CSI precisa estudar Arqueologia

arqueofuturo

Particularmente, eu não gosto e não vejo programas do tipo CSI e seus congêneres. Tenho amor ao meu estômago e não tenho qualquer aptidão para ver cadáveres em decomposição e, além do mais, ver a canastrice de alguns de seus atores. Dos pedaços (sem trocadilho) de episódios que assisti ao passar pela sala de casa, eu quase dei gargalhadas vendo a interpretação do David Caruso. Precisava ver o cara parado esperando para entrar em cena quando filmaram um episódio desse seriado na Lapa. Estava igual a cena de entrada da série. Paradão com aquela postura de “Eu sou o cara”.

Se canastrão ele é, outros mais são. De legistas nada eles tem e muito menos de arqueólogos. Ora, o que tem a ver arqueologia com autópsias? Pode parecer que nada, certo? Acredite, pois tem. Há um campo da Arqueologia que é conhecido por Bioarqueologia, que caso esteja na área da antropologia, pode receber o nome de Antropologia Biológica. Interessante, não? Até mesmo podem desvendar ou não um crime ocorrido durante a XVIII dinastia do Egito, o suposto assassinato de Tutancâmon.

Qual a importância de ambas? Bem, dentro de um tribunal a antropologia forense e a arqueologia forense ajudam pra caramba no sentido de desvendar certas coisas como, por exemplo, quando em que condições uma determinada pessoa morreu e teve seu corpo encontrado, digamos, quando inteiro, num terreno baldio ou esquecido num deserto ou geleira. Aí já vira sítio arqueológico, não? Quando acharam o Oetzie, o homem morto há mais de cinco mil anos numa geleira, na Itália, descobriram várias coisas sobre ele, que não específicamente aquilo que o matou. Tratou-se, portanto, de um trabalho de bioarqueologia, que desvendou um pouco mais a forma pela qual a humanidade vivia naquele período.

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Também há algum tempo vi uma série de documentários da BBC, nos quais arqueólogos, antropólogos e historiadores analisavam ossadas de pessoas que viveram nas ilhas britânicas em séculos passados, chegando ao requinte, através do estudo desses ossos, a saber até mesmo que tipo de doença afligiu aquela pessoa e conseqüentemente a sua morte derivada disso. Em cada episódio desse documentário, eles escolhiam um indivíduo, reconstituiam as suas feições e imaginavam como seria o seu cotidiano. História da melhor qualidade.

Se você tiver uma oportunidade de visitar um sambaqui, como eu tive quando ainda estava na graduação, e visitamos sítios arqueológicos em Cabo Frio (RJ), entenderá um pouco mais sobre como os materiais deixados pelo homem, sejam eles orgânicos como seus ossos, por exemplo, e objetos utilizados ou construidos por eles, que podem contar muito da história de como vivíam há milhares de anos. Vale lembrar que este tipo de sítio arqueológico está espalhado pela costa brasileira, em especial no estado de Santa Catarina e há uma boa literatura sobre isso. Vale a pena conferir.

Sites interessantes:
Bioarqueologia
Otzie
Sambaqui
Museu Virtual de Maricá
Blogs de Ciência
Sambaquis e Quilombos
Sambaquis, um poema de Antonio Miranda
Arqueólogo Virtual

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3 comentários sobre “CSI precisa estudar Arqueologia

  1. Gostei muito do cartum! Você poderia me ceder, ou indicar a fonte para quando eu relacionar algum texto?
    Visite meu blog! Acredito que esta imagem me servirá muito.
    Obrigada.

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  2. Post riquíssimo na informação e nas referências. Quanto ao último parágrafo, fez-me lembrar da década de 70, quando a sanha imobiliária destruiu vários sambaquis em Itaipú, Niterói, apesar do grito dos jornais alternativos, (que não dependiam da publicidade de grandes construtoras e dos indefectíveis lobbies políticos), da sociedade esclarecida e dos locais, – a maioria, naquela época, pescadores. Bjs e inté!

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