Amazônia, uma saga: consciência ecológica

Vista Aérea do Rio Amazônas Aerial View of the Amazon River © Steven Vidler/Eurasia Press/Corbis

A música, Saga da Amazônia, de Vital Farias, é um documento, uma denúncia, um alerta pelo que temos de mais importante em termos de consciência ecológica, a preservação da Amazônia e conseqüentemente de nós mesmos. Peço, portanto, especial atenção à letra e também para a mensagem contidas nestas palavras.

De quebra, ao final, ainda tem uma pequena mostra do talento do Vital Farias, na música Ai que saudade d´ocê nas vozes de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho

Saga da Amazônia (Vital Farias)

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d’água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé prá andar
eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, prá onde vai se mudar???
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nata tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:

Pos mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração

Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador…

Ai, que saudade d´ocê (Vital Farias)

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Um comentário sobre “Amazônia, uma saga: consciência ecológica

  1. Expetacular, simplesmente expetacular este trabalho realizado por Chico Terra e com esta belíssima música que, diga-se de passagem, já tornou-se um hino da Amazônia…
    Haveria eu que comentar ou discordar de algo?
    Quando Klauss Kinski adentrou a estas terras natívas de pairagens exóticas e exuberantes, para rodar o clássíco da sétima arte de Werner Herzog – “Fitzcarraldo”, o qual introduziu, logo no comecinho do filme, a celébre frase dos índios “Cayahuari Yacu” que diz: “…esta é a terra onde Deus não terminou a sua obra e que, um dia, tão somente quando o homem (mau)houver partido, voltará Ele para concluír a sua obra”, ou quando Caetano Veloso repreende “O Estrangeiro” cantando sabiamente: “É chegada a hora da reeducação de alguém
    Do Pai do Filho do espirito Santo amém!”, uma única coisa sim eu poderia dizer: a música “Estrangeiro” foi direcionada para o R.J. mas ela foi feita mesmo para a Amazônia e os estrangeiros que veem para divulgar as maravilhas deste mundo natívo são bem-vindos, pois nós homens civilizados sabemos que Deus está e sempre esteve na Amazônia e em todo o lugar e, com fé neste Poderoso Deus dos Cayahuari Yacu e Deus de todos nós, um dia voltarei à Amazônia para cursar Medicina na U.E.A. e poder ajudar melhor aos verdadeiros povos da nação brasileira!
    Cordialmente:
    Wallce Gonçalves de Souza.

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