As mulheres não querem vencer no mundo corporativo

Há alguns meses foi lançado um livro na Inglaterra que trata sobre o fato das mulheres não terem sido programadas pela Evolução para serem líderes no mundo corporativo. Esta é a idéia da psicóloga Susan Pinker, que relaciona o hormônio oxitocina (ou ocitocina), responsável pelo sentido da sociabilidade, mais precisamente quando se trata de uma união do tipo casal ou amizade. Este hormônio também é responsável pelas contrações do útero durante o parto e a ejeção de leite materno. Ao mesmo tempo, é ele, hormônio, que faz a mulher sentir a maternidade como parte de seu Universo e razão de ser biológico. Nos homens, atua de forma que faça o pai sentir prazer em segurar seu filho nos braços, por exemplo.

Oxytocin

Então, a partir do estudo de alguns casos de executivas de grandes empresas e também depoimentos, a autora escreveu o polêmico livro The Sexual Paradox (O Paradoxo Sexual), em que apresenta as motivações que levam estas mulheres, e muitas outras, a preferirem determinadas posições em suas empresas, que não as faça estar distantes do sentido de família, educação, alimentação e segurança de seus filhos. Este é, segundo a pesquisadora, um comportamento exclusivamente feminino.

A doutora Susan Pinker é canadense, casada e mãe de três filhos. Ela acredita que o movimento feminista distorceu a visão das diferenças entre os sexos e o que agora propõe é o entendimento dessas diferenças biológicas, para não cair na armadilha que induz ao pensamento de que as mulheres devem fazer todas as coisas que os homens fazem. (John Naish)

Vamos, portanto,  numa livre  tradução ao resumo do artigo Are girls wired not to win? , que saiu no The Times Online, do dia 28 de fevereio de 2008.

 

As Meninas Não Foram Programadas Para Vencer?

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A primeira vez que tive notícia da história de Elaine foi através de um artigo de jornal escrito por ela, intitulado “O meu telhado de vidro[1] é uma auto-imposição”, no qual ela descreve como rapidamente uma mulher executiva pode ser afastada do centro de decisões de uma empresa ao recusar uma promoção em uma empresa multinacional que fatura bilhões e, assim, sentiu necessidade de explicar seus motivos para a recusa.

Ela faz um detalhado relato de como a empresa forneceu todas as condições para que seu trabalho como executiva fosse desempenhado da melhor maneira possível como, por exemplo, criar um escritório em sua casa, ter horário flexíveis, facilidades de comunicação, pagamento de salário para empregadas domésticas e babás. Esta empresa foi avaliada como uma das 100 melhores, entre norte-americanas e européias, para que uma mulher possa trabalhar.

Esta promoção lhe daria o terceiro cargo mais importante da empresa, que conta com 60 escritórios e 12 mil funcionários espalhados pelo mundo. Em poucos anos ela teria a chance de se tornar a principal executiva da empresa.

Eu pensava que Elaine estaria apenas preenchendo espaços em branco sobre as razões que tornam cada vez mais evidentes o fato de mulheres altamente capacitadas estão pulando fora na corrida pelos principais cargos e altos salários. Uma investigação revelou que 60% das mulheres pesquisadas preferiram não aceitar promoções ou preferiram cargos com salários menores que, assim, lhes permitiriam maior flexibilidade ou conjugar seus trabalhos com a finalidade social de suas vidas.

Elaine estava ansiosa para me contar a sua história. Ela é fascinante, tem aparência atlética e é muito confiante em si. Logo foi perceptível que ela era praticamente desprovida do sentido de ambição. Ela trilhou assiduamente o seu caminho até se tornar executiva.

 Mother and Child Swimming © Floris Leeuwenberg/The Cover Story/Corbis

A conversa teve início com Elaine indo diretamente ao ponto sem rodeios, dizendo-me que além ter amado seu trabalho, teve dois filhos, marido e os pais que foram fundamentais para sua felicidade. A promoção a levaria a mudar de cidade, ao mesmo tempo em que elevaria seu status e salário; porém, isto desestabilizaria sua família. Sua mensagem foi explícita: Trabalho é essencial, mas as prioridades de sua família são mais importantes. O que quis dizer nas entrelinhas? Disse que, de certa forma, isto é vergonhoso, pois não é uma boa estratégia recusar promoções por motivos familiares, que para você são mais importantes que suas realizações profissionais e a empresa na qual trabalha.

