Livros de divulgação científica podem ser legíveis

Earth Clock © Michael Agliolo/Corbis É isto que trata o artigo com Lucy Hawking, filha do físico Stephen Hawking, autor de um dos maiores best-sellers no campo da física e divulgação científica, o livro Breve História do Tempo, que ficou na lista dos mais vendidos durante 244 semanas (na Inglaterra) e foi traduzido em 44 países.

Ainda segundo o artigo “Lucy Hawking searches for the secrets of great science writing”, (algo como Lucy Hawking em busca dos segredos de como escrever sobre ciência), que saiu hoje no The Times, para escrever sobre a grande ciência, forma pela qual denominam a física e todas suas aplicações, é preciso ter imaginação, intuição e conhecer a arte de contar histórias. Muitos dos grandes cientistas não conseguem unir estas qualidades para falar sobre coisas complicadas e mostrar isto ao público como algo palatável e até mesmo agradável.

“Vejo a ciência como uma das mais dramáticas histórias que nossa espécie é capaz de contar”. É o que diz o físico Brian Greene, autor do livro Universo Elegante, que vê na forma como se conta esta história, a maneira que ela será absorvida pelos leitores e o grande segredo para obter sucesso é fazer o livro mostrar que é humano. Isto é, tocar a parte inteligente dos leitores. Assim todos se sentem parte desta história.

No primeiro capítulo de seu livro, Big Bang, o jornalista que escreve sobre ciência, Simon Singh, diz que “tudo é conseqüência de uma insaciável curiosidade, uma imaginação fabulosa, observação acurada e lógica implacável”.

Pode parecer fácil mas é extremamente difícil para um cientista conter a excitação de sua descoberta e por conta disso não conseguir tornar legível toda aventura que foi a sua pesquisa, descoberta ou evolução. Além de intuitivos nesta hora também é preciso que sejam imaginativos.

Um dos autores da Teoria das Cordas (um dos mais difíceis conceitos da física moderna), Leonard Susskind, que escreveu o livro The Black Hole War (algo como A Guerra do Buraco Negro) afirma que, como dito antes, é preciso “pôr algum elemento humano”. E continua o professor de Física da Universidade de Stanford, “Quando eu escrevo, sempre o faço contando a ciência como se fosse uma história”. Ele afirma que seu pensamento é um processo de imaginação e explicação: “penso em ter de explicar para alguém que não conheço, um completo desconhecido”.

Torna-se fundamental para que, tanto a imaginação quanto a física, possam caminhar juntas mesmo que pareça estranho, para que assim seja possível traduzir para os leitores e fazer a ciência ser popular. Por este motivo que Brian Greene afirma que “a arte de escrever sobre ciência é traduzir do abstrato para o intuitivo”.

O sucesso dos livros de divulgação científica é um fenômeno relativamente recente e isto se deve aos esforços de vários autores que militam nesta área, principalmente, quando escrevem para um público mais jovem, como é o caso de Glen Murphy, autor de Why snot is green? (algo como Porque a meleca é verde?), uma inventiva e imaginativa enciclopédia para responder as dúvidas das crianças. Num nível mais elevado, para adultos, também deve-se citar os livros do Dr. Oliver Sacks, que difundem a ciência de uma forma muito interessante.

Esta tem sido uma longa estrada que vem desde o livro de Isaac Newton, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicado em 1687, que certamente não tem nenhuma história engraçada sobre ser atingido por uma maçã na cabeça. Na verdade, este livro é considerado um dos mais inacessíveis já escritos.

A popularização dos livros de divulgação científica tem início em meados do século XIX, quando começaram a ser editados livros na França, Alemanha e Inglaterra. Einstein foi um ávido leitor dos livros de Henri Poincaré, filósofo, físico e matemático que escreveu diversos livros nesta área na virada para o século XX.

No início dos anos 1980, Carl Sagan trilhou o caminho com o livro Cosmos, que deu nome a uma série televisiva em treze episódios. Ambos foram pensados de forma a explicar a saga do Universo em termos de “Tudo o que é, nunca foi e nunca será” da mesma maneira que nos foi mostrado até então. Este livro esteve na lista dos mais vendidos durante setenta semanas, levando a comentários como “poucos cientistas teriam tido a coragem de escrever um livro como este, com todas suas possibilidades de ser um desastre”.

Esta mesma possibilidade de desastre foi pensada pelos editores quando ofereceram um contrato para Stephen Hawking escrever o livro Uma Breve História do Tempo, quando ainda era professor na Universidade de Cambridge, foi o que disse Lucy Hawking. Este livro se mostrou um desafio para todos que não acreditavam no livro, inclusive a primeira editora a apostar nele, pois o livro foi lançado por outra casa publicadora, que não imaginavam que o público estaria interessado num livro que explicava os avanços da física moderna, de uma forma que ninguém poderia compreender[1].

“A ciência permanecerá criando um modelo mental para o mundo. Quanto mais imaginação no seu modo de fazer, melhor será para todos nós”, disse Lucy Hawking.

Livre tradução do artigo Lucy Hawking searches for the secrets of great science writing, da edição do sábado, 14/06/2008, do The Times.


[1] Acabaram lançando um “manual” introdutório para entender o livro.

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