Manchetes de jornal ao sabor da conveniência

À medida em que Napoleão se aproximava de Paris, após fugir do exilio na Ilha de Elba, para retomar o poder em março de 1815, o que constituiria seu último período de governo, os famosos Cem Dias, um jornal francês, o Le Moniteur, mudava as manchetes, indo de um extremo ao outro. Acompanhe a seqüência.

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MARÇO DE 1815

09/03: O MONSTRO fugiu do local do exílio.

10/03: O OGRO desembarcou em Cabo Juan.

11/03: O TIGRE apareceu em Gap. As tropas estão chegando de todos os lados para deter-lhe a fuga. A miserável aventura acabará em fuga nas montanhas.

12/03: É verdade que o MONSTRO adiantou-se até Grenoble.

13/03: O TIRANO agora está em Lyon. O terror apoderou-se de todos que o viram chegar.

15/03: O USURPADOR arriscou-se a chegar a umas 60 horas da capital.

19/03: BONAPARTE adiantou-se em marchas forçadas, mas é impossível que alcance Paris.

20/03: NAPOLEÃO chegará amanhã aos muros de Paris.

21/03: O IMPERADOR NAPOLEÃO está em Fontainebleau.

22/03: Ontem à tarde, SUA MAJESTADE o IMPERADOR entrou solenemente em Paris e chegou ao Palácio. Nada pôde superar a alegria universal.

A Imprensa: O quarto poder.

Como se sabe, a imprensa é tida como o quarto poder e não existe opinião pública, mas sim, opinião publicada, como declarou Pierre Bourdieu: “L’opinion publique n’existe pas” e, antes dele, Winston Churchill disse que “não há opinião pública; há opinião publicada”. Portanto,  todo político que se preza cria, ou patrocina ou se aproxima,  de um jornal, empresa de comunicação e meios de comunicação. No Brasil tivemos vários exemplos como, Getúlio Vargas que criou o jornal Última Hora, em seu segundo mandato, justamente para se defender dos ataques da oposição e também ter suas idéias divulgadas e apoiadas. Isso para não falar de um certo coronelismo eletrônico, no qual estações de rádio e televisão, além  de jornais; são propriedade de um grupo com interesses políticos ou um político, fato que é bastante característico em algumas regiões do Brasil.

A Imprensa no Brasil do século XX, em certo sentido, pode ser dividido em dois grandes períodos imperiais: Um, o primeiro, tendo Assis Chateaubriand capitaneando as comunicações até meados da década de 1960 e o outro, posteriormente, capitaneado por Roberto Marinho daí em diante. O poder conferido é inerente ao controle de algum monopólio na área da comunicação e as relações com os políticos são constantes.

Nesses 200 anos de imprensa no Brasil, vale a pena lembrar a trajetória de vários jornais que estão aí até hoje, a chamada Grande Imprensa, e também aqueles jornais que tiveram destaque por um período de tempo e, que por um motivo ou outro, faliram ou caíram no esquecimento.

Você pode baixar um slide contendo as manchetes apresentadas, dados biográficos e citações de Napoleão Bonaparte, ao clicar aqui.

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5 comentários sobre “Manchetes de jornal ao sabor da conveniência

  1. É nessa hora q aquela velha frase se encaixa, “se não pode com eles, junte-se a eles”.

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  2. Certamente, Artenilson. Acho que foi esse o pensamento do editor do jornal ao perceber que seria inevitável a volta, mesmo que breve, de Napoleão.

    Grande abraço

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  3. Pois é, Fernando.

    Quando eu vi esse texto, ele estava num livro indicado como bibliografia na faculdade, e isso faz bastante tempo mesmo. 🙂

    Abraço.

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