Manuel Bandeira: vou-me embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira em vídeo.

Um dos nossos maiores poetas em imagens de um documentário chamado Manuel Bandeira – o habitante de Pasárgada. Notem que ele está no Rio de Janeiro e este vídeo mostra um parte do cotidiano do poeta. Em determinada cena, quase ao final, ele caminha pela Avenida Presidente Wilson, atravessando a rua em direção à Academia Brasileira de Letras. É um Rio de Janeiro com poucos carros, mas pelo movimento é possível saber que estas cenas foram gravadas num final de semana, um domingo talvez.

O poema:

Prestem atenção ao registro de sua voz e o poema por ele declamado, Vou-me embora pra Pasárgada no vídeo abaixo

Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia e é atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã, situado 87 km a nordeste de Persépolis. Foi a primeira capital da Pérsia Aqueménida, no tempo de Ciro II da Pérsia, e coexistiu com as demais, dado que era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. É hoje um Patrimônio Mundial da Unesco. (Wikipedia) [Leia mais]

Visão aérea (googlemaps) do sítio arqueológico de Pasárgada.

Exibir mapa ampliado

Biografia de Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira”, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

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3 comentários sobre “Manuel Bandeira: vou-me embora pra Pasárgada

  1. Docinho!!Desculpe enviei comentario na postagem errada,,,rsssss,,,Liga não é a idade,,rsss
    To mandando outro,,rsrss

    Me emocionei ao ouvir e ver o vídeo.
    Me parece que esse mininu era muito solitário.
    Parabéns pela escolha,
    vc é millllll
    Beijinhos com carinho de RO!!

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  2. Pasárgada é o local mágico dos que na esfera do que é real não dispõe de tanto encanto…Bandeira levou,ao que parece, uma vida melancolia de fraqueza física e introspecções altamente criativas e simples. Simples como prevê ockham.Se tornou então com isso uma mente encantadora singular e única capaz de produzir da solidão um paraíso na terra….

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