Carros: Liberdade, Estilo, Sexo, Poder, Movimento, Cor, Tudo

Desde que inventamos a roda que, quem possui um – ou vários carros – passa a ser uma figura proeminente perante seu grupo. Nos tempos da Roma Antiga, aqueles que possuíam meios de locomoção própria como cavalos e carros puxados pelos mesmos, eram os que estavam no topo da pirâmide social. Durante a Idade Média, o ideal de honradez e nobreza dos cavaleiros se tornou o código de honra que, de uma forma ou de outra usamos até hoje. Você deve estar se perguntando por qual motivo falo de cavalos em um artigo sobre carros, certo? A pergunta que faço é: qual a medida que serve para mensurar a potência de um automóvel? BINGO! Isso mesmo, o cavalo-vapor, ou cv, que corresponde a 75kgms-¹ (equivalente ao trabalho gasto para erguer 1kg a 1m de altura, ou 735,5 W). Também conhecemos através da sigla hp (Horse Power), que para os países que utilizam o sistema de medidas anglo-saxão, a correspondência (745,7W) não é a mesma, porém a idéia, sim, é.

Em 2008, o Ford T completa 100 anos

Portanto, quando Henry Ford começou a produzir o Ford T, a humanidade começou a perceber que carro e liberdade tinham uma associação imediata. Por isso, o carro é coisa mais valiosamente simbólica que podemos comprar. Nenhum outro objeto requer investimentos em quantidade de energia, dinheiro e a paixão para sua fabricação. Também não há qualquer artefato que consuma tanta ansiedade e ambição por parte de seus consumidores. John Steinbeck, o escritor norte-americano, disse certa vez que “duas gerações de americanos sabiam mais sobre uma bobina do Ford T do que sobre o clitóris. Sabiam mais sobre o sistema de engrenagens do motor desse carro do que sobre as órbitas planetárias do Sistema Solar”. A sabedoria popular afirma que para quem é solteiro, o carro é como uma família e para quem é casado, o carro é como uma amante.

A grande era do design do automóvel foi entre as décadas de 1940 e 1970 (veja aqui os carros mais bacanas), quando foram produzidos carros de beleza estonteante, comprovando que a relação entre carros e o sexo é profunda. E aí se faz a pergunta: “O que torna um carro sexy?”. A resposta é óbvia: O design têm aspectos associativos e diretos como curvas sensuais, superfícies suaves, raios voluptuosos e projetam uma certa agressividade masculina com um apelo erótico. A isso se somam os conceitos de velocidade, desempenho, prazer e perigo, o que torna tudo isso um tanto afrodisíaco. Porém, com o choque do petróleo, em 1973, ter carros assim esbanjadores passou quase a ser pornográfico. Mas como isso tudo já passou, nada como sentir novamente os pneus cantarem no asfalto e sair por aí sem destino.

Esse é o mote do livro Cars: Freedom, Style, Sex, Power, Motion, Colour, Everything, escrito por Stephen Bayley e resenhado por ele mesmo, no artigo The sexual allure of cars, para o jornal The Guardian.

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2 comentários sobre “Carros: Liberdade, Estilo, Sexo, Poder, Movimento, Cor, Tudo

  1. …por isso é que entre as mulheres, quando passa um carro exageradamente veloz ou barulhento, a gente sussurra: “esse aí deve estar impotente”.
    Popularmente brocha.

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