O passado que condena vários escritores

Em vários jornais do mundo foi noticiado que o escritor Milan Kundera, autor de “A Insustentável Leveza do Ser“, por sinal, o livro é arrastado e o filme chatíssimo, teve uma parte de seu passado revelada e o que foi revelado é desabonador. Ele delatou um antigo companheiro de militância do PC, da antiga Tchecoeslováquia como sendo espião. O motivo foi o mais idiota que se possa imaginar, ciúme. Sim, ciúme por causa de um convite que este antigo companheiro de militância fez a uma jovem, a quem ele, escritor, também estava de olho. O infeliz cagoetado pegou 14 anos de prisão e o  cagoete virou “grande” escritor. 

Ontem, por exemplo, o jornalista Sergio Augusto, articulista do Estadão, fez um excelente ensaio mostrando que nem toda flor literária, digo escritor, é daquelas que se deva cheirar. Eu já sabia de algumas histórias como, por exemplo, a do filósofo marxista Louis Althusser, que identificou os aparelhos ideológicos de estado no livro, Os Aparelhos Ideológicos de Estado, teve uma crise de nervos, ou um chilique, e estrangulou a esposa. Seguindo a mesma linha, e de forma mais branda digamos, pairam acusações sobre o talento do dramaturgo e escritor Bertolt Brecht, que afirmam não ser aquilo tudo que se pensava. Dizem que muito do que ele escreveu, na verdade, foi escrito por algumas das mulheres com quem ele conviveu. Verdade ou não, fica a nódoa pairando sobre a cabeça do autor de “A Ópera dos Três Vintens”, que inspirou Chico Buarque a escrever a “Ópera do Malandro”. 

Então, sem querer reproduzir o texto, mas apenas citar, foi lembrado que Günter Grass, escritor alemão ganhador do Nobel de Literatura de 1999, fez parte das fileiras da SS durante o nazismo. O autor não nega, mas passou décadas escondendo isso que, certamente, teria minado sua carreira caso fosse revelado em décadas passadas.  Seguiu-se, então, uma fieira de escritores famosos e seus “pecadilhos”cometidos e que eles ferrenhamente escondiam. Por exemplo, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, parece, fez intrigas para conseguir um cargo no Lycée Condorcet, usando argumentos baixos, visto o titular do cargo ser judeu, e Sartre passou a vida escondendo o seu anti-semitismo, o que de fato ele trazia em seu coração. Arthur Koestler, escritor húngaro, era uma besta humana. Estuprava as mulheres com quem convivia e também aplicava-lhes surras. Os intelectuais romenos, Mircea Eliade, historiador, autor de um excelente livro, chamado Ferreiros e Alquimistas e o o filósofo E.M. Cioran batiam palmas fervorosas para o nazismo.

E aqui no Brasil tem autor super-hiper-ultra famoso que mandou apagar seu nome dos registros de um livro sobre vampirismo. Não pegava bem, agora que a sua veia literária é outra.

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3 comentários sobre “O passado que condena vários escritores

  1. Oi Jorge Alberto!

    Creio que em algumas obras, os escritores colocam as suas percepções internas, e ocultas do dia a dia, logo escondem o seu caráter. Na situação de Milan Kundera o livro é bem, como eu posso dizer ”amarrado”, pq os personagens tem várias facetas. Pelo seu comentário, percebo que os mesmos tem muito de seu criador.

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  2. Oi Andréa!

    Sim, eu também penso que cada autor descreva um pouco de si e também de sua realidade em seus escritos. E é isso que faz suas obras universais.

    Beijos para vocês aí.

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  3. Se todos os nossos autores favoritos fossem investigados a fundo, acho que nos surpreenderíamos muito. Temos uma tendência a acreditar que, ao escrever um livro, o autor nos “passa” aquilo que ele acredita ou pratica e, na realidade, nem sempre é bem assim, especialmente no mundo atual, onde marketing, dinheiro, falam muito alto à sobrevivência. Seu post também prova que a leitura de um texto tem muito mais a ver com o leitor do que com quem o escreve. Muito legal, Jorge! Bjs e inté!

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