Ainda te escrevo e não sei o motivo

Teria sido bom
se da sintonia não perdesse o tom.
Teria sido pleno
se alguma vez fosse feito amor ao sereno.
Teria sido verdadeiro
se pudesse guardar teu cheiro.
Teria sido fantástico
se não fingisse asco.

Tentar e não conseguir é cravar a ponta da faca na palma da mão
Continuar praticando tal ação
É beirar a loucura ou a obsessão.
Como entender os nãos.

Querer nem sempre é poder
Mas há de convir que mentir e não dizer
É o que de pior pode acontecer.

Ainda te escrevo e não sei o motivo
Talvez seja um paliativo
Para tentar aliviar
A vontade de estar contigo.

(J.A. [dois mil e alguma coisa])

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3 comentários sobre “Ainda te escrevo e não sei o motivo

  1. Jorge:

    Sempre achei fantástico o fato de que o que alguns blogueiros escrevem sobre suas próprias experiências, por vezes, falam perto à nossos corações; como se fossem elas experiências análogas!

    Inspirada pelo teu texto e tendo sido tido lembrada uma experiência pessoal, respondo, em forma de ‘tosca tentativa de fazer poesia’. Ei-la:

    Escrevemos pq não esquecemos,
    não esquecemos o querer,
    não esquecemos o gostar,

    Mas as cartas, teimosas,
    tendem a voltar,
    quando voltam, entristecem,
    Carimbos dos correios:
    – Recusado,
    – Destinatário ausente,
    – Destinatário morto!

    Então morremos juntos,
    um pouco….

    Tendemos a sofrer,
    a não aceitar
    Que morte é bem-vista?
    Que morte é bem-quista?

    E, quando a dor fica quase insuportável,
    por vezes recebemos presentes…
    Recebemos recados,
    Recebemos cartas,
    de remetentes desconhecidos.

    Então, respondemos,
    entre temerosos e curiosos,
    entre deliciados e desconfiados…

    Então o curso do amor continua,
    num eterno ciclo de amar-sofrer,
    sofrer-amar, perder-ganhar….

    E os correios continuam tendo serventia!

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  2. Fátima,

    Eu só posso agradecer por você ter escrito esta inspiradíssima “resposta”. Sensacional!!!

    Sim, por vezes também me deparo com palavras que eu gostaria de ter dito ou escrito e fico pensando se não é tudo um jogo de palavras ou se há padrões comportamentais em que só mudam os personagens, pois o enredo, fatalmente, é o mesmo.

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