Quadrinhos em sala de aula. Uma ideia legal!

O Ministério da Educação (MEC), a cada ano indica mais histórias em quadrinhos para a bibliografia didática e paradidática para alunos das séries fundamental e média do ensino.

Há muito tempo, quando eu gostava muito mais de dar aulas do que hoje, fiz bastante uso de histórias em quadrinhos em sala de aula. Foi quase uma descoberta, pois nem sempre os professores utilizavam e poucos quadrinhos poderiam ser adaptados, ou utilizados em aulas de história.

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Uderzo criando uma história do Asterix © Pierre Vauthey/CORBIS SYGMA
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Não se pode negar que havia versões de Os Lusíadas neste formato. Porém, ao mesmo tempo, como eu aproveitava apenas a parte histórica do poema épico do Camões, eu tentava, através das histórias do Príncipe Valente e do Asterix, por exemplo, explicar a Idade Média e também o Império Romano. E não deixava  de manter a forma lúdica tal qual estava nas páginas dos geniais Goscini e Uderzo. Tempos depois fui conferir as versões cinematográficas. Confesso que não gostei. Entretanto, os desenhos animados não ficam nada a dever ao quadrinho original do herói gaulês. Uma das mais bacanas histórias em quadrinhos que já encontrei é adaptação feita pelo Wellington Marx, dos personagens do nosso folclore, Os Lendários, sem esquecer da Turma do Pererê, do Ziraldo.

Hoje, leio num informativo educacional, que o MEC (Ministério da Educação) vem gradativamente apoiando projetos de aquisição deste tipo de literatura para ser levada à sala de aula. Louvável e muito importante esta visão, que promoverá a difusão da cultura e do conhecimento para as séries fundamentais e médias do ensino. Já se contam várias adaptações de obras literárias como o Alienista, de Machado de Assis, que até recebeu o Prêmio Jabuti.

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"Los Ultimos Dias del Graf Spee" (Last Days of the Graf Spee) © Ivan Franco/epa/Corbis
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Segundo o informativo, os quadrinhos já representam 4,2% dos 540 livros didáticos indicados. Ou seja, cerca de 16 livros/histórias em quadrinhos estarão nas mãos dos alunos. Não se pode esquecer também que, além do caráter lúdico, as graphic novels, constituem uma excelente forma de chamamento para a leitura. Sabemos que nem todos vão enveredar pelo caminho da leitura, mas aqueles que o fizerem, certamente serão leitores habituais de qualquer tipo de publicação. Eu próprio me divertia e aprendia lendo Pato Donald, Zé Carioca, Turma da Mônica. Lembre-se que a linguagem do quadrinho nos ensina a escrever corretamente. Eu só achava engraçadas as traduções de alguns quadrinhos. Dava vontade de rir ao ler o Hulk ou o Thor usando próclises, mesóclises e ênclises em profusão. Uma das frases que não esqueci era “Pega-lo-ei”, que algum desses heróis de histórias em quadrinhos dizia quando se encontrava com o seu arquiinimigo. Não está errado, mas convenhamos que é um pouco demais também, não?

A matéria ainda traz duas visões bastante interessantes sobre o uso dos quadrinhos em sala de aula – indicação como bibliografia.

O diretor de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para Educação Básica do MEC, Marcelo Soares, diz que as HQs são "estratégicas para desenvolver o prazer e o gosto pela leitura". Mas Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, não gosta da premissa de que as HQs seriam um caminho para a literatura. "Podem até levar, mas essa visão instrumental é equivocada. Continua sendo preconceituosa", afirma.

Várias obras literárias foram adaptadas e gradativamente serão incorporadas outras histórias não necessariamente adaptações de livros à bibliografia didática e/ou paradidática.

Inicialmente, a maioria das HQs escolhidas pelo governo tinha forte ligação com a literatura, e isso aos poucos diminuiu, diz o pesquisador. Mas o número de adaptações ainda é grande. Além de O Alienista, há versões para Moby Dick, de Herman Melville, Oliver Twist, de Charles Dickens, O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, e Irmãos Pretos, da alemã Lisa Tetzner. Outro álbum, Domínio Público: Literatura em Quadrinhos, traz obras de seis autores nacionais (Machado de Assis, Olavo Bilac, Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Alcântara Machado e Medeiros de Albuquerque).

Então, mais do que nunca os gibis devem ser considerados a apresentados como material didático também. A produção nacional nunca ficou a dever.

Leia os artigos:

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2 comentários sobre “Quadrinhos em sala de aula. Uma ideia legal!

  1. Opa, blogger tudo bem?

    Assino o RSS do seu blog e gostei muito do post, pois tenho um blog sobre quadrinhos. Acha que pode me mandar por e-mail essa matéria?

    Queria fazer um post e, claro, vou linkar você. Parabéns pelo blog e pelo post! Me dá saudades de quando fiz letras (acabei abandonado o curso).

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  2. A idéia é muito intressante, nada como um ensino mais interativo. Tem que haver mais participação dos alunos, para que desperte o interesse dos mesmos. Abraços

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