Análise dos Enredos do Carnaval 2009/01

Como no ano passado, farei uma nova análise crítico-humorístico-sarcástica dos delírios e devaneios que algumas escolas de samba apresentarão no Carnaval de 2009. Como cabeça de carnavalesco é mais fantasiosa que O País das Maravilhas e Ilha da Fantasia juntos, haverá enredos para todos os gostos. E estamos carecas de saber que gosto não se discute. Gosto se lamenta. A maioria deu um jeito de falar sobre a França, que é país homenageado este ano aqui no Brasil. Portanto, aí vai a primeira leva, apresentando as escolas de samba que desfilarão no domingo, dia 22/02.

Império Serrano
Enredo: A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar
Classificação: Enredo Bacana
Temática: Folclore e mitologia
Carnavalesco: Márcia Lage
Crítica: Salvem as sereias! Queria ser um peixe para em seu límpido aquário mergulhar…
Site: www.imperioserrano.com

Em minha humilde opinião, este é um dos enredos mais bonitos deste ano. É uma repaginação de um carnaval do mesmo Império Serrano, da década de 1970. Entretanto, a dúvida que persiste é: se sereia é peixe como é que os encantados por elas namoram para fazer peixinhos? Tenho um amigo que readaptou uma frase do Vinícius, que ficou assim: que me perdoem as sereias, mas perseguida é fundamental.

Quero ver os entendidos em carnaval (?) explicarem o refrão… Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá. Oloxum, Inaê, Janaína e Iemanjá.

 

Grande Rio (ou Unidos da TV Globo)
Enredo: Voila, Caxias! Para sempre liberté, egalité, fraternité.
Merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!
Classificação: Enredo Histórico do Carnavalesco Daltônico
Temática: França
Carnavalesco: Cahe Rodrigues
Crítica: Alosanfan de la patri! Ou Le perroquet dans le cu de brésilien (se quiser pode traduzir usando Google tradutor)
Site: www.academicosdogranderio.com.br

Bastante interessante o enredo essa escola, a França, pois 2009 é o Ano da França no Brasil. O que pega é o fato de a escola ter as cores da bandeira da Itália. Parece que o carnavalesco é daltônico e não percebeu que as cores da bandeira são bleu, blanc et rouge. Até aí tudo bem, o carnaval permite essas licenças poético-cromáticas. Mas não deixará de ser interessante ver um monte de doidos desfilando vestidos – e afirmando – que são Napoleão. Várias bichas desejarão ter seus pescocinhos. Asterix e Obelix confirmaram presença. Há boatos que Chatotorix, o bardo, puxará o samba. Como o brasileiro é cordial, uma teoria furada do pai do Chico Buarque, baseada na idéia do bom selvagem do Rousseau, o bardo não levará peixadas, mas corre o risco de alguma bala nem tão perdida o acertar. Quem manda cantar mal.

Duas presenças não serão sentidas. Melhor ainda: O gnomo Alain Prost, antigo inimigo público Nº 1 e aquele ET, o tal do Zidane. Dizem que o Roberto Carlos, o jogador de futebol, vai puxar a meia na comissão de frente.

Haverá uma ala com mesas no centro e pessoas de mãos dadas chamando pelo irmão que está do outro lado… e, do nada, como por encanto, baixarão em plena Sapucaí, figuras como Kardec, Vilegagnon, Leclerc, o pirata mais carioca de todos os tempos, Duguay-Trouin, Madamme Curi, Richilieu, os Três Mosqueteiros e um negão chamado Alexandre Dumas, Pai. Vai dizer que não sabia que ele era negão? O Conde de Monte Cristo ainda não confirmou a presença. Depende da uma condicional para participar do Carnaval.

A fantasia de destaque mais desejada e disputada a tapa é a de Luis XIV, o Rei Sol. Precisam avisar para a bicharoca que o representar que não pode tomar banho. O dito rei só tomou dois banhos em vida.

 

Unidos de Vila Isabel (ou Unies de Vila Isabel)
Enredo: Neste Palco da Folia, é Minha Vila que Anuncia: “Theatro Municipal – a Centenária Maravilha”
Classificação: Enredo histórico do carnavalesco puxa-saco
Temática: França/Brasil
Carnavalesco: Cahe Rodrigues
Crítica: Quesquecé? Bota-abaixo!
Site: http://www.gresunidosdevilaisabel.com.br/

Aproveitando o mote do ano da França no Brasil, a escola de Vila Isabel que, ultimamente andou sambando loas até para o indefinível Hugo Chaves, resolveu fazer da construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que completa 100 anos de inauguração, o fio condutor para mostrar que – e isto não deixa de ser verdade – o prefeito Pereira Passos e a sua política urbanística do início do século XX, mais conhecida como bota-abaixo, transformaria a então capital do Brasil uma cidade européia aos moldes de Paris.

João do Rio, o principal cronista carioca da época, que se considerava um flaneur, mas não deixava de curtir seu opiozinho e também seus “sobrinhos”, conta essa história, em que se misturam grandes obras, figuras lendárias e a Belle-Èpoque tropical. Tudo isso sem esquecer que, assim como hoje, o mosquito era o grande vilão e a população, que já começava a ocupar os morros e encostas criando as favelas, juntamente com uma jovem oficialidade, resolveram botar pra quebrar com a Revolta da Vacina. Ao contrário dos dias atuais, ninguém queria vacina. Todos pretendiam acabar com vacina!

