Repórter fotográfico-cidadão ou Paparazzo?

Com as facilidades que os equipamentos eletrônicos pessoais proporcionam, na maioria das vezes, os jornais, por exemplo, recebem material fotográfico de pessoas comuns que por um motivo ou outro estavam na hora e no lugar certo, quando do acontecimento de algum fato. Isto se deu durante três momentos específicos recentes: os atentados à bomba no metrô de Londres, a tsunami no pacífico e, mais recentemente ainda, os atentados em Bombaim, na Índia.

₢ Le Monde Nem sempre os repórteres fotográficos profissionais, a soldo de algum meio de comunicação, conseguem chegar a tempo ou captam alguma sutileza que pode render uma boa notícia. A quantidade de imagens e vídeos enviadas para os jornais tem motivado alguns deles, que geralmente pagam quando do uso dessas imagens, a inverter o fluxo de dinheiro.

O Bild Zeitung, da Alemanha, colocou no mercado uma câmera digital (acima) específica para quem deseja enviar material para a redação. Lógico que o repórter-cidadão terá que comprar a câmera, que custa € 70; prometendo pagar entre €100 e €500 caso as imagens venham a ser utilizadas na versão digital do jornal ou €1000, caso o vídeo seja escolhido como “o vídeo da semana”. Detalhe: as imagens da câmera são de baixa qualidade.

O mesmo princípio tem motivado outros jornais e sites como o Voici e Citizenside, ambos franceses, a proporem o mesmo, só que pagamentos mais modestos aos reportes fotográficos-cidadãos. A quantia varia dos €10 para a publicação da foto na internet ou €100 caso seja veiculada na versão impressa. O Citizenside ainda se propõe a ser uma espécie de intermediário entre o cidadão e os grandes jornais, cobrando uma comissão que varia entre 25 a 50% do valor pago pelos jornais. No início de 2008, conseguiram fazer uma venda de €100 mil para o jornal Paris Match das fotos feitas por um repórter-cidadão retratando Jérome Kerviel na prisão. Ele foi responsável por uma maracutaia de €4,9 milhões contra o banco Société Generale. O curioso da história é que o valor pago é similar ao salário recebido pelo fraudador, isto sem contar os bônus.

A questão ética também passa por aí. Quantos não poderão armar situações para ganhar uns caraminguás enganando os jornais? Por esse motivo os jornais estão contratando fotógrafos que serão responsáveis pela apuração da veracidade das imagens. Segundo Aurélien Viers, da Citizenside, chegam a redação entre 400 e 500 fotos por dia, mas nem todas são aproveitadas. A quantidade é mínima.

Na Inglaterra também há um sistema de agenciamento parecido, o Demotix, que pede 30% de comissão sobre as vendas das fotos dos repórteres fotográficos-cidadãos. O objetivo do site é fornecer imagens de lugares distantes, os quais não são cobertos por fotógrafos profissionais dos jornais, como por exemplo, países em que há censura e bloqueio à entrada da impressa internacional.

Apesar de parecer um mercado promissor, já existem histórias de falências, como a do site holandês Skoeps, que mesmo tendo sucesso e grande audiência foi obrigado a fechar em Maio por não saber como encontrar um meio lucrativo para esta atividade.

* Artigo criado a partir da livre tradução feita por mim, do artigo Les clichés des journalistes citoyens convoités sur le Web, de Jean-Baptiste Chastand, para o Le Monde.

Leia o artigo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s