O “não” dia do Professor

Não há qualquer motivo para se comemorar essa data, dia 15 de outubro, o Dia do Professor, ainda mais quando professores são desrespeitados e agredidos por pais e alunos. Clique na seta para ouvir a música To Sir With Love.

Não há qualquer razão para se comemorar essa data, quando os professores são obrigados a trabalhar com seus sentidos sendo postos à prova a cada instante em seu ambiente profissional, desviando de tapas dado por mães de alunos, tentar não escutar as sandices e impropérios de alunos mal-educados por pais idem; praticamente escrever no quadro com a ponta dos dedos, pois falta o básico, o giz, e por aí vai…

Não há qualquer razão para se comemorar essa data,

  • quando alunos afrontam professores.
  • quando temos que aprovar alunos que mal sabem fazer as quatro operações ou conhecem a teoria dos conjuntos, pois chegam até nós, no nível médio, muitas das vezes sem mesmo saber escrever o próprio nome. Tudo isso em nome dos “índices de aprovação”.
  • quando um professor é demitido de uma escola por ter um blog, no qual expõe suas poesias eróticas, sem que isso interfira ou seja motivo de avançar limites em seu trabalho  Isso é uma forma de censura das mais estapafúrdias, pois a mesma classe média que, hoje, se acha progressista por matricular seus filhos em escolas tidas como modernas, é a mesma que vai para as ruas defender a pátria, a família e a sociedade de uma forma que não seria a mais indicada. Em 1964 tivemos um exemplo disso e deu no que deu.
  • enquanto colegas professores e professoras imaginarem que o magistério é um sacerdócio. Dinheiro é bom e todos nós gostamos; portanto, devemos ter salários dignos e condizentes com a responsabilidade de nossa profissão.
  • enquanto colegas professores chegarem ao magistério sendo pouco ou mal preparados para exercer essa função.
  • enquanto as professoras dos níveis elementares não forem as mais bem remuneradas do magistério.
  • enquanto a Educação for vista como despesa em vez de ser vista como investimento.

Leia o artigo O PRECONCEITO NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO, da Professora Carmen Maria Andrade, da Universidade Federal de Santa Maria (RS) (UFMS).

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23 comentários sobre “O “não” dia do Professor

  1. Grande Jorge Alberto, tudo bem?
    Creio que para ser professor e não sentir prazer em estar em sala de aula é melhor ir fazer outra coisa. Isto vale para qualquer profissão.

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  2. Não, eu não fui demitido. Quem foi demitido foi um professor de literatura de uma escola de elite aqui do Rio de Janeiro. Até saiu nos jornais.

    Abraços.

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  3. Certamente que é válido para qualquer profissão, bjfranco. O que não se pode é jogar para debaixo do tapete o que acontece.

    Cada realidade, como bem sabemos, tem suas próprias características. Portanto, se apenas mantivermos do jeito que está sem nada fazer e, pior ainda, virando as costas, a situação jamais terá alguma melhoria.

    Abraços.

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  4. Por incrível que pareça, eu ainda gosto de ser professor, mesmo com esse monte de problemas.

    Mas, de fato, não é uma data para se comemorar, não. É uma data para se protestar. Se a categoria fosse mais unida, usaria esta data para uma verdadeira mobilização em prol da educação de qualidade e de nossas condições de trabalho, cada vez mais decadentes.

    Só que eu paro e fico observando…Gabriel Chalita eleito com a maior votação para vereador em SP e com o apoio de muitos professores.

    Há esperança? Bom, sempre há aqueles professores que mantém blogs para esculhambar o sistema e mostrar do que é feita a educação neste país…só tem que tomar cuidado para não ser demitido! hehehe!

    abs e bom blog este, viu?

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  5. Groo,

    Você está certo. Para ser professor, antes é preciso gostar de sê-lo. Eu tenho 21 anos de magistério público estadual no Rio de Janeiro e cansei de ver promessas eleitoreiras não serem cumpridas, da mesma forma que as greves, hoje, não surtem mais qualquer efeito.

    Somente quando a Educação for encarada como investimento as coisas poderão vir a mudar. Caso contrário continuaremos sendo quase que os párias da sociedade, no que se refere ao serviço público.

    Abraços e obrigado pelas palavras.

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  6. (Des)prezado e (im)prescindível professor!
    Estamos diante um grande desafio. O professor está inserido numa escola que parece o fiel depositário das mazelas da sociedade brasileira.
    No coditiano da vida escolar fica evidente a séria crise de valores, a falta de ética nas relações, a exigência dos direitos sem cumprimento de deveres, a desvalorização da autoridade, a liberdade de expressão confundida com dizer qualquer coisa de qualquer maneira a qualquer hora, a informação e versão deturpada, a pronografia institucionalizada sob a denominação de erotismo ou sensualidade.
    Somos desafiados a não perder a nossa capacidade de indiganção diante da injustiça, da desonestidade, do descaso, do desrespeito ao profissional professor.
    Felizes dias para os prezados e imprescindíveis professores.

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  7. Celeste,

    Suas palavras são muito importantes. Parece que a sociedade ainda enxerga o professor como um monge trapista, que deve ter a paciência de um outro monge, o budista. E alguns colegas pensam que são realmente monges e exercem um sacerdócio.

    A situação da Educação em si em áreas ditas carentes, hoje, denominadas comunidades – o uso desse conceito de comunidade tem sido confundido com assistencialismo, quando existe, clientelista, o que gera uma forma errada de ser e haver – é totalmente diversa do que se apresentada. De forma parca são relatados casos de abusos e deseducação.

    Obrigado pela visita e palavras.