 

Mocidade Independente de Padre Miguel
Enredo: Mocidade Apresenta : Clube Literário – Machado de Assis
e Guimarães Rosa… Estrelas em poesia!
Classificação: Academia Brasileira de Letras, chá das cinco com os velhinhos.
Temática: Literatura brasileira
Carnavalesco: Cláudio Cavalcante
Crítica: Bentinho foi traído por Capitu nas veredas do grande sertão, formando um triângulo amoroso com Diadorim?
Site: http://www.mocidadeindependente.com.br/carnaval2009.html

Já querendo mostrar que o vernáculo pátrio pode ser complicado, o imortal Cícero Sandroni, presidente da ABL, na sinopse, tascou um antonomásia para dizer que a Academia Brasileira de Letras é a Casa de Machado de Assis. E, pra variar, tirando uma casquinha no ano da França no Brasil, se faz alusão ao modelo francês, L’Académie Française, que serviu de inspiração para o Bruxo do Cosme Velho criar um depósito, digo, local de encontro de escritores, até a alguns anos machista por não aceitar escritoras, os quais nem todos tinham reais pendores literários. Queriam o quê? Getúlio Vargas foi imortal, assim como o general dos tempos da Ditadura que assinava seus escritos com o singelo pseudônimo de Adelita; além do Maribondo de Fogo, José Sarney e, pasme, o mago Paulo Coelho. E pensar que Guimarães Rosa se preocupou em percorrer os rincões do Brasil e criar novas palavras para isso…

Beija-Flor de Nilópolis
Enredo: NO CHUVEIRO: da alegria, quem banha o corpo lava a alma na folia!
Classificação: Meu bem, você me dá água na boca…
Temática: Higiênico/Ecológica/Hidrográfica/Evolucionismo
Carnavalescos: Laíla, Alexandre Louzada, Fran Sérgio e Ubiratan Silva
Crítica: Cascão não gosta de tomar banho.
Site: http://www.beija-flor.com.br/

Em um enredo pra lá de abrangente, que é pra poder botar mulher pelada e uns saradões debaixo de chuveiros e dentro de jacuzzis em plena Sapucaí, a escola de Nilópolis vai contar a história do banho, coisa que remonta 3 mil anos. Para ter uma idéia do delírio, até as cheias do Nilo são vistas como banhos que o Egito, a dádiva do Nilo, recebia a cada ano e, por isso, criou uma esplendorosa civilização.

Trata-se de um desfile pela história, passando pelas termas romanas, os banhos turcos; também pela Babilônia e Grécia Clássica; a proibição do banho na Idade Média. A Idade Moderna é retratada tendo o Renascimento como um “banho de cultura”. Aludem ao fato de a corte francesa preferir perfumes ao banho, para disfarçar a inhaca e aquela característica murrinha, que um amigo meu confirmou haver no metrô de Paris, principalmente durante a Primavera. A higiene e a profilaxia instituídas por Louis Pasteur – com bastante conhecimento de causa, não? – chegando aos populares “banho de gato” – erotismo explícito – e cantorias sob chuveiros. Não esquecendo as obrigações para com os orixás, que exigem banhos rituais.

Em resumo: mais um enredo do tipo samba do crioulo doido.

Unidos da Tijuca
Enredo: Tijuca 2009 – Uma odisséia sobre espaço
Classificação: Enredo científico
Temática: Mitologia, Cosmogonia, Astronomia, Cosmologia
Carnavalesco: Luis Carlos Bruno
Crítica: HAL 9000, astrólogo renomado. Mapa astral em cinco minutos.
Site: http://www.unidosdatijuca.com.br/

Vasculhando a imensidão infinita do temor humano em relação as estrelas desde tempos imemoriais, que relacionavam fenômenos astronômicos a coisas divinas. Pode ser que a comissão de frente venha fantasiada de hominídeos e astronautas em alusão ao filme, 2001 uma odisséia no espaço de Stanley Kubrik. Se, por acaso, a porta-bandeira sair voando como se fosse abduzida, a culpa é do HAL, que cinicamente perguntará… “Algum problema, David?”.

Erich Von Däniken sairá no alto de algum carro que tenha uma pirâmide Maia, que foram grandes astrônomos, ao melhor estilo Clovis Bornay, coberto de plumas e paetês e uma plaquinha pendurada no peito com a seguinte frase: ET´s, eu estou aqui! A fantasia se chama: Palenque, o luxo e o esplendor de quetzalcoatl, a serpente emplumada.

Destaques confirmados: Kirk, Spock, McCoy, Uhura, Sulu, Chekov e um gordinho que estará tomando umas e comendo churrasquinho de gato num quiosque à beira do Mangue, que representará Scotty, que já partiu dessa pra melhor.

Vida longa e prosperidade.

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2 comentários sobre “Análise dos Enredos do Carnaval 2009/01

  1. Bom dia.

    trabalho em agência de comunicação, estou precisando de comprar 400 cópias em cd de enredos de carnaval, favor me contactar para ver a viabilidade deste material.

    Grato

    Alexandre
    Reciclo Comunocação Ltda
    31- 3289-0709
    31- 9801-0204

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