Biopirataria à moda Inglesa

bandeirapirata

O que muita gente não sabe é que os ingleses foram os primeiros a praticar a biopirataria na era moderna. Sabe aquele Jardim Botânico que tem em Londres, que é uma estufa gigante? Pois é, lá dentro estão duas das 70 mil sementes de seringueira contrabandeadas, em 1876,  por um aventureiro que se tornou, depois,  Sir Henry Wickham.

A sua passagem pelo Brasil marcou o início da Inglaterra como maior produtora mundial de borracha, e o fim do ciclo da mesma na Amazônia, cujas sementes roubadas daqui foram parar nas colônias inglesas espalhadas pelo mundo.

Essa historia é registrada tendo duas visões, e é lógico que lá onde a maçã caiu na cabeça do mais implacável coletor de impostos que poderia existir e que por acaso era físico, um tal de Sir Isaac Newton, Henry Wickham é visto como herói. Aqui ele leva a fama de ser o Carrasco da Amazônia. Os defensores da tese que permitiu esta biopirataria, até lançam livros meio aventurosos contando a biografia desse Sir. Foi lançado na Inglaterra, o livro The Thief at the End of the World (algo como O Ladrão no Fim do Mundo), escrito por Joe Jackson.

Henry Wickham (1846-1928)

Este Henry Wickham, que morou em Santarém, no Pará, antes de contrabandear as sementes da Seringueira (hevea brasiliensis), perambulou pela América Latina, faliu algumas vezes e até contraiu malária. Entretanto, foi mais esperto e enganou as autoridades brasileiras da época, conseguindo fazer este contrabando. Eles se defendem usando a lógica do capitalismo colonial, tanto que o autor diz o seguinte:

“(…) foi um esforço de Wickham, isto fazia parte da economia colonial e foi apoiado pelo  governo (Inglês) e pelo diretor do Kew (o jardim botânico de Londres)”.

Isto ajudou a Inglaterra a ser mais império econômico ainda. Fato inegável, pois conseguiram acabar com o monopólio brasileiro sobre a borracha.

E, na maior cara de pau, ao final da resenha que saiu no The Times, o resenhista solta a seguinte pérola:

“É necessário lembrar que a Inglaterra não foi o único país envolvido em pilhagens botânicas. O Brasil também é culpado de algo parecido, quando contrabandeou sementes de café, dos franceses, e se tornou o maior produtor mundial”.

O absurdo da biopirataria é tamanho, que até sangue indígena anda sendo contrabandeado, como podemos ler num artigo do Blog EcoDebate. E como os países desenvolvidos estão meio que receosos com os biocombustíveis colocam o Brasil, que produz álcool de cana no mesmo balaio que os EUA, que produzem álcool de milho, e preferem pedir para que o governo britânico atrase a adoção desses combustíveis nos postos de gasolina, como está no blog tudosobreplantas.com.br.

pirata

Que os ingleses foram piratas não há como negar. As cartas de Corso hão de contar sempre a verdade sobre essa história, a de um país que procurava enriquecer e que achou a maneira mais fácil de fazer isso roubando dos outros. Quer dizer, a lógica era mais ou menos assim: ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Os espanhóis sofreram na mão dos corsários, piratas funcionários públicos, ou melhor, mancomunados com a Rainha Elisabeth I, que teve até o seu “coisa e tal”, um pirata, compartilhando com ela o mesmo sabonete, e que depois de tanto roubar ouro asteca que os espanhóis usurparam , virou Sir Francis Drake.

Eu sempre gostei muito de filmes de pirata e há falas que sempre eram comuns neste tipo de filme. Invariavelmente, um pirata inglês era capturado pelos espanhóis e seguia-se a tortura. Aí vinha a famosa frase: “Fale cão inglês!”. Como o inglês não falava o que o espanhol queria ouvir, este emendava com: “E o cão ainda rosna”. É muito engraçado mesmo.

Era hábito dos filhos da Velha Albion gatunar colônias e países do chamado Terceiro Mundo sem qualquer cerimônia. Lembremos que por conta de uns selos e do chá, os EUA foram à luta e se libertaram do domínio inglês. Lembremos, também, da cena em que Gandhi apanha um punhado de sal nas mãos e faz disso um dos motivos para a libertação da Índia. Nem o sal, que é vida, os indianos poderiam produzir. 

A lógica para tirar o corpo fora, como percebemos, ainda é a mesma dos tempos dos corsários: Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Portanto, o pneu do carro do Lewis Hamilton tem mais é que furar mesmo! 🙂

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Um comentário sobre “Biopirataria à moda Inglesa

  1. Muito legal o post…o livro foi creditado a mim pelo Joe Jackson entao meio que suspeito ouso recomenda-lo como umas das melhores leituras sobre a historia da Amazonia e da borracha….

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