Uma breve história da evolução: 150 anos da Teoria da Seleção Natural

Title Page from the Origin of Species © Bettmann/CORBIS 

Nesta semana, mais precisamente no dia 18 de junho, completaram-se 150 anos da finalização da Teoria da Seleção Natural por Charles Darwin. Isto só foi possível devido aos contatos mantidos entre Darwin e Alfred Russel Wallace, que tão logo melhorou da malária contraída na Malásia, enviou uma correspondência ao Naturalista inglês contando-lhe sobre suas idéias a respeito da evolução.

Segundo Richard Dawkins (vale a pena ler o  seu livro “O Relojoeiro Cego” – N.T.), esta foi a mais importante idéia que já ocorreu a um ser humano. Frase esta que corrobora a que foi dita pelo paleontólogo Stephen Jay Gould (indico todos seus livros – N.T.): “A maior revolução ideológica da Ciência”.

Uma breve história da Evolução

Século VI a.C.
A idéia de que as espécies poderiam mudar e evoluir para outras espécies existia antes de Darwin e Wallace criassem a teoria da seleção natural. O filósofo pré-socrático Anaximandro de Mileto apresentou o início das idéias evolutivas[1]. No entanto, esta idéia se sustentou até o final do século 18, com o desenvolvimento das ciências da botânica e geologia, quando a idéia da evolução foi debatida a sério. O problema era simples para os naturalistas, no entanto. Se Deus não criou qualquer tipo de criatura viva, como fez um tipo de animal ou vegetal mudar para outra? O que originou o processo que levou à evolução?
1800
Um dos primeiros mecanismos propostos foi apresentado pelo naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck . Ele alegou que características adquiridas por um animal durante a sua vida são transmitidos às gerações futuras. Um animal que desenvolveu músculos ou um longo pescoço passaria estes a sua prole. A idéia foi o primeiro acerto para uma em uma teoria da evolução. Infelizmente foi uma pena para Lamarck, que não tenha sobrevivido ao escrutínio da ciência. Gerações de gatos que tiveram suas caudas amputadas não tenham dado origem a gatos com caudas curtas. Características adquiridas não são herdadas, embora a idéia persistiu como um conceito científico sério para o século 20.
1830-1833
Outro acontecimento-chave no desenvolvimento de um mecanismo que poderia explicar a evolução das espécies foi a publicação dos três volumes de Charles Lyell, Principles of Geology (Princípios de Geologia), entre 1830 e 1833. Lyell alegou que a história da Terra não era de curto prazo ou de transformações violentas e catástrofes, mas uma sucessão gradual de mudanças que tiveram lugar durante longos períodos. Esta visão de um planeta moldado pela minúscula alterações – causadas pela erosão, formação de sedimentos, o impacto do vento e de outros fatores – e que operam ao longo das eras geológicas teve um profundo impacto sobre naturalistas.
1858
As idéias de Darwin e Wallace foram lidas na Linnean Society, em Londres. Os dois homens tinham sido profundamente influenciado por suas observações da fauna silvestre em todo o globo. Em sua volta ao mundo na viagem do Beagle, Darwin tinha também um exemplar do livro Princípios de Geologia, de Charles Lyell, que garantia um embasamento para os seus estudos de animais e plantas nas Ilhas Galápagos e outras partes do mundo. Wallace, por seu lado, tinha feito suas observações na Amazônia e Malásia.
1865
Ao livro A Origem das Espécies, publicado em 1859, faltava uma característica-chave: um entendimento da genética. Esse conhecimento foi fornecido por Gregor Mendel, em 1865, quando seus estudos de plantas o levaram a desenvolver as leis da genética. A unidade básica deste processo é o gene, que é o foco das forças da seleção natural. As leis de Mendel foram ignorados pela principal corrente da ciência até ao início do século 20. Só assim foi possível entender a mecanismos genéticos que sustentam a seleção natural.
1953
Francis Crick e James Watson desvendaram a estrutura – uma dupla hélice – do ácido desoxirribonucleico (DNA), o material de que os genes de todos os seres vivos, das formigas à baleias, é construído. A descoberta permitiu aos cientistas iniciar estudos detalhados sobre o impacto da seleção natural em um nível molecular.

