Gotas caem, Barquinho de papel

Gotas caem e o som que produzem me remetem à infância quando, na mesma situação, uma chuva mais forte nos fazia olhar através dos vidros das janelas o movimento das águas que corriam como um rio caudaloso na rua em que morávamos.

Bastava amainar para que fôssemos para a rua já com os barquinhos de papel previamente construídos enquanto a chuva caía. Era uma das maiores diversões que poderíamos ter naquele momento.

Acompanhávamos o navegar ziguezagueante daquela dobradura de papel e, caso o barquinho fosse parado por alguma pedra ou pedaço de madeira, logo desimpedíamos o caminho.

Juntavam vários garotos e até algumas meninas para brincar assim. Corríamos acompanhando o trajeto. Depois de um tempo o papel que gradativamente perdia a impermeabilidade ia desfazendo o vinco até que o barquinho voltasse a ser uma folha de caderno, navegando como um retângulo branco até que o perdêssemos de vista.

II

O som da chuva têm vários tons
Agudos e estalados. Secos
quando caem sobre a calçada
em gotas solitárias
Estridentes como um chiar de frigideira
quando de uma calha cai o fluxo acumulado
Pléc… plic… batendo na soleira
Um chuuuuuuuuu mais forte ao caírem sobre
os telheiros de amianto e mais claro quando
caem sobre telheiros de alumínio.
De repente os sons da chuva diminuem
como num pianíssimo.
Ao fundo ribomba o trovão
como se fossem os tímpanos do fundo
da Sinfônica.
O vento traz o frescor das gotículas à face.
Em compasso contínuo volta o som forte das águas.
As gotas que caem trazendo todos os tons.
As árvores dizem shhhhhhhhhhhhh para fazermos
silêncio e ouvir as gotas caindo sobre suas folhas.
A chuva parou
Um rasgo nas nuvens
O Sol novamente mostrou.
( J.A. – 2008 )

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2 comentários sobre “Gotas caem, Barquinho de papel

  1. Lucia:

    Dois momentos distintos, a criança e o homem, vivenciando um mesmo acontecimento. Em ambos, poesia. A da criança, poesia pura, que enternece, que nos faz viajar com o barquinho até nossas proprias memórias infantis. A do homem… fascinante. É necessária muita sensibilidade para entender a poesia contida nos sons da gotas de chuva.
    Lindo demais!
    Um beijo

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  2. Olá meu estimado amigo.
    muito lindo essa sua poesia.
    nos faz lembrar brincadeiras de crianças.
    Rever um passado com muita pureza e doçura.
    Num rasgo de saudades,
    .Viajei no tempo.
    Acompanhei seu canto,
    Cantei cantigas,brinquei.
    Não pare agora e reviva esse momento, que nos traz a infância.

    Fique na paz.
    beijos da nova amiga.

    Regina Coelo.
    Te aguardo no meu canti ho.

    Curtir

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