A Moda e as Guerras, dois casos interessantes

Atol de Bikini, 1946.

Que o mundo da moda é uma guerra ninguém têm dúvidas. Podemos constatar isto observando os “bombásticos” lançamentos feitos pelas grandes casas de alta-costura, na maioria francesas, que darão o tom da próxima estação do ano. A coisa é efêmera e os estilistas precisam se reinventar a cada três ou seis meses; lógico pois a referida moda varia de acordo com as estações.

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O mais interessante é que, além da guerra interna pelo estrelato na (e da) moda, os conflitos entre países também podem originar, ao menos, nomes para peças do vestuário; tanto masculino quanto feminino. Dois exemplos clássicos estão no nosso cotidiano, a saber: a gravata, que virou moda nos tempos da Guerra dos Trinta Anos , justamente pelo fato de que tropas mercenárias croatas (cravate em francês) utilizarem um lenço amarrado ao pescoço tendo um nó característico, o que conferia uma certa bossa e distinção aos soldados. E por terem auxliado os franceses na vitória, a peça de vestuário passou a ser utilizada e tornou-se símbolo de distinção da elite. Hoje em dia, pobre do executivo que não usar um pedaço de pano amarrado ao pescoço, feito de tecidos nobres e com alguma etiqueta famosa por trás. Certamente estará mais para executado do que executante.

A outra peça de vestuário, agora feminino, que tem relação com franceses e guerras é o biquíni.

Já nos tempos da Guerra Fria, mais precisamente em 1946, a França explodiu sua primeira bomba atômica num atol do Pacífico Sul conhecido por Bikini. Foi uma bomba de 23 mil toneladas, que levantou um cogumelo de dez mil metros, pulverizando tudo ao redor.

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Dias depois, num evento de moda em Paris, um estilista apresenta uma roupa de banho feminina composta por dois triângulos unidos por um fio de pano e mais uma peça que se assemelhava a uma pequena sunga, que permitia sonhos delirantes por mal cobrir o que se propunha não mostrar. Foi um escândalo! Falaram muito mais da peça do que propriamente da modelo ou do estilista. Durante alguns anos não se tocou mais no assunto tamanho foi o choque.

Como a mente humana funciona em busca de associações para bem compreender a realidade, alguém teve a idéia de juntar a atriz Rita Hayworth, que curiosamente fora protagonista no filme “Gilda”, de 1946, e também era conhecida por atomic bomb, devido ao calor incandescente que suscitava nos homens. Dizem os críticos de cinema, e eu concordo, que a cena mais bela de nudez feminina é justamente aquela em que ela, cantando Put Blame On Mame (veja a cena), tira uma de suas luvas. Pois bem, a bomba atômica em questão, que foi lançada no mesmo ano levava o nome de… Gilda! Portanto, para associar bomba atômica, um local, calor sensual, guerra e uma peça mínima de vestuário foi um pulo, certo? Desde então, o maiô feminino de duas peças é conhecido pelo nome do atol.

A coisa não fica só por aí. Quando os alemães invadiram a França, em 1940, além do vinho que tentaram roubar, eles também tentaram se apropriar da moda francesa. As francesas lógicamente sonegaram informações e ao mesmo tempo não deixaram, pelo menos em Paris, de fazer da moda um símbolo de resistência ao invasor, apesar de Coco Channel ter sido colaboracionista.

Leia o artigo É a Roupa Que Faz o Homem?

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2 comentários sobre “A Moda e as Guerras, dois casos interessantes

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