Como Darwin ganhou a corrida evolução
São 150 anos desde que Darwin fez um dos mais significativos avanços científicos na história – a teoria da seleção natural. Mas se não tivesse sido por uma jovem ornitólogo do outro lado do mundo, seu trabalho seminal poderia nunca ter aparecido. Robin McKie narra a história por trás do extraordinário livro A Origem das Espécies.

A teoria de Darwin e Wallace: Os quatro elementos-chave
 
– Criaturas da mesma espécie diferem umas das outras maneiras em que as características são herdadas. Isto é conhecido como variação. Um exemplo é dado pela tartarugas gigantes do arquipélago Galápagos, que Darwin estudou em pormenores. Entre aqueles que nasceram de mesmos pais, alguns terão pescoços mais longos do que outros.

– Nascem mais criaturas de uma espécie e nem todas podem sobreviver. Esta é a luta pela existência.

– Algumas criaturas da mesma espécie possuem características que lhes darão uma melhor chance de sobreviver e de reprodução do que outros desta espécie. No caso das tartarugas Galápagos, aquelas com pescoços mais longos serão capazes de atingir as plantas mais altas, base da alimentação destes animais, o que constitui uma característica útil quando em períodos de secas a vegetação não está disponível para servir de alimento. Isto é seleção natural.

– Estas características favorecidas são transmitidas às gerações futuras e se acumulam. Durante um longo período, novas formas de vida podem evoluir. Esta é a origem das espécies. Para o caso das Galápagos, nas ilhas mais áridas, o que significou o aparecimento de tartarugas capazes de esticar o pescoço até os ramos mais elevados.

Texto condensado, editado e livremente traduzido por mim do artigo
How Darwin won the evolution race. Robin McKie. The Guardian, 22/06/2008.

Leia também os artigos:

Espectro de Darwin
Que obra de arte é o Homem…
Mau Uso da Ciência
Começa em São Paulo a Exposição Revolução Genômica


[1] Anaximandro ensinava a evolução das coisas e das espécies. Para ele, os animais nasceram do lodo marinho, e o homem teria se formado, no princípio, dentro de peixes, onde se desenvolveu e donde foi expulso logo que se tornou de tamanho suficiente para bastar-se a si próprio. In: Wikipedia. (N.T.)

A imagem que ilustra este artigo é o fac simile da primeira página do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin, editado em 1859. (N.T.)

Em 2009 serão comemorados os 200 anos de nascimento de Darwin e, em 2008, os 150 anos da elaboração da Teoria da Seleção Natural. (N.T.)

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4 comentários sobre “Uma breve história da evolução: 150 anos da Teoria da Seleção Natural

  1. O maior livro já escrito, melhor e mais interessante que a bíblia ou outro qualquer livro religioso. devia ser dado como brinde nas escolas e não comprado.

    Ele é o melhor porque tenta ao menos explicar como a vida surgiu, ao contrário de livros religiosos que sempre escapam da verdade sem funadamento nenhum, e dizem que deus e a vida surgiu como um passe de mágica. deus teve vontade de fazer isso e fez, depois teve vontade de fazer aquilo e também fez….

    não é assim que a vida funciona.

    VLw!! darwin pela sua coragem e perseverança em buscar a verdade.
    Um dos maiores cientistas que já existiu!

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  2. Realmente,a teoria de darwin tem sua importãncia para a ciência,porém,também não explica tudo e deixa lacunas.Dizer que toda a vida surgiu de uma molécula inorgânica,isso sim que é sem fundamento.O homem,por exemplo,é um ser altamente complexo em toda sua estrutura biológica(celulas,tecidos,sistema nesvoso,etc).Como pode essa infinidade de coisas surgir do inorgânico?!
    Darwin foi sim um homem corajoso,que não teve medo de expôr suas descobertas.Contudo,já pelo fim de seus anos o mesmo relatou:”A natureza é algo divino e,concerteza,deve existir um Ser superior que a tenha criado.”

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