Uma possível cura para o fim do amor

Em breve seus problemas sentimentais acabarão. Os cientistas estão quase chegando à descoberta de uma droga que fará você novamente ouvir sininhos e ficar com cara de bobo ao estar ao lado daquela estranha que, não se sabe como, convive contigo há mais de 10 anos. Sim, pois, o casamento depois de dez anos vira, na maioria dos casos, um grande salão com um tapete pouquinha coisa menor, para onde são jogados para baixo todos os problemas que surgiram e assim vai até o dia em que a justiça ou a morte os separe. De repente, você se dá conta que começa a cantar Último Desejo durante o banho.

Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim
(Último Desejo, Noel Rosa),

Já foram identificados dois hormônios, a ocitocina e a vasopressina, responsáveis diretos pelo que chamamos de amor. É mais uma sensação de dependência que criamos em relação a alguém que, misteriosamente, faz ativar estes compostos químicos que nos dão a sensação de prazer e tranquilidade (droga, estou brigando com o Word que cisma em colocar trema nesta palavra).

Que o amor é um processo químico, a ciência já não tem mais dúvidas. A questão é: por que essa coisa acontece e une duas pessoas que, em tese, foram criadas de formas diferentes e tem visões de mundo, até se conhecerem, também um tanto diferentes e juram que vão viver juntos para o resto da vida? Aí reside o mistério, pois este sentimento tem prazo de validade. Um dia acaba e daí em diante vai-se empurrando com a barriga ou vai cada um para um lado.

Então, após tomar o remédio que os cientistas estão quase descobrindo, você sai todo serelepe cantando Aonde Você Mora, do Nando Reis, na gravação do Cidade Negra.

Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Amor
Você vai chegar em casa
Eu quero abrir
A porta
Aonde você mora
Aonde você foi morar
Não quero estar de fora
Aonde está você
Eu tive que ir embora
Mesmo querendo ficar
Agora eu sei
Eu sei que eu fui embora
Agora eu quero você
De volta pra mim

O neurocientista Larry Young, declarou numa entrevista à revista Nature que

Os cientistas estão perto de reduzir o estado mental do amor para uma cadeia de eventos bioquímicos, abrindo caminho a novos tratamentos para o desgaste dos sentimentos amorosos. Experiências já estão em andamento oferecendo hormônios para casais beligerantes visando uma melhora, auxiliando na terapia conjugal convencional.

Também já é possível prever o desemprego de curandeiros que prometem trazer de volta a pessoa amada em apenas 24 horas. Está duvidando? Caminhe pelas ruas do Rio de Janeiro e verá um folheto com essas informações colado em vários postes. Além dos panfleteiros que ficam nas ruas entregando os mesmos folhetinhos.

Outra questão que precisa ser muito bem administrada se relaciona ao fato de as pessoas, um casal, por exemplo, que está em crise e resolve tomar medicamentos para reavivar o amor. É preciso que esses remédios tenham bússolas para sempre indicar o parceiro ou parceira de empreitada. Caso contrário, se não tiver uma bússola, o amor pode ser direcionado, até com mais intensidade, para outra pessoa que não tem nada a ver com a história.

* Artigo escrito a partir da livre tradução feita por mim, do artigo Love potions could soon help soothe the pains of romance, de Ian Sample para o The Guardian, em 07/01/2009.

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6 comentários sobre “Uma possível cura para o fim do amor

  1. Vou linkar esse post no meu outro blog, ‘secreto’, espero q nao se importe, por favor Jorge!!!!!! É q tenho sofrido um bocado por amor nos últimos 10 dias, e esse post aqui, me arrancou um sorrisão!!! Sou sua fã não é à toa. 😉 Bjux!

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  2. Será que isso vai dar certo? Já acho o amor uma tremenda confusão sendo “natural”, imagino vendido em comprimidinhos na farmácia rsrsrs
    Boa semana, Jorge!

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