Gastronomia do dia seguinte

Sabe aquela comida que ficou de um dia para o outro sobre o fogão ou dentro do forno?

Não, não é qualquer livro de receita sobre o dia seguinte à Lua de Mel, por exemplo, em que um dos dois leva café na cama. Quero ver isso acontecer depois de 10 anos de embates. Mas, não é sobre isso que vou falar. Vou falar sobre aquelas iguarias que não constam em livros de culinária tidos como sérios e muito menos no caderninho de receitas de qualquer botequim pé sujo que se preze.

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Falo da comida que ficou de um dia para o outro e, por isso mesmo, ficou mais saborosa. Sei que você não duvida, mas experimente comer um bife à milanesa no dia seguinte ao seu preparo. É bom pra caramba. Não aconselho a comer pão dormido. Fica parecendo massa de papel machê. Mas, pizza dormida cai bem até com café bem quentinho, aquele que é feito pela manhã, de preferência as manhãs de domingo. Afinal, pizza nada mais é do que massa de pão com queijo em cima, em vez de estar entre duas fatias de pão.

Você não precisa saber francês para preparar essas delícias. O ingrediente fundamental da culinária do gourmet do dia seguinte é a paciência. Também não precisa ter paciência de monge tibetano. São necessárias apenas 24 horas de desapego. Alguns são esquecidos mesmo e só vão se dar conta que o bife à milanesa está no forno há dois dias. Aconselho, então, um plano de saúde previamente contratado.

Outra maravilha da culinária do dia seguinte é a rabanada do dia 26 de dezembro. Fica tão ou mais gostosa do que a do dia 24, a véspera do Natal. Indico a degustação pela manhã, também com café bem quentinho. O mais legal é que o açúcar já derreteu e virou calda. Se necessário pegue um babador ou papel toalha para não ficar se babando ao degustar. Indico, também, a degustação assistindo televisão, de preferência algum filme velho, daqueles tipo “sessão da tarde”. Dá mais vontade ainda de comer esta iguaria. Um verdadeiro manjar (este não fica bom de um dia para outro, pois vai pra geladeira e perde o viço). Digamos que seja algo próximo da ambrosia servida no Olimpo.

Como diz a Vi Fortes, ao lembrar das broncas que recebia de sua mãe no dia 26/12…

“principalmente quando a gente pega escondido e a mãe diz: vai comer isso antes do café, menina!!!”.

A piéce de résistance é mesmo a pizza dormida, conforme a Vi Fortes escreveu no twitter: “Comendo pizza velha de ontem”. Não tem igual! Pode ser de qualquer tipo, se bem que vale a pena deixar uns segundinhos no micro-ondas (já com a nova regra ortográfica), para tirar o ranço da gordura do queijo, ou, no caso de ser pizza de calabresa, o ranço da linguiça (também já com a nova ortografia, que ao dar CTRL Z para retirar o trema, o Worst, digo Word, ainda cisme em recolocar o trema e ele faz desaparecer a cedilha!).

Se tudo isso aí provocar uma sensação de “tô empanturrado”, há um santo remédio que é parte integrante da gastronomia do dia seguinte: Coca-Cola sem gás que ficou esquecida na porta da geladeira. É tomar e sair correndo para o banheiro mais próximo.

Ah, tá fazendo cara de BLEARGH para a gastronomia do dia seguinte? Sei… mas adora comer peixe cru, né? Basta dizer que é sushi que fica uma delícia. Continua fazendo cara de BLEARGH? E adora comer churrasco do tipo “Boi mugindo”, a carne é tão mal passada que o bicho ainda pode estar no pasto. O quê? Ainda com essa cara de BLEARGH? E come dobradinha, miolo e rim? Pois é… somos aquilo que comemos. Ah, gosta de scargot? BLEARGH!

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