5 dicas para quem escreve artigos científicos

A internet é um excelente canal para a divulgação científica. Porém, o que vem acontecendo e já foi percebido pela imprensa especializada, como também os próprios meios científicos, é que há uma espécie de banalização dos artigos.

O que isso significa? Significa que, cada vez mais, os pesquisadores apresentam suas pesquisas pensando muito mais nos motores de busca dos sites agregadores de notícias do que realmente o público interessado no assunto. Ao mesmo tempo, a universalidade da internet permite que mais e mais campos de pesquisa, mesmo que pareçam etéreos, possam ser apresentados e, quem sabe, lidos e comentados por leitores. Por exemplo, um pesquisador pode escrever sobre, digamos, Arqueoastronomia e, certamente, haverá leitores. Também é possível encontrar um Journal of Hapiness Studies (Jornal dos Estudos da Felicidade), por exemplo. Tudo isso, na verdade, mostra o caráter democrático da internet como meio de divulgação científica, mas nem sempre é garantia de qualidade daquilo que é apresentado.

O que os estudiosos e pesquisadores vêm reclamando se concentra na linguagem utilizada. Dizem que isso tem levado a uma espécie de concurso para saber qual artigo recebe mais hits e comentários, e isso pode se transformar numa falsa idéia a respeito daquele artigo específico, como do que é tratado. Resumindo: a vaidade em ter mais supostos leitores e, conseqüentemente, comentadores sobre o seu trabalho, leva a um quase concurso de beleza.

Para tanto, foi até criada uma série de cinco dicas para quem escreve artigos científicos, para ele aparecer com mais freqüência nos motores de busca da internet; porém, mantendo a qualidade necessária para gerar um debate sério:

1 – O título deverá ser específico para o projeto, mas conciso. Títulos obscuros ou sombrios devem ser evitados. Por exemplo, escrever "Genocídio e Consciência do Holocausto na Austrália" em vez de "Vítimas esquecidas do holocausto na Austrália";

2 – Usar três ou quatro frases-chave no texto. Porém, sem fazer uso demasiado das mesmas para que a página do artigo seja rejeitada pelos mecanismos de busca;

3 – As pessoas tendem a procurar por especificidades, e não apenas uma palavra. Por exemplo, eles realizam uma pesquisa de "ficção da mulher"em vez de apenas "ficção";

4 – Sempre verificar o resumo para saber se é de fácil compreensão e que reflita o conteúdo do artigo;

5 – Por último, lembre-se que o público primário é ainda o investigador e não um motor de busca, então, escreva para os leitores e não para os robôs.

  • Esse texto foi escrito a partir da livre tradução, feita por mim, do artigo Web journals narrowing study, de Linda Nordling, para o The Guardian.

Leia o artigo:

Anúncios

Um comentário sobre “5 dicas para quem escreve artigos científicos

  1. Conheço um pouco de SEO e um poudo da vida acadêmica em ciências sociais. Acho que no Brasil isso ainda não é verdade. Aqui o problema maior é a péssima qualidade de boa parte dos artigos. Consequência provável da avaliação por número de publicações, realizada pelo MEC. Quem mede quantidade não mede qualidade.
    Abs.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s