Aconteceu num desfile na Sapucaí

Novamente ouvimos um “Queeeem foi que subiu no meu queeeeeijo?” Nos voltamos para ver a cena e o cara que fez as nossas fantasias estava possesso. Pelo tom da voz que estava mais pra soprano do que barítono, o “estilista”, esbravejava batendo o pezinho no chão com toda força que seria capaz. Foi quando percebemos que a coisa não ficaria assim.

Imagine um cara magrelo com quase dois metros de altura, todo maquiado como uma Rainha de Sabá dando chilique (voando plumas e paetês) na concentração antes do desfile. Aí passa o presidente da escola…

– Niiiiiiiiizo! Niiiiiiiiiiizo! Aquele queeeeeeeijo é meeeeeu! (apontando com o dedinho indicador e a mão assim meio que numa quebrada)

O presidente da escola de samba, nervoso e fazendo de tudo para um bom desfile, diz com sua voz cavernosa ao passar por nós:

– Porra, essas bichas só dão trabalho! Vou tirar tudo lá de cima e colocar componente de ala…

E novamente se ouve o lamento birrento?

– Niiiiiiiizo!!! Subiram no meu queeeeeeeeijo!

Então, o usurpador de queijo, lá de cima, também rodando o dedinho no ar e com toda autoridade que sua fantasia de Sei lá o Que Emplumado lhe conferia, informou aos berros:

– Eeeeeeeu não sou moleeeeeeeque! Eeeeeu não sou moleeeeeeeeeque! Este lugar é meu! É meu!

E o presidente, novamente…

– Vou botar tudo pra fora do carro.

Se vocês não sabem, queijo também é a denominação para um palanque circular que serve de pódio para os destaques ficarem sobre os carros alegóricos. A posição é de grande visibilidade e estes lugares são disputados a tapas, unhadas, giletadas, puxões de cabelo, despacho com tudo que tem direito e até gota de cuspe jogada num peteleco na direção do desafeto e, em seguida,  a frase: “Te mato afogada, tá?”.

Observo o carro alegórico com mais acuidade e vejo lá em cima, pairando sobre todo esse barraco, com cara de “o que estou fazendo aqui?”, o representante-mor do carnaval emplumado. Não sabe quem é?!?!?!? Ora, é o seu, o nosso, o deles… Clóvis Bornay!

No final das contas, arranjaram um queijo meio poleiro para o estilista e todos ficaram felizes para sempre.

Lá fomos nós desfilar.

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2 comentários sobre “Aconteceu num desfile na Sapucaí

  1. Olá Jorge!

    Pois é…vem aí o Carnaval!! Adoro!

    Contudo, não sabia que por detrás de tamanha beleza ocorresse tanta competição, e confusão também lol.

    Os estilistas são verdadeiros artistas, e por isto só devemos dar um desconto ao seu comportamento…pouco ortodoxo!

    Obrigada pela outra definição de “queijo”…no início fiquei confusa, confesso lol!

    Boa semana!

    Um abraço

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  2. Oi, Max!

    Eu imagino que aí o Carnaval também seja bastante animado, não?

    Esta história realmente aconteceu e os “estilitas” têm lá suas idiossincrasias.

    Um abraço.

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