Mais um caso de plágio

E quem foi pego copiando e colando coisas alheias foi Neale Donald Walsch, autor do best-seller Conversas com Deus. Pelo visto, ao chegar lá em cima, ou lá em baixo, ele terá muito o que conversar para convencer que não cometeu um dos mais ridículos e execráveis tipos de comportamento: se apropriar do que não é seu e tirar proveito disso.

Alberto Ruggieri, Shocked Man Looking at Computer © Images.com/Corbis

Em seu blog, segundo o artigo Religion Writer Who Copied Work Draws Support of Readers, que saiu no New York Times no ultimo dia 11/01, foram escritas cerca de 230 mensagens criticando – a maioria – e algumas – pasme! – o desculpando por ato tão vil.

A coisa se deu da seguinte forma:

A escritora de textos religiosos Candy Chand escreveu, há alguns anos, um ensaio para uma revista espiritual. Então, Neale Donald Walsch, regularmente fez o famoso CTRL C + CTRL V, sempre que achava interessante. Isto se deu por que ele contava uma anedota sobre um fato de natal. Só que a anedota estava contida no ensaio da senhora Candy Chand. Foi desmascarado.

Ele contou que numa escola as crianças cantavam a canção “Natal de Amor” (Christmas Love) e cada criança levantava uma placa com a letra correspondente para formar a frase que dá nome à canção. Só que uma menininha, levanta a placa de cabeça para baixo; justamente a letra “m”, que acabou virando um “w” e a frase ficou Christwas Love (Cristo foi amor). O chato, para ele, é que não contava com o fato desta anedota ter sido contada por Candy Chand e publicada 10 anos antes na revista religiosa Clarity.

Neale Donald Walsch escreveu no dia 28/12/2008, um caudaloso pedido de desculpas informando que este ensaio estava em seu computador há tanto tempo e ele o havia marcado para citar algumas passagens. Pelo visto citou bastante. Mesmo assim, por mais que tente, a sua reputação como escritor já foi manchada por suas próprias mãos. Entretanto, ele induz seus leitores a acreditarem que o acontecido não passou de um caso de criptomnésia (memória oculta) que, segundo algumas fontes, se trata de memória inconsciente e processos psicológicos inconscientes. Em outras palavras… “Peguei mas não sei por qual motivo. Foi sem querer. Me desculpe”. Será que esta desculpa vai colar? (oops!). Seria mais ou menos algo parecido com você contar uma mentira tantas vezes e acabar acreditando que esta mentira é uma verdade. Ele, ao que se imagina, acreditou que este fato que originou o plágio fizesse parte de suas experiências como escritor e divulgador religioso.

A Sra. Chand, a escritora que teve seu ensaio plagiado, declarou numa entrevista que não acredita que o plagiador tenha sofrido da tal criptomnésia, e ainda completou:

É como eu levar minha mão até o seu Rolex por achar este relógio tão bonito e charmoso e colocá-lo em minha bolsa e, em seguida, quando você me pegar eu dou uma desculpa, dizendo com cara de espanto … Oh, meu Deus! Eu não tenho outra desculpa, mas estou abobalhada com o que minha mão fez.

Leia também os artigos:

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9 comentários sobre “Mais um caso de plágio

  1. Amado amigo,
    Vindo desejar a vc um final de semana iluminado.

    Esse negocio de plagio é serio mesmo e tem muitos que não aprendem…
    Muito bom seu comentario!
    Beijinhos de RO!

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  2. então, mas é que eu às acho que saio muito do caminh. não chega a me atacar por mais de 1 ou 2, no máximo, publicações cada mes, sei lá, mas me dá a sensação de descaracterização. o que vc escreveu me deu um alento.
    eu nunca leio livros, vejo filmes, ou qq coisa assim, pra me orientar. acho falso sair de uma leitura ou de um cinema dizendo, aaaaaaaaaaaah!!! isso me ajudou pra tomar esse ou aquele rumo. o que acontece comigo e que eu ouvi de um cara sabido num curso de literatura que eu fiz, foi que as obras, qualquer uma, ficcional ou não, me mostra que aquela situação que ocorreu na minha vida, foi vivida por alguém. ufa!!! não foi só comigo.
    pois bem, vc ter escrito aquilo, me deu a tal sensação.
    isso quer dizer que a minha vida sou eu quem conduz. conduzir certo ou errado vai depender de mim, só. não é verdadeiro, agir pela cabeça de outro. o meu resultado e o resultado do outro, ai sim, podem ser comparados. talvez, até, possam ser aproveitados alguns detalhes, mas aí, eu ja passei pelo abacaxi, e estou experiente, só vou acertar as arestas se for o caso.
    vc me mostrou como resolveu e eu vi que o meu caso tem precedentes e não é o fim do mundo. pronto. entendeu??? muito beijo.

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  3. complemento, pq esse discurso é importante e precisa ser bem entendido:

    o que sempre aconteceu comigo, e me fazia sentir diferente da maioria, mas que eu fiquei contente quando ouvi de um cara sabido, num curso de literatura que eu fiz, …

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  4. No caso do Asterix e Obelix, embora eles nunca tenham arrumado namoradas firmes, em algumas histórias eles se apaixonaram por belas mulheres.
    Já discutem se Bentinho, o Dom Casmurro, não era apaixonado pelo seu adversário, ao invés de Capitu…

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  5. Na verdade, penso que o jornalista tenha feito uma grande brincadeira. Tanto que procurei deixar isto claro no artigo. Quanto ao Bentinho e o Escobar, sim, já houve quem propusesse um caso de amor não declarado entre eles. Muito mais por parte do Bentinho, é claro.

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  6. Se você copiar de outro indivíduo chamam isso de plágio. Mas se você copiar de muitos outros indivíduos o que será? Alguns lhe chamam investigação, pesquisa, conhecimento. A cópia e uma mera convenção social. Os direitos de autor são uma mera criação da civilização para criar dinheiro e bloquear a criatividade. Sim, porque para copiar bem e em cima disso melhorar a criação também é necessária criatividade. Parabéns pelo excelente blogue, um bem haja.

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