Durante o almoço ela me contou as reações dos homens quando disse o “não” para a promoção. O presidente de sua empresa a olhou e perguntou: “Eu acho que você está doida”. Meu sogro, que foi CEO de uma empresa e os seus cinco filhos trabalham em empresas por todo mundo, entrou em desespero. Também relatou as pressões que as mulheres sofrem nas empresas, quando começam a trabalhar, para atingir o topo de suas carreiras como executivas. Tudo lhes é oferecido e ela só se lembra de uma mulher ter dito “sim” para uma promoção aos moldes da sua. Era uma mulher que não tinha família.

O caso de Elaine não parece ser raro no meio corporativo anglo-saxão. Numa pesquisa feita pela analista de investimentos Carolyn Buck Lee e pela economista Ann Hewlett, foi constatado que, de um grupo de 2443 executivas, uma em cada três que tem MBA escolhe não trabalhar em horário integral em comparação com um em cada 20 homens com MBA. Cerca de 38% das mulheres preferiram as “promoções para baixo” e cargos com menores salários.


[1] Em inglês, o termo glass ceiling (telhado de vidro) tem outro sentido diverso do conhecido no Brasil. Para nós, significa que também temos pontos fracos e, por isso, não devemos jogar pedras no telhado do vizinho. No mundo corporativo anglo-saxão, o significado é uma sólida barreira invisível que impede a ascensão profissional das mulheres ou de alguma minoria, seja étnica, sexual ou cultural.

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7 comentários sobre “As mulheres não querem vencer no mundo corporativo

  1. Existe uma teoria que diz que a mulher não abre mão da sua vida pessoal e do seu tempo para viver sua vida em detrimento do poder e para servir patrões e lideranças antropofágicas ou teorias onde o trabalho é a primazia.E a teoria de que a mulher abre mão de si mesma para parir está ultrapassada como tantas outras baseadas na visão do homem do seu próprio enteresse de subjugar a mulehr e sua vida.

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  2. Ola Jorge,
    Bom post. Parabéns.

    As mulheres estão a ser cada vez mais descriminadas, e como se não bastasse, ainda aparecem mulheres (Susan Pinker), a afirmar que “as mulheres não foram programadas pela Evolução para serem líderes no mundo corporativo”?? significa que nem as próprias mulheres gostam delas .. impressionante.

    Eu então, não consigo passar ser elas …

    Abraço,
    Artur

    Esta é a idéia da psicóloga Susan Pinker,

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  3. jORGE

    Seu post está fabuloso!!!

    OBS. nÃO SEI O QUE ACONTECE COM O LINK!

    SOU MULHER E LOURA……..

    🙂

    BRINCADEIRAAAAAAAAAAAA

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  4. Como podemos perceber, nem mesmo as mulheres conseguem encontrar uma explicação para a sua inserção no mercado de trabalho e coadunar isto com o seu papel de mulher na sociedade patriarcal em que vivemos.

    Certamente, um dia estas questões serão vistas como apenas um momento de incerteza da sociedade em si. Hoje temos vários exemplos de mulheres que obtem sucesso em suas atividades, inclusive no comando de grandes potências econômicas como a Alemanha, por exemplo.

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  5. Trabalhei em diferentes empresas e jamais vi uma executiva abrir mão de qualquer cargo ou promoção por qualquer motivo. Pelo contrário, em alguns episódios pareciam ser bem mais competitivas do que os homens, além de exibirem um enorme talento para combinar filhos, marido e trabalho fosse ele qual fosse. Bem, eu tenho cinquenta e sete anos de idade, mas as idéias dessa tal Suzan… Talvez haja excesso dos tais hormônios na moça(?). Bjs e inté!

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  6. Não gostei desta pesquisa dessa tal Susan, acredito que as mulheres estão super preparadas e são melhores do que os homens em alguns tipos de trabalhos e também estão sendo muito mais competitivas.
    Acredito que ela esteja tendo uma visão meio retardada da evolução feminina.
    As mulheres tem sido líderes por muito tempo, em casa, com a família, as finanças pessoais e no trabalho.
    Mas foi muito bem direcionado este post, adoro assuntos polêmicos.
    Um grande abraço, Jorge.
    Camila – Acayrã do Deserto

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  7. Ju e Camila,

    Realmente, a pesquisa é um tanto anacrônica, penso eu. Ao mesmo tempo, não podemos descartar alguns componentes sociais que levam as mulheres do hemisfério norte, de origem anglo-saxã a pensarem da forma como foi exemplificada na pesquisa.

    Digamos que exista o componente da maternidade e disso as mulheres não podem fugir ou negar; porém, também há um outro componente que está relacionado a crescimento vegetativo (o número de nascimentos em países desenvolvidos é bem menor). Talvez a coisa passe por aí de uma certa forma.

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