As catástrofes guiam a humanidade

No transcurso da existência humana, os relatos das catástrofes sempre assumiram contornos dramáticos, como não poderia deixar de ser. Somos levados a isso por não compreender muito bem, ainda hoje, as forças da Natureza e, pior ainda, não termos como prever com exatidão quando e onde acontecerá o próximo cataclismo.

Vulcões, Terremotos, Maremotos, Pestes

Últimos dias de Pompéia. James Hamilton ₢ Brooklin Museum/Corbis Lendo a resenha do livro A Disastrous History of the World (algo como Uma História Desastrosa do Mundo), escrito por John Withington, no qual faz um histórico de tudo que a humanidade já passou em termos de desastres naturais, achei interessante fazer uma pesquisa para escrever a respeito e me deparei com várias coisas interessantes como a destruição da ilha de Santorini, no mar Egeu que provavelmente serviu de modelo para que Platão criasse a história (mito) de Atlântida, ao relatar o fim da civilização minóica. A potência da erupção vulcânica foi tamanha que, segundo os especialistas, 32 milhas cúbicas da ilha foram vaporizados e, o mais interessante, é que o autor propõe que, muito provavelmente, a coluna de nuvens que guiou Moisés no deserto foi causada por esta erupção vulcânica. Sabendo que 1 milha cúbica equivale a 4,1 km³, calcule o tamanho da destruição. Bateu curiosidade? Faça a conversão.

Vitimas da peste bubônica. Biblia de Torgenberg © Bettmann/CORBIS

No capítulo da humanidade, observando o verbete peste, as ondas que se espalharam pelo mundo foram várias; porém, nenhuma foi maior do que a que atingiu a Ásia e a Europa na Idade Média, a chamada peste negra. As buscas das causas e soluções envolviam desde a mais estapafúrdia loucura até a astrologia, que ainda se confundia com a astronomia nessa época. Em seu livro Doença como metáfora (ed. Graal), Susan Sontag faz relatos sobre a queima de judeus por parte dos cristãos, ora acusando-os de trazer a doença, ora afirmando que ao incinerá-los a peste desapareceria. Há um relato pavoroso que em nada perde para a solução final pensada pelos nazistas:

Na Basiléia (Suíça), todos os cidadãos judeus deveriam ser colocados em um edifício de madeira especialmente erguido numa ilha do Reno, e depois seriam queimados vivos.

Secas

 Pirâmide Kukulkhan em Chichenitzá. Frederick Catherwood  © Gianni Dagli Orti/CORBIS

Se alguém duvida, não acredito que possa duvidar por muito tempo, pois os fatos geoclimáticos estão intimamente relacionados ao nosso caminhar sobre este planeta. Um arqueólogo norte-americano, ao estudar os motivos que levaram ao fim da civilização Maia, na América Central, provou que há uma relação direta com um período de inverno prolongado provocado por uma erupção vulcânica há milhares de quilômetros de distância. Porém, a hipótese mais provável está relacionada ao fenômeno climático El Niño, que é capaz de provocar períodos prolongados de seca e isto é verificável através do estudo dos anéis internos formados durante o crescimento das árvores. A mesma hipótese, as secas prolongadas também levaram ao fim diversas civilizações como a Acadiana, na Mesopotâmia, há cerca de 4200 anos, bem como a cultura Mochica nas costas do Peru há 1500 anos e a cultura Tiahuanaco nos altiplanos entre a Bolívia e o Peru há cerca de 1000 anos. Este fenômeno também explica, por exemplo, o desaparecimento da cultura Anasazi, nos EUA e, também, a seca que praticamente destruiu a agricultura dos EUA no início do século XX, tanto que deram o nome de Dust Bowl (Tigela de poeira) para conceituar fatos como os relatados, o que explica a decadência da civilização Maia.

Hoje, no início do século XXI, estamos no limiar de enfrentar problemas relativos ao clima, muito mais por nossa obra devido aos desmatamentos, poluição e efeito estufa do que nossos antepassados que nada conseguiam compreender e julgavam as catástrofes como desígnios divinos. Eles não tinham como se precaver ou prever o que lhes aconteceria. Nós, infelizmente, sabemos o que estamos fazendo e pouco ou nada é feito. A ganância e o poder do vil metal, por parte das potências econômicas, industriais e bélicas levarão o planeta ao esgotamento dos recursos e, também, a uma significativa alteração climática que dizimará boa parte da humanidade. Sobrará alguém para contar a nossa história após o que estamos fazendo?

––

Bibliografia e fontes de pesquisa

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s