Os Desacordos Ortográficos da Língua Portuguesa

Por pouco não foi “inaugurado” o Internetês em 1907. Sim, isso mesmo! Lendo alguns artigos sobre o premente assunto da unificação ortográfica que passará a vigorar em janeiro de 2009, me deparei com duas coisas muito interessantes. A primeira é uma exposição de livros antigos na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) e a segunda, um excelente histórico dos acordos, ou tentativas de acordo, feitos entre o Brasil e Portugal.

O primeiro dos sites, o da Exposição de Livros antigos na Biblioteca Nacional, traz uma sátira a uma tentativa de Medeiros e Albuquerque, um escritor brasileiro que viveu entre meados do século XIX e início do século XX, tendo participado do acordo ortográfico de 1907 e, por conta de suas idéias, Carlos de Laet, outro escritor, aplicando as regras propostas por Medeiros e Albuquerque, escreveu o texto abaixo. Vejam como há semelhanças com o medonho Internetês.

“KARTA”

ke, kontra o semifonetismu du sidadão Medeirus, au sidadão Maxadu Dasis dirije um emperradu etimolojista, ô fonetista radikal.

Meu karu Maxadu Dasis. Não temus estado juntus, á muintus mezes, i kompletamente ignoru kual a tua maneira de pensar a respeitu da nova reforma ortografica, de invensão du Medeirus Albukerke. Não axas tu ke para uma revolusão é muintu póku, i para uma desorden já é demais? Á, nu ke vai fazendu a Akademia, grande falta de lojica. Vejase, por exenplu, akilu du agá! Não u admite nu meiu das palavras, i todavia u tolera nu principiu dalgumas. Ô u agá é bon, ô é mau. Si é bon, kontinúe a viver onde kér ke seja; si é mau, suprimase de todu.(…)”

In LAET, Carlos de. Crônicas. Seleção, organização e prefácio de Homero Senna. Rio de Janeiro : Academia Brasileira de Letras, 2000, 2a ed. p. 387.

O segundo site que indico é um trabalho produzido por Igor Metzeltin, da Universidade de Viena, denominado A Situação Ortográfica Luso-Brasileira. Pelo histórico feito percebemos que a confusão entre o Português falado no Brasil e o Português falado em Portugal, bem como dos outros países de expressão portuguesa, é antiga e data ainda do período colonial.

Como o Brasil é o país com maior população a falar esta língua, uma diferença básica se deu desde os citados tempos coloniais, segundo o autor. Percebam que ele usa a grafia européia no texto abaixo. Será que fará a revisão do texto em janeiro de 2009?

Em termos de ortografia desenvolveram-se paralelamente dois sistemas: em Portugal usa-se a grafia de tendência etimológica, mais perto da raíz latina, e no Brasil uma grafia de tendência fonética, que pretende reproduzir com maior exactidão a pronúncia das palavras.

E por este motivo que o acto vira ato e o conseqüente (até dezembro de 2008 esta grafia estará correta) facto vira fato. Chato mesmo será pedir um cachorro quente de linguiça em vez de lingüiça. Na dúvida, peça o tradicional de salsicha.

Este acordo, assim como os outros parecem protótipos de um samba do crioulo doido lingüístico e um arremedo de Fado Tropical.

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