Engraçado como o amor é

Geralmente, quando um amor acaba a frustração de quem foi deixado (a) é tão grande que a vontade é de sumir e nunca mais ver quem o/a deixou. Há quem prefira que seja descoberto outro planeta com as mesmas condições do nosso e para lá se mudar só para não respirar o mesmo ar.

Broken Hearted Numskull © Debbie Huey/Corbis
Broken Hearted Numskull © Debbie Huey/Corbis

Poemas, livros, óperas, sinfonias, obras de arte, despachos e sei lá mais o quê já foi feito para exprimir este sentimento. Podemos, portanto, pinçar uma frase aqui ou ali, por exemplo, para demonstrar o quão dolorido é esse momento. Uma das frases que considero mais características, para não dizer definitiva é: “Quando você foi embora fez-se noite em meu viver”, do Milton Nascimento e Fernando Brandt, em Travessia. Outra frase que está no mesmo patamar é Everytime we say goodbye I die a little (Todas as vezes que nos despedimos eu morro um pouquinho), do Cole Porter. Tudo bem, não é o caso de um abandono, mas que é marcante isto não podemos negar.

E quando a coisa termina em briga? O Zé Rodrix tem uma música que se chama “Devolva meus Lps”. Atualizando fica assim: Devolva o meu iPod, ou Devolva meu MP3. O Chico Buarque, na linha dos objetos que pertenciam aos amantes enamorados enquanto estavam juntos, e terminaram o relacionamento de forma chorosa, disse: “devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu”. Esta foi apenas uma das coisas que combinaram dividir quando se separaram. Isso é meu e aquilo é seu…, sempre Trocando em miúdos, o nome da música.

Ainda há aquelas situações em que o homem, aquele que era o amor da vida de quem o pegou no flagra por ser um cachorrão, em Fez Bobagem, do Assis Valente, a mulher descreve e chora suas mágoas assim: “Meu moreno fez bobagem. Maltratou meu pobre coração. Aproveitou a minha ausência e botou mulher sambando no meu barracão. Quando eu penso que outra mulher requebrou pra meu moreno ver. Nem dá jeito de cantar. Dá vontade de chorar e de morrer”. Genial, não?

Mas quando é ele, aquele que é desprezado, já faz logo estardalhaço e vai cantar suas dores uivando como cão vadio, da seguinte forma: “Eu não sou cachorro, não. Pra viver assim tão humilhado”. Pungente, não?

Essa coisa é tão interessante, o que acontece com quem é largado, que lembrei de uma música bem bacana, do Fine Young Cannibals, banda inglesa que fez sucesso nos anos 1980. A música se chama, Funny How Love Is (Engraçado Como O Amor É). Aproveitei para fazer uma livre tradução, que espero seja compreensível. As outras músicas citadas neste artigo estão logo abaixo, com links indicando a visualização no Youtube.

Eu vou aos lugares que costumava ir
Eu continuo a ver as pessoas que nos conheciam
Amigos me perguntam aonde ela está agora
Tenho de lhes dizer que não estamos mais juntos.

Quando você decidiu partir, pensei que ia certamente morrer
Eu não imaginava ver um futuro sem você ao meu lado
Não estamos juntos, mas eu ainda estou vivo
Eu prefiro não te ver por um tempo muito longo

Engraçado como o amor é
Engraçado como o amor é
Engraçado como o amor é

Eu não quero mais suas revistas, não quero ver suas roupas
Leve-as de minha casa, me deixe ficar sozinho
Se você não tentar me prender novamente, eu vou desaparecer
Não me envie cartas, não quero saber

Quando você decidiu partir, pensei que ia certamente morrer
Eu não imaginava ver um futuro sem você ao meu lado
Não estamos juntos, mas eu ainda estou vivo
Eu prefiro não te ver por um tempo muito longo

Engraçado como o amor é
Engraçado como o amor é
Engraçado como o amor é

O amor é tão engraçado, esta piada sem graça é sobre mim
Engraçado como o amor é …

Veja no Youtube

Travessia
Everytime We Say Goodbye
Trocando Em Miúdos
Fez Bobagem
Eu Não Sou Cachorro Não

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3 comentários sobre “Engraçado como o amor é

  1. Olá Jorge.
    Adorei a matéria, deu pra entender um pouco mais os homens e como eles imaginam ser as coisas do amor. Mas quero deixar registrado que acredito piamente que o verdadeiro AMOR nunca acaba.
    Abraço

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  2. É..esse é um assunto que estou sempre correndo atrás..ou correndo dele..só sei que não consigo viver sem isso. Essa de querer ir para outro planeta me parece bem familiar. Valeu Jorge!
    Visitem: http://antesdechutar.blogspot.com/ (é novo e em fase de testes. Passe lá pra dar pitacos).

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