Carnaval x Oscar

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Vi que alguns blogues e blogueiros que se dizem cinéfilos e, para meu espanto, a relação cinema x carnaval é uma questão passional, em que os cinéfilos (os supostos, é claro), devido ao fato de que o canal de tevê aberta que detém os direitos de transmissão da entrega do Oscar ter decidido não transmitir a mesma. Que absurdo, não? Deram preferência a essa festa de gente pobre e favelada e, horror dos horrores, brasileiros, chamada carnaval, né?

Pessoal, acorda! Ainda não fomos incorporados. Na fila, à nossa frente, estão Porto Rico, Cuba, México e algumas repúblicas de banana da América Central. Até lá, querendo ou não, vocês terão que engolir o carnaval. Deu ziquizira só de ter consciência que são brasileiros? Então nem adianta ir em centro espírita para tirar encosto. Sugiro, portanto, contatar algum guru que more na Califórnia para ajudá-los. Twitten o guru.

Afinal, gosto não se discute. Gosto se lamenta. Chatice por chatice, eu sou mais de ver o povo cantando e feliz do que algumas pessoas falando uma língua que não é a minha e agradecendo, durante longos minutos, ao cachorro, galinha, papagaio, sogra, motorista e o Ricardão por terem vencido o Oscar na categoria “buraquinhos num manto preto, iluminado por trás, que faz parecer o espaço profundo”. Os prêmios que importam são aqueles que realmente interessam, a saber: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor ator, Melhor atriz, Melhor ator coadjuvante e Melhor atriz coadjuvante. O resto é balela.

Será que preferem aquele antigo slogan? “Programação normal e o melhor do carnaval”. Lembrem-se que, caso não fosse a tevê Manchete, não haveria carnaval na televisão na década de 1980, pois a mesma rede que detém os direitos de transmissão, hoje, preferia passar novelas enquanto o couro comia solto na Avenida.

Você é cinéfilo de verdade? Vá assistir Os Sete Samurais, Amarcord, Ran, ou algum filme do Buñuel, Costa Gavras, Andrei Wajda, Fassbinder, Visconti, Truffaut e outros do mesmo quilate. Dito isso…

Ô esquindô lê-lê, esquindô lá-lá… Segura a marimba! Chora cavaco! Olha o carnaval aí, gente!

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3 comentários sobre “Carnaval x Oscar

  1. Olha, eu concordo e discordo.
    Concordo porque, de fato, não é nossa “cultura“ (entre aspas mesmo, porque o conceito de cultura tá aí pra ser definido por quem quiser) ficar assistindo aquela balela toda. Mas temos que ter a noção de que não se trata só de ver o melhor diretor, o melhor ator e o melhor filme e pronto. Isso é uma indústria que movimenta bilhões por ano e não podemos tratar a questão assim, como se fosse ´coisa de outro país`. Muita gente aqui vive disso, é importante saber sim quem são os indicados e quem ganhou, por mais que seja uma premiação externa.
    e discordo pelo simples fato de que a TV aberta pode transmitir quantas vezes for o carnaval, mas que NOS DÊ OPÇÕES. O grande problema hoje é esse, a TV aberta é comandada por dois conglomerados que simplesmente não querem dar opção ou margem pra surgirem coisas fora da linha BBB ou TV FAMA.
    Entendo a sua frustração, mas acredite, se sentir brasileiro em tempos de carnaval pode ser tão bom quanto ruim. Depende unicamente do ponto de vista.

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  2. Até o último parágrafo eu achava que os argumentos poderiam ser bem construídos, mesmo que eu deixe de pensar nos bilhões que movimenta, mas que em nada beneficiam a economia e os trabalhadores de outros países, a não ser aquele que promove a festa e os poucos gatos pingados que recebem os prêmios de melhor filme estrangeiro e vendem alguns DVDs, digamos. Ao mesmo tempo, supondo que cinéfilos sejam realmente cinéfilos não lembro de ter visto qualquer tipo de manifestação por não haver nem mesmo um único flash, diretamente de Cannes, Berlim ou Veneza e seus importantíssimos festivais em que também há premiações. O que posso inferir a respeito do argumento exposto neste parágrafo é que, a preocupação com o dinheiro movimentado pelo busines do cinema é tão ou mais importante que a arte que ele, cinema, representa. Desculpe, mas continua sendo coisa de outro país e, eles já começaram a perceber que é preciso globalizar a coisa e, também, socializar entre eles para que não percam mercado. Até pouco tempo, salvo raríssimas exceções, atores e atrizes de origem africana passavam longe. E falar em cinema nacional é um tanto forçado. O cinema nacional até antes de a Globo resolver transformar “casos especiais” em película, dependiam de verbas estatais e leis de incentivo como a Rouanet como ainda dependem, por exemplo. Ao contrário dos EUA, nós não temos pólo cinematográfico. O que movimenta artistas, cenógrafos, coreógrafos, roteiristas, cinegrafistas e todos os profissionais relativos à economia da imagem em movimento é a tevê aberta com suas novelas.

    Os direitos de transmissão pertencem a quem os comprou. E, sabendo disso, haverão de concordar que o detentor não vai entregar, ou até mesmo vender para outra emissora. Portanto, passando para um outro fator que é quase uma identidade nacional, o futebol, a coisa se dá no mesmo tom. Monopolizam a transmissão e quem não tem pay-per-view não assiste a determinados jogos e nem por isso o mundo acaba. Opções há, ainda mais quando estamos na era da internet. Basta procurar por sites como o justintv.com. Se a tevê aberta é dominada por dois conglomerados, aí se percebe que há um oligopólio. Portanto, sugiro que os supostos cinéfilos contatem seus representantes em Brasília para que a situação venha a ser alterada. Sugiro, também, que comprem uma cadeira para que a espera não seja cansativa.

    E, novamente citando seu último parágrafo, o emprego das palavras deve ser muito bem observado antes de concretizá-las e apresentarem ao interlocutor. Frustração de quem? O uso de antolhos ao observar uma realidade pode fazer com que apenas se veja aquilo que se quer ver. Logo, sugiro uma nova leitura do artigo para entender que é muito mais um texto de humor irônico ao perceber o preconceito contido em diversos artigos e trocas de mensagens entre os supostos cinéfilos sobre o fato de o carnaval, a expressão máxima da brasilidade, ser visto como um mal e, que pena, “não pude ver o Brad Pitt sentado ao lado da Angelina Jolie e seus olhinhos cheios d´água por não ganhar o Oscar”. Discordo radicalmente de sua última frase. A frustração é a dos supostos cinéfilos que estão até agora pensando numa forma de a detentora dos direitos de transmissão se retratar. Bom, um dia, venhamos a dizer que vivemos no 67º estado e o Carnaval é coisa do passado.

    E, sinceramente, não vejo qualquer sentido em se perder tempo sobre isso. É uma questão comercial pura e simplesmente.

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  3. Taí! Eu gosto de filmes, bons filmes! Mas não me considero um cinéfilo, pois ainda tenho que comer muito feijão (e ver muitos filmes) pra isso.

    Não gosto de carnaval e muito menos de assistir ao Oscar. Eu gosto de ficar sabendo depois (por algum site de cinema que frequênto) que filme, ator ou atriz saiu ganhando.

    E, quem sabe, ter uma discussão amigável e sádia com alguém, se eu vi o filme.

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