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  8. Jorge Alberto,
    A falta de representação política merece uma avaliação. professores eleitos esquecem-se dos colegas de profissão. Não é raro empresários darem mais importãncia à educação que professoresvereadores, prefeitos, deputados, secretários, ministros, governadores ou presidentes. Preocupam-se em manter seus cargos e passam a defender idéias, ocupar-se com problemas e adotar práticas que lhes garante o posto que conquistaram na eleição com os votos dos mestres.
    Não temos bastidores. Enquanto batemos sinetas defronte o palácio- guarnecido pela tropa de choque – e conquistamos a antipatia da sociedade, ontros categorias entram e negociam suas vantagens.
    Somos desafiados a encantar os aprendizes para que sejam capazes de sonhar, projetar e construir um mundo mais humano.
    Uma tarefa e tanto!

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  9. Jorge Alberto,
    A falta de representação política merece uma avaliação. professores eleitos esquecem-se dos colegas de profissão. Não é raro empresários darem mais importãncia à educação que professores vereadores, prefeitos, deputados, secretários, ministros, governadores ou presidentes. Preocupam-se em manter seus cargos e passam a defender idéias, ocupar-se com problemas e adotar práticas que lhes garante o posto que conquistaram na eleição com os votos dos mestres.
    Não temos bastidores. Enquanto batemos sinetas defronte o palácio- guarnecido pela tropa de choque – e conquistamos a antipatia da sociedade, outras categorias entram e negociam suas vantagens.
    Somos desafiados a encantar os aprendizes para que sejam capazes de sonhar, projetar e construir um mundo mais humano.
    Uma tarefa e tanto!

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  10. Concordo que nesta data, a forma que os “alunos” (não-iluminados) tratam os professores com suas “educação de berço de ouro”… para sê-lo tem que ter dom e, não há muito o que se comemorar.
    Não me conformo com a atitude da molecada de hoje, no tempo que estudei, existia alguns que se rebeliavam, mas as medidas eram tomadas e o restante respeitava, éramos mais amigos dos professores. Havia mais respeito entre alunos e professores.
    A profissão professor está misturada com psicólogo, com lutador de karatê (para não apanhar de aluninhos), dançarino (para dançar conforme as “regras” impostas), policial (para andar com colete a prova de balas se não toma um “pipoco”), contador de história (quando for preciso explicar o “comportamento” dos filhos para os pais na escola) e por aí vai…
    Grande abraço,

    Camila – Acayrã

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  11. Olá Jorge, estou no magistério há 16 anos e concordo com vc em todos os motivos para não comemorar esta data. É inadmissivel que um garoto de 5,6 anos vire para um professor e diga: Vou te dar um soco!! ou coisas do gênero. Isso aconteceu comigo ontem…Sou super dedicada, educo com amor, mas está muito difícil educar hj, pois as famílias nos consideram “babás” com diploma. Os pais perderam as rédeas de seus filhos, e nós pagamos o pato. Ufa! desabafei…

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  12. Sinceramente, não sei se ainda tenho disposição para isso, estou tentando sair dessa área, mas ter no currículo: professor ou pedagoga parece espantar possibilidades de novas áreas. Já tive momentos de odiar a Pedagogia por sua inutilidade no mercado de trabalho. Olha Jorge, é muito triste escrever isso, pois vc estuda, passa noites em claro, sonha, idealiza, etc, etc, etc. E ao final vc não tem reconhecimento, e o pior, DESRESPEITO. Por isso, que eu me valorizo, faço a minha parte com excelência, para que no dia que largar o magistério possa dizer: EU CONTRIBUI COM O MEU MELHOR. E assim, caminhamos e prosseguimos nesta árdua tarefa. Como costumo dizer: SÓ JESUS EM NOSSAS VIDAS.

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  13. Jaqueline,
    entendo perfeitamente o seu desbafo, pois tenho colegas que relatam as mesmas situações; em alguns casos até piores, eu diria. O desrespeito é total e isso leva a uma maior carga de frustração.

    É muito bom saber que você não esmorece e faz o melhor sempre pensando na Educação.

    um abraço e obrigado pelas palavras e visita.

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  14. Aqui no ES não se fala mais na falta da presença da família nas escolas, segundo alguns chefes de superintendência é a escola que tem a fazer pelos alunos, os pais colocam seus filhos lá e pronto.Nós, além de professores, temos que assumir total responsabilidade por esses alunos.Reprovar, nem pensar!
    Então me pergunto:Como ficará a educação daqui há uns 3 anos, se hoje já está faltando professores?

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  15. Deveria haver um movimento anarquista na educação.
    Professores e alunos são vítimas do mesmo sistema.
    Sinto por todos.
    Aqui não é o Brasil de Paulo Freire ou de Darcy Ribeiro.
    É o Brasil do “créu”.
    Isso é sucesso.

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  16. Aqui, no RS, os professores estaduais decidiram pela greve porque a Governadora entrou no STF postulando através de ADIn a inconstitucionalidade do piso nacional de R$950,00.
    Realmente é o “créu” na parada de sucesso.
    Enquanto isso . . . tensos dias nos aguardam.

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  17. Celeste,

    Aqui no Rio de Janeiro, nos entregam notebooks em sistema de comodato como se isso fosse resolver, por exemplo, o problema de um carro quebrado que não se pode consertar. Queremos salários que nos permitam comprar não apenas um notebook, mas também consertar o carro para ir trabalhar.

    Infelizmente, ainda vivemos algo parecido com o panis et circenses, isto é, salário de fome e notebooks sobre a mesa.

    Abraços.

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