nomes desse jogo.sou botafoguense doente,tenho uma tatuagem do botafogo em meu braço.e tenho muito orgulho de ter nacsido nesse dia historico para todo botafoguense e agradeço todo dia a meu pai por ter colocado esse nome em mim.eu amo o botafogo.

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