Bloomsday e Hy-Brazil: a relação do Brasil com a Irlanda.

Não é só de Bloomsday que vive a relação Brasil-Irlanda. Para quem não sabe, o Bloomsday é aquele dia em que livrarias do mundo inteiro comemoram e relembram James Joyce, o autor irlandês que escreveu o intransponível Ulysses. E este ano será realizado não apenas em um dia, mas em três! Será entre os dias 14 e 16 de junho. Este é um dos dois únicos feriados mundiais que comemoram um livro, o já citado Ulysses, que se trata de um calhamaço de quase 900 páginas. E como quem já leu ou tentou ler, o livro retrata a vida de Leopold Bloom durante 16 das 24 horas do dia 16 de junho de 1904. O outro feriado é o da Bíblia.

Mas como eu estava dizendo, o Brasil e a Irlanda tem uma relação histórica e sui generis. Quem viu o filme Erik, o Viking, que no elenco contava com Tim Robins e quase toda a escalação do Monty Python, há de se lembrar que na saga que foi a viagem até o Valhala, eles procuraram e encontraram a mítica ilha Hy-Brazil.

Aí a cabeça embatuca, não? Aprendemos desde os tempos das aulas com a Tia Maricota, que o nome do nosso país veio da madeira tintorial que os portugueses, e também os franceses, trocavam por espelhinhos com os nossos indígenas. Podemos até fazer um exercício de ficção imaginando que os nomes dos países latino-americanos, que foram dados pelo colonizador, tenham sido baseados no aspecto gastro-econômico da conquista e colonização. Argentina, tudo bem que é fácil de saber, pois da foz do rio que dá nome ao país, o Rio da Prata, era escoada toda prata (argentum) das minas do Potosí, no Peru. Será que havia muitas dessas aves na região das minas andinas? Ou, um pouco mais abaixo havia pimentas chili, que deram origem ao nome do país magrelo da latino-américa? Ah, certamente que os piratas que ancoravam seus barcos nas antilhas, guardavam seus tesouros em cubas ou baús.

Portanto, o nome dado a estas plagas tupiniquins pode não ter tido apenas a origem econômica que todos nós aprendemos. Pode ser que, a lenda da mítica ilha Hy-Brazil estivesse no imaginário coletivo da época dos descobrimentos, assim como imaginavam que também poderiam cair no abismo se navegassem direto para o Oeste, já que para a maioria a terra era achatada.

O estudo deste caso de nomenclatura, no mínimo curiosa, está no livro Uma Ilha Chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro, de Geraldo Cantarino, que li há algum tempo. Agora, se você quiser conhecer mais um pouco desta lenda, eu sugiro uma ida ao excelente site do autor, onde você poderá ver mapas e ler partes de capítulos do livro.

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