Eu quero é botar meu bloco na rua: Sergio Sampaio, um maldito da mpb

Numa época em que era comum botar a tropa na rua, às vezes surgiam uns caras com propostas inovadoras e até mesmo bem avançadas para o seu tempo. Alguns, para não dizer a maioria, ficaram pelo caminho, mas deixaram suas obras para a posteridade em termos de Música Popular Brasileira.

Caricatura de Sergio Sampaio. In: Eu Ovo

Nessa mesma época era comum os compositores usarem metáforas para expressarem, em suas músicas, o descontentamento com o momento que se vivia. Por exemplo, Chico Buarque cantava que “apesar de você, amanhã vai ser outro dia”; referindo-se à ditadura instaurada e só perceberam que, em vez de ser o samba que contava uma história de desamor, na verdade, era uma mensagem dizendo que um dia aquilo tudo acabaria e amanhã seria um outro dia.

Dentre os vários compositores que se tornaram malditos, uma categoria para exemplificar os que se tornaram underground, um dos mais importantes foi Sergio Sampaio (1947-1994), capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, e que deixou uma obra que, se não foi das maiores, algumas de suas músicas marcaram época, como “Eu quero é botar meu bloco na rua”. Preste atenção à letra e, se você viveu essa época ou, mesmo que não a tenha vivido, entenda as metáforas contidas para, quem sabe, entender um pouco do Brasil daquela época.

Eu quero é botar meu bloco na rua

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu cai do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Ginga pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grilo menos nisso
É disso que eu preciso
Ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua…
Há quem diga que eu dormi de touca…
Há quem diga que eu não sei de nada…
Eu quero é botar meu bloco na rua…

Junto com Raul Seixas, um outro maldito, mas que fez bastante sucesso, ele lançou um LP, chamado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. Uma das músicas, apesar do título ser parecido com o da música anterior, é uma grande sátira a tudo aquilo que acontecia.

Há muitos anos, eu assisti a um show dele no SESC da Tijuca. Eram ele, um violão, um copo de conhaque constantemente abastecido e uma série de músicas bacanas.

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15 comentários sobre “Eu quero é botar meu bloco na rua: Sergio Sampaio, um maldito da mpb

  1. Acho que desta vez não vou resistir e vou adiconar você a meu favoritos. É difícil resistir ao termino da leitura. Ela flui fácil e rapinho já estamos no final.

    Abraço e sucesso!

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  2. esse segundo clipe é fantastico..muito bem feito…é um video original ou feito por um fã amador?

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  3. tia maria de lurdes moraes sampaio mae de sergio moraes sampaio e irma de perycles de moraes

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  4. Parabéns por expor a história de forma tão simples e eficaz àqueles que não vivenciaram esse momento tão marcante de nosso país e que, por isso msm, não possuem recursos suficientes por si só para entenderem a grandeza de uma música tão impactante como essa.

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