Baixaria no mundo das biografias

Amanda Foreman ₢ The Times A escritora Amanda Foreman, está sendo acusada de causar um rebuliço no recatado e discreto mundo das escritoras de biografias. A acusação baseia-se no fato de ela estar transformando este espaço em um trampolim para alcançar a lista dos best-sellers e autopromoção.

Ela é jovem e bonita. A sua estratégia de marketing foi tirar uma foto nua[1] tendo uma pilha de seu primeiro livro Georgiana, Duchess of Devonshire, livro publicado em 1998. A pilha foi colocada em pontos estratégicos à frente de seu corpo. Para os meios literários ingleses isto foi um atentado. Tanto que sobre ela também recai a acusação de desvalorizar a atividade do (a) biógrafo (a) e prestando um desserviço a arte de escrever biografias. Assim, também está inaugurando a era das biografias escritas por encomenda para enaltecer a imagem do biografado.

 

Aqui no Brasil isto não é motivo de espanto. Agora mesmo saiu uma biografia de um antigo governador do estado e prefeito de São Paulo. Imaginem o que deve estar escrito lá dentro. Só devem existir palavras doces e desmentidos para as descalabros cometidos em suas gestões, como prospectar petróleo em plena Avenida Paulista.

Ao mesmo tempo, há poucos meses deu-se a polêmica sobre a biografia do maior cantor popular do Brasil ainda em atividade. Foi autorizada ou não autorizada? Outra polêmica também se deu com relação a biografia e ao pagamento de direitos às filhas do maior ponta direita do futebol em todos os tempos. (Nota do Tradutor)

As farpas foram lançadas por Kathryn Hughes, uma biógrafa que apresenta regularmente o programa de rádio Livro Aberto na Radio 4 da BBC, em um artigo intitulado A Morte de Vida Escrita, alegou que uma grande parte da “desmoralização do biógrafo profissional” foi estabelecida pela autora Amanda Foreman, que é filha do falecido roteirista de Hollywood Carl Foreman, responsável pelos roteiros dos filmes High Noon Matar ou Morrer) , The Guns of Navarone (Os Canhões de Navarone) e The Bridge On The River Kwai (A Ponte do Rio Kwai). Ela usou sua tese de doutorado em Oxford (Lady Margaret Hall), como base para a Georgiana.

A biografia vendeu mais de 200 mil cópias e uma versão para o cinema, estrelada por Keira Knightley (Piratas do Caribe) será lançada ainda este ano na Inglaterra.

A grita geral dos críticos afirma que esta atitude, a autopromoção, digamos, exótica, tem gerado uma drástica mudança no estilo literário denominado biografia. Algumas editoras estão editando menos biografias sérias como a Adolf Eichmann (Nazista criminoso de guerra, responsável pela morte de milhares de judeus e que foi preso na Argentina em 1962), em favor das biografias como as da cantora Charlotte Church e da atriz Lesley Ash.

Na semana passada foi contabilizada a biografia da modelo e apresentadora de TV Katie Price, também conhecida por Jordan, que vendeu mais de 335 mil cópias, enquanto que Matisse the Master, a biografia de Henri Matisse escrita por Hilary Spurling vendeu apenas 12.451 exemplares.

Como se pode perceber, o povo quer ler sobre as fofocas e mazelas da vida alheia. (Opinião do tradutor)

Ainda segundo Kathryn Hughes, que contabilizou as vendas acima, num artigo no jornal The Guardian, declarou que “ao se permitir fotografar nua por detrás de uma pilha de livros e contando sua própria história de vida na matéria da revista de moda Tatler, quis parecer mais importante do que a sua biografada. Sendo assim causou um mal acidental ao estilo literário biografia e também às jovens biógrafas em particular.

Isto tem levado as editoras a buscar biógrafas fotogênicas para escreverem biografias encomendadas unindo, assim, duas estratégias de venda que podem render excelentes lucros: escritoras bonitas e assuntos popularescos. Cada vez mais se comprará um livro não apenas pela capa bem feita e o assunto curioso; mas também, pela fotogenia e ousadia da escritora. Te cuida, J.K. Rowling.[2] (Opinião do tradutor)

Um historiador inglês declarou, num artigo sobre autores-celebridades da Literary Review, que “O pior de tudo é que esta história marcará o início da contaminação das editoras que lançarão livros encomendados (logo, comprometidos – n.t.) escritos por pessoas que passam longe de saber alguma coisa sobre algum período, apenas arranhando o assunto que escreverão”. Ainda arrematou informando que a opinião pública inglesa não estaria suficientemente preparada para vê-lo nu ao promover um de seus livros.

Algumas biógrafas afirmam que há um notável “Efeito Amanda”. Susan Ronald, de 55 anos, autora de uma biografia da Rainha Elizabeth I, chamada The Pirate Queen (A Rainha Pirata), relatou que um editor lhe disse a seguinte frase: “Você é muito velha para ter sua foto na capa”

Eles deveriam contratar apresentadoras de programas infantis e top models, que estão sempre aparecendo, pois são geralmente muito bonitas.


[1] Ela não tem um umbiguinho bonitinho? (Opinião do Tradutor)

[2] Feia pra caramba, mas talentosa. (Opinião do Tradutor)

Livre tradução do artigo de Maurice Chittenden, Bitchiness breaks out in world of biography: Calm down, ladies! , par a o Sunday Times, em 6 de julho de 2008.

Tradutor: Jorge Alberto

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